Notas iniciais
Olá de novo pessoas! Mais um capítulo pronto! Espero que gostem, boa leitura.

Que Harry Potter odiava acordar cedo toda a Inglaterra mágica já sabia, mas que os anos de guerra e treinamento tinham-no feito cultivar o hábito de acordar na hora certa, mas de principalmente estar sempre alerta, pouca gente sabia. Hermione Granger, sua melhor amiga, ainda se assustava com a prontidão com que Harry adulto podia acordar. Ela era uma das poucas pessoas que podiam entrar em Grimmauld Place sem a permissão do moreno, havia lido o Profeta Diário e seu instinto protetor a fizera ir conferir se estava tudo bem com o amigo. Entrou no quarto dele e estendeu a mão para acordá-lo, se assustou quanto antes de conseguir tocar-lhe o ombro teve o pulso agarrado e logo tinha a varinha de Harry em seu pescoço.
– Caramba Harry! Que jeito de dar bom-dia.
– Desculpa Mione, força do hábito. – Disse o moreno sem graça soltando-a e sorrindo.
– Ainda me surpreende a facilidade pra te acordar agora, quem dormia com você em Hogwarts provavelmente não acreditaria.
Harry deu de ombros e se sentou na cama passando uma das mãos pelo cabelo bagunçado, que pela manhã era um desastre maior que o normal. Hermione sorriu ao ver como o amigo acordava com uma carinha de menino alegre, mas seu sorriso morreu nos lábios quando ele se levantou da cama exibindo só a pele morena e mais nada!
– Harry James Potter! – Ela esbravejou. – Ponha uma roupa seu exibicionista!
O moreno deu uma risadinha constrangida e se enfiou no banheiro se contendo pra não rir do rubor que tomou o rosto da amiga.
– Ah Mione não é como se você nunca tivesse visto nada disso. – Ele provocou atrás da segurança da porta fechada claro.
– Engraçadinho, vou dizer ao Ron que você ficou desfilando nu na minha frente.
– Ei! Não precisa apelar! – Ele pediu rindo. Os ciúmes do amigo ruivo eram lendários.
Hermione sorriu também e avisou o amigo de que o esperaria na cozinha. Quando Harry finalmente desceu, decentemente vestido e com o cabelo um pouco menos desastroso a amiga já tinha preparado chá e algumas torradas.
– Seu queijo está mofado e seu leite vencido, francamente Harry deveria comer melhor.
Ele deu de ombros e pegou a xícara de chá que ele oferecia.
– Quase não parei em casa ultimamente Mione, além disso, sempre tem alguém disposto a me alimentar adequadamente. – Disse ele sorrindo candidamente.
A jovem de cabelos castanhos bufou e jogou a longa trança que usava naquela manhã sobre um dos ombros. Depois da guerra ela finalmente teve tempo para se preocupar mais com a aparência e seu cabelo agora era macio e brilhante, convidativo ao toque e muito mais maleável que antigamente.
– Mas então, veio verificar se saí ileso da minha primeira missão?
– Nós dois sabemos que essa não foi sua primeira missão. – Ela resmungou. – Ainda não engoli essas ideias loucas do ministro Shacklebolt sobre seu treinamento.
– Está chamando ele assim agora?
– É o jeito certo de fazer se quero que as pessoas parem de dizer que nossa relação pessoal influencia as decisões políticas que tomamos no Ministério.
– Claro que não tem, que estranho isso seria. – Murmurou Harry distraidamente.
– Às vezes concordo com a Ginny, você está com a mania do Snape de distorcer tudo.
– Ah, não vou discutir isso pela enésima vez Mione. Já me basta ter que aguentar a Ginny, não vejo a hora que esse maldito campeonato acabe.
– Ah, está com saudade, admita. – Provocou a amiga com um sorriso.
Harry franziu o cenho.
– Se você e ela acham que porque ela esperneou e foi viajar sem terminarmos a discussão eu vou esquecer estão muito enganadas.
Foi a vez de Hermione franzir o cenho, só que confusa.
