Destiny (HIATUS)
13 O Encontro
Notas iniciais
"No instante da distração, quando não se espera mais nada da madrugada, é que as melhores coisas se dão..."
Camila Custodio
Após um bom banho de mar, como forma de relaxamento, voltamos para a casa de Drew, onde ficaríamos por hora e ao entrarmos, nos deparamos com algumas pessoas na sala de estar, todos a olharem para nós.
— Boa noite! — Drew foi o primeiro a falar, em tom de ironia. — Não seria cedo demais para voltar? Achamos até que tivessem fugido.
— Eu nunca fujo, você mais do que ninguém deveria saber disso. — Apontei e ele sorriu de lado para mim.
Eu e Drew havíamos vivido tanta coisa juntos, que não teria como ele não saber aquele ponto importante de minha personalidade, já que apesar de tudo, eu sempre me mantive firme diante das muitas dificuldades que enfrentei em minha longa vida.
— Sim, eu sei — Afirmou ele. -, mas há sempre uma primeira vez para tudo.
— Temos a eternidade para testarmos essa teoria. — Coloquei com um dar de ombros, mostrando que realmente não fugiria.
— Eu não disse que ela era pior que o Drew? — Ouvi uma voz estranhamente conhecida comentar um pouco baixo, chamando minha atenção, me fazendo encarar o garoto de olhos azuis tão peculiares, que havia falado diretamente com uma garota de cabelos negros, que se parecia com ele em alguns pontos de sua feição, como por exemplo o formato do rosto, na verdade, a maior diferença entre eles, além dos olhos, o tamanho do cabelo e o sexo era o fato de que ela era uma vampira.
— Me parece que não exagerou. — Ela respondeu, olhando fixamente para mim, não me parecendo ser muito amigável, o que pouco me importava, afinal, não estava ali para fazer amigos, talvez aliados, mas isso eu veria mais para frente.
— Não, eu disse que ele não havia exagerado, Lucy — Drew voltou a falar, indicando que aquela era a sua nova companheira, a que o ajudava com a boate.
A analisei de cima a baixo, querendo medir uma das minhas sucessoras e devo admitir que ela não era nada mal, consegui entender o motivo para ele a ter escolhido como fixa, além do fato dela ser útil para os negócios, tinha um corpo bonito e traços bem desenhados.
— Então você é a "famosa" Lucy? — Questionei, sem controlar o fio de escárnio que se entrelaçou em minhas palavras, assim que elas saíram de minha boca.
Muitos diriam que é despeito, mas eu nego. Somente estava retribuindo a gentil e amável forma com que ela me olhava, porque, como eu mesma havia afirmado anteriormente, não costumo fugir do que quer que fosse e se não faria isso com Cameron, com certeza não era uma vampirinha de quinta que me intimidaria.
— Famosa? — Olhou para Drew, com um sorriso contido, mas logo voltei a ser seu foco.
— Claro, ouvi algumas coisas sobre você. — Disse simplesmente, não estando com ânimo para arrumar mais confusão naquele dia, ao mesmo tempo que não queria recuar.
— Você também é bem famosa por aqui. — Seu ciúmes chegava a ser quase palpável e isso por pouco não me provocou um ataque de risos.
— Jura? — Perguntei fingida, colocando a mão no peito, como se sua declaração me surpreendesse. — Que interessante.
— Com toda a certeza. — Replicou Drew um pouco sugestivo e eu revirei os olhos, algo que estava se tornando comum para mim, desde que despertei.
— Poderia me indicar onde fica o meu quarto? — Quis saber, sem paciência para continuar jogando. — Não estou no meu melhor dia.
— Nunca está. — Rebateu, mas se levantou, sorrindo abertamente para mim, dando alguns passos na direção do corredor, mas antes que pudesse seguir o caminho que me levaria até o cômodo requisitado, mãos em seu braço o impediram de continuar.
— Eu cuido disso. — Falou a morena de olhos negros, tomando a frente, como se eu e ele fossemos nos agarrar loucamente pelo caminho, me provocando um riso espontâneo, contudo, breve. — Me siga.
