Detetive Penélope
3 A Floresta
Notas iniciais
Eram 8 horas quando Penélope chegou numa floresta densa e enorme, mas ela já a conhecia e sabia que não seria fácil passar de carro por lá, mas tão pouco seria impossível. As 10 horas achou uma trilha estreita, mas ela conhecia muito bem ali e sabia que seu carro aguentaria muito bem.
Pouco mais de 15 minutos que tinha chegado a trilha viu um carro tombado. Acidentes eram comuns naquele trecho, ela sabia. Mas observando um pouco, se questionou se havia sido mesmo um acidente.
Viu marcas de um automóvel diferente do seu e do tombado. Parecia ser de um veículo grande, o que explicaria o estado do carro.
Eram duas as possibilidades, ou tratava-se de um sequestro ou de tentativa de assassinato. Mas ela estava de folga, então Castiel que se virasse.
Ela já estava com a mão na maçaneta da porta de seu carro, mas então algo lhe impediu de abrir a porta. Ela sentiu que devia observar melhor o carro.
Foi até o carro tombado para ver se havia alguém lá. Não dava pra enxergar. Lembrou-se que tinha luvas em seu carro, foi lá e buscou uma em seu porta-luvas. Era de borracha fina, perfeita para isso.
Voltando ao carro tombado ela abriu uma das portas traseiras e deparou-se com um bebê desmaiado, olhou para os bancos da frente, para verificar se havia alguém ali. Viu um casal, ela pensou em verificar se respiravam, mas preferiu verificar a criança antes.
Sim! Ela estava viva. Murmurou um agradecimento a Deus por isso. Removeu a cadeirinha juntamente com a criança, optou por não mexer com o casal dos bancos da frente.
Pôs a criança com a cadeirinha no banco de trás de seu carro, deixou firme e segura pelos cintos. Pegou um bloco e uma caneta que sempre deixava em seu carro e escreveu um bilhete para Castiel. Obviamente decodificado para que só ele compreendesse:
PNP RAPBAGERV HZ OROR
ANO QVTN CNEN AVATHRZ
GRERV DHR ZR NHFRAGNE CBE ZNVF QR HZ NAB
IBPR FNOR
CNEN FRTHENAPN QRYN
ZR QRFPHYCR
FRAGVERV GHN SNYGN
CRARYBCR
Pegou um celular descartável e ligou para ele.
‘Cas, rastreie esse número. Urgente! Tem um carro tombado e duas pessoas muito feridas. Não quis mexer nelas para não dificultar o trabalho da perícia.’
‘Você está bem?’ Castiel parecia preocupado
‘Sim. Venha logo!’ Penélope respondeu e jogou o celular no banco de trás do carro. Feito isso, pôs o bilhete no vidro de trás do carro, abriu a janela da porta por onde tirou o bebê e depois a fechou.
Dirigiu-se ao seu carro, sentou-se no banco do motorista e suspirou.
‘O que eu estou fazendo? Nunca cuidei de uma criança na vida. As pessoas costumam dizer que se você dá conta de cuidar de um bichinho, pode cuidar de uma criança. Tolice! Crianças e animais não são a mesma coisa. Crianças choram por nada, fazem manha e sabem bem ser manipuladoras. Vivi em um orfanato praticamente a vida toda, eu sei como funciona. Não sei se posso fazer isso.’ Penélope pensava a respeito, olhou para a criança que estava no acento traseiro. ‘O que vou fazer com você? Não posso deixá-la com teus pais. Se eles foram assassinados é claro que os responsáveis não vão te querer viva. Eu me sentiria culpada se não fizesse nada a respeito. Já sei! Mas antes, preciso comprar algo pra comer, antes que eu morra de fome.
Abriu os vidros do carro e dirigiu até uma drive-thru encomendou uma batata, um mc chicken e uma sprite. Ainda bem que seu carro tinha um porta copos.
