Devaneios dos Sonhos - Contos
6 A tempestade
É intrigante como épocas específicas da sua vida parecem estar num estado de colapso, onde tudo, coisas boas e ruins, acontecem simultaneamente e você fica atordoado diante a tantos altos e baixos. Mas não faz mal, desde que tenha sanidade o suficiente para continuar.
Cá estou eu navegando sem tripulação em meio a tempestade. Eu não sei se os meus companheiros estão reagindo como podem, a chuva é forte, e o barril que estou usando para boiar não me dá uma boa estabilidade para olhar a minha volta. Rezo para que estejam bem, que não tenham sido engolidos pela tempestade. Foi um erro ter me lançado ao mar sem destino. Mas teria sido um erro maior se não tivesse feito o que fiz.
É realmente perturbador está situação: sozinho, em alto mar, sem direção ou notícias dos meus companheiros. Até que a tempestade acalme-se, manterei-me abraçado junto a este barril, com fé que sobreviverei, e que encontrarei a tripulação. Tripulação que tenho orgulho de dizer que participo. Tripulação essa que me deu coragem de adentrar o mar, mesmo não o conhecendo-o.
Até o momento a tempestade ataca implacável, sem recuar ou cansar-se. Mas não signifique que dure para sempre, que é o meu fim. O mundo ainda ouvirá histórias minhas, e de meus companheiros, e essas histórias irão incentivar outros, e estes também lutarão bravamente para sobreviver tempestades e outras dificuldades do mar. Mas nunca vão esquecer que desistimos, eles não irão desistir, assim como não faremos.
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