Eu olhei para Rick, dei um beijo em sua bochecha, fui até o garoto de olhos azuis e fiz o mesmo, deixando Drew por último, somente para me demorar um pouquinho mais nele, provocando de leve a garota, que já estava bem ciosa.
A segui, até porque não importava quem me levaria, desde que eu chegasse ao lugar onde esperava que ninguém me incomodasse e teria um pouco mais de paz para poder pensar mais claramente, botando minha cabeça no lugar.
— Aqui. — Anunciou, parando ao lado de uma porta, se virando em seus saltos para poder ficar de frente para mim. — Espero que goste, era meu, mas como teríamos de hospedar todos vocês, precisei me mudar para o quarto do Drew. — Informou-me, mostrando grande interesse em que eu soubesse que ela estava com ele.
— Que pena! — Decidi provocar ainda mais, só porque ela estava agindo de forma tão ridícula comigo, além do fato de que não seria eu se não fizesse isso. — Se quiser pode continuar com o quarto, eu não me importo.
— Não, muito obrigada pela gentileza. — Disse com raiva explícita no seu olhar, deixando a situação deliciosamente hilária e isso me fez imaginar o que ela faria se soubesse que na noite anterior, seu querido objeto de posse havia tentado algo comigo.
— Então tudo bem. — Sorri cinicamente. — Tenha uma boa noite! — Desejei falsa e entrei, fechando a porta na cara daquela vaca, que não iria querer continuar com aquela porcaria de joguinho, senão seria uma peça para descarte, já que provavelmente não me ajudaria, nem era alguém importante.
Olhei em volta e vi que a cor do quarto era branca, com detalhes em preto, não sendo novidade para mim. Havia uma penteadeira grande, com um espelho e foi nele que vi meu reflexo pela primeira vez depois que saí de meu cárcere.
Meu rosto não aparentava meu cansaço, meus cabelos molhados da água do mar, estavam mais lisos que o normal e eu precisava de um banho urgente, para ver se aquela tensão toda sumia de uma vez por todas, mesmo tendo certeza de que isso não aconteceria tão cedo.
Abri a primeira gaveta da penteadeira existente ali, para me certificar se havia algo decente para vestir, entretanto, o que encontrei foram apenas alguns pedaços de pano, que assim como aquele vestido que eu ainda estava usando, não cobriam o suficiente para serem considerados roupas.
Vasculhei as outras gavetas e encontrei um pijama, junto das peças íntimas e por acaso ele era no mesmo estilo que o resto das coisas que se encontravam ali e apesar de não me importar em dormir com aquilo, fiquei imaginando o que vestiria no dia seguinte.
Saí do quarto e voltei para a sala, onde eles ainda se encontravam. — Tem alguma roupa aqui que sirva em mim? Estou querendo tomar um banho. — Comuniquei assim que os vi.
— Não olhou na cômoda? — Lucy questionou e eu ri em chacota.
— Aquilo não é roupa — declarei. -, está mais para restos do que um dia foram roupas.
— Bom, é aquilo que tem. — Anunciou ela, com um tom de voz que esbanjava indiferença e superioridade. — Se não gosta das minhas roupas, acho melhor se virar para encontrar outras, mas já vou avisando, vai ser meio difícil agora.
— Tudo bem, querida. — Se ela queria me fazer diminuir por causa dela, estava totalmente enganada. — Não preciso usar isso para dormir. — Sua boca se abriu em descrédito e ela tentou formular uma resposta, entretanto, antes que ela conseguisse, me virei e retornei para o quarto que me fora indicado como meu.
(...)
Não conseguia dormir, talvez por ter tantas coisas na cabeça, ou até mesmo por ter dormido demais nos últimos tempos, mas isso não vinha ao caso. Decidi me levantar, já que não iria conseguir descansar nem meu corpo, nem minha mente naquele momento.
Calcei meu chinelo e me pus a andar, no intuito de me distrair um pouco. Percebi que todos já haviam ido para seus respectivos quartos, então tudo indicava que a casa estava totalmente sossegada, a não ser pela fraca luz e os sons baixos que vinham da sala.
