Deveres Do Coração
3 Declínio Constante
"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença."
Érico Veríssimo.
Capítulo 3 – Declínio Constante
Um dia depois do desentendimento com Naruto, o corvo tentou entrar em contato com ele para que ambos pudessem conversar. Sem sucesso. Durante a manhã, tarde e noite de segunda-feira, o loiro nem se deu ao trabalho de atender o celular. O descaso deixava-o louco, e seu primeiro pensamento ao acordar na terça-feira era esclarecer esse mal-entendido na consulta depois do almoço.
Levantando-se da cama, ele se alongou para esticar os músculos tensos, antes de caminhar na direção do enorme closet adjacente ao quarto. Olhou por um tempo, em dúvida sobre o que vestir, para dar de ombros e pescar um terno Kenzo¹, confeccionado por um tecido estampado em xadrez de Gales preto, cinza e com poucos detalhes em vermelho, uma camisa preta e uma gravata vinho. Dirigindo-se ao banheiro, ele tomou um banho breve para despertar.
Terminando parte de suas tarefas matinais, Sasuke desceu as escadas do primeiro andar para o térreo, encontrando Sakura arrumando a mesa para o café.
— Bom dia... – ele murmurou com a voz dois tons mais grave pela falta de uso.
— Bom dia, querido! – ela exclamou animadamente, caminhando até o moreno e lhe dando um beijo estalado na bochecha. Ao se virar, ela perdeu a careta de desgosto que ele havia feito. – Hoje eu irei para uma agência de viagens para ver as opções de pacotes que temos. Tem certeza que posso escolher o lugar? Você não tem algum ponto turístico que queira visitar? Podemos arranjar algo que agrade os dois... – ela balbuciava sem parar.
— Não, você escolhe. – disse de maneira a entender que não haveria mais discussão sobre o assunto.
— Mas... – tentou dissuadi-lo.
— Sakura... – suspirou cansado desse jeito da mulher. – Esse é meu presente de aniversário de casamento para você, não teria cabimento que eu escolhesse! Qual o lugar que você sempre sonhou em conhecer? – perguntou como se ela fosse uma criança teimosa que precisa de orientação constante.
A cabeça repleta de fios cor-de-rosa se abaixou, demonstrando a chateação para com o tratamento ríspido e seco. “Ele nem ao menos sabe sobre coisas tão simples”, ela pensou tristemente.
— França... – sussurrou, acanhada.
— O quê? Eu não ouvi! – ele ergueu uma sobrancelha, a face contorcida em uma expressão de impaciência, como se conversasse com alguém retardado.
— França. – ela disse mais alto, engolindo em seco.
— Então, está decidido! – fez um gesto com a mão como se apontasse o óbvio na frente dela. – Vá a uma agência, veja os pacotes que mais lhe agrada, não se preocupe com os preços e depois, você me passa os valores que eu deposito, faço uma transferência bancária ou te dou um cheque; tanto faz! – pegou uma xícara e encheu-a com café.
Apesar da irritação que sentia, ele teve que reconhecer que a esposa sabia tudo a seu respeito e, dessa forma, tentava agradá-lo de todas as maneiras. Assim como gostava, o seu café estava um pouco amargo e bastante forte. A mulher de bonitos olhos verdes só não sabia que era exatamente esse o ponto que lhe tirava do sério. Desde o começo, ela fazia todos os seus caprichos; sem pestanejar. Caso ela preferisse dormir do lado direito da cama e ele dissesse que gostaria de dormir do mesmo lado, ela rapidamente abriria mão do que queria. Sakura não tinha iniciativa para lhe dizer o que ansiava e sempre esperava por ordens ou pedidos. Aliás, a única vez em que ela foi sincera tinha sido na adolescência, quando exigiu que os dois passassem a sair juntos como um casal e quando disse que o amava.
