Notas iniciais
"Quem me chamou? Quem vai querer mais um capítulo?" ♪ kkk Meus amoreees, estou me esforçando bastante para não levar meeeeeses para postar os capítulos, então ainda está demorando um pouco, mas está saindo mais rápido ♥ Eu estava tentando responder todos os comentários antes de postar esse novo capítulo, porém são muitos acumulados aqui e no Spirit e eu to trabalhando o dia todo, então achei que vocês iriam preferir que eu atualizasse logo e respondesse depois, acertei? ;3 (mais uma vez peço perdão pelos transtornos) Eu também planejei bem mais coisas para o cap de hoje, mas esse momento precisou de mais espaço na estória e eu achei melhor deixar só isso mesmo para não ficar imenso e cansativo, espero que gostem! ♥♥ P.S.: Os dizeres tradicionais ficarão para a próxima de novo porque essa nota já está uma redação do Enem kkk

Apenas um gemido de dor saiu de seus lábios quando o curandeiro empurrou sua rótula de volta ao lugar; em compensação, a força que fazia para resistir contorcia completamente o seu belo rosto, agora inchado e com alguns hematomas.

— Pode me explicar agora o que aconteceu, Sejuani?

Olhou para o velho por um tempo, tentando ler suas expressões. Estava calmamente carrancudo, como sempre, e, a julgar por alguns curativos já feitos, estava cuidando dos seus ferimentos enquanto permanecera desacordada. Era a segunda vez que ele perguntava, mas só agora conseguia ter clareza no pensamento.

Suspirou, aceitando a priori que não tivera nenhum envolvimento no ocorrido.

— Olaf. Ele descobriu sobre aquilo quando foi parar misteriosamente na caverna e nós brigamos, nada demais.

— Ei, eu não tenho nada com isso! — Adiantou-se, franzindo o cenho como quem não gostou da provocação, sem dar tanta atenção ao resto dos fatos. — Tenho certeza que meu aprendiz também não, ele nem estava por aqui quando Olaf apareceu, o mandei colher ingredientes montanha acima.

A mulher apenas grunhiu um “hum” sem emoção e voltou a calar-se.

— Não acha realmente que fomos nós, acha?

— Se achasse, vocês já estariam mortos.

— Justo. — Deu de ombros. Amarrou um pedaço de madeira atrás do joelho para imobilizá-lo e lhe estendeu um frasco. — Tome, vai diminuir os inchaços. Tente não forçar essa perna e não tire a tala; esse deslocamento foi feio, faltou pouco para seu joelho ser apenas uma lembrança. Descanse um pouco.

Sorveu o líquido em duas goladas e fez uma leve careta — o gosto era horrível, extremamente amargo. Esperou o curandeiro arrumar os materiais e sair do seu modesto chalé improvisado para fechar os olhos e cair no sono.

Não lhe pareceu ter dormido, de fato, o suficiente quando despertou com uma voz trovejante gritando seu nome lá fora.

Levantou-se e rumou manquejando em direção à porta, mas esta se abriu com um estrondo quando ainda se achava na metade da sala que lhe servia para as reuniões do conselho da tribo.

Mas que porra…— Começou, aturdida, mas logo parou quando seus olhos se acostumaram a luz que vinha de fora e pôde ver claramente quem era.

— Vamos terminar o que começamos, Sejuani, não fuja de novo! — Olaf esbravejava.

Três dos melhores guerreiros da Garra do Inverno surgiram em seguida, as mãos nos punhos das armas esperando apenas um sinal seu.

— Podem ir, eu resolvo, isso é entre mim e esse imbecil aí.

Os homens acenaram com a cabeça e se afastaram, contudo, a loira sabia que bastava um chamado e eles viriam correndo.

Treinados e obedientes.

Bem diferente do barbudo à sua frente, cuja cólera era visível em seu rosto.

— Vamos duelar ou você vai se esconder como uma covarde?

— Cale a boca, Olaf! Eu não fugi, eu nunca fujo. E eu não quero duelar com você, é perda de tempo.

O loiro riu com desprezo.

— Desculpas de uma medrosa!

