Dez Anos Depois
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Nós tivemos os melhores anos de nossas vidas
Mas você e eu nunca mais seremos o mesmo
Setembro chegou de surpresa
E só me restou ver as estações mudarem
Best Years of Our Lives — Evan Taubenfeld
Los Angeles – California
Rachel Berry
Em nome de todo o Glee Club Novas Direções e do Colégio McKinley High, convido você a se juntar a reunião de dez anos dos antigos alunos, que será feita na sede do colégio em Lima nesse final de semana. Maiores informações em anexo.
Atenciosamente
William Schuester
A morena piscou os olhos castanhos lentamente quando terminou de ler o e-mail. Estava esvaziando a caixa de entrada quando seus olhos se fixaram no nome do antigo professor, e algo a incitou a verificar. Não havia tido a oportunidade de ir na reunião de cinco anos por causa de compromissos profissionais, mas não conseguia recordar nenhum que pudesse a impedir de ir nesse.
No mesmo instante seu celular começou a tocar e o nome que apareceu no visor fez um sorriso se abrir involuntariamente em seus lábios.
“Ei princesa.” A voz rouca tinha um quê de divertimento. “Recebeu o e-mail do Sr. Schue?”
“Recebi sim e já estava pensando em te ligar.” Respondeu passando a mão pelos cabelos escuros. “Não temos nada para esse final de semana, não é?”
“ Você quer ir?”
“Quero sim. Não conseguimos ir na última e eu estou morrendo de curiosidade para saber o que aconteceu com todo mundo.”
“Ainda bem que eles já sabem o que aconteceu com você.” A voz respondeu divertida e a morena bufou contrariada. “Quer dizer, não sabem tudo.”
“Isso vai ser uma surpresa e tanto.” Agora era Rachel que tinha um tom divertido e um pouco malicioso na voz sedosa. Seria impagável ver a cara dos amigos quando soubessem o que a mídia não conseguia divulgar. “Mas eu tenho certeza que a Santana vai se divertir com isso.”
“Quando a Satã não se diverte as custas dos outros?”
“Bem lembrado.”
“Mas então, reservo as passagens?” A voz tornou a perguntar. “A Britt acabou de confirmar que ela e a San vão.”
“Reserva no mesmo voo que elas. E a gente pode ficar na casa dos meus pais.”
“Tudo bem princesa. Depois que eu conseguir me livrar de algumas reuniões nós nos encontramos para almoçar.”
“Até depois amor.” Sussurrou apaixonadada. “Amo você.”
“Amo você também Rach.”
Quando a ligação encerrou a morena tratou de ligar para os pais e contar as novidades. Os Berry ficaram imensamente felizes e prometeram buscar todos no aeroporto. Por causa dos compromissos profissionais da filha quase não podiam se encontrar, então aproveitavam o máximo nas vezes que o destino resolvia colaborar.
E essa viagem a Lima seria uma ótima forma de fazer isso.
x-x
Lima – Ohio
O desembarque em Lima foi calmo. Logo avistaram os dois Berry sorridentes esperando no saguão. Hiram se aproximou primeiro e pegou todos em um abraço apertado. Leroy ofereceu um sorriso brilhante e depois também abraçou todos.
Algumas pessoas que estavam no aeroporto paravam o grupo e pediam fotos e autógrafos para Rachel e Santana – que eram cedidos com muita boa vontade. O restante do grupo só sorria com divertimento ao ver o pequeno aglomerado que estava em sua volta. Felizmente não haviam avistado nenhum paparazzi na espreita, então tinham uma vantagem surpresa para os antigos colegas.
Passaram primeiro na casa da latina e deixaram ela e Brittany. Depois seguiram para a residência Berry. A casa que era mais lar para Quinn do que a que viveu por longos dezoito anos. As garotas subiram para o quarto de Rachel enquanto Hiram e Leroy se ocupavam fazendo um café. A reunião seria só a tarde, então teriam bastante tempo para colocar a conversa em dia.
“Eu senti falta desse quarto.” Quinn falou se deitando na cama da diva. Rachel estava abrindo a janela e olhou para a loira de forma interrogativa. “Ele me lembra de como as coisas começaram.”
“Eu conheço esse sentimento.” Rachel sorriu para a loira e se juntou a ela na imensa cama. Quinn acomodou o corpo pequeno e moreno em seus braços e beijou os cabelos escuros. “Fico imaginando como vai ser hoje a tarde.”
“Porque?”
“Como as pessoas vão reagir.”
