Destiny
7 Minha nova vida: Parte 3
Notas iniciais
Quando me levantei, vovó e Nick já tinham partido de volta à Los Angeles. Muito cedo, por sinal, já que tio Shue e Emma me fizeram acordar mais cedo que o que seria considerado normal para um aluno, já que teríamos que resolver o problema de eu lecionar sem ter idade e licença pra isso com o Figgins. Mas, tudo bem, eu não tinha problemas em acordar cedo. Fui tomar um banho para tirar o cansaço do corpo. Entrei debaixo do chuveiro e deixei com que os pensamentos, assim como a água, fluíssem. “O que será que vai acontecer agora?” me perguntei. Era uma ótima pergunta, por que, realmente eu não tinha um plano b caso tudo desse errado, como aconteceu. Tio Will obviamente seria contra eu trabalhar e estudar, no mesmo local, mas eu realmente queria fazer isso. Ganhar meu próprio dinheiro e tudo mais.
Desliguei o chuveiro. Já estava há tempo demais ali. Sequei-me e fui me vestir. De um jeito que eu não estou acostumada. “Se você vai ficar aqui, tem que se vestir de um jeito decente, como uma mocinha.”, foi o que vovó me dissera. Ela realmente tinha trazido umas roupas minhas pra cá, umas roupas muito, digamos, muito fofas. Fofas demais pro meu gosto. Mas, eu daria meu jeitinho. Já que agora eu seria uma aluna, teria que me vestir como uma. Coloquei um vestido com manguinhas “frufru” levemente florido, só que em vez de sandália ou uma sapatilha, como vovó queria, coloquei meus All Star cano alto, dobrado, preto com rosa. Desculpem-me, garotas, mas era o mais “fofa” que eu conseguia ficar, na aparência. Eu sou feminina, eu só não gosto muito de me vestir assim. Ah, claro, o que não poderia faltar, minha jaqueta. Eu sempre a usava, mesmo no calor da Califórnia. Agora, eu tinha um motivo pra realmente usá-la e as pessoas não ficarem reclamando. Ohio não era tão quente assim, e estávamos no outono. “Ainda não tá legal...” pensei, então, coloquei um cinto. Perfeito. Depois que me troquei, fui pra sala de jantar tomar o café da manhã. Cumprimentei Tio Will e dona Emma e fui sentar-me com eles.
- Bom dia, Jessie – Havia respondido Emma, com um sorriso no rosto, que, pelo jeito, era habitual. – E, por favor, não me chame de dona, Sra. ou Srta. , afinal, eu sou espos... – Ela iria dizer esposa, mas não terminou. Era óbvio que havia um conflito entre eles sobre isso. – Quase esposa de seu tio. Nós já estamos preparando as coisas para o casamento! – Disse ela, animadamente.
- Tá bom. – Eu disse. – Então, posso chama-la de Tia Em? – Perguntei, um pouco envergonhada. Ela sorriu.
- Claro que pode Jessie. – Ela me respondeu e eu assenti positivamente com a cabeça. Algo me dizia que seria muito legal morar com esses dois.
***
- Ah, havia me esquecido, mocinha. – Tio Shue me disse quando estávamos na garagem do edifício. – Sua avó e eu chegamos a um acordo. – Disse ele, tirando as chaves da moto de minhas mãos. Olhou em meus olhos e continuou. – Nada de moto até você fazer dezesseis aninhos. – Disse me dando um beijo no rosto. Fiquei paralisada por alguns segundos. Dei-me conta de que estava ali e andei rápido atrás dele, dizendo:
- Ah, qual é tio?! – Disse. – Eu dirijo muito bem. Quando se dirige bem, não se precisa de uma licença pra dirigir.
- Precisa sim mocinha. E se acontecer um acidente com você? – Perguntou. Ele tinha razão, eu não havia parado pra pensar naquilo. – A culpa será toda minha, já que vou assumir sua guarda legal, ainda hoje, se possível. – Lancei lhe um olhar curioso. Geralmente esse tipo de processo demorava. Muito. Ele logo entendeu meu olhar de surpresa. Até nisso ele se parecia com meu pai. – Eu sei que é confuso, mas sua vó já adiantou tudo pra gente, já que é uma mulher com influência. – Ele disse, parando em frente ao carro. – Vamos, não é tão ruim assim ir pra escola no carro do tio, né? –Não pude deixar de rir da cara de cãozinho sem dono que ele fez. Entramos no carro, inclusive Emma, que, por não ter dito uma palavra se quer desde que descemos pra garagem, não me dei conta de que estava ali.
- O senhor tem razão tio. – Eu disse, fechando a porta de trás do carro. – Agora vamos logo, temos assuntos importantes a tratar no colégio.
***
- Como assim? – Havia dito Figgins, indignado. – A senhorita não havia me dito que era menor de idade!
- Eu não disse exatamente porque eu queria um emprego. – Respondi. – E o senhor foi... – Me interrompi, iria dizer burro, mas resolvi mudar de palavra, afinal, isso não era jeito de tratar o próprio chefe. – Digamos que o senhor foi extremamente inocente em acreditar em minha pequena mentirinha.
- Como eu não percebi? – Disse o diretor, colocando as mãos no rosto. – E você, Shue, por que não me avisou nada?
