Dez Desejos

76 Bônus #01 — A nublada vida de um lobo


Notas iniciais
Boa tarde galeraaaa Nossa, eu tenho a impressão que vocês vão ficar bravos por não ser um capitulo e sim apenas um bonus. UAHSUAHs Por isso, já programei o proximo capitulo para postar sozinho, assim vocês não sofrem tanto. Boa leitura!

Bônus #01 — A nublada vida de um lobo

Eu estava sentado à beira da First Beach, uma praia de La Push, onde eu moro.

As nuvens cinza cobriam toda a extensão á frente e não abriam nenhuma brechinha para que o sol entrasse e clareasse aquele mar agitado. O mar por ali sempre era em um tom meio negro, agitado por conta das constantes chuvas. E eu sempre gostei de ficar ali, sentado, observando as ondas rolarem e quebrarem à minha frente.

Respirei o ar salgado e sonhei acordado.

La Push, para os desinformados, é uma reserva indígena — uma das únicas sobreviventes, diga-se de passagem — sempre habitada por nós, Quileutes, onde 350 dias do ano chove e o resto fica nublado.

Reza a lenda que nós lutamos muito contra nossos inimigos para continuarmos nessa terra que já tentaram tomar tantas vezes que seria impossível contar.

Vangloriar-nos não é algo comum por aqui. Na verdade, a todos nós nos foi ensinado, desde pequenos, a agradecer não apenas aos nossos antepassados, por nos protegerem e proteger nossa terra, mas aos Deuses, por nos concederem o poder para conseguir nos proteger.

Como toda reserva indígena, é nos contado quando criança, antigas histórias de como sobrevivemos. De como vivemos e prosperamos. Que atualmente, como diz na lenda, somente um inimigo nosso sobreviveu: Os vampiros.

E até oito anos de idade eu acreditei mesmo no que nosso pai nos contava... Até que Leah, minha irmã mais velha, tirou uma com a minha cara e eu passei a achar que aquelas lendas eram apenas historinhas para colocar as crianças dormirem — o que em parte é verdade, já que Sue, minha mãe, sempre me contava essas lendas antes de me por para dormir — então deixei de lado.

Na verdade, todos os habitantes de La Push não acreditam mais tanto nas nossas lendas. Não as levam tão à sério como antigamente — O que eu não decidi ainda se é bom ou ruim.

Às vezes, eu fico parado em algum lugar qualquer movimentado de La Push, como o bar da Moll aos finais de semana, apenas observando as pessoas, imaginando que talvez alguns deles ainda acreditassem em alguma coisa... Acreditassem que em nosso sangue, o sangue de um Quileute — se você tiver tanta sorte como eu — pode ter um par a mais de cromossomos do que o esperado... E então, você acredita nas lendas.

Você começa a fazer parte das lendas.

E fica se perguntando como você pode ser ignorante o suficiente para não escutar com toda a atenção que realmente merece o seu pai ao contar as lendas, só porque você achava que era coisa de criança. Conheço alguns que se sentem humilhados por fazer parte disso e nem ao menos saber da mais antiga e mais famosa lenda da nossa tribo: Que todos nós descendemos de Lobos.

A roleta russa rodando sob a cabeça de cada Quileute, rodando até parar na próxima pessoa que terá a vida transformada totalmente.

Uma vida, que pode ter muito mais baixos do que altos.

Uma vida de lobisomem. Hoje, não tão horrível quanto qualquer um pode imaginar. Apenas... aceitável e reconfortante fazer parte disso.

Reconfortante de saber que existe alguém que nos protege, que nos guarda mesmo sem ninguém pedir... e poder fazer parte disso.

É nosso dever proteger a tribo de todos os inimigos. É para isso que existimos. É isso que vivemos. É por isso que nos transformamos.

No começo, apenas Sam. Solitário e assustado, se transformando em um lobo gigante e correndo pela floresta, sozinho... Mas logo outros se juntaram, como Jared, Paul, Embry, Quil, Jacob... Minha irmã... Eu.

Agora, estamos em grande quantidade, divididas em dois bandos... É uma história longa e complicada e não quero aborrecer com detalhes. Vamos apenas dizer que Jacob e Sam, que era o Alfa, bateram cabeças sobre algo e Jake foi embora. Eu o segui porque concordava com ele, e Leah veio porque eu vim, e por outros motivos complicados demais para explicar. Quil e Embry também se juntaram a nós, mas simplesmente porque eles eram os melhores amigos de Jacob.

