Deu tudo errado... De novo (Heróis do Olimpo Fic)
5 O beijo e a promessa
Seu coração parou. Não podia ser...
Eles estavam um pouco confusos tentando se organizarem. Eram realmente pessoas estranhas. Foram caminhando na direção dos bancos. Allie se escondeu entre as pessoas da fila, que eram maiores do que ela. Ela não queria, ainda, ser vista por Jason e muito menos ir até ele. Não iria saber lidar se ele não a reconhecesse. Ele estava diferente, mais alto e usava até óculos. Desde quando ele usa óculos? ela se perguntou.
Eles se sentaram no banco onde a algum tempo estava ela e Leo, e o mesmo ainda não tinha voltado. Estranho. Chegou a sua vez de ser atendida. A atendente não queria trocar as suas passagens, ela insistiu até que a mulher, por fim, cedeu e trocou suas passagens. Próxima parada: Detroit. Era a última passagem a noite que tinha, e sentia que devia fugir dali.
Sua partida era em uma hora, então resolveu sentar no lado oposto onde encontravam os outros. De onde ela estava podia ver que Leo tinha voltado e parecia exaltado, mexia as mãos enquanto falava e andava de um lado para o outro. Jason tentava acalma-lo. Parecia tão confiante e seguro de si. Leo começou a olhar em todas as direções até que virou para Jason e gritou algo, que não deu para entender por conta do barulho daquele lugar. Jason pulou e começou a chacoalhar Leo, agora ele tinha perdido o controle. Os dois faziam o mesmo movimento de procurar. Será que Leo tinha contado a ele... Uma chama acendeu em seu coração. Mas logo se apagou, esmagado pelos seus pressentimentos.
Os dois viraram para onde ela estava. Ela tinha que encara-los, e ser franca com Leo e olhar uma última vez para Jason. Eles vieram correndo até ela. Jason se adiantou e ao chegar perto de Allie, a puxou do banco para um abraço e ela o retribuiu. De canto de olho ela pode ver Leo, sua expressão era indecifrável, ele pigarreou:
_Allie, por que fugiu?
A garota se soltou de Jason e olhou para Leo e disse, se aproximando dele:
_Desculpe, Leo, você teve intenções boas em querer me ajudar e tal – ela segurou a sua mão – pensei que tinha que seguir você. Sentia isso, mas quando você me deu a noticia de que eu não poderia conhecer seu lar, eu cai em mim: tenho que seguir em frente pelo meu caminho.
_Não! Você não pode! Eu quero você comigo!
_Leo, que isso? Você nem me conhece.
_Leo tem quedas por garotas bonitas, Duckline, ele não tem limites – Jason se intrometeu.
_Jason, na boa cara, num precisa ficar contando meus segredos por aí! – ele voltou a olhar para Allie – não vá, por favor.
_Eu não vou voltar para casa, Leo, e você está voltando exatamente para esse lugar!
_Então deixa eu ir com você!
_Leo, pare. Ela precisa ir. – Jason disse calmamente.
O coração de Allie afundou. Falsas esperanças. Agora era mais que um sinal para ela encontrar seu caminho.
_E para onde vai? – Leo perguntou, cabisbaixo.
_Para onde der, Leo. Onde o meu coração mandar, eu acho...
_Queria mais tempo contigo... – Leo começou
_Chega, Leo! – Jason interviu novamente e depois se virou para ela – Queria conversar com você, saber como está, como foi sua vida desde que nos despedimos. Mas arrumaremos um jeito de conversar, sinto que você precisa muito ir. Eu nunca te esqueci, Allie...
_Jason... – ela começou, mas sua voz embargou e lágrimas escorreram por seus olhos. Ela o abraçou.
_O que tá acontecendo aqui? – a voz de uma garota interrompeu o abraço
Jason se soltou de Allie, limpando as lágrimas e se dirigiu a garota de tranças:
_Piper, essa aqui é Allie, minha melhor amiga, aquela que falei para ti.
Piper olhou para Allie de cima a baixo, mas depois sorriu:
_Allie, Jason me falou muito de você – ela estendeu a mão a Allie, e apertaram as mãos.
_Bem, adoraria ficar conversando, mas meu ônibus vai chegar daqui a pouco e...
_Hey pessoal!
Um garoto de olhos verdes brilhantes estava se aproximando juntamente com todo o grupo. Ele é lindo... Qual é, era a reunião dos mais gatos do mundo?
_Pararam aqui por quê? Não vamos pra casa azul?
Ele pousou aqueles olhos marcantes em Allie.
_Quem é? – perguntou cutucando Leo.
_Pessoal – Leo começou – essa aqui é Allie... Allie, esse pessoal aqui é lá do acampamento, e são meus melhores amigos.
_Você contou a ela? – uma garota loira se adiantou a frente.
_Não, Annabeth, não contei. Mas pretendo...
