Dez Chamas

2 Capítulo 002 - A família vermelha


Notas iniciais
Perdoem-me por possiveis erros gramaticais, podem apontá-los nos comentários para que eu possa corrigir, eu agradeceria por isso!

– Vocês demoraram demais! – reclama a mãe dos jovens – Devem saber como o dia de hoje é importante, não podemos nos atrasar! Você mais do que ninguém devia saber disso, Rojo!

– Eu realmente sinto muito, aconteceram algumas coisas... – tenta argumentar o filho do meio.

– Vamos deixar essa discussão para depois, é melhor nos focarmos logo em comer e nos preparar para acompanhar Rojo até o xamã... – diz uma voz calma sentada a mesa. Era Rot, o irmão mais velho de Aka e Rojo.

– Rot tem razão, Rubia. Todos, sentem-se, vamos logo comer – diz o pai da família.

Rojo sempre se distraía quando Rot estava presente. E realmente ele conseguia chamar a atenção, uma vez que se observasse sua mão manejando os utensílios, notaria que ele só possui três dedos na mão esquerda, faltavam-lhe os dedos anelar e mínimo, além de parte da palma da mão. Mesmo assim, ninguém notaria o mesmo tentando utilizar sua mão direita, mesmo que Rot seja destro, já que ele não possuía mais a mesma, assim como parte do braço. Rojo em especial se incomodava com este fato, já que acreditava ser o culpado pelas lesões do irmão. Seguindo o raciocínio de custo-benefício, a família decidiu gastar suas economias para liberar os portais de energia de Rojo em vez de Rot, o que fazia Rojo se sentir ainda mais culpado.

– Isso continua perturbando você... – diz Rot, cobrindo seu antebraço direito com a capa surrada que sempre usava. Rojo não respondeu, só passou a encarar a própria comida, que não era muito, um pouco de pão, e um ensopado de alguns legumes.

– Vamos melhorar esse humor, é um dia importante para a família, não só especificamente nós quatro, mas para nossos antecedentes, como vocês devem saber. – afirma calmamente o pai – A maioria dos que conseguem liberar os portais para utilizar o fogo nesta vila, utilizam a cor laranja, que é o modelo mais comum. Nossa família tem tradição, em nosso sangue corre o fogo Vermelho. Eu mesmo nunca vi o mesmo sendo utilizado, mas sabemos que cada tipo de fogo tem uma propriedade diferente, e somos a última família da região com esta linhagem, uma vez que a minha família e a de sua mãe eram as últimas de linhagem pura vermelha, tentando preservar esta arte.

– Realmente acho muito legal essa coisa de tradição e herança, mas pelo que estudei por registros da família, o fogo vermelho não era tão eficaz, por isso sofreu preconceito e os usuários foram diminuindo em número... – diz Aka – Só estou comentando uma curiosidade! – se defende, ao notar os olhares negativos de seus pais.

– Sobre a eficácia do fogo vermelho, Aka está certo. Por exemplo, acredito que se nossa linhagem fosse de fogo Magenta, eu poderia ser útil mesmo na minha situação atual... – defende Rot – mas não estou reclamando, só por um de nós conseguir liberar este poder já nos dá uma perspectiva de futuro melhor, Rojo... contamos com você – completa o irmão mais velho, sorrindo.

– Exatamente, todos nós confiamos em você, filho! – diz Rubia.

– Obrigado, pessoal, muito obrigado! – agradece Rojo.

– Seria melhor irmos logo, não? – pergunta Aka – ao notar que todos terminaram de se alimentar.

A família se preparou e saiu em direção ao final da vila. A vila se organizava de forma retangular, dividida em quatro quadrantes, O rio cortava a vila horizontalmente, e uma “rua principal” cortava-o verticalmente. A casa da família de Vermillion se encontra no quadrante superior esquerdo, na rua principal, e a algumas casas de distância do rio, quase na metade do quadrante. O xamã se encontrava no final da rua principal, em sua humilde residência.

– Filho, você não sabe o quanto estou emocionado – diz o pai, com lágrimas nos olhos – o último de nossa família que conseguiu este poder foi meu tataravô. Sempre foi meu sonho conseguir este poder, mas o sonho se foi, fiquei velho, e já não valia mais a pena uma pessoa da minha idade liberar esta habilidade. Você é muito sortudo...

– Sim, com certeza eu sou, pai – diz Rojo, primeiramente com cara pensativa, e depois sorrindo.

– Isso, utilize nosso poder da herança para acabar com o Kan na briga marcada amanhã! – diz Aka, rindo.

– O que você disse? Uma briga marcada? Rojo! – reclama a mãe.

– A... a culpa não foi minha, ele estava nos perturbando, e se mostrando por já ter liberado seu fogo. Inclusive quem deu a ideia de marcar a briga foi o Aka – se defende Rojo.

– Aka é muito mais novo que você, não devia se levar pelo que ele diz! – retruca a mãe.

– Ei – reclama o filho mais jovem, embora esta reclamação tenha sido ignorada.

– Brigas são erradas, mas coloque aquele moleque no seu lugar usando suas chamas vermelhas, filho! – incentiva o pai.

– Você deveria impedir! – insiste Rubia.

– Isso é coisa de jovem, vai ficar tudo bem – garante o patriarca – desde que você dê uma surra nele – sussurra para Rojo, que retribui rindo.

– O que você disse a ele? – pergunta a mãe, ao notar a que o filho riu.

– Nada, nada – finaliza o pai – veja, chegamos finalmente – completa, ao pararem em frente a uma casa relativamente grande para o vilarejo na qual se encontrava.

– É, não há volta, irmão – diz Aka dando um leve tapa nas costas de Rojo, que concorda balançando positivamente a cabeça.

Notas finais
É engraçado escrever uma história bolada no momento em que você digita... Como está a história? Parada? Chata? Rápida? Criticas negativas e positivas podem ajudar este humilde escritor a melhorar de pouquinho em pouquinho! Até o próximo capítulo!