Sejuani respirou fundo e levou longos segundos para se acalmar, ele sabia como provocá-la e não podia cair em seu jogo, seria burrice perder um aliado valioso à essa altura.

Avançou alguns passos e sentou no tampo da mesa rústica, a perna direita esticada por causa da imobilização, olhando-o de lado.

— Não vou alimentar essa loucura. Não aceito o fim da nossa aliança, ponto final.

Olaf caminhou em volta da mesa e parou em frente, curvando o corpo para apoiar — com certo impacto — as mãos na madeira ao lado dos quadris da mulher, o rosto relativamente próximo com a intenção de intimidá-la.

— E quem disse que eu me importo com o que você aceita ou não? Sua recusa só me mostra o quanto ficou fraca!

— Eu apenas não quero ter de matar você quando estou tão próxima de conseguir Freljord, só isso — Sorriu maliciosamente, não resistia a tentação de irritá-lo. Divertiu-se ao ver de soslaio os dedos grossos pressionando a mesa.

Uma memória repentina veio à cabeça.

— Você se lembra da primeira vez que lutamos, Olaf?

— Que merda isso importa agora? Pare de enrolar, maldita! — Afastou-se, sacando os machados. Sejuani não se abalou.

— Você derrotou todos os guerreiros da minha tribo e, no final, só sobrou a mim. Naquele dia nós lutamos como duas feras e, ao notar que sua habilidade se comparava a minha, lhe ofereci uma aliança. Desde então, jamais enfrentei outro homem com tamanha ferocidade…

Era verdade.

Não se lembrava de travar um duelo com alguém que possuía a mesma sede de sangue que a sua própria, que não hesitava nem esmorecia.

Naquele dia sentiu a adrenalina correr por seu corpo com uma grande dose de satisfação, precisava tê-lo como seu aliado.

Ainda naquela ocasião, um leve temor tomou conta de si ao notar o frenesi sanguinário em que o berserker se encontrava, mas sem nenhuma explicação aparente a loira encarou o fundo dos seus olhos cristalinos e, para seu espanto, ele se acalmou.

Depois de todo esse tempo… como não havia percebido?

Aproximou-se lentamente, encarando profundamente as íris azuis e parou a centímetros do homem, firme.

— Eu lhe prometi a morte gloriosa que tanto buscava e não estou disposta a descumprir minha palavra. Achei mais seguro que ninguém soubesse que ele ainda estava vivo, fazia parte do plano. Está dando certo, não está?

Olaf não respondeu logo. Sustentou seu olhar como numa espécie de magnetismo intenso, os músculos relutando a relaxar.

— Mentirosa, eu sei que não era só isso o que você queria. Aliás, os problemas em Rakelstake devem ter sido uma feliz coincidência para você.

— Está com ciúmes, então? — Riu em chacota.

— Como pode falar tanta merda? — Torceu as feições em desgosto e a afastou, no entanto o desvio de olhar o entregou.

Ele a desejava.

Nada surpreendente, visto que desejava muitas mulheres e não era exigente.

Porém, agora que parou para pensar no assunto, durante todo esse tempo em que conviveram ele jamais tentara alguma coisa nesse sentido, sequer deixara transparecer suas intenções — se é que as tinha.

Talvez ele também somente se dera conta neste momento, como ela mesma.

Há muito vinha se sentindo insatisfeita em suas relações, uma vez que não apresentavam nenhum desafio e a faziam perder o entusiasmo rapidamente. Os homens que estavam ao seu dispor claramente guardavam um respeito hierárquico à sua figura e se continham instintivamente.

Odiava isso.

Nesse contexto não era hora de se segurar!

Chegou até a cogitar mulheres, mas a ideia não lhe excitava realmente e, afinal, no que poderiam ser diferentes se eram tão subordinadas a ela quanto qualquer outro integrante da Garra do Inverno?

Ao enfrentar Tryndamere na batalha da Primeira Torre e ver que ele a tratava como igual, vislumbrou a satisfação que tanto procurava e cismou que deveria usá-lo; o único problema é que ela não sabia como contornar uma rejeição.