Resolvi verificar quem era, mesmo não estando com vontade de ter companhia, então fui até lá e pude ver o mestiço jogado no sofá grande, com uma camiseta colada ao corpo e uma calsa surrada, assistindo ao que me parecia ser um filme antigo de ação.
— Insônia? — Me perguntou olhando para o aparelho de televisão, antes que eu pensasse em falar algo.
— Não te interessa. — Repliquei e recebi um sorriso em troca.
— Sabe, não precisa ficar na defensiva comigo, é minha irmã que te odeia, não eu. — Argumentou, sem deixar de sorrir, ainda sem me encarar.
— Não estou na defensiva, só não me preocupo em ser educada com você, nem em te dar satisfação da minha vida. — Rebati e ele levantou as mãos em sinal de rendição.
— Tudo bem então, não está mais aqui quem falou. — Era claro que ele estava se divertindo com a situação e devo dizer que isso me intrigava desde que nos falamos pela primeira vez, pois não era sempre que alguém apresentava esse tipo de comportamento comigo, principalmente alguém que acabara de me conhecer.
— Ah! A propósito — Me analisou de cima a baixo. — Achei que não fosse precisar disso. — Comentou ao se lembrar de minhas palavras de mais cedo.
— Aquilo foi só para provocar sua irmã — esclareci, até porque eu não era tão sem noção a ponto de fazer o que sugeri. -, ela já estava me dando nos nervos.
— Percebi. — Respondeu, mas era óbvio que sua atenção ainda estava voltada para meu corpo e isso massagem a meu ego, que já não era tão pequeno assim.
— Que filme é esse? — Quis saber, quebrando o silêncio que se formou após sua fala.
— Na verdade eu não sei. — Anunciou com um dar de ombros, parando de me analisar descaradamente. — Comecei a ver quase agora e até agora não sei muito bem.
Novamente a quietude se fez presente e por algum motivo isso me incomodou, talvez pelo fato de estar precisando de distração e o silêncio não ser o melhor caminho para se conseguir isso e foi exatamente pensando nisso que o quebrei mais uma vez.
— O que aconteceu com você depois que os Fortis te pegaram? — Perguntei, mais por não ter assunto do que por real curiosidade.
— Um deles tentou beber meu sangue depois de você ser pega, mas ele morreu depois de alguns minutos, como sempre acontece, então o outro nos levou para seu padrasto e ele fez algumas experiências com meu sangue. — O garoto falava com monotonia explícita na voz, fazendo parecer como se tivesse sido algo banal, que acontece todos os dias.
— Que tipo de experiências? — Quis saber, dessa vez um pouco mais interessada.
— Não sei. — Deu de ombros novamente, parecendo não se importar com essa informação.
— Alguém faz algum tipo de experiência com o seu sangue e você não quer nem saber o motivo? — Perguntei um pouco incrédula.
— Não. — Respondeu simplesmente. — Isso não me importa.
— Nossa! — Exclamei. — Você é mais burro do que eu pensava. — Não pude deixar de comentar enquanto me sentava no outro sofá.
— Burro? — Sua sobrancelha esquerda se levantou e eu tive que rir, pois não era possível que ele fosse tão alienado assim de si mesmo, já que até para um humano isso seria demais.
— Sim, burro. — Confirmei, sem nem pensar duas vezes. — Você é tão idiota que chega a ser engraçado.
— Nossa, digo eu. — Sua expressão ficou neutra. — Mas se quer saber, seu "amiguinho" disse que eram sobre a toxina do meu sangue e esse tipo de coisa. — Tentou se explicar.
— E você acredita que seja só isso? — Inquiri, presumindo estarmos falando de Cameron. — Ele não sabe ser muito honesto.
— Eu sei, mas não teria motivos para ele mentir sobre isso, teria? — Questionou-me interessado em saber minha resposta e eu analisei as possibilidades.
De imediato eu não saberia informá-lo sobre aquilo, não era de se duvidar disso, porém, por hora, não via razão para tal coisa, então resolvi me calar apenas.