Mas hoje em dia, ambos os bandos andam tanto juntos que nem ao menos parece que são separados.

Ah, já ia me esquecendo. Prazer sou Seth Clearwater e sou lobo á mais ou menos doze anos. Atualmente, pareço ter vinte ou vinte um anos, mas a verdade é que já fiz o meu vigésimos sétimo aniversário faz três semanas.

Esse é outro negócio de ser um lobo. Para alguns de nós, essas coisas de lobos são um fardo e mais um problema para suas cabeças, para outros, apenas uma coisa útil. Para mim... Uma preocupação.

Não o fato de eu não envelhecer nem uma célula depois que meu corpo já chegou à idade adulta, ou eu enxergar e ouvir muito melhor que um ser humano comum, mas sim outro fenômeno que ocorre muito entre nós, lobos.

O que me lembra do real motivo de estar aqui, sentado na areia da praia, observando o horizonte e ouvindo o ronronar macio que as ondas faziam ao deslizar para areia.

— Ei Seth!

Chegou correndo Jacob, desviando de algumas crianças que brincavam na areia molhada e logo se jogando no chão ao meu lado. Eu apenas acenei com a cabeça, continuando a olhar o mar.

Ele olhou para mim preocupado.

— Qual o problema? — Perguntou ele, soltando um grande suspiro.

Balancei minha cabeça

— Nenhum. — Nenhum que tivesse a ver com ele, de qualquer maneira. Mas não é tão fácil assim convence-lo disso.

Ele continua convencido que há algo de errado comigo. Que não estou tão feliz e chato como de costume. Já havia lhe dito um milhão de vezes que não era nada com que ele deveria se preocupar, mas é claro que o estupido quer continuar apertando a mesma tecla.

O que não me deixa nada surpreso. Dizem por aí que é fácil de saber quando estou chateado... Mesmo que não esteja na forma de lobo e eles possam ler isso na minha mente.

A verdade é que eu realmente estava chateado com alguma coisa. E por mais que eu quisesse esconder e que ninguém soubesse o real motivo de eu estar assim, estava ficando cada vez mais difícil esconder. Não era algo que eu quisesse discutir na frente de ninguém.

— Já sei o que é. — Disse Jacob, tentando arrancar algo de mim — É porque você não sofreu um imprinting ainda, não é?

E eu realmente esperava que ele não percebesse a forma tensa que eu estava agora. Deixasse que ele continuasse a falar e tentar descobrir sozinho. Eu realmente não queria falar sobre meu problema estúpido de imprinting.

— Não. — Menti rapidamente, sem me importar de soar extremamente como uma mentira e continuei a fitar o horizonte... Mesmo que eu soubesse que com essa resposta ele não me deixaria em paz e continuaria a falar até arrancar o que queria.

— É claro que é. — Ele afirmou ignorando minha resposta anterior — Sabe, você, mais do que todos, sabe que eu nunca pensei que teria um imprinting também. Logo ele vai pegar você, de um jeito ou de outro.

Eu respirei fundo, soltando todo o ar que estava nos meus pulmões, balançando a cabeça levemente.

— Não é que eu esteja chateado por não ter tido um imprinting. É que, bem, e se eu for como Leah? Quero dizer... Já se passaram doze anos, Jake... Doze anos... Isso já deveria ter acontecido se fosse mesmo para acontecer.

Jacob jogou a cabeça para trás e riu: — E é com isso que está preocupado? — Revirei os olhos e balancei a cabeça. Por que mesmo eu estava explicando para Jacob o que havia de errado comigo? Eu estaria melhor falando com uma parede. Pelo menos elas não eram idiotas insensíveis.

— Seth, você não é um beco sem saída. A Leah provavelmente também não é. Você apenas não encontrou a garota certa ainda. — Ele bateu a mão nas minhas costas, com força.

Balancei minha cabeça. — Já vi todas as meninas de La Push, Jake.

