Deus Ex Machina
5 Capítulo 5
Houve uma pequena dúvida lançada no ar. A Musharna encarou o amigo com certa desconfiança. Fitou os olhos lânguidos do Alakazam, que transitou dali para o obsceno.
"Mas ha coisas há muito esquecidas que ainda mantêm seu poder. Não é necessário que elas sejam acreditas, ou desacreditadas, para que sejam ou deixem de ter força e existir".
"Mas ajuda, não ajuda!?" Ele se exasperou, "Olhe esse objeto, ridículo, que se interpõe entre você e... Sei lá o que você esta fazendo..."
"Estou treinando, querido". Ela se voltou para o apanhador de sonhos, "e, claro, que ajuda. Você acha que teria chegado tão longe se Sabrina não acreditasse em você?".
A respiração de K'zam pesou. Musha sentiu o ar pesar no cômodo e o olhar recair sobre seu lombo com certa reprovação — sorriu e encarou o chão.
"Dependemos sempre de alguém, ou algo — nem que seja de nós mesmos, meu bem. Não desanime". Ela se virou, planando no ar estável, e voltou a encara-lo. Havia ainda algo de triste, que há pouco tempo parecia perseguir o pokémon. Como uma grande esperança que se perde diante da realidade fragmentada e cotidiana que, lentamente, despedaça pouco a pouco os vestígios de força e que fica tão difícil recuperar frente a tantos cacos despedaçados. Quando seus olhos se encontraram, os olhos castos da Musharna brilharam em um amarelo intenso impondo um sono pesado no amigo. K'zam foi de encontro ao chão produzindo um baque surdo e esparramando suas colheres pelo chão.
Correu o ar com paciência e cuidado ao se aproximar do corpo do amigo estirado no chão.
"Eu também acredito em você, mas vamos ver o que você esta querendo..." O pequeno buraco na testa da Musharna começou a expelir uma fumaça que envolveu a têmpora do colega.
Absorta em um mundo escuro e frio, Musha abriu os olhos e um flash branco irradiou o local a alguns poucos metros e manteve-se acesa, como se a pequena bola azul flutuante fosse uma chama viva. Mas a luz pouco iluminou tão pouco esquentou. Via-se com dificuldade uma parede de tijolos brancos a sua frente perfeitamente encaixados que não deixava sinal de falha enquanto ela flutuava e varria a parede com os olhos atrás de qualquer rachadura.
"Tão diferente do pequeno Abra que conheci, tão tímido...", passos sufocados pelas escuridão se fizeram ouvir, se aproximando devagar, tão devagar quanto a ausência do tempo permitia.
"Não há dúvida que devo muito a vocês", a voz dele deslizava pela escuridão, mas tal qual Ekans no deserto, insinuava perigo, "mas é tempo de se tomar algumas rédeas em mãos, e estou disposto a fazê-lo. A pergunta é: Você vem comigo?". E então, se fazendo cobrir pela fraca luz da Musharna, o Alakazam apareceu, mãos cruzadas atrás das costas e encarando a parede. Soltou a mão direita e pousou sobre o lombo da amiga.
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