Dez Desejos
71 Essa joça!
Notas iniciais
Capitulo 72 — Essa joça!
— Eles descobriram — foi a primeira coisa que Leah disse assim que apareceu com duas pernas — Os Cullen descobriram sobre Renesmee e estão na fronteira, quase entrando em nossas terras.
Jacob quase teve um sincope ali mesmo.
— Como eles souberam? — Seth foi quem teve que perguntar
— Parece que a vampira parabólica conseguiu ver alguma coisa sobre a monstrinha morta — Respondeu Leah — Eles estão lá na fronteira, exigindo ver a pequena monstra e bem... Explicações. Bella estava colérica no telefone.
— Pff... Nem depois de morta essa garota para de nos dar problemas! Ai! Doeu! — Resmunga Jon, levando um tapa em cada braço, um de Anna e um de Carol. As duas o olharam feio — Ah! Só o que me faltava mesmo! Agora tem duas para me dar bronca!
— Cale a boca Jon — resmungaram Anna e Carol ao mesmo tempo e uma olhou para a outra franzindo o cenho.
— Sinistro... — comentou Jonathan.
— Então o que estão esperando? Temos que resolver isto de uma vez por todas — Exclama Seth, já se ponto para entrar na floresta, porém a mão de Jacob o barra.
— Não.
As palavras de Jacob fizeram todos ficarem em silencio
— Não?
— Não. Vocês não vão de meter nisso. Não nisso. — Ele falou seriamente
— Mas Jacob...
— Não quero saber. Se isso está acontecendo à culpa é minha. Eu vou resolver isso com os Cullen sozinho. — replica ele
— A morte dela não é culpa sua... — começa Anna
— Foi Renesmee quem atirou, eles não podem culpar à você — disse Seth.
— Apesar disto, é suicídio ir sozinho — diz Jonathan.
Todos começaram a falar ao mesmo tempo tentando convencer Jacob a não ir sozinho. Seth parecia irredutível em seu argumento, tanto quanto Anna e Jon.
Carol apenas balançava a cabeça e fala alguns “isso aí!” quando alguém começava a falar mais alto.
Mas o mais interessante, não foi a reação de Jacob enquanto ele absorvia todos os motivos que os outros diziam, mas sim a reação de Leah.
Diferente dos outros, a garota loba apenas ficou parada, segurando Renesmee em seu colo e olhando diretamente para Jacob. Parecia algum tipo de sonho, que mais parecia um pesadelo, Leah segurando Renesmee de maneira tão... Afetuosa.
— Jake está certo. Ele deve ir sozinho.
O Alpha a olhou amavelmente, sentindo seu coração pular para a garganta, sorrindo feliz por tê-la ao seu lado naquilo... Bem, também estava um pouquinho chocado por ela o apoiar, mas estava mais contente.
— Você fumou alguma coisa?!? — berrou Jonathan incrédulo e Leah o olhou de soslaio.
— Faça um favor para a humanidade e cale a boca, Jonathan. — respondeu a loba com um sorriso debochado — Não fumei nada. Ele deve ir sozinho.
— Você tem certeza que não fumou nada? — dessa vez foi Caroline que falou, mas Jacob já se encaminhava até Leah.
Apesar de tudo, quase automaticamente ele a analisou, se aquilo não era algum tipo de brincadeira dela ou se ela daria um surto depois que percebesse o que disse, mas a loba continuou do mesmo jeito de antes, apenas rindo internamente do modo que todos a olhavam, como se tivesse nascido outra cabeça em seu pescoço.
Assim que Jacob parou em frente á sua loba, Leah entregou com cuidado o corpo de Ness, dando um mínimo sorriso, que apesar de estar mais para Monalisa do que para Julia Roberts, era o sorriso que ele mais precisava naquele momento.
Sem pensar muito no que fazia, se inclinou para frente e deu um beijo em Leah.
Foi um mero tocar de lábios, um simples contato de pele, mas que fora adiado tanto tempo que parecia ser a coisa mais perfeita de todo o mundo. Um beijo de Leah. Um verdadeiro beijo de boa sorte.
E assim o garoto lobo se foi, correndo em duas pernas para poder carregar melhor Renesmee, enquanto todos os outros ainda olhavam para o local onde Jacob sumira, encarando a folhagem das arvores.
Seth caminhou lentamente até parar ao lado de Leah, que também encarava a floresta.
Em geral, o rosto de sua irmão não transmitia nada — como sempre —, mas se havia algo que Seth aprendera em todo aquele tempo com sua irmã, era decifrar quando ela tinha algo planejado.
Era uma pequena covinha, minúscula, quase imperceptível, bem em baixo do queixo.
Seth voltou a encarar a floresta, mas dessa vez, sorrindo grande, achando graça.
— Você não vai deixa-lo fazer isso sozinho, não é mesmo Leah? — Um sorriso começou a brotar no maligno no rosto da garota.
— Eu disse que ele devia ir sozinho... Não disse que realmente o faria sozinho.
— Você é maquiavélica.
— Eu diria astuciosa — Leah sorriu orgulhosa — Vamos lá maninho, os outros já devem estar nos esperando para seguir o nosso alpha.
— Eles estão? — perguntou Seth confuso.
— Sério Seth, achou mesmo que eu viria aqui sem um plano? Avisei todos os lobos sobre os Cullen. Sam está aguardando o sinal perto do rio e Embry está nos esperando não muito longe daqui. Temos que ir.
— Ei, ei, ei, espera ai! Vocês vão atrás dele, é isso que eu entendi? — interrompeu Jonathan
— Por favor, até parece que íamos deixar toda diversão só para ele. — Sorriu Leah — Esse é o único problema dele... Ele gosta de dar uma de Herói.