- Eu não sabia de nada Figgins. – Disse meu tio, na defensiva. – E, não venha colocar a culpa em mim, por que não fui eu quem contratou uma GAROTINHA – Ele fez questão de dar muita ênfase na palavra “garotinha” – De 15 aninhos. – Terminou e Figgins ficou ainda mais envergonhado. Fiquei com pena dele e disse:
- Pega leve tio Shue, não foi culpa dele. Não foi culpa de ninguém, apenas minha. – Disse. – E o senhor, diretor Figgins, realmente não tinha como saber que eu e tio Shue tínhamos algum tipo de parentesco, porque eu não usei o meu último sobrenome. Exatamente para não me identificarem. A culpa não é de vocês que eu fui esperta demais. Bom, nem tão esperta assim. – Terminei, ruborizada. Afinal, a minha esperteza fora tanta, que eu havia sido descoberta em poucos dias.
- É você tem razão Jessie. – Meu tio disse. – Me desculpe Figgins. Mas, agora, o importante é decidir o que vamos fazer com a mocinha aqui. – Disse tio Shue, apontando para mim, que, mais uma vez, ruborizei.
- Você tem razão Shue. – Disse Figgins. – Não temos como manter uma professora menor de idade no colégio. A senhorita deve estudar e não lecionar. Eu realmente sinto muito, mas a senhorita está demitida, Jessie. – Disse ele, decepcionado. – Ah, só uma coisa, como a senhorita só trabalhou um dia, não tem por que eu lhe pagar! – Continuou, desesperadamente.
- Olha. – Eu disse. – Eu posso ser menor de idade, mas eu consegui fazer um garoto, como é o nome dele mesmo? – Coloquei a mão na cabeça para tentar me lembrar do nome do menino do moicano e de seu amigo alto e bobo. – Ah, sim. Consegui fazer um tal de Noah Puckerman e até mesmo seu amigo, Finn Hudson aprenderem os passo para se resolver uma expressão corretamente. – Disse, com orgulho. Nesse momento, eles ficaram com os olhos arregalados. – Imagino que, pela expressão surpresa de vocês, eles não sejam alunos muito inteligentes.
- Não são mesmo. – Disse o diretor, que recebeu um olhar desgostoso de Tio Will. – Me desculpe William, mas eles são uns dos piores alunos desse colégio! – Continuou surpreso. – Como você... Uma garota 2 anos mais nova conseguiu ensinar a eles em uma única aula o que diversas professoras muito mais velhas e com muito mais experiência tentaram ensinar há 12 anos e não conseguiram!
- Me desculpem gente. – Eu disse, educadamente. – Mas diploma não define habilidade. Na minha aula, por exemplo. Pude ouvir algum desses alunos dizendo que a melhor parte do dia deles é estar no CLUBE DO CORAL. Uma atividade extracurricular que, provavelmente é lecionada por alguém sem diploma específico para isso, mas com um talento nato. – Terminei, para ver o sorriso satisfeito de Tio Shue, que tanto me lembrava de meu pai, e pude perceber que ele tinha algo a ver com essa história de coral. Algo que eu logo descobriria.
- Bom, já que você é tão boa assim – disse o diretor da escola – eu não vejo porque tirá-la de seu cargo. – eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Eu poderia mesmo lecionar? Queria pular de alegria, o que, obviamente não era necessário, já que aquela satisfação estava estampada em meu rosto.
- O senhor está falando sério? – Eu disse, desacreditada e ele assentiu com a cabeça, sorrindo. – Por que, se estiver, pode acreditar que eu aceito. – Eu estava tão feliz que até me embolei com as palavras. – Quer dizer, eu terei a oportunidade de trabalhar e estudar na mesma escola, então, nem vai ficar tão pesado assim. E, eu posso dar aula no meu período livre, pelo menos até o senhor arrumar outra professora, por que eu não vou dar conta de tantas turmas e isso é ilegal e eu não quero complicar o senhor.
- Bah! – Exclamou ele. – Que complicar coisa nenhuma. Você vai é nos ajudar. Mas eu realmente vou começar a correr atrás de outra professora. Por mim está tudo certo.
- Por mim também. – Disse, mas percebi a cara que meu tio fez e logo olhei fixamente em seus olhos com meu melhor olhar de gato de botas. – E você tio Shue? Concorda? Porque se não concordar, tudo bem... – Terminei. Ele me olhou, depois olhou para o Figgins. E, depois, olhou dele pra mim e de mim pra ele. E, finalmente, deu a sentença.
- Ok – Disse ele. – Eu aceito. – Nesse momento, eu não pude conter a alegria e o abracei forte. Ele retribuiu o gesto e completou com um "desde que isso não atrapalhe seus estudos" abafado pelo meu abraço sufocante.
- Claro que não vai Tio. – Eu disse, confiante. – Pelo contrário, isso vai melhorar meu desempenho em uma matéria da qual eu não sou fã. – Ele riu. Figgins riu. Eu ri. Depois disso, eu peguei um papel com meu horário e saímos da sala do diretor e fomos direto em direção à sala dos professores, Emma estaria nos esperando lá. Antes de chegarmos lá, eu perguntei:
- Tio Shue, por que o senhor ficou tão animado quando eu falei do Clube do Coral?
- Simplesmente porque EU sou o tal professor com talento que mencionaste, minha cara. – Disse titio, todo orgulhoso, para minha surpresa. – E – continuou. – É bom saber que até pessoas que não conhecem meu trabalho o admiram.
- Que bom saber, tio Shue. – Eu disse. – Parece que a minha parte da família não é a única com talento musical. – nisso, ele me olhou, curioso. – Me diz uma coisa, tio Shue. – Paramos de andar. Havíamos chegado na sala dos professores. – O que eu tenho que fazer pra entrar nesse tal de Clube do coral? – Perguntei, arqueando uma sobrancelha, desafiadora.
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