Parou em um lugar seguro e tranquilo, para comer e poder cuidar da pequena. Eram 13 horas já. Após comer voltou a dirigir, já sabia para onde iria, mas precisava avisar alguém antes. Apertou um botão no volante e falou:
‘Oi, aqui é a Penélope. Eu e o Cas vivíamos aí quando crianças, lembra-se de nós?’
‘Ah sim! Doce Penélope, como está?’
‘Bem. Podemos nos encontrar? Precisamos conversar.’
‘Claro! O Cas está aí com você? Ele também vem?’
‘Não.’
‘Tudo bem. Ele sempre foi um garoto bem levado mesmo.’
Penélope riu. ‘Ele não é mais assim. Infelizmente. Agora é um tirano! Cheio de regrinhas. O que o torna um chatonildo! Ele teve a audácia de ameaçar me demitir, acredita nisso?’
A senhora do outro lado da linha riu gostosamente.
‘Tchau, senhora Meredith.’ Disse Penélope, revirando os olhos com a atitude da senhora.
‘Até daqui a pouco, minha menina.’
Era assim que ela a chamava quando Penélope era pequena. 1 hora se passa, ela chega onde queria e liga para Meredith.
‘Senhora Meredith, estou onde nos encontrávamos quando eu era criança.’ Tratava-se de um labirinto feito de muros vivos. Quando pequena ela achava aquele lugar mágico. Para sua sorte ela ganhou a simpatia da velhinha que conhecia o labirinto com a palma da mão.
Sendo um local onde somente ela e a velhinha sabiam andar, era o lugar perfeito pra esse encontro. O labirinto ficava atrás do orfanato e pra ajudar, poucas pessoas tinham conhecimento sobre ele.
‘Já estou chegando, imaginei que você iria querer me encontrar aí.’ 30 minutos depois Meredith chegou.
‘Oi, minha menina, e quem é essa princesinha?’ Pergunta Meredith apontando para a bebê nos braços de Penélope.’
‘Não sei seu nome, encontrei-a em um carro capotado. Os pais estavam muito feridos, não sei se sobreviveram. Mas pode imaginar o que quem tentou matá-los faria com ela? Certamente não vai querer essa gracinha viva.’
‘Pobrezinha. O que espera que eu faça?’ Perguntou Meredith preocupada com a pequena.
‘Preciso que leve-a, diga que uma estranha lhe pediu para dar um lar a ela.’ Respondeu Penélope entregando a criança a Meredith. ‘Eu irei ao orfanato amanhã e a adotarei e talvez mais uma criança, para que ela não cresça sozinha e desde pequena aprenda a dividir suas coisas.’
‘Está bem! Mas eu avisei as nossas conhecidas que viria lhe ver, como faremos?’
‘Diga-lhes o mesmo que eu te disse e explique que é muito importante que mantenham a história.’
‘Está bem! Confio na minha menina’ Meredith lhe sorriu.
‘Obrigada Meredith, eu vou tentar ser tão boa mãe pra ela como você foi pra mim.’
‘Seja melhor do que fui.’
Enquanto Meredith ia para o orfanato Penélope ia para seu carro que estava estacionado em uma rua perto da entrada do labirinto que era oposta ao orfanato e dirigia até achar um hotel perto do mesmo.
Encontrou um hotel perfeito. Os funcionários do hotel eram gentis e educados e o quarto era mais do que excelente.
Não verificou se havia piscina, academia ou sala de jogos. Não ia ficar mais do que um dia então essas coisas não tinham tanta importância assim.
Deitada na cama, refletia sobre o tipo de criança que adotaria junto com a bela bebê. Uma pequena para brincar com ela? Uma grande para ajudá-la? Ou seria melhor ajudar um adolescente? Afinal de contas ela sabia como era difícil para os adolescentes, ela só foi adotada com 15 anos e não foi fácil. Quando adormeceu ainda não havia se decidido.
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