Diário De Uma Bitch
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Fui andando até o café onde ia encontrar meu tio. Estava lotado de gente, parecia um monte de formigas se acomodando para fugir do inverno. Ergui uma sobrancelha e começei a procurar meu tio, ele estava como de costume no canto da sala com dois cappuccinos espumosos. Me encarava como quando eu era pequena, como se eu tivesse aprontado alguma e ele estivesse pronto para me livrar do castigo.
– Pensei que não ia te encontrar no meio de tanta gente. — disse me sentando ao lado dele.
– O que você quer agora Carol?
– Sabe aquele apartamento que você tem no Canadá? É exatamente para lá que precisamos ir. Mas no jato particular do seu pai.
– Por quê?! — ele perguntou surpreso
– Bom, porque... — contei tudo resumidamente á ele, que me escutou com muita paciência
– E porque você quer ir para tão longe?
– Porque vou poder começar minha vida lá, de novo.
– E porque pensou que poderia te ajudar?
– Porque você me deve! — respondi friamente.
– Carol, olha aqui, vamos parar com essa história de você me deve ou sei de um segredo seu... Não tem como recomeçar sendo menor de idade, então ...
– Você quer vir junto? — perguntei já advinhando
– Quero.
– Então vamos somente eu e você, mais ninguém! Nem meus pais...
– Eu junto meu dinheiro, pego o jato do meu pai, enquanto você junta tudo que é importante. Eu conheço um cara que faz documentos falsos, e ponha uma peruca, para ser menos você o possível.
– Porquê está fazendo isto tudo para mim?! — perguntei curiosa, havia algo aí e eu queria saber o que.
– Porque qualquer homem apaixonado faria isso.
Arregalei os olhos fiquei olhando-o encabulada.
– Como é que é? — perguntei forçando o cappuccino descer pela minha garganta.
– Desde uma certa idade você passou a chamar minha atenção e...
– Ok, isso já dá para imaginar, agora você já reparou a diferença de idade?
– Já... Mas não me importo muito com isso.
– Ok, olha depois a gente conversa ti... Victor, depois a gente conversa sobre isso, o primordial é nossa ida para o Canadá. Eu tenho um plano que poderá atrasar quem quer que esteja querendo me ferrar...
2 dias depois
Estava sentanda em casa tomando um refrigerante, não havia mais ninguém lá, pois era dia de semana e hoje eu decidi faltar na escola, Alexander parecia estar fora de casa esse meio tempo, com certeza tentando retomar os vídeos que havia tirado do pen drive e do computador dele.
A tal da P havia me deixado em paz esses dois dias. " Oi vadia, seu reinado acabou, pois quando uma rainha cai outra sobe, você vai cair dentro de uma cova grande e funda, daqui a uma semana na rua...
P"
Aquela fora sua última mensagem, parece que ela queria dar o grã finale, mas mal sabia ela o que eu havia preparado. Nesses dois dias entrei em pesquisas profundas para descobrir quem era P, e havia mandado ao amigo do meu tio meu celular, para ver se ele podia descobrir. De repente o telefone fixo lá de casa tocou, rapidamente o atendi.
– Alô? — perguntei docemente
– Ahh, oi Caroline — uma mulher com voz de que acordou agora disse — Eu sou a mãe do Marcos, eles está sumido há 2 dias e queria saber se você sabe onde ele está, me disseram que você foi a última a estar com ele.
– Não sei não, — disse me segurando para não rir — Se bem que a última vez em que nos vimos foi no ... No terraço do prédio ... Ele me disse que tinha um encontro com alguém e não quis dizer com quem, só me lembro de ver uma gafarra na mão dele.
– Ok, obrigada.
Assim que coloquei o telefone de volta no gancho começei a gargalhar. Ria tanto que me doía a barriga. Após uns minutos de risadas sem fim, meu telefone tocou novamente.
– Alõ? — disse com a voz cheias de resquícios da minha risada.
Nada além de uma respiração forte, como se uma pessoa estivesse na neve.
– P? — perguntei rindo.
– Você vai morrer Caroline, guarde minhas palavras, nem um osso, nem um fio, farei questão de que tudo vá embora, para nunca lembrarem de você.
– Eu sou uma lenda! Mesmo não deixando nada de mim, eles vão se lembrar.
– Veremos!
A voz era eletrônica, não dava para identificar. Fiquei com raiva e fui para meu quarto. Minhas malas estavam prontas, todas em mochilas antigas e feias, que havia guardado, a peruca era loira e grande.
Mandei um sms para o meu tio perguntando se estava tudo certo, somente daqui a uma semana. Respirei fundo e me sentei na cama. Perguntei se era legalmente possível que se por acaso nós ficassemos juntos. Ele não respondeu, só perguntou se eu poderia ir na casa dele.
Peguei um dinheiro, tranquei meu quarto e fui quase que automaticamente para o ponto de taxi. Cheguei na casa dele uns 30 min depois de quando haviamos nos falados. Ele estava me esperando na varanda, sentado com duas canecas cheias de cappuccino, fui até ele e peguei a caneca do gato da Alice.
– Ainda tem minha caneca preferida! — disse admirando-a — Como sabia que eu viria?
– Você sempre foi curiosa...
– O que tem para me dizer?
– Eu não sou seu tio. Você é o fruto de uma traição da sua mãe com o padrinho dela, no dia de seu casamento, ou seja, nós não somos nada, a não ser conhecidos.
– O que?! — perguntei perplexa.
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