– O que quer dizer? Ela parecia normal quando nos despedimos n’A Toca.
– Nós brigamos.
– Qual a novidade? Vocês sempre brigam.
– Eu disse que queria terminar e ela enlouqueceu, disse que todos estão esperando pelo nosso casamento e tudo aquilo de praxe. – Explicou o moreno.
– Ah Harry, vocês tem que parar de agir como adolescentes. Tenho certeza que quando ela voltar vocês vão se acertar. – Disse Hermione conciliadora.
– A questão Mione, é que eu não quero me reconciliar. Eu e ela não estamos na mesma sintonia.
Hermione já havia visto brigas desses dois antes e dessa vez Harry parecia tranquilo e decidido demais para ser algo simples de resolver.
– Harry... não seja precipitado, são muitos anos de relação. Tenho certeza que...
– Não Hermione! Não estou sendo precipitado, só cansei de não ser ouvido. Ela faz exatamente como você está fazendo agora, fingir que eu sou um retardado mental que precisa ser guiado e que não deve ser ouvido não impede que eu tenha voz ativa na minha vida caramba! – Ele gritou.
Hermione arregalou os olhos.
– Eu namoro a Ginny há anos, reconheço que me deixei conduzir no começo, mas não é isso que eu quero pra minha vida. – Ele disse mais calmo.
– Ah, já entendi. Li no Profeta, mas não quis perguntar porque é um caso ainda sob investigação. Está com medo que os comensais foragidos façam alguma coisa com ela?
Harry suspirou se dando por vencido, nunca conseguiria convencer a amiga de que estava decidido a se livrar do namoro com Ginny.
– Desisto de falar disso com você, sempre é a mesma coisa. Ninguém entende que essa relação está mais acabada que a reputação dos Malfoy.
Hermione estranhou o exemplo que o amigo deu, mas deixou sua curiosidade natural tomar conta dela e perguntou:
– É verdade que você e Lucius Malfoy brigaram ontem em St. Mungo? Sei que 90% do que saiu no Profeta deve ser só lixo, mas nunca pode-se ter certeza quando se trata de você e de um Malfoy, não é?
– Nós não brigamos, só trocamos nossos insultos de praxe. Confesso que é sumamente agradável ver aquela serpente tendo que engolir a língua quando fala comigo.
Hermione sorriu como uma mãe sendo condescendente com a travessura de um filho.
– Não devia tripudiar Harry. Mas esse ataque a boate veio numa hora muito ruim, tenho alguns sangue-puros muito descontentes no Wizengamot e que tenham atacado um lugar que os filhos e netos deles frequentam não vai facilitar as coisas.
– Não posso dar detalhes da investigação a menos que faça um requerimento formal Srta. Granger. – Zombou Harry.
Ela fez uma careta para ele e deu um gole no próprio chá enquanto foleava o Profeta que tinha sido largado em cima da mesa.
– Tem uma coisa aqui que não sai da minha cabeça. Diz que Lucius Malfoy chegou com Augustus Greengrass e que eles estavam jantando juntos ontem.
– E o que tem? – Perguntou Harry passando uma generosa quantidade de geléia em sua segunda torrada.
– Greengrass não se interessa muito em política, mas participa no Wizengamot e tem uma reputação impecável tanto na primeira quanto na segunda guerra. Não entendo porque ele se deixaria ver com Malfoy, é pedir para ser depreciado. Eu contava com a ajuda dele para convencer a ala conservadora a aprovar as novas diretrizes educacionais.
– Não que eu seja fã de Lucius Malfoy, mas reconheçamos Mione, o homem vale muito mais que um jantar.
Hermione franziu o cenho, confusa.
– Como assim? Por causa do dinheiro? Até onde sei Greengrass é rico.
– Quanta inocência... pelo olhares que Greengrass estava dando pra cima do Malfoy, está mais preocupado em entrar nas calças dele do que com o Wizengamot.
Harry riu quando Hermione corou.
– Vamos lá, já deva ter se acostumado com isso.
