Determinada
2 Torpécia
Prinn
Abro meus olhos com uma certa dificuldade, não estou reconhecendo aonde estou, tudo é tão claro e azul, o ar está limpo e com um frescor, as coisas estão bem diferentes do que costumo me lembrar, mas espere aí, por que não estou deitada na minha cama? Olho para o que seria o chão e vejo meu reflexo na água.
– Que lugar é esse? Em Élisses não existem extensões de água nessa plenitude. -digo em voz alta questionando à mim mesma
– Isso aqui só é um pequeno pedaço das grandes extensões de água que Torpécia abriga. -uma voz angelical responde ao meu clamor, mas não sei de onde está vindo
– Torpécia? -pergunto confusa
– Sim, é onde você está.
– Como vim parar aqui?
Espero a resposta, mas a voz angelical some no ar e não consigo escutá-la, novamente me vejo sozinha nesse local desconhecido. Torpécia? Que diabos é esse lugar.
Não tenho noção de que horas são, mas com certeza já passou da hora da voz me responder, olho de novo meu reflexo na água e vejo que meu rosto está totalmente sujo, faço uma concha com as mãos e estou prestes a enfiar elas na água para arrastar esse líquido transparente até meu rosto, quando de repente uma criatura estranha pula ao redor de mim e se senta do meu lado na superfície. Estou assustada, é uma garota como eu, mas no lugar de suas pernas há uma calda gigante como a de um peixe.
– O que você é? –tento obter uma resposta
– Uma sereia, você nunca viu uma sereia antes? De fato você não é deste mundo. –enquanto ouço o ilustre som da sua voz, percebo que ela é dona da voz angelical
– Não... Em Élissis sequer existe mar. –falo com um tom de voz um pouco decepcionante — Ainda estou me perguntando como vim parar aqui, o que é Torpécia e por que estou aqui? São perguntas que talvez eu nunca descubra as respostas.
– Torpécia é um mundo mágico, onde existe diversas criaturas místicas. Pena que não posso te dar outras respostas, como, o porquê de você estar aqui e como veio. Mas sei de alguém que pode te ajudar.
– Sabe? –arregalo os olhos
– Sim, você está na floresta Whinkert, e aqui onde estamos sentadas é a beirada das extensões de água do lago falto. O mundo de Torpécia é meio limitado, e você está no centro dele, existem apenas dois caminhos que você pode pegar se quiser sair da floresta. Você pode ir pra direita e encontrará a cidade luz, ou pode ir pra esquerda e ir para o vale sombrio, o que não é uma boa ideia, até o nome já faz transparecer o quanto é horripilante e se deve evitar. Antes de escolher seu caminho siga as pegadas no chão e vá até a cabana da Sra. Black, ela pode explicar como você chegou aqui.
– Obrigada. Foi um prazer em conhecer, sou a Prinn! –estendo a mão para um cumprimento normal, mas ela apenas me encara e sorri, e eu fico com as mãos esticadas como uma idiota
– E eu chamo Lumina, quando quiser me visitar beba isto. –ela me entregou um frasco transparente com um líquido lilás – Até mais Prinn, também foi um prazer te conhecer.
Ela pula no lago com uma pirueta sincronizada no ar e some nas águas. Não importa como cheguei aqui, só sei que este lugar é diferente de tudo que eu já sonhara visitar, talvez aqui eu possa escrever meu próprio destino, e ser quem eu quiser.
Levanto-me da beira do lago e dou batidas na roupa amassada para tirar a poeira, agora é hora de seguir as pegadas no chão que me levarão pra Sra. Black. Caminho depressa para chegar antes que o sol se ponha, e eu me perca antes de encontrar essa cabana. A floresta se fecha atrás de mim a cada passo que dou, não consigo entender como esse fenômeno acontece, isso desafia as leis da física. Olho pro chão e as pegadas estão desaparecendo, que coisa esquisita. Paro de andar e observo ao redor, as pegadas sumiram, mas a cabana está bem perto de mim, apresso os passos e começo a correr. Paro em frente da cabana e ainda ofegante coloco a mão na barriga na tentativa de sanar a dor no abdômen que está me consumindo, finalmente cheguei, esse esforço valeu a pena.
Subo os degraus para a entrada da cabana e bato com delicadeza na porta, dando batidas leves. A porta se abre sozinha em uma pequena fresta, olho lá dentro e só vejo um lugar vazio e empoeirado, acho que aquela Sereia me mandou ao lugar errado, mas já que estou aqui o que custa entrar e dar uma olhada?
Continua...
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