Notas iniciais
Espero que gostem da leitura.

Um suspiro de alívio era gracioso nos lábios dela. Aos poucos, abriu seus olhos no quarto semi iluminado, já que a luz passava fragmentada pelas cortinas beges. Revirou-se no cobertor bem conhecido pelo seu corpo e então voltou a fechar os olhos, acomodada. Colocou a mão por debaixo de um dos travesseiros e esticou seu corpo. Ela estava procurando seu livro. Chutou o cobertor e então retirou o livro que estava sob os travesseiros. Colocou-o cuidadosamente sobre a escrivaninha atrás de sua cabeça e aos poucos se levantou, cansada. Colocou as mãos na base na coluna e se inclinou para trás. Sentia-se velha ao fazer isso.

"Aposto que meus olhos vão arder" e cedeu à abertura da cortina. Cerrou os olhos com a mudança da iluminação, e contemplou a vista cotidiana. Por mais que visse o mesmo cenário todos os dias continuava sendo belo. Chutou algumas roupas do chão e foi para a cozinha. Sentiu uma suavidade na base de seus pés e viu seu gato se esfregando por ali. O pegou no colo e ficou acariciando seu pescoço enquanto se dirigia à cozinha.

"Vamos Kin, já vou colocar sua comida" pousou o gato no chão e se agachou em frente ao seu adorável pote de comida, colocando um pouco de ração. Levantou-se e abriu a geladeira. Pegou uma jarra com suco e serviu-se. Colocou o copo na bancada enquanto fazia seus tradicionais ovos com bacon sobre o pão. Sempre quis começar o café da manhã desse modo. Foi cuidadosa para não respingar óleo e então ajeitou a comida no prato com uma cara indiferente. Sentou-se à bancada, folgada e começou a comer. Sua respiração era cheia e fresca. Manteve um pedaço de pão pendente na boca enquanto se esticava para pegar o controle do CD player e colocar um Adagio de Edvard Grieg (Piano Concerto in A minor, Op. 16). Se ajeitou novamente e não tardou a tomar todo o suco e refeição. Colocou a louça na pia e numa valsa imaginária, foi rodopiando e saltitando até a janela. Com uma pequena escorregada, riu e abriu a janela. Podia ver melhor o campo de trigo que ficava à sua vista todo dia. E atrás desse pequeno campo de trigo, o bosque. Expirou o ar de seus pulmões e sentiu a música. Sentiu-se energizada e deu um bom dia para si mesma.

Resolveu ir para o seu cômodo favorito. Ia para lá de bom grado, sem ninguém para atrapalhar. Era uma das vantagens de morar sozinha. Cantarolava e fazia um coque em seu cabelo. Apertou a maçaneta com força e entrou na sua sala especial, indo direto à janela. Fez um laço nas cortinas e abriu a janela para sentir a brisa passear na sua casa. Foi para o canto da sala, ir a encontro à sua pintura favorita e em andamento. Colocou um avental e, sentada num banco, começou a se dedicar na pintura. Mínimos detalhes. Em momentos, fechava os olhos e escutava a música que havia colocado, já estava em outro andamento (Piano Concerto in A minor, Op. 16 — III. Allegro moderato e marcato) e para complementar a música, um acontecimento magnífico, escutou um canto próximo de um pardal, em verdade, vários. E a partir disso percebeu melhor o canto deles. Jogou os olhos em sua pintura, e com astúcia, acertava cada cor, cada tom.

Estava satisfeita. Estava satisfeita com a própria felicidade. Cansou um pouco de cantarolar e dava pinceladas ao ritmo da música. E então, seu coração doeu.
Suspirou, e do mesmo modo, ainda se sentiu inspirada... Mas desanimada. E a pequena e agradável moça se perguntou o motivo de não ter conseguido continuar alegre. Talvez seu êxtase tivesse acabado.

"Como isso aconteceu? Por que subitamente?" e guardou o pincel ao lado. A pintura não tinha evoluído muito. "Por que motivo? Não me aconteceu nada" e um pouco espantada, se levantou. Perambulou pela casa para tentar entender o que lhe aconteceu. Nenhuma conclusão. E então, sentiu seu espírito gritar, o que antes estava tão alegre, sentiu-se triste, e agora inconformado.

E era assim que a mente dela vagava pela música. Terminou de comer os ovos com bacon, deu um último gole no suco e limpou o buço, afinal já era hora de pintar.

Notas finais
Obrigada por ler. Deixe um rewiew, isso não mata e deixa um autor feliz. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!