Allie acordou com dor de cabeça, estava deitada em uma das camas do chalé de Hades, Leo abraçado a ela, como sempre. Abriu os olhos e todos estavam ali dormindo. Percy e Annabeth dormiam no colchãozinho ao lado da janela, Hanzel dormia na cama de Nico, com Frank ao chão, segurando a mão dela. Piper e Jason, assim como Percy e Annabeth. Ela não viu Nico e muito menos Rachel.

Um movimento na porta fez Allie prestar atenção, era Nico, que entrava lentamente pela porta. Ele viu a menina acordada e fez um sinal de silencio com o dedo indicador esticado nos lábios e então se deitou no colchão vazio, ao lado de Hanzel, o lado oposto em que Frank estava deitado.

Allie tentou se levantar, mas Leo se prendia mais nela a cada movimento. E então a porta abriu com toda a força, acordando a todos em um susto:

_Bom dia, festeiros! – era Thalia, irmã de Jason – fico um dia longe daqui e vocês fazem a maior farra.

_Thalia, qual é... – reclamou Percy, lhe tacando o travesseiro.

_Que bonito, hein, Perseu – ela olhou para todos, rindo – vocês estão deploráveis. Levantando! Preciso de vocês urgentemente – ela disse e saiu.

_Maldita seja a sua irmã, Jason! – gritou Leo.

Todos riram e foram lentamente se levantando. Meia hora depois estavam todos na frente da casa grande. Quíron, em sua cadeira de rodas, e Sr. D, em sua camisa havaiana, esperavam, ansiosos. Bem... Sr. D nem tanto, mas o centauro sim. Thalia também estava ao lado deles, com mais duas caçadoras, assim pensou Allie.

_Allie, querida, foi um prazer tê-la aqui conosco – começou Quíron – quando estiver pronta para partir, é só nos dizer.

_Eu estou indo – ela anunciou.

_Está bem, sua carona a espera – e ele sorriu, estendendo os braços – venha até aqui...

Ela andou até ele e o abraçou, Sr. D bufou. Quando ela soltou o centauro, virou para o diretor do acampamento e disse:

_Obrigada, Sr. D. por me acolher e tudo o mais.

_Tá, tá. Boa sorte, garotinha.

Ela simplesmente sorriu.

_Piper, Jason, Hanzel e Nico – anunciou Thalia – preciso da ajuda de vocês.

_E de mim? – perguntou Percy, como uma criança que ficava fora da brincadeira.

_Agora não, Percy. Somente esses que chamei.

_Já que estão tomando os rumos – começou Frank – eu vou tomar o meu. Tenho que voltar ao acampamento Júpiter – Quíron assentiu com a cabeça e Frank se virou para Hanzel – nos encontramos lá, amor?

_Sim, claro. Eu vou voltar bem. – ela sorriu.

Eles se beijaram e Frank se despediu de todos e partiu colina acima.

_Bem, acho melhor eu ir também – Allie anunciou – Leo, você vem comigo?

_Claro. Só vou pegar minhas coisas – ele disse e correu para o chalé de Hefesto.

_Leo, pegue as minhas! – Allie gritou para ele.

Allie permaneceu parada onde estava, Nico se aproximou.

_Vou sentir saudades – ele confessou.

_Eu também, Nico. Mas logo vamos nos ver e podemos conversar sempre.

_Obrigada por ontem... Eu...

_Não precisa agradecer – ela estendeu a mão e bagunçou seu cabelo.

Leo vinha correndo na direção deles. Ele carregava sua mochila nas costas e uma mala de bronze na mão esquerda.

_Pronta? – ele perguntou feliz.

_Sim! – ela disse entusiasmada.

Allie se despediu de todo mundo novamente, estava com o coração apertado, mas sabia que aquela não seria uma despedida para sempre. Leo e ela subiram a colina de mãos dadas. Ao chegar no topo ela olhou de para o acampamento.

_Calma, vamos voltar – Leo disse.

_Eu sei... Só queria... Ah, nem sei mais o que queria – e sorriu.

_Vamos lá, mocinha... temos mais coisas a decidir, não?

Ele passou o braço pelos ombros delas e desceram a colina em direção a estrada onde a carona esperava.

Allie reconheceu o carro, era o mesmo que trouxeram eles de volta ao acampamento depois da missão. Leo abriu a porta para ela entrar e depois entrou.

_Bom dia, Butch... Rapidinho pra Nova York hein!

Allie observou o tal Butch, ele era um cara largo com a cabeça raspada. Em seu braço tinha uma tatuagem de arco íris.