— Tenho a leve impressão de que você não confia nem um pouco nele. — Disse. — Me parece paranoica com relação a esse cara.
— Talvez você também não devesse confiar. — Respondi já me levantando, pretendendo encerrar a conversa por ali e evitar mais perguntas, indo até a cozinha.
Segui na direção que me lembrava ser a certa, pelo que me recordava da casa do dia em que acordei e ao chegar até lá, abri a geladeira, não me interessando por nada do que estava ali, fui até as prateleiras do armário e abri todas, sendo também infeliz em minha busca.
— O que você está procurando? — A voz do garoto me fez olhar para ele, que estava encostado no batente da porta.
— Não sei exatamente. — Refutei, não compreendendo ao todo aquela mania que ele tinha de me seguir.
— Parece que esse é um tipo de resposta automática para quase todas as perguntas que te faço. — Apontou e o vi, por meio de minha visão periférica, cruzar seus braços na frente do corpo.
— E me parece que me perseguir é algo "automático" para você. — Rebati seca como sempre.
Continuei procurando algo, sem dar muita atenção para ele, até que encontrei os copos e resolvi tomar um pouco de água, só por tomar. — Além do mais, se não gosta de receber tais respostas, não deveria continuar dialogando comigo.
— Também acho — Anunciou e pensei que ele iria me deixa sozinha, mas o mesmo continuou após uns segundos. -, o único problema é que independente de não conseguir manter uma conversa normal por mais de um segundo, você continua sendo excepcionalmente interessante.
— E porque me acha tão interessante? — Quis ouvir de sua boca, apoiando-me na bancada, o encarando diretamente, enquanto ele se aproximava lentamente.
— Eu não sei exatamente. — Repetiu cinicamente minha resposta, me fazendo rir por isso. — Está meio difícil de entender, mas deve ser esse seu jeito superior, combinado com o fato de você ser muito gostosa. — Ele estava a minha frente, a um passo de mim e seus olhos se prendiam aos meus, demonstrando certo desejo, o que me fez sorrir maliciosamente para ele.
Talvez aquilo fosse exatamente o que eu estava precisando naquele instante, a distração perfeita para que eu pudesse me sentir um pouco melhor, por isso não perdi tempo e deixei de lado meu copo, colocando uma de minhas mãos em seu peito, mordendo o lábio inferior.
— Bom, então sugiro pularmos a parte da conversa, o que acha? — Falei provocante, descendo as mãos até seu abdômen, ainda por cima do tecido de sua roupa.
— Com o maior prazer. — Respondeu provocante, pouco antes de eu o puxar pela camiseta, trazendo-o para mim e atacando sua boca, enquanto ele agarrava fortemente minha cintura fina, passando sua mão livre por meu corpo, nos prendendo um ao outro.
Com toda a certeza eu tinha feito uma boa escolha, afinal, aquele clima voraz era algo que eu amava e além da pegada que ele tinha ser incrível para um humano, eu realmente estava precisando de alguma forma para aliviar o que estava dentro de mim e nada melhor que sexo para fazer isso.
Ele parou o beijo, por precisar de ar e pude perceber sua respiração totalmente descompassada, ainda assim, não parou nem sequer por um segundo de me acariciar, descendo beijos, mordidas e chupões por meu pescoço, ao mesmo tempo que apalpava com destreza desde os meios seios, até chegar em minha bunda.
Nos beijamos novamente e não havia nada mais que puro desejo envolvido naquilo, não era como se tivéssemos algum dever um com o outro que não fosse o de satisfazer. Ele me levantou em seu colo, sem parar de explorar minha boca com a sua e eu deixei que me levasse para onde quer que fosse.
Não me importei onde estava, nem mesmo quando ele tão ferozmente me jogou sobre uma cama, vindo para cima de mim como um animal sedento, na verdade eu estava adorando aquilo, mais até do que imaginei.
Passei as unhas por suas costas, cravando elas na parte superior da mesma, escutando logo em seguida um gemido sair por sua boca, como uma promessa gutural de que aquela noite seria ainda melhor do que o esperado.
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