Deus das Mil Armas
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Vendo a cabeça decepada de seu subordinado, Daí, recuou dois passos. Por sorte, ou azar, os outros estavam estáticos olhando para aquele garoto de até 10 anos mais novo que já tinha matado meia dúzia de irmãos juramentados, sem nem ao menos se sujar com o sangue deles. Fenrir, no corpo de Ling Shyo, estava parada no meio do cerco novamente, após ceifar a cabeça do dito “Esmagador de Crânios” ela, lentamente como se andasse pisando em penas, retornou. A grande maioria dos homens ali parados já tinham matado pessoas, sendo para sobreviver, dinheiro ou qualquer outros que fosse o motivo, nenhum ali era inocente.
《Vão ficar ai, parados?》
Um deles gritou, depois outros, logo várias vozes se uniram em um grande brado de batalha digno de uma batalha final. Unindo suas vozes, corações e coragens eles conseguiram dispersar parte da maldição de morte que aquele jovem deus da morte de cabelos negros lançou.
《Isso mesmo. Essa grande mãe está sozinha. Vocês tem os números... Venham à mim como se quisessem arrancar os membros dessa grande mãe e comer enquanto ainda pinga sangue.》
Estando entre irmãos, contra apenas um inimigo que os insultou e matara seus irmãos, os homens foram tomados por um frenesi e pularam para atacar. Muitos, de tão envolvidos na sede de sangue, esqueceram de cobrir o próprio corpo com intenção divina.
Fenrir sorriu.
《Venham à mim, e morram como os cães que vocês são...》
Fenrir não tomou qualquer postura de ataque ou defesa, ela nem ao menos moveu os braços que jaziam cruzados a sua frente.
《Livro do Vazio: Florescer de Adagas Cegas》
A linda intenção divina de pó prateado de Fenrir vazou do corpo de Ling Shyo. A quantidade era muito maior do que uma técnica que um guardião poderia usar sem efeitos colaterais. Os flocos de energia prateada tinham um aspecto de flocos de neve, mas o frio que eles passavam era o da morte. Cada um deles era afiado como laminas do mais fino aço tratado pelo mais habilidoso dos ferreiros. Onde os flocos tocavam, nas pessoas ensandecidas que tentavam se aproximar, uma ferida sangrenta se originava, algumas vezes até amputações. Mas os homens pareciam não sentir dor.
Tomada de prazer, por poder sentir o mundo material novamente dessa maneira, Fenrir completou sua técnica.
《Livro do Vazio: Nevasca de Adagas Vermelhas》
O tempo após as palavras de Fenrir serem proferidas e o ato que até o maior dos assassinos sentiria náusea se visse foi de apenas meia respiração. Os vários flocos rodopiaram como em um turbilhão e rasgaram, cortaram, amputaram, trituraram... Dos vários homens do bando de Dai que ali estavam sobrara apenas carne e vísceras. Nada no mundo imaginaria que aqueles montes de carne eram a poucos momentos humanos que respiravam e pensavam. Dai era o único de pé. O medo o havia impedido de atacar, mas pensando melhor isso havia salvado sua vida. Caso ele tivesse se rendido ao frenesi da batalha ele seria parte das montanhas de carne agora. No meio daquela carnificina havia um garoto ainda de pé. Seus cabelos estavam pintados de vermelho e mal era possível ver seu rosto, mas Dai sabia que ele estava sorrindo. Suas roupas haviam se tornado trapos como se o turbilhão de laminas as tivesse cortado junto. Dai sentiu o cheiro da carne e sangue do massacre, seu corpo se contorceu enquanto sua mente viajava para anos no passado. Dai havia sido um soldado do exercito do Continente do Conquistador enviado para a batalha que viria a ser conhecida como “Ultimo Uivo”. Naquele lugar amaldiçoado por deus, Dai matou muito rebeldes, viu muitos dos seus amigos morrerem mortes horríveis e entrou em desespero. Pouco após voltar vivo da guerra ele desertou do exercito e começou a roubar e lucrar com o sofrimento alheio.
