Deuses & Monstros

2 Capítulo 01 – Império de Sujeira (Madge McLean)


Notas iniciais
Bem, como prometido, aqui está o primeiro capítulo! Assim como o George R. R. Martin, eu vou tentar alternar os pontos de vista dos personagens nos próximos capítulos.

Madge McLean só temia três coisas e voar era uma delas. A garota tinha entrado em um avião apenas uma vez e o medo de cair e ser consumida pelas chamas de uma provável explosão deixavam Madge totalmente apavorada. A palavra mágica “voar” era dita e ela tinha um ataque de pânico, com tudo eu se tinha direito e quando recebeu a carta, as coisas só pioraram.

Havia cerca de três semanas desde que Madge tinha recebido o seu “convite especial”. Ela e outras 80 crianças haviam sido sorteadas para terem uma chance de fazer parte do Instituto de Pesquisa e Estratégia Nuclear de Accalon, uma das únicas honras que uma criança inútil podia ter durante toda a sua vida. O sorteio, ou abate, como alguns chamavam, era realizado a cada 10 anos, quando o número de funcionário do Instituto já estava bem reduzido e precisava ser reposto. As únicas pessoas permitidas de concorrerem eram as crianças 10 a 16 anos de idade, sem nenhuma exceção.

A tarefa das crianças era simples, gerenciar uma cidade fictícia. Eles teriam que morar e gerenciar o local por alguns meses sem a intervenção de parentes ou qualquer adulto. Grupos eram formados e alianças traçadas, todos tinham sua tarefa estabelecida e tinham que desempenhá-la com o máximo de empenho. Durante sua estadia no Instituto, todas as crianças seriam observadas e avaliadas de longe por seus tutores e alguns governantes e, no final, apenas algumas delas sairiam de lá vitoriosas e, por mais que fossem negadas, sempre havia mortes.

Fazer parte do Instituto era o sonho de milhares de crianças, mas não o de Madge McLean. Não que ela tivesse uma vida perfeita, mas a menina não queria ter abrir mão de tudo para ser tratada como um rato de testes nas mãos dos governantes, não, isso não era para ela.

Michael, o pai de Madge, era reitor da única universidade de Accalon e quase nunca via a filha, que ficava aos cuidados de várias babás e da nova noiva do pai, Melissa, uma das professoras do lugar. Lissa não era uma pessoa ruim, mas também não era nada agradável quando o assunto era política, principalmente o Instituto. Ela dizia que tirar crianças pequenas de suas casas e coloca-las para governarem sua própria cidade era um tipo de massacre assistido.

Quando recebeu a carta informando que havia sido uma das selecionadas, Madge não sabia como reagir. Aquele evento estúpido iria tirá-la de seus tão amados livros e outros aparelhos científicos que Madge tanto amava e o pior, ela não podia fazer nada para impedir. Apesar de saber que seu comportamento era egoísta, a menina não aceitava o fato de ser uma das “felizadas”.

Pouco antes de sua partida, Madge ainda não havia terminado de arrumar suas coisas e fazer sua mala. Apesar de estar relutante em relação a sua partida, ela se esforçava o máximo para não afastar sua única amiga, Jude Helvet, que tentava animar a garota o máximo que podia.

– Sua egoistazinha! – Jude dizia tentando animar Madge – Se eu tivesse a sorte de ter sido selecionada... Ter sido escolhida para fazer parte do Instituto é praticamente uma honra e você fica ai fugindo de tudo isso.

– Ah, me desculpe se eu tinha planos que não incluíam ser cobaia do governo num treinamento totalmente ilógico, quero dizer, se vamos trabalhar no Instituto, porque temos que governar uma cidade? Não faz sentido. – Madge falava com um tom de indignação.

– Se faz sentido ou não, o problema é de Tailforth. Você sabe qual o nome disso que você está fazendo?

– Hm, não sei, talvez senso de proteção.

– Não, você está desertando. Já está toda enfurecida com o Instituto que se esquece de ver o lado positivo. – Jude falava com confiança

– E qual é o lado positivo?

– Você foi escolhida, entre milhares de outras crianças, para mudar sua vidinha patética e ter uma aventura! Sabe quantas pessoas desejam isso? Existem pais que são capazes de tudo para colocar seus filhos dentro do Instituto – A voz de Jude era séria e alarmada. Ela sabia que estava certa.

– Eu... Eu sei, mas eu não quero isso, Jude. – Madge falou tentando impedir uma lágrima solitária de escapar de seu olho. – Eu quero ficar aqui, com você, com a Melissa e com o papai! Quero virar a reitora da universidade e... – Madge não conseguia terminar a frase. Ser reitora da universidade do pai era seu único e exclusivo sonho, era tudo o que a menina queria.