Não se considerava uma mulher sedutora, estava acostumada a falar diretamente e ser prontamente correspondida — apesar da vida difícil, era muito bonita e os machos não costumam dispensar fêmeas de boa aparência.

Mas este não a quis.

O que havia de errado? Não conseguia entender.

Não estava pedindo um romance, apenas uma noite sem compromisso, no entanto o maldito Tryndamere se recusava terminantemente, o que a deixava ainda mais frustrada.

De uma hora para outra tudo mudara.

Durante todo esse tempo Olaf estava ali, bem debaixo do seu nariz.

Por que demorou tanto para notá-lo? Sempre soube que era um guerreiro muito feroz e que jamais seria seu subordinado: estava acima disso, era um aliado útil e leal. Talvez até um amigo.

Então, lembrou-se; na época em que lutou pela primeira vez com o berserker não sentia tal necessidade: de certa maneira se via ainda mais poderosa ao dominar seus parceiros de todas as formas.

Passado. Dessa vez era diferente.

Precisava experimentar novamente o prazer de tentar atrair e domar alguém, não apenas conseguir.

Enquanto trocavam socos e chutes na neve Sejuani sentiu uma euforia que a deixou contente, estava entusiasmada, finalmente um oponente digno depois de tanto tempo!

Recordar essa cena a fazia imaginar o quão feroz ele poderia ser durante o sexo e isso a excitava de uma maneira inexplicável.

Imaginou a vontade com que poderia beijá-la, a força que a apertaria, o vigor que a penetraria, as obscenidades que falaria em seu ouvido, a falta de contenção e amarras invisíveis…

Seu corpo já se encontrava em chamas.

— Você acha que sabe o que eu quero ou penso, mas a verdade é que não sabe. Tenho uma ideia muito melhor de como resolver essa briga, no entanto, se ainda insistir em um duelo até a morte, eu não o recusarei.

O homem se contentou em levantar uma sobrancelha e aguardar. A loira prosseguiu.

— Vamos ver quem aguenta mais… bem ali na minha cama.

Disparou com tanta objetividade que o berserker pareceu surpreso e indignado.

O quê? Isso é algum truque novo, por acaso?

— De jeito nenhum — Diminuiu a distância entre eles, o olhar intenso como o de um animal selvagem prestes a atacar. — O jeito como não se submeteu me deixou com muita vontade de saber do que mais é capaz…

Seu rosto estava tão próximo que podia sentir o queixo liso roçando na barba espessa e o calor que emanava do corpo largo e musculoso, contudo ele parecia hesitar, indeciso, encarando suas contas como se tentasse ler sua alma.

A voz que saiu da boca vermelha e carnuda estava tão suave que sequer parecia a sua:

— Não negue, eu sei que me quer… não se deixa uma mulher esperando...

Foi o suficiente para o homem soltar um dos machados e correr a mão por sua nuca para agarrar os cabelos curtos, puxando-os sem a menor gentileza para trazê-la contra si.

Observou os hematomas que fizera no rosto da mulher: o nariz parecia ter sido recolocado no lugar de origem e ainda estava inchado, um supercílio costurado, um arroxeado escuro em volta do olho esquerdo e um corte relativamente profundo nos lábios.

Por um instante fugaz se arrependeu de tê-los feito, no fundo jamais quis que chegassem a esse ponto. Mas logo passou: ele prezava por lealdade e ela o enganou, como se não bastasse ainda o humilhou ao tratar-lhe como um qualquer.

Um desentendimento dessas proporções exigia um duelo à altura.

Além do mais, se tinha uma pessoa com a qual não se poderia vacilar, essa pessoa era Sejuani, pois em hipótese alguma ela aliviaria para o oponente.

Voltou a encará-la e franziu a testa.

— Eu te arrebento na porrada e você simplesmente quer foder comigo… isso é doentio, sabia?

Ela sorriu com malícia e apertou as costelas onde havia danificado, arrancando um breve gemido doloroso do loiro.

— Não se esqueça de que eu também o arrebentei… — De fato, ele estava péssimo por sua vez. Possuía ainda mais hematomas e cortes no rosto, mal enxergava do olho direito tamanho era o inchaço, a mandíbula estava um tanto frouxa e alguns dentes latejavam perigosamente. — Agora só vamos terminar o serviço. De igual para igual.

