Dez Chamas

4 Capítulo 004 - Potencial


Notas iniciais
Olá pessoas que acompanham minha história, desculpe a demora. Estava com um pouco de dúvida em que rumo tomar, mas ai lembrei que a minha ideia com essa história era deixa-la fluir normalmente, então... Boa leitura.

A jovem companheira da xamã nota as 5 pessoas chegando, uma mulher de altura média, cabelos dourados, com um corpo relativamente bonito, porém de aparência cansada, vestida com um vestido que claramente não era novo, mas era elegante para aquele vilarejo. Seus olhos cor de mel quase encontraram com os da jovem, porém a ajudante de xamã resolveu observar o resto da família. O homem mais alto não era o com a aparência mais velha, então deveria ser o filho mais velho, talvez. Possuía uma pequena quantidade de pelos em seu queixo, e não dava para notar sua roupa direito, já que o mesmo utilizava uma capa surrada por cima, e possuía uma expressão aparentemente feliz, mas dava para notar que havia algo perturbando-o. Em seguida ela observa o senhor com expressão mais velha, a barba e cabelos eram ralos e grisalhos, misturados com o que sobrou de castanho escuro. Ele, assim como sua aparente esposa, possuía uma expressão cansada. Assim como os demais homens, ele utilizava uma combinação de camisa bege com uma calça marrom, um pouco velhas, dava para se notar. O senhor também carregava uma espécie de mala consigo, firmemente segura por sua mão de trabalhador. Em seguida, ela direciona sua atenção para um rapaz que aparentava ter sua idade. Provavelmente este seria o cliente, ele, assim como o garoto mais alto, parecia forçar um sorriso. Por fim, a última pessoa era um alguém que aparentava ser mais jovem que ela, e mesmo assim, parecia ser a pessoa com mais alegria naquela família. Era o único a mostrar um sorriso realmente verdadeiro sem ter uma feição cansada. De cara, foi a pessoa de quem a jovem ajudante mais gostou, além de o achar bem fofo.

– Bem-vindos, vocês devem ser a família do cliente de hoje! – Diz a jovem, se encaminhando a pequena passagem na grade de madeira, por onde passava o caminho que ligava a rua à porta da casa.

– Precisamente, o cliente é meu filho do meio, Rojo – diz Vermillion, colocando sua mão livre no ombro de seu filho, e forçando-o para frente.

– Então realmente é você hein, acertei! – diz a jovem, demonstrando um sorriso – Muito prazer, meu nome é Aiyra – diz a jovem, colocando levemente sua mão direita no ombro em que a mão do pai do jovem estivera há alguns segundos, e dando-lhe um pequeno beijo na bochecha, deixando Rojo vermelho e envergonhado.

– Mu-muito p-prazer – diz Rojo sem conseguir reagir direito. Ele não sabia o que fazer, estender a mão? Retribuir o beijo na bochecha? Porém, enquanto pensava nisso, a porta se abriu. Nesse momento Aiyra lançou um olhar rápido para Aka, que notou, já que o mesmo estava observando-a, e como isso foi repentino, a jovem desviou o olhar, procurando algo para se fixar, e logo nota a xamã passando pela porta.

– Então vocês estão finalmente aqui! Quem é meu cliente de hoje? – Pergunta a xamã.

– Este jovem aqui – mostra Aiyra, colocando Rojo na sua frente, com uma mão em cada ombro do jovem, que encarava a xamã de frente – o nome dele é Rojo.

– Rojo, é? Pode me chamar de xamã se quiser, mas meu nome é Kaila – diz sorrindo.

– Oh, a xamã, além de ser uma mulher, é mais jovem do que eu imaginava – diz Aka, atraindo assim a atenção de Kaila para si.

– Mas que cavalheiro temos aqui — diz a xamã se aproximando da frente de Aka, agachando em seguida enquanto mantinha um sorriso e seus olhos fechados. Ao abri-los, seus olhos encontram os olhos do jovem, e sua expressão muda para uma séria por alguns instantes, voltando logo a sorrir, meio sem jeito, após perceber que se perdeu em seus próprios pensamentos, deixando Aka confuso – Você é meu cliente certo? Vejamos... – continua Kaila, após se levantar e parar a frente de Rojo, encarando-o também. Rojo encarava os belos olhos de Kaila, aquele verde-esmeralda realmente chamava a atenção do jovem de tal modo que ele não pensava em mais nada, só em observa-los – Entendo, vamos entrem todos, por favor, preciso conversar com vocês – finaliza a mulher.

Enquanto todos entravam na casa, Aiyra não pode deixar de notar que sua parceira estava bastante pensativa. Os visitantes notaram rapidamente os aromas diversificados de diversos incensos acesos, somados aos aromas das diversas plantas que ocupavam boa parte da casa.