Quinn fez a morena virar o rosto em sua direção e aplicou um suave beijo nos lábios carnudos.
“Eles podem reagir como quiserem e eu não me importo. Só o que importa é que tenho Rachel Berry nos meus braços e todos eles vão se morder de inveja.”
“Eu amo o seu otimismo.” A morena tornou a sorrir e se apertou mais no calor dos braços da amada.
“Eu sei.” Quinn riu e recebeu um tapa estalado no braço descoberto.
Batidas na porta tiraram as garotas da sua bolha. Logo Hiram colocava seu rosto sorridente dentro do quarto e soltava uma exlamação animada ao ver as duas deitadas. Os braços da loira rodeavam o corpo da morena e as duas tinham sorrisos suaves e felizes nos rostos. Elas eram adoraveis juntas.
“Se vocês quiserem um café, Leroy já preparou. Estamos ali em baixo.”
“Já estamos indo papai.”
O homem acenou uma vez e voltou a fechar a porta.
“Tenho certeza de que eles querem saber como vamos contar as novidades para o pessoal.” Quinn sorriu e começou a levantar da cama, puxando Rachel com ela.
“Isso é certo Q.”
“Vamos então?” A loira estendeu a mão para a amada. Rachel fez um som de descontento mas pegou a mão que era estendida. “Temos muito que conversar com seus pais antes de ir para a reunião.”
As duas desceram as escadas de mãos dadas e encontraram os pais de Rachel sentados no sofá da sala com imensas xícaras de café em suas mãos. Eles olhavam de forma expectante para as duas, que se serviram de café e sentaram no sofá a sua frente.
Tinham muita coisa para conversar antes de reencontrar o Glee Club.
x-x
William McKinley High School – Ohio
O BMW escuro estacionou em uma vaga desocupada na frente do prédio antigo do colégio. De dentro dele sairam duas mulheres loiras e duas morenas. Eram um tipo de grupo que com toda a certeza poderiam parar qualquer ambiente.
Todas tinham um visual despojado, já tendo em mente que chamariam a atenção só por serem quem eram. A primeira loira – de incríveis olhos azuis como o céu – usava um short jeans lavado e uma regata azul marinho. Nos pés um par de sapatilhas negras e os incrivelmente longos cabelos loiros presos em um coque bagunçado. Segurava firmemente a mão de uma latina de olhos tão negros quanto a noite. Santana também usava um short e deixava as pernas morenas a mostra. Completava o visual com uma camiseta vermelha e um all star nos pés. Seus cabelos estavam soltos e tremulavam no vento que assolava a tarde de verão em Lima.
Mais atras vinha uma morena muito baixinha. Seu rosto – assim como o de Santana – estampava milhares de revistas e posteres em todo o país. Tinha optado por um short jeans mais escuro do que o que Brittany usava e a camiseta branca tinha os dois primeiros botões abertos, revelando um pouco do sutiã. Um óculos escuro tapava os olhos chocolate. Os pés pequenos eram cobertos por uma sapatilha preta.
A última pessoa do grupo também era loira – mas tinha os olhos cor de avelã mais bonitos que já haviam sido vistos. A mulher passava o braço de forma protetora pela cintura da morena mas tinha um sorriso leve e de dentes brancos e alinhados no rosto, junto com um aviador que cobria os olhos. Tinha optado – diferentemente das outras – por uma jeans skinny e uma camiseta preta. Nos pés também usava um all star, tal como a latina. Os cabelos curtos sacudiam conforme caminhavam.
Fizeram o pequeno trajeto até a entrada do colégio de forma lenta e quando se preparavam para entrar no prédio o celular de Quinn começou a tocar. Rachel lançou um olhar feio para ela e Santana e Brittany seguraram os risos que queriam soltar.
“Desculpa princesa, é do escritório em Nova York.” A loira suspirou em descontentamento. “Eu tenho que atender.”
“Quer que te esperemos?” A morena suavizou a expressão e viu Quinn relaxar.
“Não precisa Rach. Eu resolvo isso rapido e já encontro vocês.” Falou se afastando do grupo. “Quinn Fabray falando.”
As outras três então entraram no prédio e seguiram para o local combinado.
x-x
Assim que pisaram no ginásio do colégio todos os olhares viraram para elas. Uma coisa era ver as estrelas de Hollywood pela televisão e outra completamente diferente era ve-las cara a cara. Todas as pessoas se aproximaram cautelosamente e os que foram mais próximos de alguma delas se arriscava em oferecer um aperto de mãos.