— Talvez você tenha visto todas as meninas de La Push, mas não as de Forks, garoto. Se anima! — Ele disse, levantando-se e tirando a areia de sua calça. — Vamos lá! — ele disse me empurrando. — Acho que Sue está precisando de uma mãozinha lá na festa.

Emily e Sue estavam arrumando uma festa surpresa de despedida para Leah, que ia para a faculdade na manhã seguinte. Não seria a maior festa que ela já teve na vida, mas todos que a amam iriam estar lá para se despedir. Leah saindo de casa... Dona Sue não iria deixar passar em branco.

Eu ri fraco, pegando a mão que ele estendeu para me ajudar a levantar e falei:

— Você quer dizer roubar comida enquanto fingimos que estamos ajudando?

Ele jogou a cabeça para trás novamente e gargalhou: — O que mais seria?

E depois daquela eu tive que acompanha-lo e rir também.

Com nós, lobos, é assim: Somos capazes de acabar com a despesa do mês em apenas um dia se deixar. Às vezes eu tenho dó da Emily, da mamãe ou até mesmo de Billy, que são os que mais sofrem com as constantes visitas de um bando de lobos famintos.

Quando chegam, os armários e geladeiras e estão cheios, quando saem, tudo sumiu misteriosamente.

Então eu não fico surpreso ao ver Billy expulsar Paul, Jared e Quil á vassouradas da casa dele quando passamos na frente, indo em direção á minha casa. É claro que eles não iriam escapar de uma piada sem graça de Jacob — E muito menos do pequeno questionário “O que vocês estavam fazendo na minha casa?”— e logo tratavam de nos seguir, no mesmo intuito de ir “ajudar” minha mãe com as coisas da festa, assim que dissemos aonde íamos.

Paul é o mais explosivo do bando. O segundo mais velho, depois de Sam. Há alguns anos se casou com a irmã de Jacob, Rachel — O seu imprinting —, que é irmã gêmea de Rebecca, mas essa, ao contrario de Jake e Rach, mora no Havaí com seu esposo e suas duas filhas.

Ela e seu marido vêm visitar o velho Billy, pai de Jacob, de tempos em tempos. Ah, todos os três filhos andam bem preocupados ultimamente com Billy — que há muito tempo atrás sofreu um acidente e ficou paraplégico. — com alguns problemas de saúde que ele anda tendo, mas nada de muito grave.

Jared, para nenhuma surpresa, também é um lobo imprintado. A sua amada Kim, com quem está noivo a mais tempo do que a mesma gostaria de dizer, vivem juntos em uma casinha pequena perto da casa de Emily, na parte mais afastada de La Push.

E tinha Quil, um dos melhores amigos de Jacob. E adivinhem? Também já teve imprinting! Sem falar no próprio Jacob!

Porque todos já tiveram imprinting e eu não?!?

Perguntei á Quil — Que era o único que não estava participando da brincadeira de socar um ao outro, além de mim — enquanto caminhávamos lentamente: — Então Quil, Claire também virá na festa?

Ele sorriu um tanto triste e respondeu: — Sim, sim. Ela está na casa da Kim, junto com a Rachel. Nós fomos levar elas até lá.

Aquele era um assunto delicado de se tocar. Claire, a garota que Quil tivera imprinting quando ela tinha apenas quatro anos, agora já estava fazendo dezesseis e simplesmente... Nada.

Quil e Claire tinham um relacionamento um tanto difícil. Não que ela fosse uma garota problema, muito pelo contrario, ela é meiga, tímida e muito educada, mas o problema é que parecia que ela o enxergava de todos os modos, menos o que ele queria. Quil a enxergava como mulher, e já ela... Bem, ele aceitou deixar que fosse ao tempo dela.

Eu continuei a caminhar, olhando para o chão.

— Algum progresso com...?

Ele apenas balançou a cabeça negando, com um ar um tanto triste, mas parecendo conformado. Eu abaixei os olhos, compartilhando de seu problema.

Há algum tempo atrás, houve algo que até mesmo movimentou um pouco nosso bando. Por idéia de Embry, em uma bela madrugada de patrulha, foi iniciado o projeto: “Quil é quente”, onde basicamente, Embry bolava planos para Claire finalmente perceber o modo como Quil a amava e não, não era como apenas um amigo ou irmão.

