Notas iniciais
04 de fevereiro de 2013, noite.
Aaaaaaaaaaargh, o que está acontecendo? Porque meu pai está escondendo as coisas de mim?
Essa não é a primeira vez que ele esconde as coisas de mim, eu quero saber o porquê, saber por que eu tenho esses poderes, como minha mãe morreu, porque Erick também é assim, misterioso, porque ele contou aquilo para meu pai.
Erick... porque você contou? Eu pensava que você era meu amigo...
Sophie fechou os olhos com raiva, ela não gostava de ter esses poderes, nunca gostou, sempre que tinha esses surtos de poder, como quando conhecera Erick...
Seus olhos começaram a pesar e então adormeceu.
Ela sonhou no dia em que conheceu Erick, continuando da parte em que ela parara de lembrar...
O garotinho olhava para ela curioso, seus olhos brilhando de prazer ao ver alguém com quem podia brincar.
– Oi – ele disse sorrindo.
– Oi, tudo bem? – cumprimentou a garota sorrindo.
– Tudo – o garotinho se debruçou na cerca para conversar melhor – Quer brincar?
Sophie balançou a cabeça afirmativamente.
– Menino, como você chama?
– Erick e você?
– Sophie – ela disse, o garoto pulou para o quintal de Sophie e falou:
– Que tal a gente brincar de esconde-esconde?
Novamente a garotinha assentiu, o garoto correu para uma velha macieira, encostou a cabeça no tronco e começou a contar:
– Um, dois, tlês, quatlo, cinco, seis... – a garotinha olhou em volta, sem saber para onde correr, então viu o esconderijo perfeito.
No canto esquerdo do quintal, um amontoado de folhas e flores formava uma espécie de cobertura, Sophie correu até lá e se abaixou, ele nunca a acharia ali.
–... Vinte e oito, vinte e nove, tlinta, lá vou eu – o garotinho gritou feliz.
Ele olhou ao redor, procurando Sophie, ela deu uma risadinha enquanto ele procurava, quando ele olhou na rua, ela correu até a macieira e bateu a mão espalmada na árvore.
– Um, dois, três, Sophie livre – ela gritou com um sorriso – Eu ganhei, eu ganhei, eu ganhei – cantarolou ela feliz.
Então várias coisas aconteceram, o ar parou, um galho quebrou e caiu na cabeça de Erick, a porta da casa do garoto abriu e Sophie começara a chorar.
A mãe do garoto correu até o quintal de Sophie, pegou seu filho no colo e olhou com nojo para a menininha, esta, não entendendo nada, levantou as mãos e uma energia negra, com borda branca explodiu na frente da mulher jogando-a para trás, a mãe da garota saiu de sua casa chamando pela filha.
Sophie se sentou suando frio, com um grito que não parava de ecoar em seus ouvidos.
Estava usando uma camiseta regata branca, uma coberta cobria somente suas pernas, mas Sophie as jogou no chão quando se levantou, desceu as escadas o mais silenciosamente possível, não queria acordar ninguém.
Ela foi até a cozinha, e pegou um copo de água com as mãos trêmulas, o que fora aquele sonho? Porque estava se lembrando daquele dia justo hoje?
Sentiu um vento gélido em sua nuca, ela se virou assustada e deu um chute no vazio, fora somente isso: ar, vento.
Começou a respirar pesadamente e ofegar, foi até a pia, encheu o copo e jogou toda a água no rosto.
Teve a sensação de que alguém passava a mão em sua nuca, agora ela jogou o copo, novamente no vazio, ele se quebrou no chão.
Ela correu escada acima, sem se importar com o barulho, entrou em seu quarto e se jogou debaixo das cobertas, pensando somente em se esconder dos fantasmas do passado que a atormentavam.
05 de fevereiro de 2013, manhã.
– Porque você contou? – Sophie encostou Erick na parede do corredor da escola – Por quê? Você não tinha esse direito.
– Sophie – Erick tentou passar a mão em seu rosto, ela se desvencilhou dele e encostou-se à parede oposta, o garoto tentou andar até ela, mas uma onda de alunos barulhentos passou no meio dos dois, todos ignorando a garota raivosa em uma parede e o garoto assustado em outra.
– Me escuta, Sophie, por favor – Erick pediu – Me escuta.
– Erick, você não podia ter feito isso – lágrimas saltaram dos olhos da garota – Não podia, agora tenho que aguentar aquela megera me pressionando para dizer o que conversei com meu pai, muito obrigado, meu amigo.
Pequeno flashback (em 3ª pessoa):
Depois que Sophie pulara para debaixo das cobertas, ficou pensando: Porque eu sonhei com esse dia hoje? Por quê?
Finalmente ela adormecera, mas dessa vez não tivera sonho algum, Sophie acordara, desceu para tomar café e sua madrasta lhe lançou um olhar maligno, quando Edgar saiu para atender um telefonema, Elizabeth se aproximara de Sophie, rápida como um raio e sussurrara no ouvido da garota:
“Sua diabinha, me diga, o que aconteceu na escola? O que seu pai queria conversar com você? Hein? Diga-me!”
– Não estou com vontade – respondeu Sophie simplesmente e saiu da casa.
– Sophie, me perdoe, é sério, eu não queria contar, mas seu pai me pressionou, ele ouviu os vizinhos murmurando alguma coisa e então me obrigou a contar, eu não tinha nenhuma escolha.
A garota respirou fundo, pegou sua mochila que estava jogada no chão e saiu andando pelo corredor, atrás de outros alunos, Erick seguiu-a.
– Eu sei, mas eu não queria que ele soubesse.
– Por quê? Ele é seu pai, deve saber não deve? – perguntou o garoto confuso.
– Deve... mas é que... – Sophie balançou a cabeça – Erick, eu não quero entrar aqui – ela parou em frente à porta fechada da sala dela – Todos devem me odiar.
– Não, não odeiam, se odiarem, eu acabo com quem disser isso – Erick deu um sorriso encorajador.
– Obrigado Erick – a garota deu um sorriso tímido – Eu não sei o que faria sem você.
– Srta. Autterbluck, Sr. Stoower, queiram entrar – a voz da professora de biologia convidou os dois, Sophie franziu as sobrancelhas, como a professora os ouvira? A porta estava fechada.
– Pronta? – Erick deu um aperto carinhoso no braço de Sophie, respirando fundo a garota colocou a mão na maçaneta e abriu a porta.
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