Sejuani avançou os poucos milímetros que faltavam para juntar ambos os lábios, porém mal tinha encostado quando o homem puxou suas madeixas forçando a suspender o queixo, impedindo de beijá-lo.

A viu fechar os olhos, como quem busca apreciar as sensações, e aproximou o próprio nariz do pescoço fino e alvo que lhe mostrava sem objeções. Roçou levemente a ponta na pele enquanto expelia o ar quente de seus pulmões e a sentiu arrepiar-se.

Respirou o seu cheiro, uma mistura inusitada de fumaça da lareira acesa com ervas medicinais, e tocou-lhe com os lábios entreabertos. Uma nova onda de arrepios se fez perceber e o homem sorriu satisfeito. Fez o mesmo do outro lado e foi subindo até conseguir fitá-la novamente.

A expressão da mulher era de puro desejo, como ele jamais havia visto igual. Nunca fora exigente com suas parceiras, gostava de mulher e isso era o suficiente, embora não ser portador de grande beleza o ajudasse a não se importar com certos detalhes — não era de se jogar fora, tampouco, sua fama lhe trazia muitos benefícios; no entanto Sejuani era, de longe, a mulher mais bonita que demonstrara interesse nele e não podia negar que isso o animava.

Desde a primeira vez que a viu notara suas qualidades estéticas e a imaginara por diversas vezes nas mais variadas situações libidinosas, como fazia com qualquer outra mulher, contudo não fez mais do que insinuações esporádicas sobre dividirem prazeres sexuais. Não por falta de abertura ou recusa dela, pelo contrário, sempre lhe devolvia com um sarcasmo divertido, mas talvez por falta de um interesse real de ambos nesse quesito específico.

Sabia que um nutria pelo outro um grande respeito pelas proezas em combate e, com o tempo, desenvolveu admiração por ela ser uma líder forte e conduzir a Garra do Inverno com a firmeza e audácia de uma verdadeira bárbara. Provavelmente tenha sido neste ponto que, inconscientemente, deixara de igualá-la às outras mulheres e a elevara ao nível de “melhor não misturar as coisas”.

Pensava que tinha muito mais a perder se a aliança fosse comprometida por causa de um ato que poderia fazer com muitas outras, nunca era uma boa ideia misturar interesses políticos e de guerra com sexo e relacionamentos — como o caso de Tryndamere, que teve de se casar; como poderia ser pior?

Entretanto, lembrou-se da alegria com que ele falava de sua surpreendente esposa antes da batalha com os trolls e o xingou mentalmente. “Desgraçado sortudo! Por que todas querem ele?”, pensou, sentindo a raiva voltar a se manifestar. Por mais que Sejuani tivesse sido clara e reagisse de maneira excitante aos seus toques, não podia deixar de duvidar e sentir o péssimo gosto da amargura começar a estragar o momento. Lançou um olhar feroz.

— Eu não vou ser o seu prêmio de consolação. Se ele não te quis, não vai achar aqui uma segunda opção.

Empurrou-a e deu as costas, rumando em direção à saída.

Ignorou os protestos da loira e bateu a porta quando passou. Ficou alguns segundos parado na soleira respirando fortemente, uma tentativa de organizar as ideias. Notou que vários guerreiros se achavam próximos e atentos, certamente à espera de algum sinal de sua líder ou para testemunhar o que poderia acontecer.

Esquadrinhou à volta para avaliar melhor a situação e sua atenção foi desviada por um discreto aceno mais adiante: uma das guerreiras, com quem costumava passar noites calorosas quando estava na Garra do Inverno, apontava com a cabeça para a sua própria cabana, convidando-o com um olhar intrigado.

Sabia que ela iria lhe fazer as perguntas que estampavam os rostos de todos os outros habitantes da tribo e não se achava nem um pouco tentado a responder, tudo o que mais precisava no momento era descarregar a mistura explosiva de emoções que sentia, mas aquela mulher traiçoeira o deixara tão desnorteado que estaria em clara desvantagem se retomasse o duelo que veio buscar.