Rachel vasculhou todo o local e num dos cantos mais afastados da imensa multidão conseguiu reconhecer Kurt. Com um aceno fez Santana e Brittany a seguirem e então avistou todo o Glee Club. Devia imaginar que eles estariam todos juntos. Alguns hábitos custam a mudar, e essa era a maior prova disso.
“Barbra.” Kurt foi o primeiro a avistar as garotas e se apressou em cumprimentá-las. “Britt. Satã.”
“Oi Kurt.” A loira e a morena falaram em onissono. “Porcelana.” Santana cumprimentou do mesmo modo que fazia nos tempos de colégio. O rapaz fez um expressão risonha.
Não via aquela latina debochada desde o casamento dela e Brittany a quase seis anos atrás. Quer dizer, não via pessoalmente, já que fazia questão de assistir cada episódio da série médica que Santana participava e havia ido em um show seu a pouco mais de um ano em Nova York.
Também sentia uma falta descomunal de Brittany e Rachel – principalmente da morena. Não se falavam com frequencia a quase dois anos agora. Só algumas trocas exporádicas de e-mails que eram tão impessoais que deixavam o rapaz triste. Apesar disso fazia questão de acompanhar tudo que noticiavam sobre a garota que um dia fora a melhor amiga que ele já teve. Assistia todos os filmes e viu todas as peças que a judia apresentara na Broadway.
Foram recebidas com abraços longos e apertados de alguns, e timidos e fracos de outros. Apesar de estarem juntos, algumas coisa que aconteceram dez anos antes ainda assombravam algumas mentes. Pequenos momentos e rachaduras que abalaram um pouco o relacionamento entre eles, mas no montante geral, sabiam que ali era família. E iriam fazer de tudo para restaurar os laços.
Tantos quanto fossem possiveis.
Conversaram por longos minutos, sempre atualizando os ex-colegas de coral sobre o que havia acontecido nos últimos dez anos e que a mídia ainda não havia noticiado. Rachel a cada pouco desprendia os olhos das pessoas e buscava o celular que estava no bolso. Em uma dessas vezes Kurt e Mercedes conseguiram vislumbrar um anel reluzendo em seu dedo anelar da mão esquerda.
Com toda a certeza era um anel de casamento. Mas como nunca tinham notado esse assessório? Era brilhante demais para passar despercebido.
“Rachel, isso ai é um anel de casamento?” Mercedes se adiantou e puxou bruscamente a mão da judia. Os olhos dela se arregalaram comicamente e Santana sufocou uma gargalhada. Até que eles tinham demorado para perceberem.
“É sim Mercedes.” A judia respondeu lentamente olhando para os lados e tentando achar sua loira na imensa multidão. Não tinha estomago para enfrentar a inquisição espanhola que sabia que iria acontecer sozinha.
“E onde está seu marido?”Kurt perguntou assombrado. Não fazia ideia de que a morena estava casada, afinal ela nunca comentara sobre isso em nenhum e-mail que trocaram. “E como nunca tinha percebido isso?”
“Rachel está casada?” Finn perguntou espantado.
E pela primeira vez a morena colocou seus olhos no garoto que foi apaixonada no colegial. Ele estava – para sua completa surpresa – em forma. O corpo desengonçado tinha sumido e dado lugar a um físico que fazia jus ao de alguém do exército. Só que a pergunta dele saiu um pouco mais alta que o tom das conversas que mantinham e todos os antigos Gleeks viraram seus rostos com expressões assombradas para a judia.
Santana não conseguiu mais segurar o riso. A situação era divertida demais para deixar passar. Rachel lançou um olhar feio para ela, mas a latina deu de ombros e continuou seu ataque. Algumas lágrimas já se acumulavam em seus olhos e Brittany tapou a boca da esposa com uma das mãos, lançando um olhar de desculpa para a morena.
“Como assim a minha sister judia casou?” Puck se intrometeu na conversa passando os dedos na cabeça. Felizmente ele tinha se livrado do moicano e agora usava os cabelos quase raspados.
“Casando oras.” Santana colocou mais lenha na fogueira e viu com muito orgulho Rachel começar a corar. “Sabe, tem um ministro e duas pessoas que querem casar. Foi assim.”
“Mas ela casou com quem?” Finn perguntou ainda confuso, já que não havia visto nenhum cara com a morena. Ela só estava ali com Santana e Brittany.
