_E então? — ele perguntou.

Allie estava parada fazia alguns minutos, somente encarando-o. Aquela proposta vinda do nada a atingiu como uma explosão.

_S...Sim — ela gaguejou.

Ele sorriu.

_Finalmente vou te levar para lá, heim!

Ele se levantou da cama. Ela o observou, ele parecia ainda mais diferente, ou será que ela é quem estava diferente?

_Vamos agora? — ela se espreguiçou.

_Obvio que não! Eu ainda quero manter a minha vida intacta. E acredite, morrer não é legal.

_E você já morreu?

_Sim — ele disse simplesmente — mas esta aí outra longa história — e simplesmente sorriu.

_Leo... como sabe que está seguro por lá? Eles aceitam uma mortal?

_Mas é claro, mi amor... — ele se aproximou — você está comigo agora.

Ela o olhou, pensando nas últimas horas que passará com ele.

_O que acontece com a gente? — ela arriscou

Ele piscou confuso e seu olhar perdeu um pouco do brilho.

_Como assim? Acha que foi um erro? — ele perguntou.

_Não — ela se apressou a dizer — É só que...

_Allie, pelos deuses, não pense nisso. Logo você, que queria fugir por ai, sendo tão contida.

_Eu acho que me apaixonei por você...

_Eu sei, sou extremamente irresistível, mi amor.

Ela seu um soco de brincadeira no braço dele e ele riu, derrubando ela na cama, novamente.

_Segundo roud?

Allie nem precisou dizer, pois já havia começado.

***

_Vamos!

Leo estava mais apressado que o normal. Ela tinha juntando suas coisas dentro da mochila. Ainda tinha uns três dias grátis ali, poderia até ficar com Leo presa naquele quarto, mas não devia, Calipso fizera aquilo...

Allie parou ao lado de Leo, próximo a porta, e juntos, de mãos dadas, sairam do quarto.

_E como vamos? — Allie perguntou quando já estavam na rua.

_De um jeito especial, mas vamos ter que andar um pouquinho.

Ela olhou confusa para o garoto e o seguiu. Alguns minutos depois eles estavam parados em um grande terreno baldio.

_Leo, aqui não vamos para lugar algum. Por um acaso, viajaremos por um portal?

Ele gargalhou e olhou para ela.

_Melhor que isso, mi amor. Aguarde.

Alguns longos minutos depois, Allie viu um grande dirigível se preparando para pousar.

_Vamos de dirigível? — ela perguntou alarmada.

_O que? Não! — ele pareceu desesperado e olhou novamente para o dirigível — Ah, sim! Maldita névoa!

_Névoa?

_Sim... Longa história... Bem, o que você vê como dirigível é, na verdade, Festus, meu dragão.

DRAGÃO?

_Se pelo menos Hanzel tivesse aqui ele poderia manipular a névoa...

_Mas que diabos é essa névoa? — ela insistiu, mas logo se perdeu no que estava a sua frente.
Não era mais um dirigível, mas sim um enorme dragão de bronze.

_Eu... Eu posso ver, mas como...?

_Isso eu também posso contar depois, agora vamos — disse ele estendendo a mão.

Ela olhou para o dragão, ele não parecia ter sido feito de máquina como aparentava, ele tinha vida, Allie podia sentir.

Barulhinhos saíram da cabeça de Festus e Leo começou a prestar atenção e depois de mais barulhinhos o garoto voltou para Allie disse:

_Temos que ir agora, Allie, eu te ajudo a subir.

Leo a ajudou e Allie se acomodou no dorso do dragão que era aconchegante, mais uma coisa que surpreendeu a menina. Leo se sentou atrás dela e abraçou pela cintura.

_Pronta?

Ela concordou, feliz. Festus subiu para o céu. Allie viu aquela cidade imensa e tão pequena. Era a coisa mais linda que ela já tinha visto. Estava mais que convencida de que fizera a coisa certa em sair de casa, apesar dos.pesares que passou. Conhecer Leo com certeza estava mudando seu modo de ver a vida, ele tinha uma vida toda complicada, começando por ser um filho poderoso de um Deus. Aquilo para ela já era suficientemente inacreditável.

Seus pensamentos foram interrompidos por um beijo que Leo dera na parte de trás de sua cabeça.

_Tudo bem? — ele perguntou no ouvido dela.

Ela se virou com cuidado e fez que sim com a cabeça, o vento bagunçava os cabelos de Leo, qu se divertia com isso.

_Isso é maravilhoso!

_Claro, mi amor, você está com o namorado mais incrível do mundo.