_Vamos então, Valdez! – ele disse entusiasmado – Você deve ser Allie... – ele disse olhando pelo retrovisor e pisando fundo no acelerador.

_Sou... Prazer... – ela tentava dizer enquanto o carro trepidava pela estrada e rangia.

_Esse carro é muito seguro – Butch disse a mesma coisa que Nico dissera.

_Já conheci sua segurança – ela sorriu.

Durante algum tempo o carro ficou em silêncio, Allie agarrava a mão de Leo como se ela fosse uma taboa de salvação.

_Fique calma, mi amor – ele sussurrou para ela.

Allie nunca confessara a ele, mas sempre que ele falava palavras em espanhol ela ficava toda arrepiada. Pensando melhor, ela nunca tinha confessado aquilo nem para ela mesma.

_O que Thalia queria com os outros?

_Alguma coisa que as caçadoras estão envolvidas, elas nunca dizem o que é, nós só sabemos depois que eles voltam... Elas sempre estão metidas em problemas – ele sorriu.

_Você já foi em alguma?

_Não... Thalia não gosta muito de mim...

_Como? Você é incrível!

Allie pensou ter visto coisas, mas era a primeira vez que Leo ficava constrangido na sua frente.

_Que fofos! – comentou Butch.

_Hey, mané, presta atenção no caminho! – Leo o censurou, brincando.

Os dois riram.

_Sabe, me lembro da primeira vez que vi o Valdez. Um menino ainda mais magricela e piadista. Lembra, Valdez?

_Lembro... Eu nem mesmo sabia o que era, aquela ataque no Grand Canyon... Depois te conto tudo – ele disse as ultimas palavras a ela.

Allie sorriu para ele.

_Quero ir ao Grand Canyon – ela disse a ele.

_Nós vamos, mas primeiro temos que nos estabilizar e fazer umas coisas.

_Claro, mi amor...

Ele a olhou de lado, espantado.

_Ah, nem vem...Mi amor não é difícil de aprender.

_Eu sei, mas... – seus olhos transbordavam alegria – eu nunca fui tão feliz, Allie.

Allie o puxou e o beijou.

_Hey, posso parar no primeiro hotel para que vocês possam terminar isso aí.

Eles se soltaram e juntos repreenderam Butch. A viagem ficou silenciosa mais uma vez, Allie se encostara em Leo e ele, com o braço direito apoiado em seu ombro, fazia carinhos leves em seu braço, e assim permaneceram até chegarem a movimentada cidade de Nova York.

***

O carro parou em frente a casa da família de Allie e a garota não parava de tremer. Desde que entraram nos limites da cidade, ela não conseguia se controlar. Tremia e a todo momento insistia que queria voltar, mas depois mudava de ideia. Quando o carro parou, sua ideia já estava convicta.

Ela pôs a sua mochila nas costas e desceu do carro.

_Eu espero? – perguntou Butch

_Não, pode ir, muito obrigada cara – disse Leo descendo do carro também.

Allie se despediu de Butch e voltou para frente da casa. Ela não mudará nada desde que partirá, apesar de não ter sido tanto tempo assim. Ela parou ao lado de Leo, que também contemplava a casa, ela segurou a sua mão.

A luz da sala estava acesa, era a única acesa.

_Agora, vamos... – Leo disse, dando o primeiro passo.

Ela o seguiu, os pés se arrastando no chão. Subiu as três escadinhas da sacada e bateu na porta. Movimentos rápidos foram ouvidos, vinham de dentro da casa. Passos ligeiros e vozes exaltadas também eram ouvidos. Alguém abriu rapidamente a porta, com cera rispidez e então Allie o viu.

Era seu pai, estava com uma cara péssima, sua barba enorme e com olheiras. Nunca na vida Allie o via daquela maneira. Suas roupas estavam amassadas.

_Allie? – ele perguntou fracamente – Allie! É ela! Allie!! – ele agora gritava para dentro da casa.

Mais passos rápidos foram ouvidos e mais rostos apareceram. Ela viu tio Pip e Helena, sua esposa e Tia Helga e seus filhos. Seus únicos tios, irmãos de sua mãe e de seu pai, respectivamente. Viu seus primos Chris e Brenda. Seu pai saiu do caminho e foi de encontro a Allie e então ele o abraçou e depois todos os outros que ela virá fizeram a mesma coisa, formando quase uma cabana apertada ao redor da menina. Allie chorou e pela primeira vez desde que saíra da cidade, ela se sentiu culpada e se permitiu ficar parada, recebendo o carinho que ela tanto sentia falta e que só agora ela valorizara.