Diário de Ammy
4 De olhos abertos
Eu dormi até 15h. O sonho estava muito bom. Sonhei que éramos uma família perfeita, eu, minha mãe, e meu Pai. Todos nós em uma praia, aquela linda praia, o céu perfeitamente azul, sem absolutamente nenhuma nuvem, já a areia, era totalmente branca, e eu a pegava jogando-a para cima, de repente, meu pai – que estava enorme — deitava sobre a areia molhada pelo mar e dizia: — Ammy, me enterre, jogue areia sobre mim até a cabeça Era como eu não tivesse 16 anos, por que eu pulava, cantava, dançava, e podia fazer tudo o que me viesse à cabeça sem se preocupar se as pessoas iriam falar mal, ou bem de mim. Eu enterrei meu pai na areia, como ele havia me pedido, e ele sorria como uma criança, e enquanto ele me olhava – com aqueles olhos azuis que eram quase cinzas de tão claro, e ainda as pessoas conseguem achar meus olhos parecidos com os dele, mais os seus olhos eram tão perfeitos que pra mim era um enorme elogio desmerecido – minha mãe vinha por traz dele, e logo em seguida dava um susto nele, e todos nós começávamos a rir, foi quando eu me joguei no mar, ah o mar, eu ainda não falei dele, ele era profundamente azul, mais azul que o céu, mais azul que os olhos de qualquer um, mais azul que qualquer coisa, a sua beleza, a sua imensidão, e o seu infinito encantava qualquer um, me chamando como uma música que soava perfeitamente aos meus ouvidos era o som que ele fazia, e ao me jogar, eu senti o sol batendo em meus cabelos negros quando eu ficava em pé sobre o mar, e a água gelada passando sobre minhas pernas, e aos poucos ia afundando, cada vez mais até o mar me subir até o pescoço. — Ammy querida, saia daí. – meu Pai gritou, e eu o obedeci, nadando rapidamente para aonde eu havia me jogado, pois eu sempre fui uma ótima nadadora. Eu me encontrei tão perto da areia, e olhei para baixo para ver minha aparência refletida sobre a água do mar, e então me assustei, pois quando tive a sensação do meu Pai estar enorme, a sensação de poder fazer o que quiser sem me importar com que os outros iriam pensar de mim, era exatamente como me sentia aos oito anos – pois foi ai quando percebi, eu tinha oito anos no meu sonho — era exatamente da mesma forma do relacionamento entre eu e o meu pai, era exatamente como nossa família era perfeita, o meu sonho foi exatamente como eu queria que minha vida fosse. Então como havia sido apenas um sonho, eu preferi me levantar e esquecer como minha vida poderia ser feliz, mais não é. Arrumei minha cama, a coberta estava a ponto de cair no chão, então deixei meu quarto o mais bonito que ele já esteve, pois lá sempre foi o melhor lugar, no qual sempre gostei de estar. Então como eu tinha de ficar em casa por um mês, iria ficar em meu quarto, apenas em meu quarto. Deixei tudo perfeitamente brilhando. Peguei o celular, e liguei pro telefone, se minha mãe já estivesse em casa, ela atenderia, e eu teria ter de desligar o celular rapidamente antes que ela falasse algo, e se caísse na caixa de mensagens ela já tinha saído. Seria impossível me enganar, pois minha mãe poderia esta fazendo qualquer coisa, poderia estar até fazendo cocô, mais quando o telefone toca, Junny levanta e vai atender (eu sei, muito nojento) — mamãe estava costumada demais a trabalhar, e não conseguia ficar ao menos 4h dentro de casa – então aconteceu o que esperava: caiu na caixa de mensagens. Eu saí do meu quarto mais não por que eu estava cansada dele, eu amo meu quarto, mas foi por que... Por que... Está bem, eu estava cansada dele, liguei na escola pra pedir o telefone do celular, ou da casa de Katye, de preferência os dois. — Secretaria de Archbishop Carroll High School, o que deseja? — Você poderia me dar o número do telefone de Katye, do ensino médio. — de qual sala? — Só tem uma Katye no ensino médio. — Ah sim, me desculpe, o que queria mesmo? O endereço? — O telefone, só se não for muito incômodo — Ah, então me desculpe. — Perdão, o que disse? — Me desculpe então, não vai dar pra dar o telefone de quem você gostaria. — Ué, eu poderia saber por quê? — Por que sim, seria muito incomodo eu procurar o telefone, então... — Você está de brincadeira com a minha cara não é? — Sim, desculpe, foi só uma brincadeira. — Brincadeiras são quando as pessoas riem, e no caso eu não ri, então não foi uma brincadeira. — Desculpa, o nome seria Katye Osment? — Como eu disse, só há um Katye no ensino médio, mais parece que está tão difícil eu pegar um telefone sequer. — 4543-2342 — Enfim obrigada — Por nada. Desliguei o meu celular, meus créditos deveriam ter ido embora com o telefonema daquela secretária “inteligente”, peguei o cartão de crédito e adicionei mais 30 dólares de créditos e em fim disquei o número da Katye. — Alô quem fala – ela disse numa voz meiga. — Essa Voz que você faz pra atender ao telefone? – ela riu — Só você pra me fazer rir, é você não é Ammy? – ela falou com a voz triste dessa vez. — E só você pra me tentar fazer “graçinha” –ignorei a pergunta dela — mais o que foi? Na verdade eu te liguei pra desabafar, e eu que vou ouvir desabafo? — É eu acho que sim, meu Pai brigou com minha mãe, e ela começou a falar altos desaforos pra ele, e ele bateu nela- ela começou a chorar. — Oh Katye, sinto muito. — Não sinta. O que queria desabafar? — Minha mãe, ela me deixou de castigo por um mês. — Por quê? — Ela foi lá à ACHS me buscar, e eu não estava lá, ela ia me levar no Mc Donald, e passou lá em frente, e me viu. — Meu Deus Ammy, e ai? — ela ainda acha que eu saí brigando na rua, por que viu eu quase te batendo e ela acha que eu te dei uma surra, me desculpe por quase te quebrar. — quem te vê assim, acha que é super delicada – eu ri – Mas na verdade eu que deveria me desculpar, olha o que eu causei... — Não Katye, eu não devo ser influenciada assim, de hoje em dia não farei o que você quiser, pro meu bem. Terminei de falar a frase, mas não ouvi nada. — Katye? — Desculpa Ammy, estou chorando sobre o telefone que nem consigo falar direito, mais eu ouvi o que disse, às vezes é preciso mesmo fazer isso, mais depois você não vai se arrepender de ter feito isso. — Ai Katye, eu sinto muito, eu queria poder ir ai pra poder te consolar, você precisa de consolo, e não eu. — Não se preocupe comigo, eu estou bem, e vou ficar bem – ela fungou como quem chora. — Não, não vai. Por que não vem pra cá, já que eu não posso ir ai? — Sim eu, eu estou indo te fazer companhia. — eu quero que venha pra mim TE fazer companhia, mais tudo bem, tchau tchau. — Tchau Ammy, valeu amiga. — Foi um prazer. – ela riu e desligou o celular. Enquanto ela não vinha, eu parei pra pensar sobre mim, mais na verdade isso cabe pra todos, nós sempre pensamos que a vida dos outros é sempre melhor do que a nossa, sempre achamos que o gramado do vizinho é mais verde, só o que não sabemos é que estamos errados, na maioria das vezes, igual no meu caso, eu achava que as piores coisas do mundo aconteciam comigo: Meu pai fugir de casa, e eu ficar sem ver ele por oito anos, brigar com quem eu achava ser minha melhor amiga, eu ficar com a cara rachada depois de ser envergonhada em frente toda a escola, brigar com minha nova amiga, ficar de castigo por um mês. Mas apesar de todos esses motivos pra achar que minha vida é pior do que a de todos, eu sei que a vidas de muitas e muitas pessoas são piores do que a minha, eu nunca tinha parado pra pensar nisso: O meu pai ter fugido sem falar nada é uma coisa horrível, pior ainda seria, se, por exemplo, eu soubesse que ele teria batido na minha mãe, espancado ela, conseqüentemente ela teria ido à delegacia, e eu teria um pai preso, ou se eu visse minha mãe brigando com ele, e ele quebrando tudo, pegando as malas, e indo embora, ou pior ainda, se eu tivesse certeza de sua outra família, ele levasse outra mulher pra minha casa, minha mãe teria visto, e ia xingar ele, e ele iria pegar uma arma, atirar na cabeça dela e eu não teria mais uma mãe, e eu teria que morar com o meu pai e com a outra família dele, mas não, nada disso aconteceu. Nós, seres humanos temos a mania de ficar chateado por bobeiras, pessoas morrem, pessoas matam, mas o verdadeiro motivo da maioria, está em dinheiro, mulheres, ou pequenos problemas familiares, igual a mim, estava com raiva da minha mãe por me deixar um mês de castigo – eu sei eu sou muito burra de ter sido pega – enquanto o pai da minha amiga bate na mãe dela? Que egoísmo da minha parte, me preocupar com coisas fúteis, mais o que verdadeiramente importa está bem longe dos meus pensamentos, mas não agora. A campainha tocou. — Ammy – Katye gritou. Fui correndo abrir a porta, e quando abri, a chuva estava caindo, eu havia pensando tanto que nem ouvi o barulho da chuva. Katye estava desabando em choro, segurei a mão gélida dela e a puxei para dentro. — Venha Katye entre, poxa vida, você está toda molhada – ela entrou, e eu tirei minha blusa de frio em que eu estava desde a escola e a enrolei com ela. — Ai Ammy, você não sabe o quanto eu estou grata. — Mais Katye... Eu não fiz nada por você. — Você não entende não é? — O que? — Eu te conheci hoje, e você já está abrindo as portas da sua casa pra mim, e me consolando, nunca conheci alguém assim. — Katye, eu ainda continuo