– Ainda não consigo entender como eles aceitam tão bem a relação entre pessoas do mesmo sexo e veem de forma tão preconceituosa quando se trata de um sangue-puro e um trouxa ou com um mestiço.
– Cada sociedade tem seus preconceitos naquilo que desconhece. E nem todos os magos tem esse preconceito, só os imbecis, como Malfoy por exemplo.
– Sua obsessão com eles às vezes é irritante. Lembro que passou meses enfurnado na biblioteca daqui lendo sobre sei lá o que e murmurando coisas estranhas sobre o Malfoy.
– Que exagerada, foram só um par de semanas, o suficiente para me curar das contusões do treinamento.
– Hunf! Não me lembre desse maldito treinamento, ainda tenho vontade de amaldiçoar alguém quando lembro como você voltou aquele dia. – Ela disse irritada. Olhou o relógio e completou. – Tenho que ir, tenho uma reunião com o Departamento de Controle de Criaturas Mágicas para revisar as leis sobre lobisomens, quero dar uma olhada no que andam fazendo por lá.
– Bom trabalho! Quero só ver o que vai fazer quando for ministra! – Brincou Harry com um brilho de orgulho nos olhos.
– Bobo, se cuide. – Ela beijou-lhe a testa e foi até a sala usar a lareira para ir ao Ministério.
Harry ainda sorria ao terminar seu café da manhã e ir para sua academia pessoal. O retrato da mãe de Sirius havia estado intratável quando o viu trazendo para Grimmauld Place toda aquela “parafernália trouxa”, levou meses para voltar a falar com ele. O moreno sorriu ante essa recordação enquanto fazia suas flexões diárias e passava aos aparelhos de musculação. Depois de sua manhã de exercícios, decidiu terminar sua visita a Snape e de novo terminou com o nariz na porta tendo que esperar a boa vontade do outro em abrir-lhe a porta. Quando o adusto homem abriu a porta Harry sorriu e mostrou o saco pardo que trazia.
– Comprei pra adoçar seu dia.
– Creia-me Potter, nem todos os doces do mundo podem adoçar meu dia quando tenho o desprazer de sua visita. – Disse Severus pondo-se de lado para que ele passasse.
– Ah que mau humor. Eu é que deveria estar assim, ontem Greyback apareceu e conseguiu fugir de mim.
– O heroísmo começa a falhar. Cuidado Potter, desse jeito vão acabar achando que você é um reles mortal como o resto de nós.
– Você acha? – Perguntou o auror fingindo desconsolo. – Isso seria terrível, sabe como adoro que massageiem meu ego e peçam autógrafo.
Severus escondeu um sorriso ao ouvir essa resposta. O Gryffindor descerebrado tinha amadurecido finalmente.
– E então, veio chorar as mágoas por causa da fuga do lobisomem?
– Isso e usar um pouquinho a prerrogativa de ser o único auror com coragem para pedir sua consultoria. – Disse Harry ficando sério. – Greybak é assunto sério.
Snape ressoprou e revirou os olhos.
– E por que eu me prestaria a ser sua babá?
– Ei! Não preciso de babá. – Disse o moreno revoltado. – Quero seus conhecimentos para pegar esse lunático, isso sem falar que ele foi direto atrás de Draco Malfoy.
Harry já convivia há tempo o bastante com o homem para saber que a notícia o tinha abalado.
– Draco tem o pai para cuidar dele, Greyback não tem chance de passar pelo Lucius. Não seja tonto Potter.
– Não sei se ele vai estar por perto sempre, ainda mais saindo com Greengrass. Pelo menos se fosse eu iria querer manter aquele loiro nu a maior parte do tempo. Não posso negar que o bastardo é bonito.
Harry não esperava pela varinha que voou até seu pescoço e se amaldiçoou por ser pego desprevenido.
– Que foi agora? Eu nem estava falando dos Slytherin. – Perguntou tentando brincar.
Severus pareceu reagir ante isso e seus olhos perderam parte da raiva para ganhar algo de divertimento.