Teria de usar outro método.

Olhou para o machado em sua mão e deixou escapar um chiado aborrecido antes de guardá-lo no suporte em suas costas, dar meia-volta e entrar novamente na morada de Sejuani.

Quando viu a profusão de barba e cabelos ruivos-aloirados adentrar mais uma vez o recinto, sua face se acendeu com um largo sorriso.

— Já voltou? Achei que o seu charminho iria durar mais! — Era o seu jeito de ficar alegre. — Sabia que você não iria resistir…

O sangue acelerava em suas veias à medida que o homem andava a passos firmes em sua direção.

Mas qual não foi a sua surpresa ao vê-lo passar direto, apanhar o machado que ficara no chão e refazer o seu caminho sem lhe dizer uma única palavra.

Tentou lhe chamar e protestar mais uma vez, porém sua voz foi abafada pelo baque da porta de madeira sendo fechada com brutalidade, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

A frustração que sentia era tão grande que fazia seu corpo inteiro tremer. Desferiu um soco na mesa, depois outro e depois mais outros, o quanto foi necessário para aliviar as emoções.

“Quem ele pensa que é para me dispensar desse jeito?”, Pensava. “Acha que é alguma preciosidade para estar em posição de escolher, por acaso?”. A recusa de Tryndamere ela até conseguia entender, nunca tiveram apreço mútuo e ele parecia lamentavelmente apaixonado — a paixão transforma qualquer ser humano em um completo imbecil e este, então, fora um dos piores; jamais iria imaginar que ele chegaria ao ponto de ser tão fiel.

Pelas histórias que ouvira, tal situação parecia uma piada.

Mas quais motivos teria Olaf para lhe recusar também? Sempre mantiveram uma boa relação, ela já havia lhe explicado tudo o que precisava e sabia muito bem que ele não tinha ninguém — algumas parceiras aqui e ali e nenhuma levada a sério, entretanto.

Estava certa de que era atraente e exatamente o tipo que costumava interessar o berserker. Nunca o vira rejeitar qualquer mulher que o quisesse e mantinha uma boa fama sobre seu desempenho, inclusive, portanto era de se imaginar que gostasse bastante do ato. Então porque a negava?

Por fim, suas mãos estavam doloridas e de nada adiantara espancar a mesa.

Repentinamente se deu conta e começou a rir.

Se o que mais queria era um desafio, acabara de encontrar.

Arrancou a tala que imobilizava seu joelho e atrapalhava os movimentos e partiu à procura da sua presa. “Isso não vai ficar assim, Olaf, e você sabe disso”, sorriu.

Como previra, a guerreira havia feito perguntas sobre os últimos acontecimentos estranhos. Sejuani chegara desmaiada e em mau estado na tarde anterior, já na noite seguinte ele mesmo aparecera igualmente espancado e irritado, gritando por sua líder como se a desafiasse.

Desconversou dizendo que preferia matar as saudades antes e responder ao interrogatório depois. Encontrava-se agarrando-a com vigor, sem dar espaço para contestações.

Apertava com força as suas carnes e a beijava até faltar o ar.

— Você parece chateado — A mulher falou entre seus lábios, estranhando o silêncio e a expressão do companheiro casual.

— Não estou — Mentiu, se apressando em tirar as roupas que a cobriam.

— Está sim — Puxou a camisa para despir o largo tórax masculino e desabotoou o saiote que mal cobria as enormes coxas musculosas, deslizando-o até o chão enquanto se ajoelhava. — Tudo bem, eu vou te fazer relaxar…

Retirou a grossa peça de baixo que servia para proteger a região íntima do frio intenso e, quando mal havia começado a lamber o seu membro, três fortes batidas na porta a fizeram parar.

— Quem é? Estou ocupada!

— Eu posso imaginar a sua ocupação, mas o meu assunto é com Olaf — O tom ácido de Sejuani a fez arregalar ligeiramente os olhos e procurar os dele em busca de algum entendimento. — Saia daí agora.

— Não vou sair, vá procurar o que fazer e pare de atrapalhar nossa foda!