Ele tinha plena certeza de que se ele lhe dissesse que iria criar uma arma poderosíssima para destruir o mundo – mesmo sendo contra os princípios da jovem modelo –, ela o seguiria como uma sombra. Se ele pedisse para a rapariga matar outra pessoa em seu nome, ela mataria. Caso ordenasse que a companheira se jogasse dentro do Monte Fuji para morrer nas lavas quentes do vulcão adormecido... “Ela se jogaria também?”, o pensamento quase o fez rir debochadamente. Na sua visão, o conceito de amor da rosada era completamente deturpado.
Para ele, amar significava muito mais do que as histórias diziam.
Para Sasuke, uma história bonita, com finais “felizes para sempre”, só existiam em contos de fadas, assim como as pessoas perfeitas. A esposa o idealizava de tal forma, que mesmo ele, dava-se conta que era pintado como um Deus, quando, na verdade, era apenas um humano qualquer, com grandes falhas; com tantos defeitos, que o pior deles estava diante do nariz pequeno e delicado da esposa: ser infiel.
Quando se ama, cuida; mesmo que para isso você tenha que bater de frente com a pessoa amada e não aceitar todas as suas vontades. Diversas vezes – ele perdeu a conta de quantas há muito tempo –, o Uchiha brigou com Naruto por causa dos hábitos alimentares do mesmo, ele se preocupava com a saúde do loiro, por isso tentava fazer com que o companheiro entendesse seus princípios. Na verdade, ele tinha que admitir, os dois discutiam por qualquer coisa, mas o fato não minimizava o que sentiam, porque ambos se importavam muito um com o outro.
Gostar também quer dizer aceitar os defeitos e ser consciente de que todos eram diferentes, sem idealizar o parceiro como a epítome da perfeição, assim como Sakura fazia. O psicanalista tinha muitas falhas, assim como o corvo, mas eles entravam em um consenso, a fim de evitar desentendimentos desnecessários.
Pensar no amante, fê-lo recordar do debate fútil do final de semana. Seu estado de espírito estava tão atormentado pela discussão de domingo, que ele começou a acreditar que estava se tornando sentimental sobre o relacionamento.
— Podemos ficar quanto tempo em Paris? – a mulher interrompeu a sua linha de raciocínio.
— Meu pai me deu trinta dias de férias para o mês do nosso aniversário, em agosto. – respondeu, pegando uma torrada. – Mas acho que ficar todos esses dias vai acabar nos enjoando, então, pensei em ficarmos umas duas semanas na Europa e depois podemos passear por aqui mesmo. – ele deu de ombros.
— Podemos ir para Hokkaido, o que acha? – ela perguntou, antes de tomar um gole do chá. – Relaxar em Hoheikyo Onsen², as piscinas termais de lá são muito bonitas e o ambiente é maravilhoso! Fui para lá em uma sessão para a 25ans Magazine³, mas não tive a oportunidade de aproveitar... – empurrou os longos cabelos cor-de-rosa para trás do ombro desnudo.
— Pode ser... – respondeu distraidamente, olhando fixamente para o tampo da mesa, sem realmente ver qualquer coisa.
— A Vila Histórica também é muito bonita, a primeira e última vez que fui, foi na época da escola, nem lembro direito como é, mas sei que vale a pena visitar outra vez... – ela continuou balbuciando, enquanto o corvo viajava em seu mundo interior.
(***)
Quando Sasuke entrou no consultório mais tarde daquele mesmo dia, deparou-se com Naruto lendo um livro de maneira distraída, sentado tranquilamente em sua poltrona, com os óculos caídos na ponta do nariz fino. Olhos azuis nem se preocuparam em se dirigir na direção do corvo, apenas reconhecendo-o pelo som leve dos passos contra o piso de taco de madeira. O loiro, como sempre, vestia-se com peças simples: uma calça social marrom, camisa branca e sapatos castanhos. O Uchiha quase perdeu a respiração quando o viu ser tão irresistível daquela maneira descontraída e leve. Ele sentiu vontade de arrancar as roupas do homem naquele momento, mas se conteve, porque ainda tinha um desentendimento para resolver.