– Além de distraído anda babando pelo Lucius é? Não sabia que preferia varinhas Potter.
Harry já não era lento para relacionar as coisas e aprendera a analisar as pessoas, mas preferiu guardar suas suspeitas para ele mesmo, afinal, não queria ganhar um crucio por irritar Snape. Preferiu fazer uma careta e olhar feio pra ele.
– Eu não babo por Lucius Malfoy. No máximo admiro o talento que ele teve pra produzir um filho tão apetitoso.
– Cuidado como fala do meu afilhado Potter! – Esbravejou Snape sacando a varinha novamente.
– Mas que mau humor! – Reclamou Harry pulando para trás da poltrona, pronto para se abaixar caso fosse necessário desviar de um feitiço. – Não pode me culpar por isso, ele é mesmo uma tentação.
– Estou falando sério Potter, se quer brincar vá atrás da sua Weasley.
– Mas por que diabos ninguém leva a sério quando digo que não quero a Ginny?! Porra é difícil manter a reputação dela quando todo mundo age como se eu fosse o vilão da droga da história.
– E por que tem que proteger a reputação dela?
– Porque ela quer bater o recorde de amantes simultâneos? – Deixou escapar Harry e logo cobriu a boca, irritado.
Snape olhava-o triunfante.
– Ainda é um tolo falador. – Constatou o homem. – Quer dizer que a Weasley fez de você o menino-que-viveu-e-foi-traído, e ainda assim quer preservá-la. Tão Gryffindor.
– A Molly ficaria arrasada, mas o problema é que todos acham que eu vou me casar com ela. E isso não vai acontecer nem em mil anos.
– Sem contar sua súbita fraqueza por loiros platinados. Se bem que se analisarmos profundamente, você sempre teve uma fixação com Draco. – Reflexionou Snape sentando-se.
– Isso não é culpa minha! É daquele maldito loirinho atrevido.
Snape começou a cogitar a hipótese de contar a Potter sobre seu afilhado quando ele fez uma careta.
– Estão me chamando na Central, Cavan deve estar querendo gritar comigo pessoalmente pela fuga do Greyback. Vou te mandar por coruja o relatório da fuga pra que possa me dizer se sabe como ele escapou. Até logo. – Disse e saiu correndo.
Severus ficou no mesmo lugar pensando sobre os Malfoy, havia dado tempo para que se acalmassem, os dois eram muito caprichosos. Mas agora os acontecimentos apressavam sua volta.


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Draco adorava sua cama, ainda mais depois de passar uma noite inteira numa maca de hospital com dores horríveis. Mal tinham chegado em casa e seu pai havia gritado com alguns elfos para que trocassem toda a roupa de cama e ajudou-o a deitar-se quando saiu de uma relaxante banho.
– Assim que descansar vamos falar sobre essa ideia genial de sair de casa sem avisar.
– Eu não tenho mais dez anos pai. – Draco falou suavemente.
– Mas ainda é meu filho. – Lucius decretou e deu-lhe um frasco de poção. – Essa é para você dormir enquanto sua perna termina de se curar.
– Não gosto de ficar dopado. – O menor reclamou e fez um beicinho, que lembrou Lucius de quando era criança.
– Não seja mimado, amanhã quando acordar vai estar bem melhor e só vai ter que exercitar a perna.
Draco fez uma careta e bebeu a poção, logo adormeceu e Lucius fechou as cortinas do quarto com um passe de varinha. Fechou a porta e foi para seu próprio quarto onde planejava dormir um pouco também, afinal, havia passado a noite na sala de espera. Enquanto tomava seu banho refletia sobre o ataque, não lhe parecia lógico que fosse direcionado a Draco especificamente, mas estava claro que ao vê-lo Greyback foi direto por seu filho deixando todo o resto de lado, isso o deixava tenso e pronto para sair a caça desse lobisomem especificamente. Saiu de seu enorme banheiro sem se dar ao trabalho de colocar uma toalha em volta dos quadris ou um roupão, já se vestiria no quarto de qualquer maneira, apenas usava uma toalha menor para terminar de secar seus cabelos, não usava magia para isso porque o uso contínuo do feitiço deixa qualquer cabeleira quebradiça e intratável. Assim que chegou ao quarto um arrepio na espinha advertiu-o de que não estava sozinho, com o coração retumbando no peito virou-se e encontrou sentado na poltrona ao lado da janela ninguém menos que Severus Snape.