Namorado? O cérebro e o coração de Allie saltaram do dragão e estava descendo em queda livre ate se espatifarem ao chão. Namorado, pensou, vamos conversar sobre isso mais tarde. Agora ela queria era curtir o momento.

***

Três horas depois eles estavam se aproximando de uma praia, lindíssima por sinal.

_Bem vinda ao meu lar.

Ele sussurrou ao seu ouvido e Allie se aconchegou mais nele. Minutos depois eles estavam pousando em um gramado próximo a varias casinhas. Ele desceu primeiro e foi logo ajudar a menina.

_Aqui é lindo, Leo — ela comentou.

_Bem, aqui é mesmo. O lugar perfeito na verdade.

Allie olhou para tudo naquele lugar, as casinhas engraçadas, uma casa maior no canto, um anfiteatro enorme, e entre outras coisas que ela queria explorar. De repente, vária pessoas apareceram, todas vestidas com camisetas laranjas assim como Leo tinha. Algumas estavam esfarrapadas, outras queimadas, outras sujas de... sangue? Aquilo era sangue? Allie tinha pavor de sangue.

_Preciso encontrar os outros, venha.

Ele mandou alguma mensagem para Festus, que saiu voando para a floresta que ali tinha. Leo segurou a sua mão e juntos foram andando até a área das casinhas.

_Essas, Allie — ele apontava para cada uma das casinhas enquanto caminhava — são chamadas de chalés, e cada Deus tem um chalé e dentro deles moram seus filhos. O meu é aquele ali, o número 9.

Leo apontava para um chalé com a entrada parecida com uma porta de cofre, circular. Suas paredes eram de metal brilhante.

_Uau — ela disse maravilhada — e onde vamos agora?

_Ao chalé de Atena, Annabeth nos espera para conversarmos sobre Calipso.

Allie bufou, estava de saco cheio daquela garota. Mas o que mais a estava incomodando, na verdade, eram os outros adolescentes olhando para ela e Leo de mãos dadas. No caminho, Leo cumprimentava algumas pessoas e essas pessoas olhavam estranho para ela.

Rapidamente chegarão ao tal chalé de Atena, uma coruja estava entalhada acima da porta recepcionava quem chegava. Ao entrar Allie ficou ainda mais surpresa, várias mesas de projetos estavam espalhadas pelo local, beliches estavam encostadas nas paredes e havia uma enorme biblioteca no fundo do chalé.

_Boa noite, gente — Leo cumprimentou o grupo que estava sentado no chão, em círculo.

Todos responderam um "boa noite" desanimado e os dois se juntaram aos demais.

_Will me contou as novidades — comentou Leo — mas acredito que Allie pode ajudar. Ela me contou uma historia bem esquisita envolvendo Calipso. Mi amor — ele se virou para ela — conte-nos o que aconteceu.

Allie respirou fundo e começou a contar toda a historia. Quando chegou ao fim, o silencio predominava em todos. Todos pareciam ter fumaças saindo de suas cabeças, e Annabeth era a pior do grupo.

_Bem, então por que Mirna quis atacar vocês? — Hanzel perguntou, com o rosto sério.

_Está aí a questão. Como Allie contou, ela disse que estava fazendo aquilo para se redimir de coisas feitas no passado. Possivelmente foi aquilo que ele me fez e o que fez a ela, com aquele cassino idiota — Leo comentou.

_Bem, se ela queria ser gentil, então conseguiu. Por que pelo que ouvi falar o hotel era bom demais — comentou Jason — além do mais, vocês passaram bem mais tempo por lá do que pensavamos.

_Jason, isso não vem ao caso. Vamos encontrar essa maluca e mandar ela de volta pra Ogigia! Já não suporto mais nem ouvir o seu nome — disse Leo, completamente irritado, e em seu nariz apareceu uma pequena chama.

_Vamos nos controlar, desse jeito não vamos a lugar algum — Frank disse — Olhe, o assunto é que ela quer se redimir e sua primeira tentativa foi com Allie, tentando ao máximo chegar perto de você Leo, porque ela, com certeza, já percebeu que seus sentimentos são fortes por essa menina.

Allie sentiu o clima pesar.

_Então por que ela mandou Mirna? Ela é do tipo que bate e afaga? — questionou Annabeth.

_Bem, parece que sim. Ou então Mirna agiu de modo a se vingar, mas não sabia que Calipso já queria perdão — deduziu Percy.

_Pode ser, Cabeça de Alga! — exclamou Annabeth.

_Mas cadê Mirna para provar isso? Que eu saiba, nós a explodimos antes mesmo dela dizer Tártaro. Agora se foi — Leo dizia, meio distante.

