Destroyed: a águia, a cobra e o escaravelho
1 Descenso
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É fácil a descida ao inferno.
A porta do tenebroso inferno fica aberta noite e dia,
todavia, o regresso até acima, à atmosfera clara do céu,
passa por um caminho duro e penoso.
—Virgílio, a Eneida.
O silêncio dominava Aberdadon, agora iluminado apenas pela brilhante lua cheia. O antigo castelo milenar construído por Luz assim que ganhara a batalha contra o Vazio se encontrava em ruínas, todo musgo e vegetação queimava no alto da colina por conta do ódio do Luz da Manhã.
A cobra tentava inutilmente acalmar os ânimos entre pai e filho — ambos exalavam rancor e decepção —, o Arcanjo Similar se encontrava paralisado com a cena, assim como todos os seus irmãos. O enorme relógio em estrutura de madeira detalhado em ouro e prata se encontrava de pé mesmo após toda destruição, seus ponteiros prestes a cruzarem os caminhos. Quando o badalar soou todo castelo tremeu, a cobra se colocou entre os dois temendo o pior e implorou para que houvesse paz. De nada adiantou seu pedido, pois, quando o relógio badalou pela décima segunda vez a Terra choramingou.
A águia empurrara o escaravelho colina abaixo com toda sua dor, deserdando-o das boas graças, fazendo com que o ódio dominasse o corpo traiçoeiro a fim de corromper as asas brancas. A pobre cobra se martirizava por não manter o equilíbrio, tentando com toda força que tinha acalmar a Terra que chorava ao sentir Luz da Manhã cair em seu solo. Não haveria mais absolvições, a atmosfera ao redor era sombria, como se tudo que fosse vivo gritasse avisando que o pior estava por vir.
A Terra se lamentava enquanto via o escaravelho marchar ferido até as profundezas, profanando tudo aquilo que era amado por seu pai no caminho, transformando todos aqueles com um sinal de perversidade em seguidores.
O Luz da Manhã aceitou seu destino, aceitou que era fácil a descida ao inferno.
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