– O que demônios está fazendo na minha casa Snape? – Rosnou para o outro.
– Te esperando é óbvio, ainda que não esperasse ser recebido tão entusiasticamente.
Lucius podia quase sentir o olhar de Severus viajando por seu corpo nu, mas ele ainda estava furioso o suficiente para não deixar que o olhar de desejo o afetasse, podia se controlar, disse a si mesmo. Tratou de alcançar seu roupão pendurado no closet, mas as portas se fecharam com um passe da varinha do moreno.
– Nem pense nisso Lucius, sabe que não gosto de ter minha diversão atrapalhada.
O loiro grunhiu quando percebeu que Snape estava com a varinha dele na outra mão, girando-a burlescamente.
– Não sei por que veio Snape, mas perdeu o direito de entrar nessa casa desse jeito há algum tempo, traidor.
Severus podia evitar demonstrar, mas doía ser chamado assim pelo loiro. Viu-o ir até a cômoda e pegar uma escova de cabelo e sentar-se, de costas para ele o loiro dedicou-se a pentear os sedosos fios loiros e Severus exercitou seu lado voyeur olhando hipnotizado o movimento das costas e dos braços do outro.
– Pretende ficar babando ai até quando? – Resmungou Lucius.
– Se estivesse assim tão bravo teria mudado as proteções da casa e impedido minha passagem.
– Não seja presunçoso Snape! – Rugiu Lucius. – Sabe perfeitamente que modificar as proteções a esse nível gasta muita magia e enfraquece as proteções ancestrais por algum tempo. Esse era um luxo ao qual eu não podia me dar, enquanto uns ganham Ordens de Merlin outros tem que fugir de turbas ensandecidas e proteger a família.
Severus teve vontade de encolher-se ante o outro, mas eles eram dois Slytherins taimados e se desfazer em desculpas não era uma opção. Assim que optou pela ira, tal qual Lucius.
– Proteger a família?! Você expôs toda a sua família ao perigo quando resolveu se juntar ao Senhor Tenebroso! E pelo que eu soube, enquanto o Draco era atacado pelo Greyback o senhor estava ocupado fazendo sabe Merlin o que com o maldito Greengrass! – Severus queria deixar a raiva e o ciúme explodirem desde que havia ouvido sobre isso de Harry.
A Lucius não lhe foi grato ouvir essa crítica injusta e como estava sem sua varinha fez algo impensável para tão nobre e distinta figura, atirou sua escova com toda a força no moreno, que pego de surpresa não pôde desviar e recebeu o golpe na cabeça.
– Você, seu traidor dos mil demônios! Como se atreve a falar que não cuido bem do MEU filho?! Você que também se juntou ao maldito mestiço louco e que por casualidade me alertou inúmeras vezes para o risco de não voltar ao lado dele tendo a marca? Eu devia te...
Severus podia ver Lucius apertando os punhos, irritado.
– Devia parar de agir como um idiota. Estou aqui porque estamos num problema maior do que imagina. Greyback está vivo Lucius, e ele não pode estar sozinho. Se sobreviveu até agora e pôde escapar de Potter... – Severus ignorou o esgar de desprezo do loiro ao ouvir o nome. – Eles estão juntos e talvez se reagrupando. Nenhum comensal está feliz com você, e eles vão direto atrás do Draco.
