Devourer Of Souls
7 Trágicas mudanças parte I
Notas iniciais
Saí da escola perturbada com aquilo, Kaylley.. Eu tinha certeza que ela me queria. Não podia ser só a minha imaginação. Não podia. Tinha algo doce nela, mas havia trevas também. Porra, que clichê. Estou me sentindo Bella Swan falando sobre Edward depois de descobrir quem ele realmente é. A questão aqui é: eu tenho certeza que ela me quer, e preciso saber o que realmente é, e isso será está noite. Mas antes, Nico.
Arranquei meu celular da bolsa com fúria. Quem ela pensa que é pra fazer isso comigo?! Comecei a enviar uma sms pro Nico, e parecia que meus dedos iam quebrar o touch.
8h20 — Guri, escreva uma redação sobre sua vida, pra hoje. Estou indo ai, beijos.
Ainda com o celular na mão pensei em ligar pro meu pai me levar, mas não queria incomodar. Apenas enviei uma sms pra minha mãe.
8h24 — Estou bem, não terei aula. Nico faltou, então estou indo até a casa dele. Volto pro almoço, um beijo.
Continuei andando, em direção a casa do Nico, e em menos de dois minutos meu celular começou a vibrar. Era minha mãe. Me ligando.
– Oi, mãe.
– Katie, o Nico está bem?
– Não sei, mãe. Por isso estou indo lá.
– Ah, sim. Bem, quando chegar lá me avise. E vai almoçar em casa, está bem? Já falei com seu pai e ele passa lá pra te buscar.
– Mas.. Ok, mãe.– Suspirei.
– Se cuida, Katie.
– Pode deixar.
Desliguei o celular e o coloquei no bolso. Eu iria dizer que meu pai não precisava me buscar, mas ele iria aparecer lá de qualquer modo, seria uma discussão atoa com minha mãe. Não havia quase ninguém na rua, como sempre. Mas vi duas meninas brincando numa árvore alta e sorri. Eu adorava aquilo quando era mais nova. Atravessei a rua e o celular vibrou.. Cara, por que minha mãe tem que ser tão histérica? Não tem nem.. Era Nico.
– Katie, onde você está?
– Oi, Nico. Minha sms não chegou?
– Não..
– Que estranho.. Estou indo pra sua casa, na verdade, estou bem perto.
– Ah, tudo bem, relaxa, estava apenas preocupado, você não estava me respondendo. Enfim, beijo.
– Operadoras, outro.– Desliguei o telefone rindo. E pude ouvir ele sorrindo do outro lado.
Nico tem um sorriso lindo. Toda vez que ele sorri eu vejo o menino que eu conheci quando criança. Comecei a andar mais depressa, a casa dele era no final da rua. Sempre brincavámos aqui, corríamos para todos os lados. Nico era como um irmão, só que mais sexy. Bem mais sexy. Sorri com esse pensamento, já estava na hora de eu dar uma chance pra ele.
Quando cheguei na porta da casa dele, toquei a campainha. A casa dele não é enorme, mas é linda. Branca, com portões e detalhes em madeira tom café, quase preto. Não demorou muito e ouvi os passos dele ecoando pelo quintal. Então ele abriu a porta com aquele sorriso lindo no rosto.
– Katie!– Envolveu seus braços na minha cintura, me tirando do chão e rodando-me no ar.
– Heey, calma, Nico!– Comecei a rir, me segurando no pescoço dele pra não cair.
– Desculpe, como foi a aula? Não pude ir, foi mal.– Ele disse aquilo meio cabisbaixo, me colocando no chão.
– Ei, Nics, que houve?– Estavámos nos olhando nos olhos, eu ainda estava com minhas mãos no pescoço dele, e pude ver a dor escondida em seus olhos. — O que seu pai fez?
– Bateu nela de novo, Katie. E ela não liga..– Ele abaixou a cabeça e suspirou - Como minha mãe pode ser tão burra?
– Ela tem apenas medo, e quer te dar um futuro. Mas isso não pode continuar assim. Eu vou tentar falar com ela, ok?
– Você faria isso, K?
– Claro que sim, agora, tire essa carinha triste do rosto. Você tem uma redação pra fazer agora porque vou entrega-la a Kaylley esta noite.
– Vai sair com a nossa professora, é?– Nico arqueou as sombrancelhas, rindo.
– Sim, vou, não é tão ruim..– apertei o pescoço dele, rindo também. Ele se arrepiou. Corando logo em seguida.
– Ok.. ok..– Tirei minhas mãos do seu pescoço e para não ser rude, entrelacei nossos dedos. - Quer entrar, K?
– Por que não entraria? - Fiz uma careta, empurrando ele pra dentro de casa. Fui fazendo cócegas nele até entrarmos no seu quarto.
Ele acabou caindo na cama e me puxando junto, ríamos como duas crianças. Minha barriga e minha boca doíam de tanto gargalhar. Senti falta disso.
– Katie, isso terá volta.
– Quando você parar de rir, talvez. Você é muito fraco.
– Eu não sou mais tão fraco, Katie.
Naquele momento ele não pareceu meu irmão, e eu não sei quem exatamente começou isso, mas nos beijamos. No início foi estranho e então ficou bom demais, ele beijava super bem!
O beijo ficou mais profundo, meu coração disparado, mas o beijava bem devagar. Puxei ele pra cima de mim e ele começou a beijar meu pescoço, eu soltei um gemido baixo e ele apertou minha cintura, tirei a blusa dele e..
– Ai meu deus! Desculpem, eu não sabia..
Arregalei os olhos, a mãe dele estava na porta do quarto. Eu fiquei super vermelha, o que eu estava fazendo?! Sai de baixo dele e me sentei.
