— É isso que vocês chamam de lançamento? Os macacos que moram do outro lado da floresta fazem melhor que isso com suas bananas!

Zain chiou cansado e Erin agachou-se, descansando os músculos dos braços. O sol estava a pino e a campina que o trio treinava era preenchida por uma brisa morna e as árvores mal de mexiam com o calor os preenchendo de suor.

Layla soltou um tsc, tsc enquanto balançava a cabeça para os companheiros, voltando do outro lado do espaço carregando as flechas recém lançadas e as adagas de Zain.

— Eu preciso de uma pausa! – o garoto ergueu os braços em sinal de rendição – Uma pausa!

A morena riu, com os cabelos negros soltos quase entrando em sua boca no processo, e assentiu, jogando aos pés da dupla seus pertences.

— Certo, quinze minutos para beber água e comer alguma coisa.

— Você é um monstro! – resmungou Zain teatralmente.

Layla ergueu a sobrancelha para ela com um sorriso de provocação surgindo em seu rosto.

— Ah, sou? Erin vai ter uma hora de descanso – ela indicou o grandão que já se sentara nas raízes de uma árvore próxima – Zain, você agora só tem cinco minutos pra descansar.

Zain choramingou se sentando com tudo no grama logo embaixo da árvore em que o amigo se apoiara e Erin e Layla se entreolharam rindo.

— Eu sinto como se estivesse treinando há seis meses e mal se passou um! – continuou resmungando enquanto revirava seu alforje – Estou dizendo, não sei se sobreviverei até o final.

Layla também se sentou e roubou o cantil do garoto, bebendo triunfante de sua preciosa água e provocando ao final ao lamber os próprios lábios.

— Você vai sim.

Ele a encarou entre a raiva e o desejo.

— Essa é a minha deixa – Erin esticou os musculosos braços acima da cabeça – tenho que pegar um carregamento no Porto da prata.

A atenção de Zain voltou para o amigo.

— Ainda fazendo trabalhos comuns?

— E por enquanto vai ser tudo que vocês dois irão fazer até terminarem nosso treinamento – interrompeu Layla pegando uma maçã do cesto intocado de frutas no meio do grupo.

O garoto suspirou derrotado.

— Estamos sendo perseguidos por seres celestiais, a cidade que ficávamos já está sob o olhar deles e nosso rastro ainda está fresco – Erin explicou ficando de pé – o melhor por hora é ficarmos escondidos e de preferência continuarmos viajando sem parar.

Layla assentiu e se jogou de costas na grama quente. Seu corpo vibrou quando o calor aqueceu seus músculos doloridos. Ela também viera treinando muito junto com seus amigos, mas sabia que a sua resistência de deusa era diferente da mortal deles.

— E vocês precisam ficar fortes. Mais do fortes se puderem. Farei de vocês meus seguidores, mas para isso – ela levantou a cabeça e apoiou os cotovelos no chão – seus corpos tem que sustentar meu poder.

Zain abriu um sorriso de lado, animado com ideia que Layla viera trabalhando desde a batalha dentro da caverna celestial. Ela cederia a eles parte de seu poder como Deusa. Ele os protegeria do caos e lhes forneceria outras alternativas em batalhas. Eles não seriam mais tão vulneráveis quando os seres celestiais estivessem de volta.

— Estou indo, trarei petiscos do porto para vocês – Erin piscou para a dupla apanhando seu alforje e um punhado de frutas menores da cesta, pondo-as todas na boca de uma vez só.

Com um maneio da cabeça ele se afastou, carregando a espada em sua cintura e dardos paralisantes enfileirados em seu cinto, uma pequena precaução tomada depois dos últimos acontecimentos.

Quando Erin montou no cavalo Layla voltou a se deitar observando os galhos mais finos da árvore que os protegia balançarem com o vento quente do meio-dia. Zain a imitou na posição, depois de se certificar de beber toda a água em seu cantil, e juntos eles ficaram em silêncio por longos minutos.

— Tudo isso parece mentira.

Layla tirou os olhos negros das folhas e desceu lentamente eles sobre a figura ao seu lado. Zain ainda ostentava o corte que ganhara na luta contra os traficantes de pessoas, no seu braço já marcado por tantas batalhas.

A cicatriz ainda estava rosada e inconscientemente Layla passou o dedo por ela, virando de lado para o garoto.

— Sim...

Os olhos de Zain acompanharam o movimento e ele tomou os dedos dela entre os seus.

— Você lembra do que me disse quando eu mostrei essa ferida?

Layla negou com a cabeça. Sorrindo de lado ele passou o corpo para cima do dela, ainda no chão, apoiando-se com as palmas da mão uma em cada lado da cabeça da mesma.

Lentamente a morena prendeu a respiração.

— Me beije todos os dias a partir de agora— repetiu pausadamente.

Os olhos de Layla correram o rosto do garoto e ela soltou vagarosamente o fôlego. Zain abriu um sorriso de satisfação com o rubor que cobria a pele clara da amiga.

— Será que eu deveria... – ele roçou os lábios no dela – cobrar os dias em que não pude fazê-lo?

Layla engoliu em seco e olhando nos olhos de Zain, com todo o corpo ficando excessivamente quente com a proximidade, assentiu. O garoto não esperou um só segundo antes de tomar os lábios dela nos seus e a beijou intensamente contra a grama quente.

A deusa só percebeu o quanto desejou por aquilo quando sentiu as mãos de Zain reivindicando-a e o peso do corpo dele sobre o seu incinerando cada fibra do seu ser.

Ele se afastou, tomando fôlego, e depositou breves beijos na curva do pescoço da morena que arfou enquanto se arrepiava com o toque.

Eles se beijaram mais uma, duas, três vezes. Rolaram pela grama com os corpos pressionados um contra o outro irradiando desejo e necessidade.

Mais.

Mais.

Enquanto sentava sobre o corpo rígido do garoto e o sentia descer a mão lenta e possessivamente por suas costas, Layla desejou que deuses pudessem ser capazes de amar. Ela o amaria com tanta...

Zain se afastou propositalmente da boca de Layla, sem fôlego. Correndo o rosto róseo da mesma com os olhos um sorriso de lado surgiu em seu rosto.

Layla tentou voltar a beijá-lo, mas o garoto pôs o dedo entre seus lábios. Abrindo os olhos contrariada ela o encarou. Os olhos negros dela eram como um temporal, intensos e poderosos, e Zain queria se perder completamente dentro deles.

— Sua quantidade de beijos acabou – ele disse, rindo baixinho – agora só amanhã!

Ele se desvencilhou de cima dela trotando para perto da árvore, com um sorriso travesso cruzando seus lábios. Layla, coberta de grama, bufou, grunhindo e tateando o chão atrás do primeiro objeto que conseguiu para lançar em cima do garoto.

Zain quase foi atingido por uma maçã.

— Zain Wasthsow, cem flexões agora!

Zain riu e sua risada reverberou no descampado, prometendo um futuro de tranquilidade. Um futuro de esperança. Um futuro de possibilidades.

Notas finais
Sim, chegamos ao final! E sim: um final com possibilidade de continuação! Mas como escrevi a estória de Layla sem pretensão de continuação não sei se pode haver um futuro (mas o desejo muito). Agradeço por todos que chegaram até aqui. Saber que tem alguém lendo algo que escrevi com tanto carinho me deixa extremamente feliz! Fiquem livres pra deixarem comentários sobre o que acharam da estória, da escrita, dos personagens, etc. O mínimo feedback me alegraria imensamente! (ficou grande isso aqui, desculpem, não quis cortar o feeling da estória no final dos capítulos qjskqjs). Muito obrigada e até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!