《Me sinto bem, muito bem na verdade. Sempre me disseram para não esmagar insetos, mas dessa vez não foi culpa desta grande mãe. Hm? Ainda tem um vivo?》
Dai congelou. O demônio lentamente virou-se. O medo fez com que Dai não conseguisse mais controlar o próprio corpo, ele se mijou enquanto se curvava para vomitar.
《Isso mesmo. Apenas se curve que essa grande mãe o matara com pouca dor.》
Dai sentia seu coração bater rápido, Dai puxava grandes quantidades de ar toda vez que inspirava. Sua mente era uma confusão, tamanha confusão o impedia até de infundir qualquer intenção divina em seu corpo. Dai escutava cada pequeno passo que o monstro dava em sua direção. Cada um daqueles passos tingia seus cabelos castanhos de branco. A morte se aproximava.
Dai sentia que sua mente não agüentaria mais... Ele estava a beira da insanidade. Porém um som alto o acordou. O som era de algo pesado, cerca de 70 quilos, caindo no chão. Com enorme dificuldade Dai olhou na direção do som. E, diferente do que ele esperava, ele não viu o demônio se aproximando... Ele viu o demônio caído.
Podia ser sua mente recém louca que o estava pregando uma peça? Com um sorriso torto olhou para o demônio caído. Após o tempo de várias respirações Dai se convenceu... Não havia maneira disso ser uma ilusão ou alucinação. Ainda tremendo e suando Dai levantou-se. Seus músculos estavam todos travados e com cãibras, mas de alguma forma ele conseguiu levantar-se e se aproximar do demônio. Em frente ao seus olhos estava o demônio. Um garoto de uns 15 anos, cabelos negros sujos de sangue fresco, pele um pouco queimada de sol, e uma expressão de dor. Incrédulo ele apenas olhou. Vários sentimentos passaram por sua mente. Ele se perguntou o que havia acontecido... Seria um milagre que o havia salvado? Era uma brincadeira do “demônio” que só o afundaria em uma loucura maior? Aos poucos os sentimentos se alinharam.
《Todos os meus homens... Meus irmãos... Foram mortos por esse demônio? Isso não é um demônio... É SÓ A PORRA DE UM PIRRALHO!》
Tomado por ódio puro Dai juntou o máximo de força que conseguiu e chutou a cara de Ling Shyo. O corpo de Ling Shyo voou e rolou alguns metros.
《Eu acertei ele... Me desculpe... Me desculpe... Me desculpe? POR QUE EU DEVO ME DESCULPAR PARA UM PIRRALHO?》
Novamente Dai juntou as forças de seu corpo, até uma leve porção de intenção divina e chutou novamente.
Ling Shyo voou. A força do chute era ridícula para um praticante como Dai, mas não ouve a mínima defesa por parte de Ling Shyo. Ele abriu os olhos levemente e cuspiu uma grande quantidade de sangue.
《Droga. O corpo de Ling Shyo não suportou a técnica... Essa grande mãe achou que por ter uma intenção divina tão pura, ele poderia suportar com facilidade... Droga.》
A voz afeminada novamente saiu do corpo de Ling Shyo. A voz que era a junção do corpo de Ling Shyo e a consciência de Fenrir. Dai, por sua vez, tremeu. Aquela era a maldita voz do demônio.
《NÃO OUSE ME IGNORAR!》
Dai correu para o encontro de Fenrir caída, mas diante de um perigo muito grande de perder seu aluno, e também atual benfeitor, Fenrir...
《Suma inseto, não tenho tempo para você.》
Um ultimo floco da técnica de Fenrir que ainda flutuava mudou sua trajetória e voou em direção a Dai. Ao mesmo tempo em que a cabeça de Dai desaparecia Fenrir fechou os olhos e concentrou sua mente enquanto murmurou.
《Ling Shyo, eu não deixarei que morra nesse lugar sem nome.》
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