A guerreira não podia estar mais estupefata pela resposta do loiro, nunca vira qualquer pessoa falando desse jeito com sua líder antes. Pelo menos não que ainda estivesse viva.

O barulho do que pareceu ser um chute na porta a fez levantar-se de sobressalto enquanto Sejuani entrava em sua pequena cabana e visualizava a cena que supunha do lado de fora.

— Saia — Apontou para a saída sem ao menos olhá-la, suas contas claras estavam fixas no homem.

— Não saia — Ele ordenou por cima. Ambas pareceram surpresas com a atitude petulante do loiro.

Ande, está surda?— Dessa vez ela a olhou diretamente e um calafrio percorreu sua espinha, sabia que sua líder não estava para brincadeiras e que as consequências seriam graves caso desobedecesse. Por mais que o homem a enfrentasse, não era ele quem mandava ali.

Acenou brevemente com a cabeça e vestiu-se rapidamente para sair.

— Se você for embora, não virei outra vez — Insistiu, mas a guerreira apenas deu de ombros com um olhar conformado e os deixou a sós, fechando a porta atrás de si.

— Covarde… — Murmurou, olhando para o local em que ela desaparecera.

— Inteligente, eu diria — Observou com interesse o corpo despido do homem à sua frente e retirou uma espécie de manto que cobria boa parte do próprio corpo, mostrando que vestia apenas duas peças muito curtas por baixo. — Era o que você deveria ser também.

Tentou se vestir o quanto antes, ainda estava excitado pela atividade anterior e sabia que seria muito difícil resistir se ela avançasse mais.

— Quer dizer que com ela você quer, mas comigo não... será que está com medo de não dar conta de uma mulher como eu?

Tinha plena consciência de que ela o provocava para perder o controle, no entanto estava cada vez mais complicado não entrar em seu jogo. Reuniu suas forças para permanecer calado e não se demorar.

— Porra, Olaf, diga alguma coisa! — Perdera a paciência. — Queria que eu viesse atrás de você, não queria? Pois estou aqui e não vou me dar por vencida.

Antes que ele pudesse contestar, arrancou as pequenas peças que restavam e as jogou ao chão, se mostrando completamente nua.

Não pôde se conter em devorá-la com os olhos, memorizando cada centímetro das suas curvas. Estava repleta de hematomas e cicatrizes, mas isso em nada estragava a beleza do seu corpo bem definido.

A forte pulsação que sentia não o deixava esconder o quanto a apreciava, mesmo por baixo de grossas roupas de couro.

Tentou se concentrar em fazer um último esforço para lhe devolver a humilhação que sentiu.

— Rasteje de volta para a sua caverna do amor enquanto pode porque eu não vou foder com você!

Ah, você vai, sim!

Repentina e precisamente ela golpeou as costelas danificadas do loiro, fazendo-o cambalear para trás, tropeçar nos poucos objetos presentes no espaço minúsculo e cair ao chão, onde prontamente montou em seu quadril — ignorando a dor do próprio joelho que não deveria estar dobrado — e puxou a longa barba para forçá-lo a olhá-la.

— Pare com essa porra de ciúme idiota e escute de uma vez: eu quero você, seu filho de uma puta!

Inclinou-se e colou os lábios para não lhe dar tempo de teimar.

A estratégia dera certo.

Olaf finalmente cedeu.

Enterrou os dedos largos em suas nádegas e a puxou para mais perto, fazendo-a sentir o calor e a firmeza de seu membro entre suas pernas, enquanto retribuía seu beijo com volúpia.

Desceu e subiu as mãos ásperas, deixando marcas avermelhadas na pele alva tão forte era o seu aperto. A musculatura dolorida intensificava o seu prazer e a fazia soltar gemidos baixos ante a expectativa.

Rebolou com vigor friccionando suas genitálias, arrancando suspiros roucos e mordidas intensas do homem em seu pescoço, colo e seios. Sem aviso e com um sorriso lascivo nos lábios, Sejuani desferiu-lhe um forte tapa no rosto. A surpresa do homem durou bem menos do que ela previra e foi a sua vez de ser surpreendida: prontamente ele esboçou o mesmo sorriso e desceu a mão com força em sua bunda, fazendo-a emitir um grito grave e abafado.

