Diário De Um Serial Killer
3 Escola (parte I)
Notas iniciais
Capítulo mais curto que o normal, como já disse isso... Boa leitura!
18 de dezembro de 1889,
Permaneci o final de semana fora, por isso o pulo de dois dias desde a última vez que escrevi, mas não acho que isso seja de muita importância.A escola para mim sempre fora um problema. Estava por volta dos seis anos quando comecei a frequentá-la verdadeiramente. O jardim de infância foraaplicado por Elena até aquele momento.Não queria em nenhum instante cogitar a ideia de ficar em uma sala por cincohoras com, no mínimo, mais quinze crianças. Apesar de ser uma na época, nãogostava delas. Sempre com as mãos sujas e meladas por alguma espécie de docequerendo ver meus desenhos e sempre estragando-os, enroscando acidentalmente taismãos em meus cabelos, na época já compridos, os deixando com nós que só sairiamse o cortasse. Raymond estava na mesma sala que eu, pobre menino, sempre com boas intenções etentando criar um laço afetivo comigo e eu, como sempre, não correspondia. Elesabia que preferia ficar só. Era preferível de minha parte que nósmantivéssemos apenas uma amizade baseada em “oi” e “tchau”. Nada além disso, eele acabou afastando-se com o tempo. Ele não era má pessoa, mas como já é claro, minha natureza é solitária.Conforme íamos a pé para a escola, sempre juntos, surgiam conversas banais einfantis, das quais não me lembro de nenhuma. Pode-se dizer que minha infânciafora a época em que mais fui sociável, por menos que pareça.Depois de tudo o que havia sofrido preferia me manter a uma distância razoáveldas pessoas com as quais era obrigado a conviver todos os dias. Era difícilacreditar que uma criança aparentemente normal pensava em coisas como ascitadas acima. Mas com o bom uso da palavra, a utilização de “aparentemente” não quer dizerque fui uma criança normal. Aliás, nunca fui de todo normal qualquer que fossea ocasião. E claro, diante disso, não demorou muito para as brincadeiras de maugosto surgirem.Era uma semana como outra qualquer, estava quase completando oito anos. Ia emdireção a sala de aula quando senti um leve tapa na nuca seguido de uma ameaça,algo como “nos vemos na saída” mas realmente não me lembro, e no momento, nãodei atenção alguma para tal ocorrido. Nada poderia ser pior do que tudo o queera obrigado a passar desde que fora expelido contra a vontade de alguém quemal sabia o nome. Caso tentassem agredir-me, eu também agrediria. Não eranenhum tipo de lutador profissional mas saberia me defender, por mais que apanhasse,revidaria.E na saída lá estavam alguns meninos mais velhos dos quais os nomes não podemmais ser encontrados nos registros legais do país, rindo de mim sem um motivoaparente. Eram três contra um. Dois deles me seguravam enquanto o terceiro, abriaminha mala e procurava incansavelmente por algo dentro da mesma. Finalmenteachou o que queria, balançava no ar meu caderno de desenhos enquanto ameaçavaarrancar as folhas de tal. Arremessava-o para cima, como em um jogo onde a bolanão pode tocar o chão. Agora estava solto, o caderno voava sobre minha cabeçaem meio a risadas e insultos. Finalmente criei coragem e cerrei o punho. Quando vi, o nariz do mais alto sagrava e a raiva era clara em seu olhar de vândalo.Eles revidariam, eu já sabia, e assim fizeram. No final estava estirado no chãoe possuía hematomas pelos braços e rosto. Nada que o tempo não curasse.Não me vi na necessidade de ir até a diretoria, já tinha meu caderno de volta(que no caso, achei dentro de uma lixeira próxima à entrada da instituição deensino) e fora eu quem batera no garoto primeiro, perdendo a razão. Mas é claro que não ficaria assim. Elaborei durante anos algoque verdadeiramente mudaria a vida daqueles que, depois de tal dia,acharam prazer em ver minha dor nascer. E assim comecei a apanhar no mínimotrês vezes por semana depois que o sinal da última aula soava. Simplesmente nãome importava, já planejavaminuciosamente cada detalhe de minha vingança J.E.
Notas finais
Obrigada por ler!(Erros, dúvidas e afins: avisem por favor) XO
Fale com o autor