Casualmente, Naruto largou o objeto que segurava, sem se esquecer de marcar a página que lia, e se levantou. Dando um olhar breve para o moreno, ele indicou o divã estofado de couro preto sem dizer uma única palavra, fazendo o outro ficar tenso e franzir a testa com o excesso de profissionalismo.
O Uzumaki pegou em cima da mesa, uma prancheta com todos os dados do paciente e ajustou a câmera de vídeo que ele usava durante as consultas. As gravações o ajudavam a avaliar a evolução do seu tratamento e, ao assistir as fitas em um momento posterior, revelavam-lhe algumas reações que perdeu durante a conversa com o seu cliente.
— Você conseguiu dormir esta noite? – ele disse em um tom uniforme. O psicanalista quase deixou escapar seu estado de espírito, chamando o mais velho pelo sobrenome, tinha certeza que era desnecessário, afinal, o corvo já havia percebido que estava bravo.
Naruto não queria conversar sobre o assunto hoje.
— Sim, mas demorei a pegar no sono. – respondeu automaticamente com a voz monótona, fazendo-o querer se bater por isso no segundo seguinte. O intuito do encontro de hoje, pelo menos na mente de Sasuke, era confrontar o homem sobre a situação dos dois, mas às vezes parecia que o timbre calmo e rouco do amante penetrava em seu ouvido, mergulhava em seus sentidos e entorpecia todas as suas funções cerebrais.
— Estava pensando? – corpo bronzeado se moveu para sentar na poltrona novamente.
— Sim. – desviou os olhos para a janela.
O silêncio que se seguiu era pesado e desconfortável. Olhos azuis cerúleos avaliaram o outro com perspicácia, preocupado com o corvo, que há pouco tempo voltou a ter insônia. Naruto esperou que o amante especificasse sua resposta, mas quando nada veio, ele tornou a falar:
— E como vai tudo na Sharingan Corporation? Houve algum evento preocupante? – o loiro brincava com a caneta distraidamente.
— Não. A empresa está crescendo ainda mais, nossa margem de lucro deste ano está sendo a maior desde a presidência de Uchiha Madara. – remexeu-se desconfortável, não sabendo como abordar o assunto sobre a discussão de domingo.
Não tendo como escapar da pergunta que teria de fazer, o Uzumaki suspirou, já antecipando a resposta.
— E, então, no que pensa antes de dormir?
— Você. – orbes negros olharam-no profundamente.
— Eu? – desviou o olhar para uma estante repleta de livros na sala do seu consultório.
— Pare de brincar comigo, Naruto! Você sabe muito bem sobre o que eu estou falando! – sua voz aumentou dois tons, começando a se irritar pelo jeito dissimulado do homem.
— Não, eu não sei! – olhos azuis escureceram com a raiva, o que fez vários alertas soarem na cabeça do moreno.
— Você está bravo comigo sobre o que eu disse! – levantou-se, quase gritando. – Me desculpa! – exclamou, surpreendendo o outro por dois motivos: 1) a aparente falta de controle nos gestos do homem mais velho; 2) o pedido de apologia sem hesitação. – Eu sei muito bem que, o que te falei naquele dia, ainda mexe com você. Acho que acabei usando isso para descontar a minha frustração. – mãos brancas com dedos longos agarraram as mechas compridas da franja; ele estava se sentindo perdido. – Tudo na minha vida está uma bagunça... – murmurou com a voz quebrada, amolecendo o coração do Uzumaki.
O loiro se aproximou devagar, segurando os punhos que puxavam o cabelo negro. Calmamente, ele acariciou os fios brilhantes e macios, tentando arrumá-los da desordem feita.
— Sua vida toda não está uma bagunça. A empresa a qual você administra está crescendo e você está levando o legado da sua família para o sucesso como sempre sonhou. – levou a ponta do nariz para brincar com o lóbulo da orelha do homem mais alto. – Você só precisa se empenhar para arrumar tudo com seu pai, sua mãe e... – suspirou, antes de continuar. – Sua esposa.
