Diário De Um Pseudopsicopata
26 Milionário? - Capítulo XXV
Notas iniciais
Você não teria coragem de atirar no seu próprio irmão, Robert! — Gritei.
Robert balançou a cabeça negativamente e sorriu.
Fica de joelhos agora. Quero ver você implorando pela sua vida. Quero ver lágrimas nesses olhos castanhos. Quero ver seu olhinho chorando igual naquele dia que eu te peguei pela primeira vez. — Expôs com uma risada sarcástica.
Quando fiquei de joelhos, Robert caminhou em minha direção com a arma apontada contra a minha cabeça.
– Olha só, maninho. E eu que pensava que nunca mais você fosse ficar assim de joelhos para mim... — Enfatizou Robert com uma de suas sobrancelhas levantadas e arma na minha cabeça.
Inúmeras lembranças passaram pela minha cabeça da época em que eu fui abusado. De repente, tudo ficou turvo e em um tom avermelhado. Tudo que eu conseguia enxergar era o rosto do Robert ensanguentado enquanto meu punho arrebentava a seu rosto. Um choque térmico arrepiou-me desde o topo da coluna, até o meu cóccix. Nada estava mais turvo, muito menos avermelhado. Vendo meu irmão com o rosto todo arrebentado e a arma á metros de distância de nós dois, saí de cima dele e corri até o barril que eu havia derrubado. As lágrimas desciam pelo meu rosto.
– Me desculpa, me desculpa, me desculpa. Eu nunca seria capaz de te matar. — Logo após isso, levantei-me e saí correndo sem olhar para trás.
Diante de muito nervosismo, entrei no carro e chorei no volante. Ouvi alguns gritos de pavor, era meu irmão vindo em minha direção com a arma. Ele estava desgovernado, atirava e gritava como um louco enquanto colocava uma das mãos no rosto para conter o sangramento que fiz. Nenhum tiro me atingiu, ou atingiu o carro. Perante aquela situação, fui obrigado a dar o fora dali imediatamente. Andei durante alguns quilômetros atordoado com tudo que vinha acontecendo do ultimo ano para cá. A floresta apavorante ao redor da estrada e a escuridão da mesma que estava sendo desbravada pelo farol do meu Audi me encorajavam a seguir em frente. Não havia ninguém naquela estrada por essas horas. Apenas eu. Eu e minha solidão. Eu e minha culpa. Eu e minha maldade. Á que ponto eu fui capaz de chegar? Já havia perdido as contas de quantas pessoas eu matei pelas minhas próprias mãos e matei por tabela diante de situações que envolviam outras vitimas. Naquele momento, a minha consciência era a minha mais brutal inimiga. Alguns metros a frente, enxergo uma placa de motel com um letreiro em neon de cor lilás: Mohammad Motel. Era ali que eu passaria minha noite que havia sido uma das piores desses dias. Três mortes em uma noite é demais.
Acordei com meu celular tocando, era um barulho ensurdecedor. O sol lá fora parecia escaldante. Era a famosa hora do rush. Na tela do celular, havia um numero desconhecido.
– Richard Rhodes? Bom dia, aqui é Ethan Murphy, o advogado da família McClain. Preciso de uma reunião com o senhor imediatamente! Poderia me encontrar? — Ele tinha uma voz grossa e de locutor de rádio. Suspirei fundo e pensei durante alguns segundos.
– Richard? Você me ouviu? Quero me encontrar com você. Sou Ethan Murphy! — Insistiu.
– Claro, pode me dizer o endereço e o horário. Estarei lá. — Respondi com uma voz trêmula e um pouco abafada pelo sono.
Ethan havia marcado em uma cafeteria na rua acima da casa em que eu cresci. Aquilo seria torturante para a minha memória, mas eu precisava comparecer. Eu tinha exatamente duas horas para me arrumar e tirar aquela cara de cachorro abandonado pós-mudança.
Chegando a cafeteria, que inclusive era muito popular na cidade, vi um homem de barba mal feita, cabelo bem cortado e de terno sentado á mesa ao lado da janela de vidro fitando o movimento na cidade. Todos do local me encaravam. Cheguei bem perto da mesa.
– Ethan Murphy? — Ele voltou a cabeça para mim e me encarou com um sorriso.
– O próprio. Poderia sentar-se? — Ele sorriu de novo para mim quando eu havia sentado: — Pensei que fosse mais velho. Não sei se o que tenho aqui poderá beneficiar-lhe por ora. Vou ser direto e sem meias palavras. Vanessa deixou um testamento de sua herança. Ela era a única herdeira de toda a fortuna dos McClain, tendo em vista que sua irmã foi morta naquela explosão. No testamento, ela deixou expresso sem meias palavras que você e mais ninguém era o herdeiro de todas as posses e dólares na conta bancária da família, caso algo acontecesse á ela. Sabe o que isso quer dizer, Rhodes?
Tomei o papel que ele estava segurando e passei o olho em tudo que estava escrito. Olhei para ele com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos de emoção.
– Isso quer dizer que agora eu sou o mais novo milionário da cidade? — Ele sorriu para mim, apertou minha mão e disse:
– Meus parabéns, rapaz. O golpe foi bem sucedido. — Ele respondeu enquanto sorria para mim e apertava minha mão. Continuou: - Agora, você ganhou um novo oponente. E quer saber de mais? Vou fazer o possível pra tirar essa fortuna de você. Sei o que você fez para que esse dinheiro chegasse ao seu bolso. Você só vai poder gastar essa grana realmente quando for maior de idade, por enquanto vai ficar ganhando uma pensão de uns 12 mil dólares. Não se anime. Vou tirar tudo de você. Agora você não tem mais adversário fraco como Lana Miller ou quiçá seu irmão, Robert Rhodes. Agora sou eu, Ethan Murphy quem vai puxar seu tapete.
– Você pesquisou minha vida inteira antes de vim aqui, Ethan? — Olhei-o assustado da cabeça aos pés.
– Viu o quanto eu sei sobre sua vida? Posso descobrir muito mais, basta eu querer. Tenha um bom dia, Sr. Rhodes! — Respondeu o homem levantando-se rápida e impulsivamente.
Permaneci sentado naquela banqueta enquanto Ethan saia acendendo seu charuto e sorrindo para o barman. Parece que dessa vez eu havia arranjado um inimigo realmente de peso. Quem poderia me salvar?
Na hora que estava saindo da cafeteria, fui surpreendido por uma mulher de cabelos longos e loiros com um turbante na cabeça e um óculos redondo de cor castanha, ela segurou meu braço.
– Não vou deixar que esse oportunista tire tudo que você conseguiu, meu filho. Estou aqui para te ajudar. — A mulher tirou os óculos e me surpreendeu.
– Mãe? Você não havia morrido num acidente? — Indaguei abismado.
– Shhhh. Não fale nada. Ninguém sabe que eu estou viva. Apenas você. Onde podemos conversar com calma? Eu senti tanto a sua falta! — Ela colocou seu dedo indicador levemente nos meus lábios e retrucou calmamente.
Nos abraçamos e a levei até meu carro. Dirigi até o condomínio, no meio do caminho ela não proferiu uma palavra. Chegando á mansão, minha mãe encarou a casa por alguns segundos. Estava deslumbrada.
– Não vai me convidar para conhecer sua nova casa?
Na hora que entramos na mansão, ela encarou toda a mobília, sentou-se calmamente em meu sofá de couro e acendeu um cigarro preto.
– Há muitas coisas que eu calei e que agora você precisa saber sobre a nossa família. Algumas irão te chocar. Está pronto para descobrir os segredos mais sujos de sua família?
Fale com o autor