– Aiyra, pegue um copo de água para os clientes, preciso conversar com eles – após verificar que a garota foi fazer o que ela pediu, continuou – muitas famílias liberam os portais apenas de seus primogênitos. As vezes o mais velho consegue dinheiro e ajuda seus irmãos, mas isso depende da família. O que quero perguntar é, vocês pretendem pagar por Rojo apenas, ou já possuem quantia para pagar o procedimento para aquele jovem? – diz a bela mulher olhando para Aka, que não sabia o que responder, então só a encarou de volta. Por algum motivo que não entendia, Kaila ficou corada e desviou o olhar para vários sentidos até encontrar algo para se focar, que foi em Rot. Devia ser algum problema familiar o motivo do mais velho não ser o escolhido, mas ela não poderia se meter nisso.

– Por que pergunta isso? – indaga Vermillion.

– Porque eu acredito que este jovem – diz a xamã, ficando corada mais uma vez ao encarar Aka, voltando-se novamente para Vermillion – possui um grande potencial. Não estou dizendo que Rojo não tenha – acrescenta rápido ao notar a expressão de decepção na face de Rojo – resumindo, eu tenho um pressentimento estranho, mas positivo, vindo dele.

– O nome do garoto fofinho ali no canto é Aka – diz Aiyra chegando com uma bandeja com sete copos d’água.

– Fo-fofinho... – murmura Kaila, enquanto mais uma vez se vira para o jovem ficando vermelha mais uma vez, mas continuou encarando-o.

– Você tem algum problema comigo? Sempre fica estranha quando olha para mim – diz inocentemente Aka.

– N-não, problema nenhum... – se defende Kaila, pegando tremulamente um copo cheio de água, e começando a beber.

– Então deixe-me encarar seus olhos mais uma vez? Nunca vi olhos dessa cor – diz o jovem se levantando, indo ao encontro de Kaila, que estava sentada, e abaixando para que seus olhos ficassem próximos aos da xamã, com suas testas praticamente se encostando. A xamã, como se tivesse levado um susto, cospe sua água, enquanto solta um pequeno, curto e agudo gritinho, enquanto quase derruba seu copo, e se move um pouco para trás para se afastar – ei! – reclama o pequeno jovem por acabar tomando um banho.

– Aka, se comporte, volte para o seu lugar! – diz a mãe, e o jovem obedece.

– O que houve? Algum problema? Se sente mal? – Pergunta Vermillion, preocupado.

– Não foi nada, desculpe, só um susto bobo – se desculpa a xamã.

– Algum problema? O que aconteceu com você hoje, está estranha... – cochicha Aiya no ouvido de sua amiga.

– Está t-tudo bem, não aconteceu nada – diz a bela mulher – voltando ao assunto principal... Eu acredito que pode ser melhor para a família de vocês se A.. – faz uma pausa – Aka – completa após respirar – liberar seus portais.

– Pode esquecer, sempre incentivei meu irmão a seguir seu sonho, embora ele seja meio pessimista e sempre sugira que eu faça isso no lugar dele. Minha opinião está formada – completa o jovem, enquanto seus pais e irmãos trocavam olhares e cochichos.

– Aka está certo, viemos aqui com um motivo, todos já estavam preparados para isso, seria injusto com o Rojo mudar a decisão agora – afirma Rot.

– Se é assim, eu sigo a ideia de meus filhos, concordando com eles – diz Vermillion.

– Mas... – tenta começar Rojo, mas é logo interrompido:

– Parece já estar decidido, filho – diz a mãe do jovem.

– Então essa é sua resposta – conclui a xamã.

– Que pena, pequeno Aka... – diz Aiyra de forma doce e fofa para Aka.

– Pequeno? Tenho quase seu tamanho! – responde Aka rindo. Rojo estava encantado com a beleza de ambas as mulheres, principalmente Aiyra, mas parecia que Aka havia chamado toda atenção para si, deixando Rojo com um pouco de inveja.

– Nesse caso... eu tenho uma proposta a fazer – diz Kaila, com um tom de decisão – eu farei o serviço em Rojo pelo qual estão me pagando, e posso também fazer em Aka, com uma condição...

– O que? Como? – pergunta Aiyra com um leve espanto.

– Que condição? – indaga Vermillion, sem esconder a ansiedade, afinal, desde que seu primeiro filho nasceu, junta dinheiro para conseguir que ao menos um de seus filhos fosse privilegiado, e agora tem a possibilidade de um segundo filho conseguir o mesmo, dependendo apenas de uma “condição”.

– A condição é... – diz Kaila, olhando para Aka, toma ar, e finalmente consegue terminar – que Aka passe a... pertencer a mim! — corando mais do que todas as vezes naquele dia.

Notas finais
Bem, é isso! Gostaria de saber a opinião de todos sobre a história em geral, narrativa, personagens, críticas, elogios, sugestões, todo tipo de comentário é bem-vindo. Agradeço por acompanharem essa história! Até o próximo capítulo!