— E com o que temos também... – ele sussurrou, sentindo-se muito cansado repentinamente. – Cada dia que passa, sinto que estou te perdendo... – engoliu um bolo que se formava em sua garganta. – E eu não entendo porque isso está acontecendo. De repente, você se tornou tão distante que quase consigo enxergar um oceano entre nós. Você não me fala mais o que pensa, mesmo se eu pergunto o que há de errado... E esse não é você. – ele voltou a se sentar no divã, abraçando a cintura do amante e colando a bochecha na barriga lisa, desfrutando o carinho leve em seus cabelos. – Você não me liga mais, não me procura mais e ainda some por dias sem me dar um sinal...
Naruto nunca viu o Uchiha à sua frente falar tanto, nem em outras consultas ou sob o efeito da hipnose conseguiu fazê-lo desabafar. O que queria dizer que o amante, além de atormentado, estava explodindo com tantos sentimentos engarrafados. Haviam anos de emoções guardadas. Não surpreendia o homem de olhos azuis que o empresário estivesse se sentindo tão perdido. Sasuke se negava a falar e refletir sobre o que sentia para evitar que perdesse o controle sobre o meu emocional; talvez, o desabafo o ajudasse a enxergar o óbvio.
Pegando o celular no bolso, ele mandou uma mensagem para a sua secretária – não querendo arriscar se separar do moreno e quebrar um momento tão necessário –, pedindo que ela cancelasse todas as outras consultas e remarcasse-as para o dia seguinte, dispensando-a do escritório também. A mulher não se surpreendeu, porque vez ou outra, o chefe remarcava outros pacientes por causa de casos mais críticos, que exigiam mais tempo, principalmente os mais instáveis que, vira e mexe, surtavam no meio da clínica.
O Uzumaki desligou o aparelho e se sentou no divã, com uma perna de cada lado do móvel. Pegando o rosto pálido, que ainda estava cabisbaixo, e forçando-o a olhar em seus olhos; azuis cerúleos encontraram negros ônix e o mundo à volta parecia reduzir às cinzas. Dedos longos e bronzeados massagearam a têmpora pálida com firmeza e precisão, para aliviar os pontos de tensão sobre o Uchiha.
— Você quer que eu te coloque sobre o efeito da hipnose para aliviá-lo um pouco? – Sasuke apenas balançou a cabeça negativamente, colocando a testa no peito forte.
O loiro jamais o viu tão vulnerável e tinha quase certeza que o mais velho também não havia se visualizado desta maneira. Mesmo quando pequeno, sobre a pressão de uma infância difícil e carregada de muitas obrigações e poucos direitos, o moreno não havia demonstrado tantas emoções conflitantes.
Deitando-se, o loiro abraçou a figura atlética do amante, trazendo-o junto a si. Erguendo as pernas, ele entrelaçou os pés de ambos, querendo aumentar o contato entre os corpos. O corvo apertou os braços no tronco do outro, sentindo o coração bater acelerado pela demonstração de cuidado. A princípio ele se sentiu humilhado e fraco pela explosão desnecessária de emoções, mas quando viu a expressão preocupada no rosto cheio de cicatrizes e os olhos brilhando em amor e carinho, pensou que Naruto fosse a pessoa mais indicada para ver este lado que nem mesmo o próprio conhecia.
O sentimento tranquilizante e o calor reconfortante do homem estavam o relaxando de tal maneira que todo o sono acumulado se fez presente, assim, antes que ele percebesse, o Uchiha adormeceu.
(***)
Sasuke despertou sentindo que alguém brincava com os fios do seu cabelo. Respirando fundo ele sentiu o familiar cheiro cítrico de laranjas e olhando para um relógio pendurado na parede do outro lado da sala, descobriu que dormiu por quase quatro horas, pois já haviam se passado das sete. Dando de ombros mentalmente, ele afundou o nariz no pescoço do amante e aspirou o perfume inconfundível, fazendo Naruto rir e se contorcer em cócegas.
Ele sorriu levemente, antes de fixar seu olhar na piscina azulada que eram os olhos do seu companheiro.
— Promete que não vai se afastar outra vez?
