Devil Inside
8 Not Scared Of the Dark
Notas iniciais
"Se eu não tivesse você, não haveria nada sobrando
Só o casco de um homem que nunca pôde ser seu melhor
Se eu não tivesse você, eu nunca veria o sol
Você me ensinou a ser alguém, yeah
Toda minha vida, você esteve ao meu lado
Quando mais ninguém esteve me apoiando
Todas essas luzes, elas não podem me cegar
Com seu amor, ninguém pode me derrubar"
***
– O que você pensa que está fazendo?! — Eddard rosnou, empurrando seu filho com brutalidade para dentro do quarto, batendo a porta atrás de si.
– Cortejando a mulher que eu amo, meu pai. — respondeu, respeitoso, mas mantendo queixo erguido orgulhosamente. Não iria retroceder agora. Não podia. Não era justo com ele ou com Noryne.
Se retrocedesse agora, sabia que ela nunca mais acreditaria nele, pensaria que ele a enganara o tempo todo. Cerrou seus punhos e armou-se com seu orgulho e honra, a memoria recente de guia-la até seu quarto antes de ser emboscado pelo pai no corredor o manteve firme. O brilho de seus olhos quando bailavam, a maneira que seus lábios se entreabriam em busca de ar.
"Me dê coragem", pensou, ao lembrar de seu sorriso, daquela ultima pergunta hesitante que ela lhe fizera.
– Ela é uma Greyjoy! — Lord Eddard lançou, como esse argumento a condenasse a algo mil vezes pior do que uma mulher perdida.
– Eu a amo! — gritou de volta.
– Não pode! Trate de reverter isso, Robb, você é meu herdeiro, será o Guardião do Norte e eu não irei tolerar isso! — os olhos de Ned faiscaram em aviso — Nem que eu tenha que tomar medidas para que isso signifique tomar medidas para que isso não ocorra..
Congelou, sua respiração ficou presa em seu peito e seu coração falhou uma batida. Nunca sentira algo assim na vida, pavor puro corria em suas veias.
– Pai... — pediu.
– Você não terá tal mulher como esposa a menos que queira ser deserdado. — disse, dirigindo-se para a porta com uma chave prateada — Porém, isso não irá acontecer. Você não a verá amanhã.
Antes que pudesse se lançar contra a porta, ela havia sido trancada pelo lado de fora. Ouviu ordens sendo dadas de que não deixassem-no sair e o único contato que estava permitido a ter seria pela manhã seguinte, quando lhe entregassem o café da manhã.
Ouviu-o descer o corredor e começou a socar e gritar, tentando arrombar a porta, ouvindo os uivos de Vento Cinzento juntaram-se aos seus apelos.
– Não, por favor! Deixe ela em paz! Não toque nela! Noryne! NORYNE!
Quando sua voz estava rouca e seus punhos lanhados por farpas, encostou sua testa a superfície de madeira antes de cair de joelhos.
"Nós vamos ficar bem, certo?", a voz doce e hesitante dela soara no canto de sua mente, "Vamos ficar juntos? Algo vai mudar agora que todos sabem?"
– Me desculpe... — sussurrou, antes de soluçar — Noryne, me perdoe, eu amo você.
"Isso mudaria algo? Você desistiria?", respondera.
"Não", sorrira sincera, "Ainda amaria você, por mais ingênuo que fosse."
Então ambos haviam hesitado, antes que ele deixasse sua mão ir. Mas, naquele segundo, beirando a inconsciência, ele pode senti-la, segurando sua mão, sorrindo e acariciando sua face.
"Ainda amaria você"
***
Seus nós dos dedos doíam, assim como todos seus músculos. Desviou os olhos da parede de tijolos por um momento, lançando um rápido olhar para baixo. O chão ainda estava longe.
Ainda sim, vestida com sua calça de couro, bata e botas negras, tal como um capuz de mesma cor, retirou uma das lâminas prateadas do vão entre os tijolos e posicionando-a um pouco mais abaixo.