Algumas vezes Leah e Jacob até ajudavam, como lançando frases sugestivas na frente de Claire, ou tentando a fazer ficar com ciúmes, mas não era nada comparado com o que Embry fazia, onde na maioria das vezes, de alguma forma, ele acabava atrás das grades e normalmente era Charlie quem o colocava lá.

E Sue quem tirava.

Nunca entendi porque, mas Embry e minha mãe sempre foram muito ligados.

De qualquer modo, o projeto não deu certo e Embry acabou desistindo de tentar ajudar Quil... Desde então ele vem tentando no seu próprio meio de faze-la olhar para ele.

— E como vai as coisas com Charlie? — Perguntou ele de volta, visivelmente tentando trocar de assunto.

— Bem melhores agora que Leah vai embora... Sei que ele nunca admitiria, mas ele parece um pouco mais aliviado de não ter mais olhares mortais de Leah o perseguindo pela casa. — Eu respondi, sorrindo. Charlie Swan era o pai de Bella e meu padrasto. Esta é outra história complicada na qual eu não vou entrar.

Antes de tirarem conclusões precipitadas sobre Leah eu queria dizer uma coisa: Ela mudou. É claro que ela não perdeu aquelas sua ironias e o olhar cínico e muito menos deixou de ser torrona, mas ela está muito melhor do que antes. Foi uma questão de simples tempo.

Acho que quando ela estava no bando de Sam, o seu ex—namorado, ela nunca se permitiu voltar a dar aquele sorriso doce que lançava de vez em quando para nós. Foi só mudar para o bando de Jake e mais algum tempo sem ver a cara de Sam... PUF! Ela era outra pessoa.

Jacob socava Jared nos rins quando estacou o passo e bateu a mão na testa, como se lembrasse de algo importante: — Céus! Eu esqueci! Tinha que ter ido buscar Ness faz quase uma hora!

— Melhor se apressar se não a vampirinha vai reclamar com a mamãe — Zombou Embry e Jacob o olhou mortalmente — Calma, estou só brincando!

Renesmee... Aquele era um assunto tão delicado quanto Claire. Quero dizer, já é delicado por ela ser o imprinting de Jacob, ainda mais por ela ser uma híbrida — Meio humana e meio vampira — filha do, que podemos considerar, o cara que Jake mais odiou junto com a garota que ele sempre amou. Longa história.

— Vejo vocês depois. — Ele disse antes de sair correndo pela floresta.

***

— Hey pirralho. — Saldou minha graciosa irmã com um copo de alguma coisa na mão, se escorando no batente da porta.

Eu apenas encolhi os ombros em resposta.

A festa — como planejado — até que tinha dado certo tirando a parte da surpresa, já que Leah desconfiou logo que chegou perto o suficiente de casa. Jacob conseguiu buscar Ness a tempo e não demorou muito para as garotas chegarem no velho Camaro de Kim. Agora todos estavam no quintal, ao redor da mesa que eu e os garotos levamos para fora enquanto roubávamos alguns bolinhos escondidos.

Renesmee estava lá, junto com as outras garotas, mas só conversava com Claire, recebendo olhares um tanto furiosos de Jacob, que parecia inconformado com o tamanho do vestido dela. Eu tinha que admitir que Jacob dessa vez tinha razão sobre ficar com ciúmes, já que o vestido vermelho mostrava boa parte da bunda da meia vampira, sem falar no decote e no modo como ele era totalmente agarrado no corpo dela.

Ao contrario dela, Claire usava apenas uma calça jeans escura e uma blusa de frio cinza claro com alguns desenhos animados que eu não conhecia, talvez cinco numerações maiores do que a dela.

Kim e Rachel vestiam ambas vestidos floridos com um casaco simples, rindo de alguma coisa que Emily acabara de falar. A mesma usava também um vestido, mas não era florido como o de Kim ou Rachel, e sim bem mais simples, de um verde claro.

Todas completamente felizes por terem conseguido seu imprinting.

Ver todos aqueles imprinting juntos estava me deixando deprimido, e eu não admitira nem se estivesse prestes a morrer, mas era exatamente por isso sentei na varanda de casa, em uma distancia considerável do tumulto de gente.

Eu queria apenas ficar na minha, pensando e devaneando sozinho... Mas como nem tudo é como gostaríamos, Leah se sentou do meu lado nas escadas e olhou para o ponto onde eu estava observando a tempo demais enquanto divagava.