– Escuta, eu sei que é difícil, cara, eu estou tendo que ceder minha melhor amiga para o Governo. Ver você partir para o Instituto sem saber se volta é uma tortura, Mad, mas eu sei que você vai se dar bem e mais, você vai vencer e se tornar muito mais que uma reitora de universidade. Você é especial, Madge, não desperdice seu talento – June fez uma pausa, suspirou e continuou – Bem, o que eu quero dizer é que vou sentir saudades, de verdade.

Madge dificilmente via Jude Helvet chorar. Durante seus sete anos de amizade, Jude era a garota forte, destemida e cheia de energia. Madge era apenas Madge, sem nenhum talento, com exceção de sua inteligência. Um dos principais motivos para a garota ter sido selecionada pelo governo era seu QI de quase 190. As crianças prodígio eram extremamente raras e O Governo não podia se dar ao luxo de perder uma garotinha tão brilhante quanto à pequena Madge McLean.

– Nossa. Agora você me pegou de jeito. – Madge disse dando um sorriso fraco – Também vou sentir saudades de você, Helvet. – Ela falou dando um abraço na amiga, que retribuiu apertando mais e mais – Bem, acho melhor ir lá pra cima, a Melissa e o pai já devem estar esperando. – Já fazia algum tempo desde que o pai de Madge havia alertado sobre a chegada do helicóptero.

– Isso é meio que um adeus, McLean?

– Vejo você em breve, June. – E Madge sorriu sem vontade. Aquela singela despedida fora a última vez em que Madge McLean ia falar com sua tão querida Jude.

Madge subia as escadas com toda a rapidez que suas pernas podiam lhe proporcionar, mas subir era uma tarefa difícil e a sua mala repleta de objetos e roupas não auxiliava em nada, pelo contrário, só deixava mais difícil. No meio do terceiro lance de degraus, o barulho do helicóptero ficou cada vez mais alto o que deixava o estômago da menina embrulhado, mas mesmo assim, ela continuava a se apressar, pois sabia que se não chegasse na hora, seria punida.

– Anda McLean, se apressa! – Ela berrava consigo mesma em busca de mais velocidade, sem sucesso.

Quando chegou ao telhado, a menina estava ofegante e suada, mas seu esforço tinha sido recompensado, pois o piloto acabara de terminar de pousar seu terrível monstro alado de metal.

– Madge, nossa, você nos deixou preocupados! Estava demorando tanto que eu e seu pai pensávamos que tinha desistido e fugido para a França – Melissa, a madrasta de Madge, falava enquanto se aproximava da garota para abraça-la. – Tome. – ela falou entregando uma barra de chocolate para a menina – Comprei isso caso você fique com fome, esconda bem.

– Ah, obrigado. – Ela agradeceu baixinho.

Os pais de Madge, Anne Welch e Michael McLean haviam se separado pouco antes do aniversário de oito anos da menina. Sua mãe tinha partido para o Instituto de Moscou e deixado Michael com sua nova esposa. Madge não achava Melissa uma pessoa ruim, pelo menos, ela nunca tinha tentado envenenar a garota com uma maça.

– Como vão as coisas, Mads? Soube que vai para o Instituto ser com cobaia em experimentos terríveis – O pai de Madge, Michael, disse enquanto dava tapinhas nos ombros da menina. Ele sempre deixava bem claro que era contra o Instituto e qualquer outra coisa que tirasse crianças inocentes de seus pais – Não é mesmo, Senhor Reed?

– Claro, claro. Vamos transformar sua filha numa aberração com duas cabeças e nenhum cérebro. Como está hoje, Madge?

O Senhor Reed era um tutor. Os tutores eram aquelas pessoas que observam o treinamento dos participantes e são responsáveis por eles até o final do treinamento. Cada tutor possui quatro alunos, duas meninas e dois meninos e é ele quem designa para onde eles vão no final do evento.

– Hm, acho que bem. – Ela falou tentando evitar olhar para o helicóptero.

– Bem, é melhor irmos, afinal, não queremos deixar seus novos amigos esperando. – o homem falou animado enquanto pegava duas de minhas malas que já estavam no local. – Tem alguma coisa que possa quebrar?

– Não, não muito. Só roupas e alguns sapatos. As coisas importantes – e quebráveis – estão aqui. – ela falou se dirigindo a bolsa que tinha acabado de trazer.

– Interessante. Roupas não são importantes para você, Senhorita McLean?

– Hm, bem, não muito – ela confessou.

– Pois bem então, primeiro as damas, por favor. – Ele falou abrindo caminho para o helicóptero.

– Claro – ela falou obrigando a pernas a se mexerem – Hm, até logo pai e até logo Melissa.

– Até breve, Mads.

Notas finais
Então, o que acharam? Como vocês acham que vai ser todo esse processo para a Madge? Não se esqueçam de comentar. Até a próxima!
Lena;