– Desculpe, tia. Eu não..– Fechei os olhos sem saber o que falar. Ele estava RINDO.
– A culpa foi minha, querida. Adoraria ter você como nora, não se preocupe. Fiquem à vontade. Quer ficar pra almoçar?
– Desculpe, não posso, mas obrigada. - E foi então que vi o roxo na nuca dela enquanto ela saia do quarto sorrindo pra nós.
Quando olhei pro Nico ele estava sorrindo, todo em êxtase. Bobo.
– Parece até que ganhou na loteria, cara.– Ajeitei meu cabelo, o colocando atrás da orelha.
– Quase.– Aquele sorriso não saia da cara dele.
O silêncio reinou por alguns minutos que pareceram horas.
– Não vou me desculpar por isso, K.
– Não quero que se desculpe, foi bom.– Meu cabelo voltou a cair na cara, mas ele foi mais rápido e o colocou atrás da minha orelha, olhando nos meus olhos.
– Sério?– Ele estava surpreso.
– Ué, pra você não foi? Achei que eu beijava bem.. Tipo ganhar na loteria, sabe?
– Não, cara. Você beija super bem.– vi o terror nos seus olhos.
– Que bom. E fica calmo.– Me sentei no colo dele. — Não quero me arrepender disso Nico..– Fiz um sinal com a mão indicando nós dois — Não quero perder a sua amizade.
– Pode parando. Sou seu amigo antes de tudo, e vamos devagar. Quando quiser parar, só falar.
– Obrigada, Nico. Você é um amor.
Sem querer remexi meus quadris sentada no colo dele. E instantaneamente senti sua ereção no meio das minhas pernas.
Nós dois coramos, mas eu vi o desejo nos olhos dele. Rebolei de novo, só que mais devagar, e com um sorriso pervertido no rosto.
– K.. vamos devagar..
– Relaxa, Nico. Se quer virar meu namorado aceite minhas provocações. Não quero..– Engoli a seco — Transar tão cedo. Você sabe que eu..– Abaixei os olhos.
– Eu sei, eu também sou. Relaxa, vai.– Ele levantou meu queixo — Me beija de novo?
– Claro.– Me inclinei sobre ele e o beijei. Quando senti sua ereção ficar mais rígida, parei. — Hey, garotão. Melhor pararmos. Tenho que almoçar em casa e você tem uma redação pra fazer.
– Tudo bem, pequena. Ei, minha mãe vai querer saber se estamos namorando..
– Ah, não quero dar nome à isso..– Mordi meus lábios - Não quero brincar contigo. Pode ser assim, por enquanto?
– Claro, Katie. — Nunca o vi tão feliz.
– Obrigada.– Por incrível que pareça eu também estava feliz. — Tenho que ir.– Dei um selinho nele e sai do seu colo.
Ele me puxou de novo. E ficou olhando nos meus olhos enquanto corria a mão pela lateral do meu corpo, me arrepiando e fazendo meu ventre se contrair.
– Eu prometo ir devagar, Katie. Mas preciso que saiba que eu realemente te quero, e não é só atração física, quero cuidar de você; muito.
– Eu sei.– fechei os olhos e sai do seu colo, dessa vez ele deixou. Tive uma visão completa do corpo dele e UAU. Ele estava de jelhos na cama com as pernas afastadas, sem camisa, com o cabelo todo bagunçado e excitado. Uma visão deliciosa. PORRA, to parecendo uma puta falando, mas.. Ele está mesmo uma delícia.
– Quando você ficou assim?– Apontei pro corpo dele.
– Excitado? Bem, na hora que voc..
– NÃO! To falando do seu corpo..
– Eu sei.– Disse ele rindo - Mas queria falar isso em voz alta.
– Idiota.– fiz uma careta.
– Mas, diga.– Ele mordeu o lábio lentamente, que provocador desgraçado.
– O que?– entrei na brincadeira.
– Como eu estou.
– hm..– Fingi pensar.
– Fala, K.
– Gostoso..– Ele se jogou pra trás e gargalhou.
– Você que nunca reparou.
– Pode ser, mas ainda é um NERD!
– Sem dúvidas.
Ele ficou me encarando durante um bom tempo.
– O que foi? — Encarei ele.
– Você não vai ajeitar sua roupa?
– O que..?– Foi quando olhei pra mim mesma num espelho atrás de mim. Eu estava com o sutiã todo de fora de um lado, e a calça aberta – Mas como foi que..?
– Eu sou rápido..– disse ele com um sorriso perfeito.
– Mas eu não percebi..
– Acho que você estava concentrada em outras coisas..
– Que horas são, Nico?!
– Hm..– Ele se inclinou na comoda e pegou o celular — Onze e meia.
– Puta que pariu. Esqueci de ligar pra minha mãe.– Corri até a cama dele e comecei a procurar meu celular, duas sms e três ligações. Retornei na hora.
– KATERINA MENNIE SCHOENBERGER! ONDE VOCÊ ESTÁ??– Olhei pro Nico e sibilei um "fudeu". Ele colocou o travesseiro na cara pra poder rir..
– Mãe, eu..
– NÃO TEM EXPLICAÇÃO. SABE COMO FIQUEI PREOCUPADA?
Nico apareceu do meu lado e pegou meu celular.
– Oi, tia. É o Nico.. Não, a culpa foi minha.. É, sim.. Claro.. Não vai acontecer de novo, desculpe.. Aviso sim.. Outro.– Ele sorriu e desligou — Pronto.
– O que você fez?– olhei boquiaberta.
– Bem, eu sei como convencer minha nova-quase-sogra.– e caímos na gargalhada.
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