Leah respirou profundamente antes de perguntar: — Ainda pensando no lance do imprinting?

Eu me fiz de desentendido. Sinceramente, agora todos queriam tocar nesse assunto? Não poderiam simplesmente me deixar quieto? E também, como é que eles sabiam que era isso que eu estava pensando?

— Ahh, qual Seth! Sou sua irmã mais velha, eu sei quando algo te incomoda... E além do mais, você está olhando para as garotas faz quase uma hora, sem piscar uma única vez. — ela riu levemente — Se elas não te conhecessem diriam que você é algum maníaco ou coisa assim.

Eu pisquei algumas vezes, olhando para o lado contrario de Leah quase que imediatamente. Somente agora eu percebia que pareciam meio sem graça pela minha total falta de noção em ficar olhando. Meu Deus, eu sou muito sem noção mesmo.

Ouvi ela bufar antes de dizer: — Vamos Sethie! Ao menos dessa vez quero te ajudar!

Eu revirei os olhos, cansado de tanta gente querendo “me ajudar”.

— Eu não preciso de ajuda! Eu estou bem! — respondi começando a ficar com uma certa raiva de toda quela insistência. Me levantei de uma vez, indo o mais longe possível de qualquer um que pudesse querer me encher o saco com aquela histório.

— Seth! — Ela me chamou quando me viu entrar para dentro de casa á passos duros, mas não respondi.

Apesar de ser o ultimo dia com a minha irmã ali, eu sabia que não teria paz o suficiente para curtir a festa ou aguentar todos perguntando o que eu tinha. Eu só queria ficar de boa, com meu próprios pensamentos, então acabei me trancando no meu quarto até o fim da festa, somente descendo para me despedir de Leah.

Enquanto eu dava um ultimo abraço nela e desejando boa sorte com a faculdade, ela encostou sua boca em meu ouvido, falando tão baixo que seria impossível qualquer outro ouvir.

— Se encontra-la é tão importante e você não quer ajuda, então vá atrás de uma vez! Não espere que ela caia do céu, no meio da floresta, como se fosse um anjo perdido. Vai atrás dela, procure em todos os lugarei sei que ela está por aí também te procurando.

La Push estava, para surpresa geral, com poucas nuvens e era até mesmo possível ver alguma parte azul de céu. Talvez fosse um presente da reserva para Leah.

Então eu abri a porta para ela entrar no carro que a levaria até o aeroporto, pensando um trilhão de coisas ao mesmo tempo. Leah tinha razão de que ela não cairia do céu. Se eu tanto queria, eu devia ir atrás.

Deitar na cama e dormir os próximos dias foi uma coisa difícil, mas depois de uma noite particularmente chuvosa, a ideia estava formada. Não era a melhor ideia, provavelmente não daria certo e eu devia considerar que minhas chances eram nulas, mas mesmo assim eu fui.

Eu comecei a caminhar em direção da floresta, pronto para seguir o que Leah havia dito e lutar para conseguir o que eu queria, ouvindo ao longe Sue perguntar a aonde eu iria.

Ao que respondi: — Voltar a ser o antigo Seth.

***

A caminhada não estava me ajudando em nada. Eu tinha andado por toda Forks o dia todo e não estava mais perto de encontrar o meu imprinting do que quando comecei. Passei pela antiga casa de Bella pela milionésima vez. Percebi que eu talvez devesse começar a voltar. Eu sabia que era um beco sem saída. Simplesmente sabia disso.

Dei um suspiro, virei e comecei a caminhar de volta para casa, totalmente deprimido. Como pude ser tão estúpido? Por que eu ouvi Jacob e Leah? Sabia que isso não ajudaria a me sentir melhor. Se aquilo trouxe alguma coisa, foi fazer me sentir pior do que antes.

Eu não estava prestando mais atenção nas ruas e garotas ao meu redor, apenas olhava para o céu, provavelmente já era umas três horas, mas agora as nuvens tampavam completamente o céu, o que impossibilitava de eu ter certeza.

Caminhei até uma parte da floresta que se sobressaía, entrando lentamente nela.