– Eu a amo! — ouviu a voz de Robb gritar e se encolheu sob o peso da traição que cometia ao abandoná-lo, apressando-se em seus movimentos, agora um pouco estabanados.
– Não toque nela! Noryne! Noryne! — a lâmina escorregou em suas mãos e seu peso inclinando para trás em desequilíbrio levou junto a outra lâmina.
Caiu no chão nevado com um baque surdo e um gemido de dor, suas costelas doíam, mas ficou de pé e correu assim que pode.
Corria de seu passado, presente, de Robb, dos Starks, de Winterfell, de seu coração. Caiu de joelhos quando tantas perdas a fizeram perder a habilidade de respirar.
O gemido sofrido escapou estrangulado pelos seus lábios, as lagrimas queimavam seu caminho até seus olhos, algo em seu peito queimava, colocou sua mão sobre seu peito na vã tentativa de fazer o que quer que fosse parar.
– Me perdoe... Robb, me perdoe...
Um barulho assustou-a, chamando sua atenção para o lobo de olhos amarelados e pelos cinzentos se aproximando hesitante com a cabeça baixa e orelhas retesadas.
– Vento Cinzento? — perguntou, a voz ainda embargada — O que você está fazendo aqui?
O lobo aproximou-se, pousando sua cabeça felpuda em seu colo e erguendo os olhos inquisidores e ela pode ler a pergunta neles.
– Não. Eu não posso ficar. — respondeu, ficando em pé e afastando-se daquele que possuía o elo mais forte a Robb, ele era parte do homem e o homem parte dele.
Encolheu levemente com o susto ao sentir o corpo morno e peludo roçando em sua perna. Olhou para baixo para o lobo que a seguia tão fielmente quanto seguiria Robb, antes de parar.
– Você não pode vir comigo. — ele encarou-a antes de inclinar a cabeça para o lado — Não. Volte para Robb. Você tem que protegê-lo, a vida dele. — ainda assim o lobo sentou-se ao seu lado e balançou a cabeça antes de se aproximar mais — Okay, okay, me siga! Quando estiver dormindo vou deixar você para trás e você será obrigado a voltar. — resmungou, se afastando ainda com lagrimas nos olhos e um lobo gigante em seu encalço.
***
A chuva que caía molhava seus longos cabelos ruivos juntamente com sua roupa. Seus passos afundavam na neve ao longo do caminho.
Andava a caminho da floresta com Visenya ao seu lado. A loba, fiel, não a largava nem um minuto, caminhava ao lado da dona com a língua para fora.
Ela, que antes era um filhote crescera bastante, seus pelos brancos estavam maiores e seus olhos violetas mais vivos do que nunca.
A neblina entre as árvores era alta e espessa. Caminhara mais um pouco até avistar um lugar em que pudesse se sentar. Parou em um amontoado de terra misturada com neve e sentou-se em cima, junto com sua loba.
Ficara longos minutos olhando para o nada, pensando no nada. Porém sua atenção se voltou para floresta ao ouvir um ruído, Visenya levantou-se e parou em frente a Ivy, rosnando para o nada.
Uma pessoa saíra de dentre as árvores e parou ao ver Ivy, antes de revelar sua identidade. A morena esboçava um semblante triste e conflituoso, mascarado por sua frieza habitual se quando não desejava sentir coisa alguma.
Nory foi até Ivory com Vento Cinzento seguindo-a, atento a tudo, e a abraçou com força.
– Nory? O que aconteceu? — A ruiva perguntou.
– Robb. Aquele maldito romântico de palavras suaves e beijos viciantes. Ele aconteceu. — resmungou, sentindo a cabeça felpuda de Vento Cinzento roçando contra sua coxa.
– Espera... Beijos viciantes? — Perguntou incrédula.
– Não é uma boa hora, Ivory Stark. — Nory avisou, fungando.