O olhar vibrante e azul ficou sério, mas o loiro não disse uma palavra para responder a questão, ao invés disso, ele ergueu o rosto para colar os lábios em um beijo sensual, usando a língua para contornar a carne da boca, antes de penetrá-la naquela cavidade quente, explorando todos os recantos que ele podia encontrar. O ato foi o suficiente para distrair o homem e, levando a mão direta para a nuca do moreno, ele tentou dar um indício de que gostaria de intensificar a carícia.
Sasuke sustentou seu peso pelos cotovelos, apoiando-os em cima do peito tonificado e se empurrando para frente a fim de aumentar o contato. O atrito da coxa direita no meio das pernas do mais novo arrancou um pequeno resmungo baixo. Afastando-se, ele viu o amante ofegante, e com sadismo, ele decidiu torturá-lo, descendo a pélvis de encontro ao do outro, esfregando os dois membros semirrígidos juntos. Instintivamente, o loiro abriu mais as pernas, contorcendo-se à procura de mais fricção.
Segurando o quadril do psicanalista para persistir na moagem, o Uchiha passou a lamber, morder e chupar a pele dourada do pescoço, provando o gosto particular da pele. O loiro soltava pequenos gemidos, apreciando a sensação deliciosa do corpo rígido junto ao seu.
Impaciente, ele abriu os botões do paletó caro e o jogou sem qualquer cuidado para algum canto da sala. Suas ações eram agitadas e Naruto não perdeu tempo para afrouxar a gravata vinho apressadamente e puxá-la por cima da cabeça do corvo, que já possuía a franja toda bagunçada pelas suas mãos afobadas e as suas ações desengonçadas.
O moreno ergueu o tronco, sentando-se por cima dos tornozelos. Cuidadosamente, para não danificar a peça de roupa, ele começou a tirar a própria camisa, enquanto assistia Naruto fazer o mesmo. Com a respiração tremula pela ânsia, o empresário jogou a peça, descartando-a, para voltar a beijar a boca avermelhada com ânsia renovada.
Sasuke sentiu uma mão afagar a sua ereção por cima da calça social, fazendo-o grunhir com a sensação prazerosa que percorreu a sua espinha e o seu abdômen. Descompactando o botão e descendo o zíper, a mão do homem sob ele entrou em sua cueca, para pegar o membro em um toque firme.
— Eu te quero tanto, Sasuke... – o Uzumaki disse com a voz vários tons mais grave de tão rouca, lambendo os lábios secos de excitação. No olhar aguado, um brilho de desesperança que o Uchiha nunca tinha visto, e, antes que ele pudesse refletir mais sobre o sentimento angustiante de ver o sofrimento do amante, o loiro o puxou para um beijo selvagem, chupando a sua língua como se insinuasse o sexo oral.
Ambos respiravam com dificuldade, com os corações martelando intensamente e as mentes nebulosas de tesão.
Em um único movimento, o Uzumaki desceu o cós da calça, juntamente com a boxer preta que o outro usava. Com os pés, ele chutou os próprios sapatos, sentindo o moreno se mexer para terminar de tirar as roupas da sua parte inferior. O corvo abraçou o corpo seminu, voltando a beijá-lo como se sua vida dependesse disso. A mão pálida e sorrateira deslizou pelo peito definido, fazendo o polegar contornar a tatuagem de um sol em espiral em torno do umbigo, sentindo a barriga lisa ficar tensa e contrair sob o seu toque. Sem perder tempo, ele arrancou as últimas peças que o impediam de sentir completamente a pele bronzeada.
Quando o psicanalista terminou de se despir, Sasuke bateu delicadamente os dedos no quadril do amante, fazendo um gesto, pedindo ao loiro que ficasse de joelhos no divã e assistindo o homem se virar, sem ao menos hesitar em atender a sua demanda. Apalpando e separando as bochechas da bunda macia, ele assistiu com fome a maneira como o outro arqueava e se inclinava ao seu toque, necessitado por mais. O gemido carente arrepiou a tez pálida do Uchiha e sem perder tempo, ele levou a língua para lamber a pele enrugada e penetrar o buraco, lubrificando a entrada com a saliva e brincando com aquele ponto sensível.