Seth sorriu concordando com a irmã, antes de começar a andar em direção à floresta, já pensando na transformação. Quando Leah se virou para seguir o irmão, Jon gritou:
— Vocês vão deixar nós três aqui?
— Hmmm... É! Vocês podem ir lá na casa do Jake... Jasmine ficou lá. — Disse Leah com simplicidade, dando um sorrisinho antes de correr floresta adentro.
— Seth! — Chamou Anna e o garoto parou a meio passo. — Você vai me deixar aqui também?
O garoto lobo correu de volta até Anna, dando um selinho intenso nos seus lábios antes de beijar a sua testa e dizer:
— Me desculpe meu amor, mas é muito perigoso. Fique com Jon e Carol, hum?
E saiu correndo para dentro da floresta, sem dar o direito da resposta para os três humanos, que continuaram parados, perto da floresta, á um quarteirão da casa de Jon.
— É nessas horas que eu gostaria de ter algum poder... — resmungou Jon
O rosto de Anna imediatamente se iluminou á aquelas palavras e ela olhou especulativa para seu melhor amigo. Jon ficou pálido quando entendeu o que ela estava pensando.
Todo aquele tempo, desde a conversa dentro da casa, até quando vieram até a borda da floresta, Jon não tirara um segundo o vaso de suas costas, fazendo questão de que estivesse totalmente escondido da visão de Anna, mas aquele momento, era um daqueles momentos em que você sabe que já era... Que a merda toda acabaria rolando morro abaixo e não havia como impedir.
Anna abriu a boca para contar sua ideia, mas Jon a repreendeu com um olhar que Caroline não viu e muito menos reparou que acontecia alguma coisa.
Giovanna franziu a testa para o amigo, em busca de explicações e ele se limitou a balançar a cabeça minimamente. Caroline teria percebido a conversa silenciosa que os dois estavam começando a ter quando um barulho de pneu derrapando no asfalto chamou atenção dos três humanos.
Um olhar alucinado, os cabelos ao vento e um sorriso no rosto, Jasmine apareceu correndo desde o fim da rua até parar na frente deles, em cima de uma moto que Jon reconhecia como sua.
Ah, um detalhe que Anna gostaria que ressaltasse: Sem capacete.
Anna teve que piscar várias vezes para ter certeza se o que via não era uma ilusão ou algo do tipo. Jasmine correndo em cima de uma moto.
— Hey! O que estão fazendo parados aqui? — perguntou assim que desligou o motor da moto.
— Onde pegou a minha moto? — perguntou Jon incrédulo
— Estava jogada na garagem do Jacob... Sério, devia tomar mais cuidado com uma Stryker... É um crime deixa-la do modo que deixou. — Respondeu a garota com um sorriso no rosto
— Jasmine? — Anna perguntou descrente
— Em carne, osso e bunda, mas não é apenas isto. — Jasmine piscou — Então, vocês estão a fim tanto quanto eu de assistir um massacre entre lobos e vampiros?
— Massacre...? — gemeu Anna
E Jasmine concordou com a cabeça com um aceno entusiasmado. Ouve um suspiro pesado conjunto saindo dos três á sua frente.
— Seth! — lamentou Anna
— Embry! — disse Carol ao mesmo tempo.
— Briga! — os olhos de Jon brilharam em expectativa.
— Esse é o espirito — Riu Jasmine ao ver o conflito de interesses naquele trio. — Vi o carro do Jacob parado logo em frente á casa de Jon. Vamos com ele.
Todos os três começaram a caminhar rapidamente em direção á casa enquanto Jasmine ligava a moto e os seguia aos risos.
— Você não tem medo de acabar batendo e quebrar a cara por não estar com capacete não? — Perguntou Anna sarcasticamente, apenas provocando a amiga, sentindo saudade da presença dela.
— E eu lá tenho cara de garota que bate a moto? — sorriu Jasmine, acompanhando Anna por alguns segundos a corrida ao lado dela — Sem falar, que isso atrasaria ela, então não vai acontecer. Senti saudades de você, Annie.
Ela disse antes de acelerar, ultrapassando os três e estacionando ao lado do carro, deixando para trás uma Anna muito confusa.
— Como ela sabe onde é sua casa? — perguntou baixinho Carol para Jon, assim que eles pararam em frente a porta do carro. — Você não disse que ela chegou agora?
— Acredite, eu também quero saber. — sussurrou para ela antes de entrar no banco de trás do carro junto com Anna, enquanto Jasmine gritava um “Eu dirijo”
Assim que as duas portas bateram, Jasmine ligou o carro.
— Quem tem medo põem o cinto, quem não tem, segura no “puta-que-pariu” — disse a garota, apontando para o suporte sob a porta que servia para se segurar.
Jon revirou os olhos sorrindo. Ele estava com saudade daquele jeito maluco dela.
— Por que você está dirigindo? Você nem sabe onde estamos indo!
— É claro que eu sei! Eu praticamente mando nessa joça! — respondeu pisando no acelerador com tudo, fazendo todos encostarem nos bancos e Jon e Anna trocarem um olhar nervoso.
— Você tem ideia do que ela está falando? — perguntou Anna assombrada.
— Nem um pouco. — respondeu Jon
O carro derrapou, silenciando á todos, menos Caroline, que passou a gritar loucamente ao longo do caminho, enquanto a garota morena virava como se fosse uma profissional em drift e seguia pela estrada que ligava Forks de La Push.
Jon soltou o vaso com a flor no banco do carro e deixou para o destino se encarregar de contar para Anna que agora, eles tinham que voltar para casa. Pena que ele não sabia que não era bem o destino que estava controlando aquela “joça”.
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