– Desculpe. — Ela abraçou a amiga na intenção de consolar a mesma. — Vai ficar tudo bem. — Pelo menos esperava que ficasse
– Nunca ficará bem. Eddard nunca deixara que fique bem, eu não posso mais. Não posso mais fingir que vai dar certo. Não posso voltar, Ivy.
– Você não pode! Tem que voltar ! — Sentira lágrimas rolando por suas bochechas naquela hora.
– Ivory, se eu voltar, nunca mais serei livre. Lord Stark garantiria isso, e até mesmo Robb. Meu coração seria meus grilhões, seria escrava dele. — encarou-a, juntando seus pulsos como se para mostrar-lhe uma algema que não existia e Vento Cinzento uivou — Nasci para ser livre, como o mar, como o vento.
Ivy não respondeu apenas assentiu com a cabeça enquanto fungava. As duas se abraçaram, como se aquele fosse seu último abraço.
Depois de breves segundos a morena se afastou e encarou a outra antes de recolocar seu capuz, virar-se de costas e sumir entre as arvores.
***
Ergueu sua cabeça na direção da porta abrindo, desviando os olhos de volta para a janela embaçada pelo frio quando viu a figura de sua mãe fechar a mesma atrás de si após entrar.
Descansada sobre o alcochoado da leve depressão semi-hexagonal na parede que originava a janela, agora, trancada, que era sua única conexão com o lado de fora naquele cativeiro de luxo no qual se encontrava. Uma das pernas esticava-se sobre o colchão aveludado e vermelho, roçando na janela, enquanto a oposta estava dobrada e servia como apoio para seu braço, cujos dedos da mão encostavam seus nós e pontas no vidro frio.
– Você não comeu seu café. — ela falou, e seu olhar focou-se por um segundo na bandeja de comida sobre o baú de madeira avermelhada talhada a frente de sua cama.
– Não tinha come. — murmurou, seco e rouco pela falta do uso da voz. A ultima vez que a usara, implorara por ajuda, por alguma informação, mas a pobre serva apenas chorava e soluçava e negava com a cabeça, não tinha informações relevantes e o estado do filho de seu Senhor a sensibilizara demais para que conseguisse formar frases coerentes com os que possuía.
– Noryne não foi vista desde a noite passada.
– Nem Vento Cinzento, acredito. — jogou a isca, sua voz reverberando com a certeza de que não tinha sobre o fato.
– Sim, você está certo. — Catelyn disse, erguendo uma sobrancelha fina — Como saberia disso?
– Eu o vi... — disse simplesmente, encostando sua tempora contra a janela embaçada pelo frio e fechou os olhos, suspirando. Sim, ele vira Vento Cinzento. Em um sonho. "Então, foi real.", ele constatou.
Suas patas afundavam na neve e o Vento frio, vez ou outra chocava-se contra seu corpo mas ele manteve-se andando.
"Hey. Vamos, você insistiu nisso", a voz dela ecoava em sua mente como se suas orelhas fossem sensíveis o suficiente para perceber cada contraste minimo naquela voz.
Então as imagens eram confusas e continuavam sem nexo, uma capa preta esvoaçando a sua frente em meio a neblina, os cabelos da cor do céu da noite e o olhar entristecido dos olhos, tão negros como o fundo do mar.
" Meu coração seria meus grilhões"
Abriu os olhos, pensando que se aquelas palavras estavam certas, já estavam aprisionados há muito tempo.
Foi apenas um sonho. Um sonho. Noryne já não respira, coincidências não a trarão de volta.
– Estou saindo, uma vez que não sou bem vinda. — Catelyn disse seca, voltando a porta antes de hesitar no batente para encarar a figura do filho — Ela não estava lá. Quando seu pai foi busca-la. — as palavras aceleram seu coração, olhando pela janela, Robb ansiava o golpe de misericordia. "Diga", sua mente implorou como um animal selvagem imploraria liberdade — Noryne vive, Robb. Ela vive.
Então sua mãe retirou-se do quarto, em seu choque, levou alguns segundos para notar que não ouvira a porta fechar, logo, não poderia ter sido trancada. Lançou sua cabeça em tal direção com sofreguidão e desespero, para encontrar uma porta entreaberta.
