Diário de Leo Valdez
2 28/07/2016 - Terça
Notas iniciais
Oi de novo, diário gatoso. Sabe por que você é tão importante, diário? Porque eu que escrevo em você, lógico, o bad boy supremo.
Enfim, achei que ia ser bom escrever hoje, já que foi um dia divertido, até. Bem, divertido é uma palavra forte, mas pelo menos não foi ruim.
Jason e Piper convenceram a diretora a cancelar minha suspensão, então pude ir pra escola hoje. Bem, eu tive que jurar por Alá, Zeus, Buda, Odin, Jesus e por tudo que fosse sagrado em qualquer religião que eu não ia aprontar. Me senti meio culpado jurando pra tantos deuses que eu não ia fazer mais bagunça, mas eu cruzei os dedos, então tá valendo.
Bundão e companhia, quer dizer, Octavian e seus amiguinhos, não ficaram muito felizes ao me verem. Logo que cheguei eles saíram correndo para a direção em uma tentativa falha de me dedurar. Pelo tempo que eles passaram lá, acho que estavam tentando controlar a raiva e a frustração antes de voltarem para a sala de aula. O que me permitiu alguns minutos a mais de paz e felicidade.
O professor de filosofia chegou e começamos a estudar sobre os mitos e mitologias. E não dá pra falar de mitologia sem falar dos deuses gregos e romanos. Zeus, Hera, Poseidon, Hades, Afrodite, Ares... esses eram caras maneiros.
A aula me fez refletir como era tensa a vida dos semideuses, pensei principalmente nos filhos de Zeus. Aquele velho assanhado. O cara era casado com Hera e mesmo assim fazia a festa aqui na Terra, engravidava uma “mortal” e no fim a criança que se ferrava sob a fúria da deusa. Típico. Os adultos fazem besteira e as crianças que acabam se dando mal. Mas ao mesmo tempo comecei a ter devaneios sobre como seria excitante a existência desses deuses e semideuses e comecei a tentar imaginar quem seria meu pai olimpiano. Bem, como eu só conheci minha mãe, a única possibilidade restante seria que meu pai fosse a parte divina da família. Se fosse uma mulher, bem, eu me encontraria em uma situação meio esquisita.
Enquanto filosofava sobre os deuses e suas características, cheguei a conclusão de que eu me daria mais com Hefesto. O cara consertava e criava, deus do fogo e ainda era casado com Afrodite. Simplesmente maneiro.
Comecei a pensar também que Piper podia ser filha de Atena, apesar de não saber como uma deusa virgem poderia ter filhos. Mas sei lá, eu conseguia imaginá-la sendo filha dessa deusa. Ou também de Afrodite. Mesmo tentando esconder isso, Piper era muito bonita e tinha lábia. Já Jason eu só consegui imaginar como filho de Zeus, o cara tem pinta de líder.
Quando eu estava finalmente me divertindo nos meus pensamentos, Octavian e sua gangue voltaram para a sala. O professor, infelizmente, permitiu sua entrada e a aula continuou. Devido a necessidade que tinham de chamar a atenção, começaram a jogar na cara de todos suas qualidades e afirmar de que deuses seriam filhos.
No meio da euforia, Clarisse levantou e gritou, batendo no peito como um soldado:
–Eu seria, definitivamente, filha de Ares. Aposto que venço qualquer palerma dessa sala.
Octavian, que não tinha achado ainda um deus para apadrinha-lo, resolveu me atingir, afirmando:
– Com certeza o meu Olimpiano seria alguém bem legal. Já não sei o do Valdez. Com essa cara de bandidinho, seria filho de Hermes. Cuidado com suas carteiras.
Assim como no dia anterior, senti minhas mãos quentes. O sangue me subiu a cabeça e percebi estranhas sensações nas orelhas e no nariz, como se estivessem pegando fogo. E assim como no dia anterior, também, Jason e Piper tiveram que me segurar. Só me acalmei quando o professor brigou com Octavian, afirmando que com as notas que ele tinha, ele deveria ser um pouco menos rude e se preocupar mais em passar de ano do que ficar tomando conta da minha vida. Nesse momento, aquele cara virou meu deus. Salve, ó, professor de Filosofia!
Mas pela primeira vez na minha vida, Octavian conseguiu me deixar para baixo. Não sei por que, mas o que ele disse me incomodou em um nível absurdo. Será que eu sou realmente isso tudo? Um garoto problema, que ninguém quis, esquentadinho, que só arruma confusão o tempo todo?
Ah, o que que eu estou falando? Eu sou Leo Valdez, o mais gato e maneiro daquela escola. Tenho que parar de pensar essas coisas.
De qualquer modo, depois da escola saí com a galera. Eu, Percy, Annabeth, Jason, Piper convidamos os dois alunos novos, Hazel Levesque e Frank Zhang, para sair. Devo admitir, é difícil não zoar com a cara do Frank. Ele parece um bebê gigante todo assustado. É muito engraçado.
Fomos a um Empório que abriu nas redondezas há menos de um mês. Nunca comi tantas enchiladas e salgadinhos de queijo na minha vida inteira. Também tinha uns doces engraçados. Um era em formato de flor, Flor de Lótus, eu acho. O outro se chamava Ambrosia e eu ainda não entendi o que aconteceu. Cada um sentiu um gosto diferente quando comeu aquele troço. Acho melhor a gente voltar lá depois e conferir isso. E pra comer mais enchiladas.
Bem, diário, tenho que ir. Vamos entrar em período de provas, então talvez eu não escreva por algum tempo. Se eu conseguir armar um esquema de cola com a Annabeth eu me resolvo, mas ela tem um senso de justiça excessivo, sempre dizendo “Se quer ir bem, estude bastante. Não vou ter dar cola”. É uma tristeza.
Pensando nisso agora percebi que ela seria, definitivamente, filha de Atena.
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