Quando vi, eu já corria depressivamente pela floresta na forma de lobo, dando graças a Deus que não houvesse ninguém de patrulha para me encher de perguntas ou ler os meus pensamentos.

Eu sentia como se um misto de sentimentos ruins passavam pelo meu corpo, parecendo deixar o dia mais cinzento do que o normal. Parecia que eu estava oco por dentro. Irritado pelo fato de ter acredito que fazer isto poderia ajudar em algo. De ter tido o mínimo de esperança.

Então, eu apenas continuei a correr e correr e correr, cada vez mais rápido. Eu mau conseguia desviar de algumas arvores na parte mais densa da floresta. Era bom quando eu corria na forma de lobo. Libertador. Me sentia menos humano, menos insano e deprimido. Era bom deixar meu lobo me controlar como naquele momento e me fazer esquecer, mesmo por segundos, os meus problemas.

Apenas sentindo os pelos chicotearem em meu corpo e se misturarem uns nos outros. O vendo passando pelo meu rosto como se me abraçasse e a terra um tanto molhada em baixo das minhas patas.

Por um segundo eu fechei os olhos, aproveitando a sensação, me desligando de tudo e apenas me concentrando nas minhas patas, cravando na terra e arrancando sulco, me impulsionando cada vez mais rápido para frente, deixando minha mente divagar.

E parece que eu realmente me desliguei de tudo já que, não ria, mas eu estava tão concentrado em apenas me impulsionar para frente que acabei batendo em uma arvore e a arrancando sem querer.

O chão pareceu tremer quando ela caiu e eu rolei vários metros á frente, só parando quando uma pedra sobressalente me refreou por completo com um baque nas costelas.

Meu focinho doía e achei que tinha quebrado alguma parte da minha pata direita dianteira, mas eu logo vi que só havia torcido. Eu já começava a me levantar quando senti Embry e Jake se conectarem em minha mente, prontos para começarem a ronda.

Imediatamente eu voltei a minha forma humana, evitando que eles vissem que eu havia acabado de trombar em uma arvore. Se eles descobrissem isso... Eu já podia até imaginar as piadas sem graças e ouvir o bando zombando de mim. Seria marcado pelo resto de minha vida.

Quando terminei de colocar a bermuda, nem parecia mais que eu havia batido de cara em uma arvore... Pelo menos comigo, já que a arvore agora estava caída no chão.

Ela caíra exatamente no meio de outras duas arvorem menores, que pareciam que haviam caído havia séculos. As plantas já estavam cobrindo elas quase que por completo. Eu já ia me virando para ir para casa quando esse fato prendeu minha atenção.

Parte da raiz da arvore que eu havia derrubado, a que ainda estava dentro da terra, ela se encontrava com a ponta do tronco das outras duas arvores caídas no chão cheia de musgo, como se formasse uma seta, apontando para o lado contrario em que eu ia.

Eu olhei novamente para a seta que apontava para a parte menos densa da floresta.

Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça, que aquilo era apenas uma coincidência razoável e que seria bobagem seguir a direção que a flecha apontava. Não é como... Como se fosse um sinal, ou coisa parecida... Era?

E se eu não seguisse e me arrepender? E se o resto de minha vida eu ficar toda hora pensando no que poderia ter acontecido se eu tivesse seguido a maldita seta de troncos de arvore? Mas e se eu não encontrasse nada quando seguisse naquela direção? Eu só teria perdido meu tempo e não estaria tão arrependido quanto se eu não tivesse seguido...

Eu encolhi os ombros um momento, olhando na direção onde ficava a minha casa antes de me virar e segui a direção que a seta de troncos apontava, sentindo como se uma nova chama tivesse acessa dentro de mim. Eu sei, aquilo era idiotice, mas... Quem sabe não é mesmo um sinal? Quem sabe isso não é o mesmo destino? Eu estava me agarrando a qualquer beiteira que me dissessem.

Já tinha caminhado uns vinte minutos antes de começar a notar que as arvores começavam a ficar mais distantes uma das outras e perceber uma trilha no chão. Eu sabia que se continuasse andando daria na pequena estrada que cortava a floresta. Talvez não houvesse realmente nada e eu estava perdendo o meu tempo achando que três troncos de arvores formavam uma flecha e que aquilo era um sinal ou coisa parecida.

