Diário De Um Pseudopsicopata
4 Chantagem Bibliotecária - Capítulo III
Havia pessoas de todas as idades no internato. O pátio tinha um lindo jardim, até cerejeiras havia. Havia também um longo labirinto de arbustos que formavam o símbolo do internato. Tinha realmente muitas pessoas estudando ali, mas não iria cometer o erro de ser só mais um excluído. Iria fazer um nome, um nome que iria ser temido e respeitado. Era o início da minha vingança. Logo que entramos na escola, percebi que era um lugar muito bem arrumado e brilhante de tão limpo. Aparentava uma mansão. O chão era tão encerado que chegava a brilhar, na parede tinham painéis de madeira, havia quadros de diversos reis que reinaram na Europa durante os mais diversos séculos. O internato era moderno por fora e clássico por dentro. Genial. Havia um longo corredor à esquerda e a direita no térreo, eram as salas de aula. A Sra. Goulart percebendo meu encantamento disse: — Você não quer conhecer seu dormitório? — Nesse momento a Lana interveio e disse: — Ele irá ficar no quarto dos CK. — Franzi a testa em estranhamento, a diretora riu e disse: — Não estranhe Richard! Aqui na instituição, assim como na sociedade, somos divididos em classes. Os CK são a classe mais alta. Falando nisso, você quer ficar no quarto do Carlos e do Klaus? — Lana deu uma leve gargalha e disse: — Claro que ele quer boba! Teremos que mudar a cifra para “CKR” — A diretora sorriu e disse: — Como quiserem crianças! Lana, você o levará até o quarto dos garotos? Tenho que atender a mãe da Inês, pra variar! Você sabe bem como ela é... — Lana sorriu e fez um sinal com a cabeça em confirmação. Curioso, perguntei: — Quem é essa Inês? Ela parece ser bem difícil. — Lana perdeu a feição de alegria e ficou séria do nada. Ela olhou para mim fixadamente, apertou meu braço e disse: — Em hipótese alguma, chegue perto da Inês, entendeu? Ela é encrenca na certa. As coisas que ela faz são terríveis. Não quero você perto dela. — Assustado balancei a cabeça em sinal de aprovação.
Subimos as escadas e havia dois longos corredores com janelas de vidro que dava ter uma paisagem fantástica, um corredor era á direita e o outro á esquerda. Logo acima do corredor da direita tinha uma plaquinha que indicava que era o corredor masculino. Pelo corredor, dava para ver toda a vista da Suíça. O internato ficava no alto de uma montanha, aquilo era assustador e ao mesmo tempo excitante. Assustador porque era totalmente isolado do resto da cidade de Berna e excitante porque eu amava altura. Entramos no terceiro quarto do corredor masculino e o Klaus estava com o Carlos jogando vídeo game. Lana levantou a sobrancelha, sorriu empolgada e disse: — Meninos! Preciso lhes apresentar o seu novo companheiro de quarto: Richard! E ele já sabe de tudo, mas não se preocupem a boca dele é um túmulo. — Eles pararam de jogar instantaneamente e vieram me cumprimentar. Klaus disse: — É bom que você tenha fígado e pulmões fortes. Aliás, quer um baseado? — Lana estava sorrindo de orelha á orelha e disse: — O que achou dos seus novos companheiros de quarto? Não são fantásticos? — Sorri e franzi a testa, estava insatisfeito.
Não liga pro Klaus. Ele diz isso pra te assustar, a gente mal fuma. Na verdade quase nunca. Mas, é bom que você tenha um bom nariz. Ou quem sabe uma boa boca... — Joguei minha mala no chão e disse: — Desculpa cara, mas comigo não rola. — Ele sorriu e disse: — Tudo bem, também sou assim. Ou era. Até conhecer o Klaus. — Ótimo. A Lana tinha me colocado no quarto de um casal de gays enrustidos e aparentemente tarados. Fantástico. Mas, isso poderia ser divertido. Haviam quatro camas. Eles haviam voltado a jogar e eu perguntei: — De quem eram essas camas? — Klaus torceu a boca e disse: — Rick e James. Morreram. Infelizmente fomos obrigados a jogar eles por uma das janelas. Terrível, não? — Estranhei e disse: — Isso aqui é um internato para delinquentes? — Carlos e Klaus começaram a rir e o Carlos disse: — Cara, você sempre leva tudo a sério assim? Essas camas são apenas reservas. Um bolsista estava dormindo aqui no quarto, mas diante da minha situação com o Klaus tivemos que dar um jeitinho de expulsar ele. Aliás, você não se importa, de noite eu e ele... — Prontamente o interrompi e disse: — Não, não. Contando que eu consiga dormir está ótimo! — Eles sorriram e simplesmente começaram a se beijar na minha frente. Então eu disse um pouco envergonhado: — Errr... Vou tomar um ar. Até mais tarde! — Eles se despediram com a mão e continuaram se beijando. Que loucura!