***
Seus passos eram lentos e pesados, como a dor que sentia.
Desde que Nory se fora, uma parte de Ivy fora levada também.
Ambas já haviam se separado, mas sempre voltavam. Dessa vez era diferente, Noryne não voltaria. Avistou uma árvore com raízes grandes a mostra e sentou, pensando por breves momentos.
Ao ouvir um barulho levantara imediatamente, não havia nada, só arvores, até ver alguém se aproximando por entre a neblina e arvores. Uma pessoa conhecida, muito conhecida, que estava estranha e distante.
Robb ergueu seus olhos, estava confuso e perdido, algo parecia ter sido arrancado de seu peito com garras que deixaram para trás apenas uma sensação anestesiante de vazio.
– Onde ela está? — sua voz soou rouca, o único momento em que a usara fora com sua mãe e agora a rouquidão era tamanha que ele temia que Ivory não entenderia — Noryne... Onde ela está?
Olhou para baixo, não queria encara-lo nos olhos.
– Ela.... — Sua voz falhou. — Ela se foi. — Falou.
– Não, meu pai não a tocou, Ivy. Ela fugiu antes que ele pudesse fazer algo. Sempre tão malditamente esperta, sempre um passo, não, uma Estrada do Rei inteira a frente! -ele riu nervoso — Ela está viva, escondida. — ele se aproximou, jogando-se sobre seus joelhos, ignorando o som de estalo doloroso que isto produziria, agarrando as mãos de suas mãos — Me ajude a encontra-la, por favor, eu imploro! Se meu pai encontra-la, antes de mim, não sei o que ele poderia fazer...
– Eu.. — Pausou — Não posso. — Completou afastando suas mãos da de Robb.- Não posso, fazer isso com ela Robb. Ela me pediu para não ajudá-lo a encontra-la.
– Por que? — ele grunhiu frustrado, uma das mãos correndo pelo seu cabelo cacheado e a outra fechando em punho — Está bem, eu fui quem a pôs nessa situação, mas não foi intentional! Por que ela não quer que eu a veja?
– Você não entende, não? Ela não quer o ver por que te ama. E não pode continuar nessa situação Robb, Ned nunca deixaria que fosse feliz, sempre lembradona de quem é. Que nunca poderão ficar juntos
– Eu a amo também! — el reforçou, apertando as mãos pálidas e frias como se isso pudesse auxilia-lo a convence-la — É exatamente por isso que quero ve-la! Protege-la, me certificar de que ela está a salvo, bem! Ivy, onde ela está?!
– Eu não sei Robb. Ela não me disse.
A resposta fora tão simples, como se fosse sobre algo... Trivial, com consequências e repercussões inexistentes. Robb ergueu-se em um rompante de raiva, dando as costas a mulher enquanto andava de um lado para outro.
– Ela sempre lhe diz tudo! Você não pode simplesmente me dizer que ela não lhe contou algo tão importante como ISSO?! — ele explodiu, socando um arvore como se ela fosse a culpada por tudo e nem piscando quando alguns de seus galhos despejaram uma pequena porção de neve sobre seu cabelo e as ombreiras felpudas de sua capa.
– Robb Stark! Eu já disse que não sei onde ela está, se você acha que eu não a queria perto também, está enganado! Quero te-la por perto.. Nory é... — Sua voz abaixara de tom frente a sensação de lagrimas rolando por suas bochechas — Uma irmã pra mim. — Esforçara-se para evitar a rouquidão que acompanhava sua voz mas nada adiantara
Robb caiu de joelhos, a realidade finalmente o acertando em cheio arrancando o folego de seus pulmões. Ela não iria voltar... Noryne não iria voltar, ele arfou.
– Noryne...
Ivory afastou o olhar dele, suas mãos tremendo do que ela esperava que fosse frio quando colocou o capuz e sumiu por entre as árvores, deixando Robb e sua dor para trás.
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