_Bem, a unica pessoa a quem procurar para descobrir é Calipso mesmo — concluiu Percy.

_Genial — disse Frank desanimado.

Percy deu um soco de brincadeira no braço do menino chinês.

_Olhem. Will disse que encontrou coisas enquanto estava indo para New Jersey. Ele disse que ela possivelmente está perdida por ali ou encontrou algum lugar escondido. Não entendi direito a referencia.

_Então eu busco a referencia — disse Nico, bufando, levantou e se dirigiu a porta, saindo do chalé.

_O que aconteceu com ele? — Perguntou Leo confuso.

_Bem, digamos que ele está com o dia péssimo. Só isso — comentou Hanzel, olhando para a porta onde Nico saíra.

Minutos depois ele estava de volta com Will.

_Leo contou a vocês? As minhas pistas?

_Ele não entendeu — disse Jason.

Will tapou o rosto com a mão e bufou. Depois se sentou ao lado de Nico, ficando entre ele e Percy. O menino de Apolo parecia agitado.

_Bem, olhem e prestem atenção: Calipso está sim em New Jersey, pelo que eu soube chegou lá no mesmo dia em que Allie. Não foi o destino que a fez encontrar Calipso, mas sim ela queria encontrar Allie. E parece que ela continua a seguir você, menina — Will olhou para ela com compaixão.

_Mas ela não quer me machucar, não é mesmo? Olhem o que ela fez por mim. E talvez Percy tenha razão mesmo, Mirna pode ter se vingado muito tarde, quando Calipso tenha mudado. Acho que ela quer mesmo é encontrar um jeito de redimir com Leo — arriscou Allie.

Todos por um momento pararam e pareciam refletir.

_Will, como você descobriu isso? — Annabeth perguntou.

_Tenho amigos por lá, e eles sentiram uma presença forte ali e seguiram e logo me alertaram.

Nico bufou, revirando os olhos, não falará nada o tempo todo.

_Bem, você pode perguntar a seus amigos se ela ainda estaria por lá?

_Sim, claro — disse Will animado — e peço também a eles para segui-la aonde for.

_Muito obrigada, Will — Annabeth se esticou e apertou a mão esquerda de Will.

_Bem, agora que colocamos as ideias na mesa, vamos refletir sobre elas, uma boa noite de sono será suficiente para pensarmos melhor em como a encurralamos — disse Piper.

Um sinal tocou lá fora.

_Comida! — gritou Percy, já se levantando.

Todos riram e se levantaram também. Allie se sentiu deslocada naquele lugar.

_Nossa, que vacilo! — exclamou Leo — preciso apresentar você a uma pessoa e dizer que passará um tempo aqui, Allie.

_Você ainda não falou com Quíron? — Perguntou Hanzel, acusadoramente.

_Bem, eu... não deu... — ele disse em meio a risinhos.

_Vá logo então! — disse a garota, completamente exasperada.

Leo riu e segurou Allie pela mão, a puxando para fora. Lá fora os outros adolescentes seguiam para um grande patio que parecia ser o refeitório.

_Podemos comer? — Allie perguntou, faminta.

_Claro, mi amor. Mas antes preciso te apresentar a uma pessoa. Sabe, regra da casa. — ele sorriu e lhe deu um beijo casto na boca.

Algumas meninas que passavam por ali suspiraram com a cena. Deuses, eles eram bonitas, pensou.

_Não ligue. Filhas de Afrodite.

_A Deusa da Beleza?

_E do amor. Elas adoram uma tragédia romântica. Enquanto estiver aqui, não dê ouvidos para elas.

Eles seguiram por um caminho que dava em uma casa extremamente grande, com varandas a cercando. De lá saiu uma criatura que quase fez Allie desmaiar. Era metade homem e metade cavalo. Seus cabelos estavam presos e ele usava um colete.

_Boa noite, Leo Valdez. É bom ter você de volta! — a criatura, a qual Allie estava quase se retorcendo para lembrar o nome, saudou Leo com um sorriso, mas ao olhar para Allie seu sorriso se desfez — Quem é essa? Não me diga que... Valdez, para dentro da casa grande, agora! — e se virou para a menina — e você também, garotinha.

Se virou e saiu trotando de volta para casa e Leo puxou Allie, agora ele estava cabisbaixo. Allie entrou na casa e seu coração parou, o clima ali dentro estava mais pesado do que o comum, ela observou um cara bebendo coca diet sentado em uma poltrona, ao ver a menina ele sorriu:

_Boa noite, menina, sente-se. Temos algumas coisas a dizer.