Passara no teste: ele não iria se conter.

A excitação era tamanha que sentia umedecer a roupa que separava suas peles — precisava livrar-se dessa última barreira. Rapidamente escorregou as mãos, que em nada eram macias devido à dureza da vida que levava, pelo tórax musculoso e pôs-se a desatar as amarras e puxar a peça o suficiente para retirar o que tanto lhe interessava.

Parou alguns segundos para observar melhor o tamanho avantajado que segurava. Percebeu que ele estudava a sua reação com uma expressão de satisfação no rosto; agora estava parcialmente explicado o seu sucesso, restava conferir o desempenho.

Sem lhe dar tempo para se gabar, posicionou e deslizou sua genitália por todo o comprimento do pênis, lambuzando-o. Olaf fechou os olhos franzindo o cenho e mordeu o canto do próprio lábio, respirando fundo e apertando-a como quem luta para manter uma postura, mas Sejuani não reparou. Estava concentrada no calor das suas peles e em posicionar a glande em sua entrada; quando estava começando a abrir caminho para dentro de si, um par de mãos agarrou com firmeza o seu quadril e a afastou.

Lançou um olhar assassino aos olhos cristalinos à sua frente e abriu a boca para protestar, no entanto ele foi mais rápido.

— Você parece estar acostumada a fazer assim, mas eu não sou mais um de seus brinquedos… — Sussurrava enquanto levava os braços finos às costas e segurava com firmeza os punhos, deixando-a com o peitoral desprotegido. Com um movimento rápido com a mão livre ele a derrubou de seu colo e a pôs de costas para si, ambos ajoelhados ao chão. Aproximou os lábios da sua orelha e voltou a sussurrar com voz rouca. — Aqui você vai fazer do meu jeito.

Não sabia dizer se o arrepio que passou por cada centímetro do seu corpo foi de prazer pela forma como ele queria dominá-la ou se pelo receio de ser dominada de fato. Jamais deixou que qualquer parceiro conduzisse o sexo, jamais abriu mão do controle. Contudo, neste momento não tinha mais certeza do que deveria fazer. Seus batimentos estavam acelerados e seu raciocínio parecia lento demais, pois ele já a inclinava em direção ao chão, mantendo seu quadril empinado e os braços presos nas costas.

Ofereceu alguma resistência e tentou se desvencilhar, mas não foi solta.

— Se você realmente não quiser, basta uma palavra e eu paro. Não vou forçá-la. — Não pôde ver sua expressão, porém seu tom de voz era sério.

Ao mesmo tempo em que aquela situação a deixava apreensiva, sua euforia ante a novidade e a expectativa aumentavam rapidamente. Nenhum outro lhe oferecia qualquer resistência ou revide, no entanto aquele maldito disputava a sua dominância e autoridade — no final das contas, era o que estava procurando.

No tempo que levou para decidir, ele esperou sem insistir; apenas alisava os quadris e a coxa com a mão livre enquanto contemplava a bela visão que tinha bem à frente de seus olhos.

A mulher deu um suspiro e, apoiando o rosto no chão numa inclinação suficiente para ver a face barbuda, abriu as pernas.

— Quanto tempo mais você vai me deixar esperando, desgraçado?

O viu prender a respiração e arregalar ligeiramente os olhos, vidrado na vista magnífica daquele corpo totalmente entregue para si. O desejo estampado em suas feições e nos toques que agora distribuía em seu sexo a faziam ansiar por mais.

No momento em que ele encaixou o membro e o empurrou para dentro dela, com uma estocada firme, ambos soltaram um gemido alto tomados pelo prazer daquela sensação. E os sons não diminuíram.

A selvageria com que se moviam foi se elevando ao nível em que Sejuani gritava e Olaf grunhia, misturados aos barulhos dos próprios corpos se chocando e aos tapas que ele distribuía em suas nádegas.

Suar era uma raridade naquele local extremamente frio, mas os dois já sentiam gotículas se formarem em suas testas e costas. A mulher pedia cada vez mais forte e ele não conseguia não obedecer, estava completamente tomado pelo fogo intenso da sua cavidade e pela sensação de possuí-la daquela forma, como ninguém mais.