Lucius engoliu a vontade de mandar o moreno para um lugar nada bonito, já lhe bastava a vergonha de ter atirado a escova. Viu como Severus se levantava e andava até ele. O homem ainda usava negro a maior parte do tempo, mas como não precisava mais assustar estudantes optava por túnicas mais leves que modelavam seu corpo e prendia os cabelos num rabo de cavalo, deixando seu rosto aparecer. Lucius não se moveu enquanto o moreno deixava seus dedos deslizarem por seu cabelo, evitou a duras penas gemer quando a carícia se tornou dor. Severus havia enredado seus dedos nos fios e segurava-os fortemente, como Lucius continuava sentado Severus tinha a vantagem e o fez erguer a cabeça, permitindo-se inclinar até que pôde encaixar sua cabeça no pescoço do loiro. Lucius tinha um cheiro que enlouquecia o outro desde sempre, era almiscarado e provocante, permitiu-se aspirar esse cheiro tão característico e sem se mover perguntou com a voz abafada:
– Deixou ele te tocar?
Lucius não podia negar a si mesmo que se sentia poderoso ao ver o grande espião Severus Snape rendendo-se ao ciúme que tinha dele, era envaidecedor saber que o homem que mais escondeu seus sentimentos e ideias na guerra deixava-se ver assim por ele. E era um erro, afinal, ele estava revelando sua fraqueza para um Slytherin irritado com ele.
– A qual deles se refere Snape? Augustus? Oh sim, ele me tocou. E beijou, e chupou e me fez gemer igual a uma puta enquanto me fodia.
Severus grunhiu incapaz de articular em palavras tamanho ódio que sentiu ao ouvir isso. Mordeu sem dó a pele branca do pescoço de Lucius até sentir o gosto ocre de sangue, lambeu cada gota e esmerou-se em marcar aquela pele. Queria deixar impresso no corpo do outro que ele tinha um dono e que ninguém mais deveria tocá-lo. Lucius gemeu ao sentir a língua quente e aveludada minimizando a dor que os dentes do outro tinham causado, ele sabia que era perigoso atiçar Severus, mas ele precisava se vingar. Mesmo que o outro perdesse o controle e o machucasse, sabia que seus traumas de infância iam fazê-lo sentir-se miserável e era isso que ele queria, que o traidor se afundasse na mesma miséria que ele vinha sentindo desde a batalha final.
– Não sei se posso te satisfazer hoje Snape, não se esqueça que preciso de um tempo pra me recuperar, Augustus parece tão razoável, mas me deixou imprestável depois de ontem. – Murmurou com falso pesar.
Snape sabia que estava sendo provocado, mas não podia evitar sentir seu sangue ferver ao ouvir isso. Sempre batalhou por conter seu temperamento violento e explosivo porque odiava sentir-se parecido ao pai, mas ouvir o loiro falando de como tinha sido sua noite com outro o tirava do sério. Aumentou o agarre nos cabelos loiros e ficou perversamente feliz ao ouvir o outro arfando, obrigou-o a levantar-se e jogou-o na cama sem muito cuidado.
– Acho que se esqueceu o que é ser devidamente fodido Lucius, mas vou te refrescar a memória. Seja uma boa puta e abra as pernas. – Ordenou com voz férrea.
O fogo que Lucius via nos olhos do outro era quase tão afrodisíaco quanto seus gestos quando o moreno deixava seu lado dominador afluir. A voz rouca e impositiva fez um arrepio traiçoeiro de prazer subir pela espinha do loiro, que ainda não estava satisfeito com as provocações. Fez um beicinho teatral enquanto separava as pernas descaradamente.
– Que malvados que meus amantes são, todos me chamam de nomes feios só porque gostam de me maltratar. Vai querer gozar no meu rosto também, já tive que fazer isso ontem, mas nunca me canso de chupar um bom pau.
Ele não esperava que o controle do outro se esvaísse tão rápido, mas a ardência que a bofetada propiciada por um irado Snape em seu rosto não mentia.
– Pare de me provocar, é de pau que você gosta não é? Então é isso que vou te dar.