O corpo abaixo do seu tremia e Naruto mordia o lábio inferior com força para segurar os sons altos que queriam sair pela sua boca, não suportando a sensação de ausência, ele chamou o nome do corvo em uma demanda para que terminasse o que quisesse fazer o mais rápido possível, sendo prontamente atendido, pois nenhum deles aguentava a demora. O psicanalista sentiu um peso em suas costas, carícias em suas laterais e um membro rígido espreitando a sua fenda traseira, fazendo-o rebolar em expectativa.
Fios negros esparramaram-se pelo ombro de pele dourada quando o moreno distribuía beijos suaves pelo pescoço e pela omoplata do mais novo, tentando distrair o homem enquanto se aprofundava devagar no orifício apertado. O loiro ofegou e gemeu de dor pela pouca lubrificação e preparação inadequada, fazendo o outro parar um pouco para bombear o pênis do enamorado. O Uzumaki respirou fundo, procurando relaxar para facilitar a penetração. Ele colocou o pé esquerdo no chão para aumentar a abertura das pernas, levando Sasuke a continuar a enchê-lo com a sua carne grossa.
As paredes internas se comprimiam em torno do falo, fazendo o Uchiha grunhir com o sentimento de aperto e calor que o engolfava. Ele esperou o amante se acostumar com a invasão, e, quando notou Naruto agitar o quadril de encontro à sua pélvis, ele começou – a princípio – se mover com cautela para não machucá-lo. Chupando a pele suada da nuca, o corvo sentiu os músculos das costas coladas em seu peito se contraírem. A proximidade lhe permitiu ouvir o pedido quase ininteligível do homem, que lhe implorou para que fosse mais rápido.
Movimentando-se de forma automática, ele aumentou a força das estocadas, engolindo um gemido alto de prazer que ameaçava sair pela sua garganta, devido o sentimento de fogo líquido correndo pelas suas veias e se concentrando em sua virilha. A mão esquerda agarrou a cintura delgada, e a direita, o braço bronzeado, para aumentar o vigor dos corpos se chocando. O loiro ergueu um pouco o tronco, para que a nova posição estimulasse a sua próstata, enquanto era penetrado. Ele dava longos suspiros ao sentir as suas entranhas se enrolarem com a sensação crescente do orgasmo se aproximando; toda a pele dourada se arrepiou de antecipação e a mente ficou em branco, focando toda a sua atenção nas sensações maravilhosas. Virando o rosto, o Uzumaki expressou um pedido mudo para que o amante o beijasse, sendo prontamente atendido por Sasuke, que mordeu o seu lábio inferior com força para segurar o gozo, ao mesmo tempo em que batia continuamente no ponto mais sensível do seu reto.
O psicanalista abriu a boca, tentando puxar o ar para seus pulmões. Ele perdeu a própria força, por causa da intensidade do prazer que percorreu os seus membros, fazendo-o estremecer da cabeça aos pés a cada impulso contínuo e firme do corvo. Levando as mãos para acariciar os testículos negligenciados do homem sob si, o Uchiha arrastou o dedo médio para pressionar o períneo e comprimir as bolas contra a carne que ainda era apertada pelo seu dígito.
O ato fez o loiro apertar os olhos e todos os músculos em resposta, enquanto os golpes violentos dados pelo moreno no conjunto de nervos aumentavam. O seu dorso bronzeado inclinou-se para frente, e, sem energia para se sustentar, ele caiu sobre o divã. A construção do seu orgasmo era tão intensa, que toda a sua figura entrou em colapso em cima do estofado. Era quase doloroso. Seu baixo-ventre se contraia com o prazer e ele contorceu o tronco tentando suportar o sentimento de todo o seu indivíduo gritando e agonizando pela magnitude de seu gozo.
O Uzumaki abafou um grito, pressionando a boca no couro preto do móvel.