Eles ainda olhavam de forma expectante para a judia. Rachel abaixou a cabeça pensando em como responder a pergunta quando sentiu braços familiares apertarem sua cintura e a puxarem contra um corpo macio.
“Comigo.” A voz de Quinn soou rouca no ouvido de Rachel e a loira observou com orgulho quando todos os olhares se arregalaram sincronizadamente. Viu também Santana morder os lábios impedindo um comentário inoportuno de escapar e Brittany lançar para ela um sorriso divertido. “Desculpa a demora carinho, mas o Jesse estava dando piti desnecessário em Nova York. Tive que resolver uma parte.”
“Q-Quinn?” Todos questionaram desnorteados. Afinal, em um momento via a judia tentar explicar como havia casado e no outro viam a antiga head cheerio abraçar o pequeno corpo e declarar que era casada com Rachel. Era muita informação para processar.
“Exatamente. Algum de vocês tem problema com isso?” A loira perguntou séria, usando o mesmo tom de voz que usava para conseguir as coisas para seus clientes. Não era a toa que tinha se tornado a agente mais procurada do país.
Dez expressões aterrorizadas a encaravam de volta. Nenhum deles estava preparado para ver novamente a loira agir como HBIC. Tinham quase esquecido do quanto ela podia ser assustadora.
“Nenhum.” Sam foi o primeiro a encontrar a voz e torceu para que ela não tivesse saído tremida. Quinn ergueu uma de suas sobracelhas e todos os outros agitaram suas cabeças em concordância.
“Muito bom.” Um sorriso se abriu em seu rosto e ela sentiu Rachel relaxar em seus braços. “Agora quero saber o que aconteceu com vocês nos últimos anos.”
Todos começaram a falar ao mesmo tempo e a loira sentiu Rachel soltar uma risadinha. Quinn era expert em mudar de assunto e dobrar as pessoas. E a morena agradecia aos céus por essa parte peculiar da personalidade da loira.
x-x
As horas foram correndo rapidamente, e quando todos se deram conta o ginásio estava praticamente vazio. Não queriam se despedir, já que não sabiam quando poderiam voltar a se encontrar então todos concordaram em almoçar na casa de Rachel no dia seguinte.
As garotas se despediram dos amigos e rumaram para fora do ginásio. Quando nenhuma das quatro estava a vista, Kurt virou como um foguete para Mercedes.
“Só eu ou mais alguém ficou gelado com o olhar de morte que a Quinn lançou?”
Dez mãos se levantaram em sincronia. Tinham ficado aterrorizados como o inferno.
“Mas tenho que admitir que as duas ficam malditamente fofas juntas.”
“Ficam quentes, isso sim.” Puck deu um sorriso lascivo.
“Espera tua mulher saber disso Puckerman.” Sam sorriu com orgulho ao ver a expressão se desfazer no rosto de Puck.
“Você não faria isso!”
“Vai pagar pra ver?”
O homem bufou contrariado. As vezes se arrependia de ter mantido contato com o loiro – de todas as pessoas. Tinha uma vontade incontrolável de socar aquela cara infeliz e fazer a boca parecer mais desproporcional do que era.
Não, nem ele seria tão ruim a esse ponto.
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Quinn deixou a latina e Brittany em casa e depois rumou para a casa dos Berry. Rachel foi todo o caminho segurando firmemente a sua mão, e nesses momentos a loira agradecia pela vantagem do carro ser automático.
“Não foi tão ruim.” Falou assim que estacionou o BMW na garragem. Rachel lançou um olhar de olhos estreitos em sua direção.
“Isso porque não era você que sofreu a inquisição.” A morena bufou contrariada e Quinn não conseguiu evitar soltar uma risadinha. “E a Santana ficava colocando mais lenha. Ainda mato aquela latina.”
“Esquece isso babe. E você ainda teve o bônus de ver os olhos do Finn quase saltarem para fora da cabeça quando eu cheguei.”
“É só por isso que você está tão satisfeita, não é?”
“Imagina Rach.” A loira tentou abrir a expressão mais inocente que conseguiu. Rachel soltou uma risada sonora e depositou um singelo beijo nos lábios finos de Quinn.
“Eu finjo que acredito nisso.”
“Vamos? Seus pais devem estar salivando para saber o que aconteceu.” Quinn abriu a porta do carro e deu a volta para abrir a de Rachel. “Além disso quero descrever a cara de pastel do Finn pra eles. Tenho certeza de que os dois vão se divertir muito com isso.”
“Seja boazinha amor.”
“Não prometo nada.”
E sorrindo as duas entraram na casa.
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