_Olá Allie – disse o menino de olhos verdes – meu nome é Percy Jackson. E esse... – ele olhou para trás a procura de alguém e então chamou: — Nico, venha...
Realmente era a reunião dos caras gatos... Nico era um garoto da mesma altura de Allie, parecia ter a mesma idade, e assim como vira descendo do ônibus: tinha o cabelo escuro, e seus olhos eram tão escuros quanto. Ele olhou para ela, um olhar sombrio.
_Olá, Allie, sou Nico di Angelo... – ele apertou a mão de Allie e era muito fria.
Allie olhou para aquele grupo, sentia a união deles, como se tivessem vivido coisas que ela nunca viveria. A garota lembrou-se de sua amiga, sua única amiga, nunca passará nada de emocionante ao lado dela, sentiu um pequeno desapontamento. Agora ela viveria suas próprias aventuras.
_Allie, por favor, se junte a nós – Leo agarrou a mão da menina, e ela a segurou com força.
_Leo, acalme-se, eu vou, tenho que ir... Para onde vocês estão indo é de onde quero fugir.
Ele baixou o olhar, e então puxou Allie para um abraço. Ele era quente, muito quente, pensou ela.
_Eu quero te ver de novo Allie, nunca se esqueça de mim... – ele falava bem próximo ao ouvido dela.
Ela não estava entendendo o que estava sentindo, mas seu coração palpitava. Estranho, pensou, conheço esse garoto a umas horas, conversamos tão pouco... Ele se afastou dela.
_Eu vou me lembrar de você, Leo. – Ela sentiu vontade de passar a mão em seu rosto e assim o fez.
Depois se dirigiu a Jason:
_Um dia, quando nos encontrarmos de novo, vamos conversar com certeza, Jason. Sinto saudades, sempre senti. – ela o abraçou.
Piper olhou estranho para a cena, Allie pode ver seu rosto ao abraçar o amigo. Ela se afastou dele e se dirigiu a todos:
_Foi um prazer em conhecer todos vocês, mesmo que seja por alguns minutos.
Todos sorriam.
_Boa sorte, Allie! – disse Percy Jackson.
Todos repetiram na mesma entonação e aos poucos foram se afastando. Allie se sentiu estranha. Todos foram, menos Leo, que gritou para os outros:
_Me esperem na lojinha de doces!
Eles assentiram e seguiram o caminho. Leo permaneceu ao lado dela e disse:
_Vou te acompanhar até o ônibus. Vamos!
Seguiram lado a lado até a plataforma 9, onde um ônibus escrito “Detroit – 19 horas”
_Estou com tanto medo de você ir sozinha.
_Não fique Leo. Eu vou estar segura, acredite.
Ele suspirou, ela sentiu um aperto no coração com aquilo.
_Posso te abraçar novamente? – sussurrou ele no ouvido dela.
Ela somente assentiu e sentiu aquele abraço quente, capaz de fazer tudo sumir. Nunca se sentirá assim. Leo era o estranho, mas ela já se sentia feliz ao seu lado e então se sentiu culpada por estar indo.
O motorista chamou os passageiros atrasados. Ela se virou para ele e disse, segurando em seus ombros:
_Agora eu vou. Até logo, Leo.
Sem ao menos esperar, Allie foi surpreendida por um beijo. Mais uma vez quente demais... Ela estava tonta quando Leo a soltou.
_Eu vou te encontrar! – prometeu ele – isso não acaba aqui.
Ela encostou a testa na de Leo e suspirou.
_Sim... não acaba aqui.
E então se virou e foi caminhando até o ônibus. Entregou a passagem para o motorista e foi se sentar. Ao olhar pela janela, Leo ainda estava no mesmo lugar. Que burrice, ela se censurou, como vou encontra-lo sem um numero de telefone. Abriu a janela rapidamente a janela e gritou:
_Seu numero! Como vou te encontrar?!
Ele simplesmente sorriu, um sorriso tão quente quanto seu beijo e seu abraço, e então gritou de volta:
_Eu te encontro!
O ônibus começou a sair da rodoviária. Como ele me encontraria?
Ela não sabia, mas não duvidará disso. O ônibus começou a seguir seu caminho, Allie sentiu mais uma vez o aperto no peito, sentiu lágrimas brotarem em seus olhos, havia tempo que não chorava. Não vou chorar, não vou chorar... ela repetia a si mesmo. Pegou seu caderno, que sempre era seu companheiro nas horas de angustias e começou a escrever o primeiro relato feliz em meio a tantas anotações ruins. Seu relato seria sobre Leo Valdez. Ela nunca mais iria esquece-lo, mas se um dia isso acontecesse, ela leria aquilo e voltaria no tempo em que, do nada e tão intensamente, ele aparecerá em sua vida.
Enquanto escrevia, lágrimas quiseram brotar, e pela primeira vez depois de tanto tempo, ela permitiu que rolassem.
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