O corvo sentiu o aperto aumentar e a parede interna do ânus o puxar ainda mais profundamente para dentro; levou todo o seu autocontrole para não ceder à sua própria liberação. Ele mordeu o dorso da própria mão e abafou um gemido, tomando várias respirações profundas para manter o domínio sobre si mesmo.
O loiro sentiu a própria incapacidade de sugar o oxigênio para os seus pulmões, sentindo a cabeça girar, devido à breve asfixia. Por breves segundos ele apagou.
Olhos cinza-chumbo de excitação se abriram vagarosamente, atordoado. Naruto ainda podia sentir o deleite do prazer em seus ossos, que pareciam estar moles em relaxamento. Ele tentou arranjar energia para se reerguer, antes de olhar para baixo procurando avaliar o estrago feito pelo seu sêmen no sofá.
O mais novo se surpreendeu novamente.
Seu pênis ainda estava ereto e pulsando em excitamento, com apenas algumas gotas de pré-gozo saindo pela fenda, rolando pela cabeça regurgitada e pingando na crista.
Os quadris de ambos ainda unidos.
— Sasuke? – chamou o amante, sentindo-o se aproximar de seu rosto para ouvi-lo; o membro adentrando ainda mais na sua bunda. Virando o pescoço para encontrar os orbes negros confiantes, ele viu a expressão sensual, quase presunçosa na face pálida. – Mas o quê...? – descrença pontuou suas palavras, sem conseguir formalizar uma pergunta decente. Ele somente voltou a encarar o que era a prova de que acabara de ter um orgasmo seco.
Em resposta, o moreno deu uma estocada firme, voltando a se mover de forma harmônica, mantendo o quadril estreito em uma pegada fundamentada. Os sons de choque entre as peles e dos gemidos preencheram a sala novamente. Penetrando o canal apertado sem piedade, batendo a próstata continuamente. O Uchiha acariciou a bochecha direita das nádegas bronzeadas em reverência, desculpando-se silenciosamente pela violência de seus movimentos.
Naruto mal conseguia pronunciar uma palavra inteira, quanto mais frases coerentes, seu corpo amolecido pela liberação anterior, também sentia a excitação correr pela sua tez como ondas quentes e rápidas. Os orbes azuis estavam escondidos pelas pálpebras caídas e a boca estava ligeiramente aberta numa tentativa vã em manter a respiração estável. A sua figura parcialmente esparramada pelo divã banhavam a visão do corvo, estimulando-o de tal maneira, que já não conseguia conter a sensação de tensão que antecedia o gozo.
Os músculos de suas costas e bunda pálidas ondulavam conforme se agitava. O empresário beijou cada pedaço de pele dourada que conseguia alcançar e lambeu as gotas de suor, molhando os lábios e apreciando o gosto salgado que penetrava os seus sentidos de forma quase viciante. A língua cor-de-rosa do mais velho contornou a concha da orelha do amante, antes que ele soltasse um gemido semelhante a um miado no ouvido do outro, fazendo loiro se arrepiar completamente com o som e grunhir em resposta.
Masturbando o membro túrgido do homem abaixo de si com certa urgência, Sasuke sentiu a contração das paredes internas que rodeavam o seu falo de forma dolorida, quase insuportável, novamente. Com mais algumas estocadas irregulares, sua mente nublou e ele sentiu os espasmos ondulando a sua figura alta, ao mesmo tempo em que liberava o gozo dentro de Naruto. Bombeando a carne grossa do amante com movimentos firmes e seguros, ele, enfim, sentiu a semente do outro molhar a sua mão.
Ambos caíram exaustos e ofegantes sobre o estofado, com o sentimento ímpar de felicidade e relaxamento preenchendo os dois corpos. O moreno, ainda enterrado dentro do loiro, se deitou, apoiando a cabeça na omoplata bronzeada e ouvindo a respiração rápida e o coração acelerado. Ele acariciou os fios dourados e curtos, molhados de suor.
O Uzumaki tomou a sua mão livre, para entrelaçar os dedos juntos e observar o contraste entre os tons das peles, ficando pensativo por um momento.
— No que está pensando? – o corvo perguntou, ouvindo um suspiro do loiro.