Lucius não podia negar que seu lado masoquista ronronou de prazer quando as mãos fortes e calosas do outro aferraram-se as suas coxas, provavelmente deixando marcas. Seu membro já excitado estava exposto aos olhos e a boca de Snape que sem nenhum aviso abocanhou aquele pedaço palpitante e duro de carne. O loiro gemeu quando o outro começou a chupá-lo vigorosamente conseguindo deixa-lo mais e mais duro, sentia o sangue pulsando por suas veias e palpitando na ereção que Snape abrigava em sua cálida e úmida boca. Quando estava totalmente duro e pronto para implorar por um orgasmo, o moreno soltou-o com um barulho erótico de sucção. Seu membro brilhava pela saliva e pelas gotas que escorriam da ponta.
Com um olhar satisfeito Snape viu Lucius ofegando e com uma fina camada de transpiração cobrindo sua pele pálida. Tanto sua varinha quanto a do loiro estavam em sua manga e com um movimento ligeiro a sua própria apareceu em sua mão.
– Sabe que vai ser castigado não é? Vou e deixar imprestável de verdade, porque duvido que aquele frouxo do Greengrass saiba te foder adequadamente. Você é uma puta Lucius e adora ser assim.
Sem dar muito tempo para que o outro assimilasse o que havia dito murmurou o feitiço que tinha em mente e cordas ataram as mãos do loiro a cama. E com uma simples convocação um chicote veio para as mãos do moreno que sem demora passou a castigar o loiro. Severus gostava particularmente desse chicote com várias correias de couro, direcionou seus golpes primeiro a ereção que havia acabado de deixar palpitante e dura como ferro. Ouviu o alarido de dor do outro com uma satisfação sádica. Viu como institivamente Lucius fechava as pernas tentando proteger-se e murmurou:
– Estou vendo que desaprendeu as regras do jogo, não deve e nem tem permissão para fechar as pernas. – E para ilustrar o que disse outro feitiço atou as pernas do loiro aos postes da cama deixando-o exposto e indefeso.
O corpo de Lucius ardia pelos golpes e de desejo, era impossível não arquear as costas a cada golpe que acertava sua maltrata ereção ou a pele sensível de suas coxas, podia sentir cada pedaço de seu ser estimulado pela dor e pelo prazer. Sabia que a sanha de Severus não ia ser satisfeita com tanta facilidade, mas quando os golpes pararam e sentiu um feitiço lubrificante sobre sua ereção pensou que o afastamento havia amolecido o moreno. Ledo engano o seu, pois, Severus estava disposto a estimulá-lo mais e mais, até o limite.
Com grande força de vontade Severus impediu-se de ceder a tentação de deslizar sua língua pelas bolas bem delineadas e chamativas do loiro até alcançar a entrada rosada do corpo que ele amava violar. Concentrou-se na ereção escorregadia que tinha agora entre os dedos, sabia exatamente como Lucius gostava de ser masturbado e com objetividade quase clinica pôs-se a mover os dedos firme e fortemente ao redor daquele pedaço avermelhado e golpeado de carne. Adorava ver como o membro do outro se avermelhava deliciosamente depois de umas boas chicotadas, o contato de seus dedos na pele lastimada devia arder, mas isso não impedia que o outro gemesse pedindo mais força. Era o momento da vingança de verdade. Sem parar seus movimentos, murmurou o contra-feitiço que soltou o loiro da cama.
– Acho que já é hora de pedir perdão não é?
– Nos seus sonhos mestiço traidor. – Grunhiu Lucius entre ofegos. Mordeu os lábios fortemente para não gritar quando o insulto ganhou como resposta uma série de três palmadas em seus testículos.
– Estou vendo que ficou muito rebelde. De quatro, agora.