achando que não fiz nada por você, mas venha, senta aqui – puxei-a de novo, mas dessa vez foi para o sofá, e ela como qualquer educada se sentou. — Vou preparar algo, talvez um chocolate quente nesse tempo frio caía bem. — Não Ammy não preci... – não deixei ela terminar de falar, fui logo a interrompendo. — Katye, por favor, nada que você faça vai me impedir de fazer o chocolate quente – falei com brincadeira, mas com um pequeno tom de seriedade. Enquanto preparava o chocolate quente, vi Katye se derramando em prantos no sofá, e no momento eu entendi que ela não queria que eu fizesse o chocolate quente, não era por que ela estava com vergonha demais pra aceitar, ou estava se sentindo bem demais e não precisava de mais nada, mais ela veio na minha casa, não pra tomar chocolate quente, mais pra se sentir consolada, pra se sentir confortada – como eu fui tola. Mas infelizmente, eu deveria continuar o chocolate já estava no fogo, e se parasse ele poderia queimar, Katye estava ao ponto de ir embora- coitadinha- fiquei com raiva de mim mesmo, e terminei em um minuto, coloquei na melhor xícara pra ela, e levei no sofá. — O-bri-ga-da – ela falou soluçando, e separando as sílabas da palavra. — Katye, me desculpe – ela deixou a xícara em cima da mesa de centro da sala e eu a abracei – não se preocupe, no final vai dar tudo certo, e se ainda não deu, é por que não ainda não é o final – eu vi o meu vizinho falando essa frase uma vez, e peguei pra mim. — Eu sei Ammy, eu sei – ela falou me apertando com o abraço, como se aquele abraço fosse o último da vida dela, como se aquele momento fosse o último da vida dela, e de repente ela começou a chorar um choro bem baixinho que entrou direto nos meus ouvidos, o tornando desesperador, e totalmente carente, eu também a abracei com mais força, e comecei a chorar com ela também. Mas ela me soltou depois de alguns segundos, senti que ela estava melhor, e a soltei também. — Ammy, mais uma vez eu agradeço, se não fosse você aqui comigo... Eu não teria mais ninguém, sabe, eu já tive muitas amizades, mais nenhuma durou, mais eu sinto de alguma forma, que a nossa vai durar bastante, ou talvez pra sempre. – eu sorri pra ela. — Concordo com você. — Está bem, chega de choro, vamos fazer alguma coisa menos depressiva- ela falou limpando as lágrimas dos olhos verdes dela, que já estava caindo sobre o seu nariz fino. — Claro, venha conhecer meu quarto – levantei do sofá, e ao olhar pra traz, percebi que ela me acompanhava. Ela conheceu o meu quarto, e todo o restante da casa, nós conversamos, rimos, brincamos, e eu fiz de tudo pra manter a mente dela o máximo de ocupação possível, mas teve momentos em que não foi possível, se ela ficasse 5 minutos parada, ela já começava a pensar nas brigas familiares em sua casa, e enchia seus olhos de lágrimas, então eu percebia, e distraía-a, foi assim até ela ir embora. — Ammy, já são 21hr, eu preciso ir, daqui a pouco sua mãe vai chegar, e a minha também! — O.k Katye, quando precisar, é só me ligar, ou melhor, venha aqui! — Está bem, mas depois apareça lá em casa também. — Claro, será um prazer, agente se vê na escola amanhã. — Então até lá! – abri o porta para ela sair pra ir casa dela, e ela foi! Que ódio... Novamente sozinha, — Toc, toc, Ammy, abra a porta, AAAMMY, anda logo menina- sozinha não mais — Mãe, tem campainha sabia? — Abre essa porta logo, e para de reclamar, e eu sei que tem campainha menina velha nojenta, se foi eu que coloquei... — abri a porta, e subi correndo pro quarto. Peguei o meu notebook rosa – eu não sou Patty –e fiquei 5h na internet, quando olhei no relógio era 2h da manhã, e eu já estava caindo sobre o notebook, e então fui dormir. Eu não conseguia dormir, fiquei noite toda acordada, é incrível, eu estava caindo sobre o meu computador agora a pouco, e agora, nem consigo fechar os olhos por falta de sono, desci as escadas, e bebi um grande copo de leite, tomei um banho de quase 1h30min, e consegui cochilar um pouco, quando eu acordo toda suada, e olho no relógio ainda era 4h30min, então eu separei logo minha roupa, meus materiais da escola, e “desmaiei” na cama, agora assim eu estava com sono, quando alguém interrompeu a bosta do meu doce sono, e esse alguém era a minha mãe. — Ammy, acorda. — ãah – falei ainda dormindo. — Acorda, anda Ammy. — Não, eu não- ainda dormindo... — Ammy, será preciso jogar água de novo? Ande logo eu tenho que trabalhar... — O.k mãe... O.k – acordei, banhei de novo, e vesti a roupa que separei, tomei café, e peguei minha bike, e fui pra escola.
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