Um galho batia fortemente na janela, e algo parecia se aproximar. Estava escuro, chovendo e só haviam sombras do lado de fora. Meu coração disparou de medo, e comecei a avistar as formas do que vinha. Era, ou pelo menos se parecia com um humano. A janela começou a se abrir e vi suas mãos. Brancas como neve, e dedos pontiagudos. Já havia visto aquilo, mas enquanto tentava me lembrar, o braço veio em minha direção. Só me restava gritar e tentar me proteger.

Estava em meu quarto. Sem criaturas estranhas, sem chuva. Foi apenas mais um maldito pesadelo...

Estava assustada, afinal, ninguem gosta muito de pesadelos. Olhei para os lados e minha irmã, Carrie Ann, de apenas 9 anos não estava em sua cama. Ela morre de medo de escuro, e nunca sairia do quarto sozinha, então resolvi andar pela casa em sua busca. Primeiro fui até o quarto de meus pais, para informa-los de seu sumiço.

Cama vazia. Meu coração disparou. Se algo tivesse acontecido com Carrie Ann seria a primeira a saber, pois como fico mais perto dela, seria a primeira com quem ela falaria. Meus pais poderiam estar sem sono, mas o que estariam fazendo fora da cama as 4 da madrugada? E foi quando uma luz intensa começou a sair de todas as janelas, portas e fendas. Vinha de fora, então corri para a sala de estar. Foi quando encontrei minha irmã, de pé, com uma expressão estranha, em frente a porta de entrada.

- Carrie? Está tudo bem?

Ela apenas levantou seu braço e apontou para a porta dos fundos, na cozinha. Olhei e ouvi um grito saindo de lá. Me virei e fui naquela direção. Abri a porta e a luz que saia era tão forte, tão intensa que parecia me cegar. Comecei a sentir minhas pernas bambas e a ter alucinações. Foi quando senti que iria desmaiar, e sentei no chão, ainda sem enxergar nada do que estava a minha frente. Uma lembrança começou a vir em minha cabeça, uma lembrança que durante anos lutei para tentar esquecer, e agora não conseguia controlar, estava cada vez mais perfeita em minha mente.

Foi no verão, há 4 anos atrás. Meus pais, minha irmã, meu namorado e eu estavamos passando as férias em uma fazenda. Estavamos todos em uma região isolada do local, em um pomar colhendo algumas frutas. Ouvimos um grito forte vindo da casa. Quando chegamos encontramos o caseiro no chão. Duro, com os olhos abertos, e com a pele cinza. Parecia que estava morto há semanas, o que não era possivel, pois ouvimos seu grito alguns minutos antes. Um barulho estranho saiu da cozinha da casa, e meu pai resolveu pegar um machado e entrar. Minha mãe chorava de desespero, minha irmã de apenas 5 anos na epóca, tentava entender o que acontecia, e Jhonny, meu namorado observava tudo com um ar de espanto e medo. Eu não estava assustada, apenas ficava olhando aquele pobre homem. Reparei que ele estava segurando uma rosa vermelha na mão. A flor era linda, e parecia ter sido recem colhida. Vi uma luz forte vindo da casa e todos corremos para lá. Meu pai estava paralisado em frente a cozinha, e sons estranhos saiam de lá dentro. Todos andamos com muita cautela, pois poderia ser um animal, e não queriamos assusta-lo. Jhonny acabou tropençando no tapete da sala, e o barulho parou. Senti que algo iria acontecer, o animal nos atacaria ou algo do tipo, mas vi apenas um homem, ou algo parecido com um homem levantar. Era branco, esguio e brilhava como uma lampada. Ele olhou na direção de Jhonny, e começou a se aproximar dele. Olhei assustada para minha mãe e irmã, mas parecia que as duas não viam nada. Estavam encarando o vazio, como se nada estivesse por lá. Por alguns segundos pensei ser alguma alucinação minha, afinal, estava tomando alguns remedios que ultimamente não haviam me feito muito bem. Mas olhei para Jhonny e vi ele encarava a criatura do mesmo modo que ela o encarava. Ele se aproximava cada vez mais, e comecei a entrar em desespero. Aquilo provavelmente matou o caseiro, então poderia fazer o mesmo com meu namorado. Sabia que não tinha forças para protege-lo e tambem desconhecia aquela criatura, nunca havia visto algo desse tipo. Então apenas me sentei no chão e comecei a chorar incansavelmente. Foi quando o suposto monstro se virou na minha direção. Depois disso só me lembro de ter acordado em um hospital.

A lembrança passou, e percebi que ainda estava sentada em frente a porta dos fundos. Decidi que iria entrar, pois o grito que ouvi parecia ser de minha mãe, e tinha que pelo menos tentar protege-la do que estivesse lá.

Entrei no jardim e esperei até que meus olhos se acostumassem com a claridade. Aos poucos fui vendo algumas maquinas e silhuetas circulando. Havia algo grande em um canto, algo tão grande quanto minha casa inteira. Comecei a ouvir zumbidos e barulhos estranhos. Depois de algum tempo meus olhos já estavam exergando normalmente, e pude ver o que acontecia.

Eram as criaturas. E estavam com meus pais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.