Sem hesitar Lucius obedeceu, não sabia o que esperar exatamente, mas não com certeza não esperava que sem prévio aviso ou preparação dois dedos invadissem seu apertado ânus. Ao contrário do que Snape pensava ele não era penetrado há um bom tempo, sentiu-se estirar-se dolorosamente e choramingou quando apenas um feitiço lubrificante dos mais fracos ajudou os dedos que entravam e saiam dele num ritmo especialmente lento, Snape sabia que ele não gostava assim. Quando os dedos saíram ele pensou que seria penetrado pelo membro grosso do moreno, mais ainda quando sentiu uma nádega ser agarrada e afastada expondo mais ainda sua entrada. Em vez de ser penetrado por Snape surpreendeu-se ao sentir o contato da fria borracha de um vibrador que foi introduzido nele de uma vez só, mordeu o braço para não gritar e respirou aliviado quando a extensão de tamanho médio terminou de entrar, fazendo-o se sentir deliciosamente preenchido. Claro que nem ele nem Snape gostavam muito dos joguinhos trouxas, até mesmo seus vibradores eram encantados e esse começou a girar e fodê-lo sozinho enquanto Snape com as mãos livres afastava suas nádegas o máximo possível para poder apreciar o espetáculo.
Com a maciez daquela bunda firme e carnosa nas mãos Severus deixou-se massagear aquela carne tenra e observar como o vibrador negro fodia impiedosamente o loiro. Claro que ele não ia parar por ai, adorava espancar o Lucius com suas próprias mãos. Quando acertou a primeira palmada nele sentiu o corpo do outro estremecer e ele gemer, a pele avermelhou-se lindamente, mas ele iria fazer o outro sofrer um pouco mais. Uma série de golpes fizeram Lucius gemer sem poder se controlar e cada vez que uma palmada acertava-lhe a pele sensível ele contraia seu canal ao redor do vibrador aumentando seu prazer em contraste com a dor. Suas pernas começavam a fraquejar e a intensidade do seu prazer o venceu, deixou-se cair de bruços na cama e ao contrário do que pensou as palmadas não pararam, ao contrário aumentaram de força o que o fazia friccionar sua ereção contra os seus finos lençóis de seda. Não demorou muito para a miríade de sensações o fizessem gozar com um grito quase animal. O feitiço do vibrador parava a medida que seu orgasmos passava. Sentia-se trêmulo e dolorido, mas duplamente satisfeito. Seus cabelos foram agarrados de novo e protestou gemendo quando foi erguido com força e sentado na cama.
Severus nem mesmo havia se despido, mas com um simples movimento de varinha seu zíper abriu e sua ereção potente se liberou. Lucius salivou porque sabia o que vinha a seguir.
– Você não merece que eu te foda, mas vai me fazer gozar com essa boquinha insolente não é? – Zombou o moreno pincelando sua gotejante ereção nos lábios do outro.
Lucius abriu a boca e esforçou-se para receber a grossura de Severus. Adorava quando ele fodia sua boca, porque era isso que o moreno estava fazendo, estocando fortemente em sua boca levando-o a engasgar algumas vezes, obrigando-o a engolir toda sua extensão até que sentia as bolas do moreno batendo em seu queixo. Não demorou muito para que sentisse o corpo do outro tensionar-se muito, sabia que a excitação de domina-lo era grade demais para Severus e ao invés de terminar em sua boca, o amante sacou seu membro palpitante e os jatos de sêmen quente e abundante sujaram o aristocrático rosto de Lucius Malfoy.
Sem poder respirar normalmente e tremendo dos pés a cabeça Severus pouco a pouco foi recuperando o controle.
– Maldito seja Lucius. – Murmurou amargurado.
– Somos os dois. Você desfruta me machucando Snape, adora me ver humilhado e sentindo dor, adorou cada gemido, cada vez que me bateu. Eu sou uma puta sim, mas você é um bastardo sádico.
O sorriso triunfante de Lucius acompanhou o outro em sua saída tempestuosa. Severus Snape saiu do quarto batendo a porta, mas Lucius se enganava se pensava que iria vencê-lo tão fácil, ele só precisava se recompor para voltar a lidar com o loiro.

Notas finais
Se leram até aqui gostaria que deixassem um comentário pra eu saber se estão gostando ou não! Para as pessoas que comentaram é que vai meu agradecimento especial, continuo postando aqui pelo carinho de vcs viu?
Nos vemos no próximo!