Logo vi a Lana com duas meninas gêmeas. Provavelmente as melhores amigas dela e eram tão bonitas quanto a Lana. Cumprimentei as meninas com um sorrisinho, peguei a Lana no braço, encostei-a na parede e sussurrei: — Olha, eu sabia que o Klaus e o Carlos eram um casal, mas não sabia que eles deram um jeito de expulsar uma pessoa daqui! Eu não quero ser expulso daqui, eu mal cheguei! — Lana sorriu discretamente, passou a mão nos seus longos e lisos fios de cabelo e disse: — Venha comigo. Sem perguntas. Apenas me siga. — As gêmeas vieram atrás e ela disse: - Eu chamei o Richard, não vocês. — Segui-a e percebi que chegamos à biblioteca. A biblioteca era um lugar enorme, quase um mundo. Daria para se perder ali dentro, havia uma infinidade de livros e centenas de estantes. Ela me puxou para uma mesa e disse: — É o Klaus. Ele é o amor da minha vida e eu sou o amor da vida dele. Sendo que ele não sabe disso. — Levantei a sobrancelha e disse: — Lana, o Klaus é gay. Você precisa aceitar isso. — Ela bateu na mesa e disse: — Eu não vou aceitar! Quando minha mãe morreu, fui mandada pra esse orfanato porque o meu pai queria curtir a vida com uma puta qualquer! O Klaus foi a primeira e única pessoa com quem pude me envolver. Eu o amo e ele irá ser meu, custe o que custar! — Cocei a cabeça, estava tudo confuso demais para mim e perguntei: -Você namorava o Klaus? — Ela balançou a cabeça confirmando e começou a roer as unhas calmamente. O bater dos dentes me incomodava. Parecia que a qualquer momento ela iria comer os dedos. Ela ajeitou o sutiã e sussurrou: — Quanto você quer para conquistar o Carlos? — Nessa hora quem bateu na mesa fui eu. Com muita raiva disse para ela sussurrando e quase espumando de ódio: — Eu não vou conquistar o Carlos. Não mesmo. Sem chance. E por dinheiro? Sério isso? — Ela sorriu ironicamente e falou: — Ótimo. Irei adorar falar no megafone, na frente de todo o internato que temos um estuprador entre nós. O que você acha que os garotos e todos os outros vão pensar? Vai ser bem chato pra você. — Olhei-a indignado e falei: -Como você descobriu isso? — Ela levantou a sobrancelha e disse: — Meu amor, eu sou Lana Miller. Descubro tudo, sei o podre de todos. Inclusive os seus. É pegar ou largar. Ou você faz, ou pode dizer adeus á sua faminha inicial de bom moço e aos seus cinco minutos de fama. — Estava nervoso. Era só o que me faltava ficar nas mãos de uma adolescente mimada e chantageadora. Sem papas na língua disse: — 10 mil euros e eu estou dentro. — Ela pegou a bolsa e disse: — Como imaginei. O que dez mil euros não faz por alguém, não é? — Ela assinou o chegue e o deixou na mesa dizendo: — Quero um serviço bem feito. Quero que você deixe o Klaus tão acabado emocionalmente quanto a vadia que você estuprou. Só assim ele irá voltar para mim. — Peguei o cheque e me levantei. Antes de sair disse: — Eu não estuprei ninguém. — Estava arrasado e um pouco chateado de ter que acabar com o romance secreto do Klaus e do Carlos. Eles eram realmente duas pessoas aparentemente bacanas, mas era ou eu ou eles. E não seriam eles. Não mesmo.
Continua...
Notas finais
Richard Rhodes (Protagonista)
Lana Miller (Garota mais rica e poderosa de Gladstone)
Inês Miller (Informações confidenciais)
Marie Goulart (Diretora de Gladstone)
Violet Sullivan (Melhor amiga #1 de Lana / Irmã e namorada de Vivien)
Vivien Sullivan (Melhor amiga #2 de Lana / Irmã e namorada de Violet)
Klaus Klein (Um dos mandões de Gladstone / Namorado de Carlos)
Carlos Albuquerque (Um dos mandões de Gladstone / Namorado de Klaus)
Lugares:
Berna (Capital da Suiça)
Gladstone (Internato)
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