Do mesmo jeito ela se sentia; toda aquela situação lhe permitia experimentar um novo prazer e se deixava levar por ele como jamais fizera. Por um momento não era apenas uma líder forte e respeitada, era mais do que isso, era acima de tudo uma mulher. Uma mulher repleta de desejos que ansiava por satisfaze-los, seja lá quais fossem.

Olaf a penetrava com tamanha força e rapidez que Sejuani se contorcia e gemia tão alto que toda a tribo certamente estaria ouvindo, ainda mais quando estavam fazendo sexo numa cabana de outrem no meio do acampamento dos guerreiros e não na sua própria, cuja localização sempre foi mais afastada dos demais.

Porém ela não se importava.

Nunca se importou, todavia, e menos ainda agora — sequer se lembrava de onde estava.

Quando o orgasmo tomou conta do seu corpo os espasmos foram tão violentos que o loiro teve dificuldade de mantê-la na posição com apenas uma mão e acabou por soltar seus braços e segurar seus quadris. Todo o corpo da mulher enrijeceu e tremeu descontroladamente enquanto gemia e revirava os olhos. A vagina pulsava apertando com força o pênis sensível e o berserker não pôde se segurar mais, como normalmente faria. Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, gemendo com voz grave e se derramando dentro dela.

Aquela relação fora tão intensa que ambos desabaram ao chão, completamente exaustos. Ou talvez fosse culpa da luta que travaram há pouco tempo, não sabiam ao certo. Tudo o que sentiam era uma leveza impressionante, como se todos os pesos que carregavam sumissem de suas costas. De fato, uma sensação de paz.

Passaram um tempo ofegantes, tentando recuperar as forças. Sejuani, deitada de bruços, observou seu acompanhante da vez manter os olhos fechados e não tentar tocá-la em momento algum, como os outros faziam. Apreciou a atitude.

Apenas quando levantou para se vestir foi que ele abriu os olhos e a contemplou de cima à baixo, sem esboçar expressão ou dizer o que quer que fosse.

— Você foi… impressionante— Ela disse por fim, com um sorriso de lado. Há muito não sentia o que Olaf pôde lhe proporcionar hoje e, curiosamente, o único clímax que teve foi o suficiente para satisfaze-la completamente, isso era ainda mais raro. Pelo que se lembrava, aquele homem fora o melhor parceiro que tivera até hoje. Estava verdadeiramente impressionada. — Na próxima vez você vai chorar pedindo para eu parar.

Riu com malícia, mas logo sentiu várias pontadas de dor atingirem seu corpo. Os ferimentos que não haviam sido curados ainda estavam piores. Seu joelho, então, agora era o dobro do tamanho.

Valeu a pena.

Não esperou que ele respondesse e saiu mancando porta afora, pior do que entrou, mas o brilho nos seus olhos e o rosto avermelhado não deixavam dúvidas. Também não se surpreendeu ao ver diversos habitantes da tribo rondando o local para se inteirar dos acontecimentos, tampouco com suas expressões ora constrangidas ora risonhas, que eles tentavam esconder ao vê-la.

Não podia negar, a situação era divertida.

Um pouco mais adiante avistou a guerreira com quem Olaf pretendia se divertir hoje e sentiu uma vontade inusitada de perturbá-la. Encarou-a e falou em voz alta para que pudesse ouvir:

— Sinto muito, mas creio que você não vai conseguir usá-lo por algum tempo…

Abriu um largo sorriso debochado e seguiu para seu pequeno chalé.

Notas finais
E então, o que acharam? Estou ansiosa pelos comentários! Leio e respondo todos sempre, então não se preocupem que por mais que demore eu sempre cumpro ♥ E não me matem, SejOlaf (nem sei se existe esse shipp kkk) precisou de um tempo só pra eles, mas a estória sempre segue seu curso e tudo o que eu coloco aqui tem uma função... ah, vocês já devem estar acostumados ao meu jeitinho, né? ;3 Beijão e obrigada por sempre me apoiarem, amo vocês! Até o próximo ♥_♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.