— Mas é claro que não é nada Seth. O que você esperava? Que o fim do caminho você encontraria uma garota e ela seria o seu imprinting? — falei comigo mesmo — Sou mesmo muito otário.

Estaquei o meu passo respirando fundo. Continuar seguindo era idiotice e pareceu incrivelmente estupido que eu tivesse mesmo seguido a direção daquela seta. Apenas dei meia volta e comecei a andar na direção certa, me sentindo pior do que quando eu estava procurando garotas por Forks.

Por que eu continuava a insistir em tentar me enganar, a me dar esperança de que eu a encontraria assim, tão facilmente? Eu era um estupido por pensar que poderia ter um imprinting, como todos os outros. Se fosse para acontecer já teria acontecido.

Eu pulava de uma pedra á outra quando tudo ficou muito quieto. Quieto demais até mesmo para uma floresta.

Era como se o vento não fizessem mais barulho quando passavam pelas folhas e nem os animais se moviam.

Um barulho alto e estridente me fez pular de susto ao mesmo tempo que me virar para contra atacar qualquer que fosse o inimigo. Apesar de alto, pareceu que ele foi engolido e não se propagou pela floresta incrivelmente silenciosa. Um bilho amarelado me enroliu por alguns segundos para em seguida sumir como se nunca tivesse acontecido.

Eu fiquei estático por alguns segundos, encapaz de entender o que poderia ter sido aquilo. Não poderia ser um raio, sequer estava chovendo, mas não havia outra explicação.

Cautelosamente, eu corri apenas alguns metros antes de chegar ao local onde houve o barulho. Quanto mais próximo, mas eu sentia um doce e estranho aroma que nunca havia sentido antes em toda a minha vida.

Uma garota, que mais parecia uma daquelas modelos de capa de revista, levantava lentamente, parecendo um tanto tonta e confusa, mas ainda com um sorriso nos lábios, segurava a mão de outro garoto que parecia ter mais ou menos a mesma idade que ela.

Ela se virou para o garoto e parceram discutir com ele por alguns momentos algo que eu não conseguia encaixar em um sentido. Eu me aproximei curioso, me perguntando o que realmente estava acontecendo.

Eles perceberam minha presença, pois logo a garota perguntou quem estava se escondendo. Sua percepção era boa, qualquer humano normal não teria notado nada.

Sai com cautela de trás da arvore que eu estava escondido e o garoto, ao me ver, escondeu ela atrás de suas costas. Eu revirei os olhos levemente. Como se eu fosse atacar dois humanos perdidos na floresta.

— O que fazem aqui? — Eu perguntei — De onde vocês apareceram?

Foi ai que eu realmente a vi. Os cabelos castanhos com algumas folhas grudadas. O sorriso que crescia aos poucos. E seus olhos... Ela tinha os olhos mais bonitos de todos que eu já tinha visto. No instante que a vi, eu entendi.

Eu não podia acreditar, mas tinha acabado de ter um imprinting com ela. Realmente tive um imprinting com aquela garota estranha que aparecera no meio da floresta, eu não podia acreditar.

Foi totalmente inesperado e um acidente, assim como com todos os outros. Eu soube no momento em que olhei em seus lindos olhos. Eles pareciam sugar a minha alma. O mundo inteiro simplesmente parou de girar naquele momento, nada ao meu redor tinha um sentido a não ser ela e seu lindo, lindo sorriso. Eu sabia que ela foi feita para mim. Ela era aquela por quem eu estava esperando a minha vida inteira. Ela aquela com quem eu tinha sonhado o tempo todo!

Isso me fazia me sentir incrível. Imediatamente quis fazer tudo o que pudesse por ela. Eu estava cheio de tantas emoções que fez minha cabeça girar. Se você já encontrou sua alma gêmea, sabe do que estou falando. Foi tão… indescritível. Era como se todos os sentimentos bons do mundo tivessem sido derramados dentro de mim. Eu nem sequer sabia o nome dela e já a amava muito.

Me senti finalmente inteiro.

Tentei recuperar a compostura em algum momento, mas era quase impossível. Tudo que eu podia fazer era olhar para ela e esperar que não estivesse babando enquanto nós conversávamos.

Era tudo o que esperava... Até o garoto abrir a boca e dizer em claro e bom tom: — Somos namorados.