— Em você. – sorriu levemente.
Olhando nos orbes azuis cerúleos, o Uchiha pôde ver que havia algo errado. O fato fez seu estômago retorcer em receio.
— Especifique. – pediu humildemente. O sentimento incômodo o fez ser mais cauteloso e menos autoritário.
— Estou um pouco preocupado. – Sasuke podia ver a mentira na forma em como o olhar estava distante. – Você precisa descansar, acho melhor ir para casa. – ele afastou as mãos e bateu no quadril estreito e pálido em um pedido mudo para se levantar.
— Mentira. – franziu o cenho em desconfiança, mas atendendo à demanda sem questionar.
— Há quanto tempo você não dorme? – o loiro caminhou até o banheiro adjacente à sala para pegar alguns lenços de papel e limpar a sujeira de sêmen e suor no estofado de couro, feito o que precisava, ele começou a recolher as próprias roupas e a se vestir. – Eu não posso deixar você ficar doente. Tirei seus calmantes porque voltou a dormir sem a ajuda de medicamentos, não quero que retome o uso deles agora. São prejudiciais! – ignorou a acusação.
— O que há de errado com você? – o corvo quase gritou, começando a se irritar profundamente. – Pare de se esquivar desse jeito. – pediu, pegando a camisa que estava no chão.
No fundo, Sasuke sabia que seu estado nervoso era só a sua forma de camuflar o medo e o desespero. Ele ainda podia ver a grande distância emocional que os separava, mesmo depois de todas as horas de amor e carinho que compartilharam juntos.
— Eu não estou me esquivando, estou sendo totalmente sério sobre isso. – azuis escuros encontraram os negros, fazendo o corvo apertar os punhos com raiva, pois via a situação pela cor incomum nos olhos do amante. – Você precisa encontrar a sua felicidade o quanto antes... – ele se aproximou, agarrando as mechas compridas de sua franja e dando um puxão carinhoso. – Antes que esse sentimento dentro de você o torne alguém que não quer ser... – as mãos desceram e pousaram no peito desnudo. – Quando você era pequeno, sua mãe sempre disse que a sua forma de ver o mundo, mudaria a forma de sua família ver a vida, porque você era a luz dos Uchihas... – suas palavras fizeram o homem arregalar os olhos.
— Como sabe? – perguntou sem fôlego.
— Ora, você me disse em uma sessão de hipnose. Eu regredi você para um dos momentos que mais te deixa feliz e você me contou esse em especial. – deu um beijo suave nos lábios do enamorado. – Não perca isso em você.
Sasuke assistiu consternado o outro terminar de se trocar, fazendo Naruto rir.
— Não vai se vestir, teme? – perguntou provocativamente, fazendo-o rolar os olhos e sorrir levemente, antes de começar a se arrumar.
Ambos terminaram de colocar suas roupas e se arranjar da melhor forma possível, já que a maioria das peças estava abarrotada.
Saindo do consultório, eles se dirigiram ao estacionamento subterrâneo do prédio, onde se encontravam apenas os veículos dos dois, o Lamborghini Murcielago do corvo e o Audi RS1⁴ laranja metálico e berrante do loiro, o último deu um pequeno aceno, antes de entrar no carro e arrancar para a saída, fazendo o outro estranhar a atitude seca e casual, quando normalmente o amante teria dado um jeito para que houvesse uma despedida mais acalorada entre eles.
Não houve “eu te amo”, como o Uzumaki sempre fez questão de frisar; não houve nenhuma palavra carinhosa ou um pedido para que ligasse mais tarde; não houve aquele toque singelo que dizia tudo quando não podiam expressar o que queriam por meio de palavras. Era esta distância que o amante estava impondo entre eles que estava o incomodando, como se Naruto estivesse constantemente se contendo à sua volta.
Aparentemente, a conversa de hoje não adiantou em absolutamente nada e o fato lhe fez perceber algo pequeno, mas de suma importância naquele diálogo incompleto: o psicanalista não prometeu que não se afastaria.
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