Destinos Eternos
6 Cap. VI
Notas iniciais
Nenhum dos dois tocou no assunto da frase interrompida, ambos seguiram silenciosos pelo caminho até o salão. Hera começou a acomodar todos em seus devidos lugares e quando passou por Ares colocou uma pequena caixinha prateada em seu bolso e lhe sorriu. O Deus rapidamente percebeu o que era e olhou Afrodite que conversava de forma animada com algumas ninfas.
Afrodite sentiu um olhar em sua direção, ela rapidamente desviou o olhar para Ares e lhe sorriu de uma forma meiga, uma forma que fazia até teu coração gelado derreter-se, ela sentou no lugar que Hera lhe indicava, ao lado direito de Ares. Durante o jantar, seus braços se tocavam, alguns olhares tímidos se cruzavam. Por ser um casamento “forçado” decidiram não fazer nenhum pedido na frente de outros convidados, afinal... nenhum deles poderia fugir desse compromisso.
O jantar transcorreu de forma calma, nenhuma criatura ousaria fazer algo que causasse a fúria de Hera. Após o jantar, alguns dançavam, outros bebiam, outros conversavam. Ares tentava dar a atenção a todos que falavam com ele, todos parabenizando a sorte do destino dele, afinal, era a Deusa mais amada e disputada do Olimpo e ele teria ela só para ele. Dentre todos que passavam falando com ele, seu olhar estava sempre em direção de Afrodite, até que em um determinado momento ele não a viu mais.
Afrodite andou em passos rápidos em direção a pequena praia, ela gritava o nome de sua mãe, já haviam se passado vários minutos e nenhum sinal de sua mãe. Afrodite deu um longo suspiro quando ouviu a voz de sua mãe.
– Acalme-se minha filha, o que está acontecendo? – Disse o Mar para a jovem Deusa aflita.
Afrodite segurou as lágrimas. E falou de forma rápida e quase enrolada.
– Como poderei viver toda a eternidade ao lado dele, minha mãe? Ele... Ele é tão diferente de mim, Ares pensa em guerras, eu penso em amor. Ares quer sangue, destruição, separação. Eu quero filhos, união, construção. Não sei como isso poderá dar certo. – Ela abaixou a cabeça, sem conseguir mais conter as lágrimas que desciam em eu rosto. Ela sentou-se próximo do mar e apoiou suas mãos no rosto.
Sua mãe riu de forma amena, estava como sempre, calma e serena. Suas ondas vinham e voltavam lentamente.
– Minha querida, sabe que vivi um pouco mais que você. E com isso, aprendi muito e vejo muito mais. Então, te darei um conselho... Abra seu coração, você mesmo admite que não sabe nada de Ares. Sabe o que lhe dizem, abra teu peito. Siga teu coração, vejo que ele está balançado pelo Deus da Guerra. Abra-se para viver esse sentimento. Você não sabe o que o coração dele esconde.
Alguns minutos se passaram, ela ficou ali olhando o nada. Nem percebeu que Ares estava observando-a, ele se aproximava lentamente dela, conseguiu ver seu rosto molhado de lágrimas, aquilo era pior que uma lança atravessando-lhe o peito. Ele se aproximou e tocou-lhe o ombro, fazendo ela se assustar.
– Desculpe, se te assustei, Afrodite. – Ele disse com a voz baixa.
– Está tudo bem- Ela sorriu- Vim tentar conversar um pouco com minha mãe. Fugir do barulho de lá. – Ela deu um pequeno sorriso para o Deus.
Ele tentou da forma mais carinhosa que conseguia secar o rosto da Deusa. Ele via seus olhos azuis brilharem de uma forma intensa.
– Sei que deve ser difícil para você. Cumprir a ordem de casar. Você sempre foi um... espírito livre, digamos assim. Eu sou acostumado, talvez, como soldado aprendemos a não questionar.
– Ares, eu quero... –Ele tocou o dedo em sua boca, lhe impedindo de continuar.
– Eu quero, que esse casamento te faça feliz. –Ele tocou com carinho o rosto dela, passando os dedos lentamente em seus lábios, sua outra mão tocou-lhe a nuca, ele puxou lentamente seu corpo para perto do dele e iniciou um beijo, de forma calma e doce, apenas os lábios se tocando.
Os lábios dele tinham um gosto doce, misturado ao gosto de um vinho. Ela tocou suas mãos em seu rosto, fazendo um leve carinho nele. Ela retribuía o beijo da mesma forma, com carinho e respeito, nenhum deles quis avançar o beijo, foram parando com alguns selinhos, ele sorriu para ela, seus olhos brilharam, seu coração era acelerado. Ele estava como um garoto realizando o sonho. E ela... ela estava feliz.
Ares pegou a pequena caixa prateada em seu bolso, ele abriu revelando um anel de ouro branco e amarelo com um enorme diamante encima.
– Afrodite, casa comigo?
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