Destinos
17 Capítulo 17 - Uma estranha aposta
Notas iniciais
—Cof... Cebola... Cof... Por fa... Cof Cof... —A dentuça suplicou tentando pedir por ajuda, mas sua tosse estava cada vez mais intensa.
Até que ar começou a faltar nela fazendo a sua pele esbranquiçada de tom normal começar a mudar para uma cor levemente arroxada.
—Hã! MÔNICA! —Cebola gritou em pânico ao notar a cor que estava na face da jovem.
—Cof cof cof... Não consigo resp... —Mônica com muita dificuldade disse numa voz fraca de modo como estive implorando pela ajuda dele mais do que nunca.
—Calma! Eu vou te ajudar! Primeiro tenho que te tirar daqui. —Cebola confortou tentando manter a calma e tranquilizar a Mônica se dirigindo imediato até onde ela estava sentada na cama a pegando no colo, logo após ele ter jogado o maço de cigarro pela janela.
—Ah Minha... Bombinha de... Cof... Cof! —Mônica sinalizou ofegando com dificuldade apontando pro objeto com o dedo indicador que estava em cima da cômoda.
—Tá bom! —Cebola consentiu olhando pro local onde Mônica apontava e indo imediatamente até o objeto pegando mesmo com uma das suas mãos desocupada. —Pronto já peguei! Vamos dar o pé logo daqui. —Ele anunciou entregando a bombinha de asma na mão da Mônica que no mesmo instante coloca de frente da sua boca absorvendo o ar.
Enquanto isso Cebola imediatamente saiu do quarto carregando a moça nos seus braços sem perder mais tempo, descendo as escadas e depois atravessando a sala até chegar em frente da porta, abrindo a mesma após ter girado a maçaneta com uma das suas mãos fazendo assim eles dois ter permissão de saírem de dentro da casa.
Já no lado de fora da casa dentro do quintal, Mônica finalmente podia respirar ar puro aos poucos e já podia se sentir um pouco melhor, nem precisava mais da bombinha. Vendo a melhora da dentuça Cebola retorna pra sala com a jovem e a colocando sentada no sofá. A mesma ficou alguns estante o encarando intrigada misturando com um olhar de desaprovação, enquanto o ex troca-letra que se sentia um tanto sem jeito com aquela situação, preferia não a encarar pois sabia que a maior parte ele tinha culpa e então achou melhor fitar o carpete que havia no chão da sala, até que o rapaz ouve a uma certa voz fazendo virar o pescoço e presta a tensão na pessoa que é dona daquela voz.
—Você quase me matou agora, sabia!? —Mônica queixou-se o culpando de forma rígida num tom serio estando indignada enquanto encarava o adolescente com uma expressão rancorosa.
—É, mas eu também te salvei. —Cebola se justificou sendo irônico lembrando ela.
—Sim, depois que você quase me matou. —A garota dos dentes avantajado rebateu com ironia o relembrando.
—Argh! Foi mal! Eu admito que fui o culpado e por isso te peço desculpa. —O troca-letras se desculpou sendo honesto amostrando um grande arrependimento. —Mas como podia imaginar que você tinha problemas respiratórios?! —Ele protestou tentado se defender.
—Esqueceu que eu te avisei e o que você fez!? Se fingiu de sonso e não ligou. —Mônica acusou de um jeito frio e firme, os seus olhos marejavam de tristeza e frustração, ela tentava se forte para segurar as suas lágrimas.
—Na hora achei que você tava de frescurinha como sempre. —O jovem argumentou de cabeça baixa sem graça.
—Ah sim claro, né! Por você acha que eu tava de "frescurinha" eu QUASE MORRI! —A dentuça esbravejou gritando de raiva, dessa vez suas lágrimas não deu pra conter e ela foi obrigada a deixar uma solitária escapar escorrendo pelo seu rosto.
—MAS IMPORTANTE É QUE ESTA VIVA! Devia parar de bancar a chata que fica reclamando e agradecer a Deus. Eu já admiti o meu erro e quando você vai admitir os seus?! —Cebola repreendeu a menina bastante furioso e incrédulo com o modo dela de ser.
—Admitir os meus erros?! O que você quer dizer com isso? —Mônica perguntou confusa sem poder compreender.
—Ora Mônica pela primeira vez na vida não se faça de desentendida, erros em você que não falta. Sei, também tenho muitos, mas pelo menos me esforço para querer corrigir alguns que são graves. —O garoto problemático respondeu um pouco cauteloso tentando ser sensato.
—E quais erros você notou em mim? —A morena do cabelo chanel questionou interessada em saber.
—Quais?! Vejamos... Primeiro: Sua teimosia, mas isso é de menos. Segundo: Essa sua vontade de querer desistir de viver... —O ex cinco-fios explicou só que antes de terminar sua fala acabou sendo interrompido.
—Pera aí eu não desisti de viver... —Mônica contestou tentando consertar ele só que sem sucesso, pois acabou sedo interrompida também.
—Cala boca que ainda não terminei! —Cebola ordenou de maneira bem serio e autoritário fazendo a Mônica não ter alternativa ao não ser se silenciar. —Quando disse "que você desistiu de viver" me refiro a você sempre esta em casa confinada, nem ao menos frequenta uma escola, parece até que tem algum medo. Medo que mundo não te aceite assim e por isso que esta se escondendo. —Ele esclareceu o que estava tentando falar.
—NÃO É NADA DISSO! —Mônica reprimiu gritando com raiva com aquele belo jovem se sentido injustiçada. —Eu não tenho medo! Nunca tive medo de nada. Só que... —Ela hesitou ao terminar de contar por causa do receio que tinha de revelar seu ressentimento.
—Só que?! —Cebola estimulou a continuar sendo retorico estando curioso.
—Eu não devo te dar satisfação da minha vida a você. —A menina retrucou resmungado bem ríspida e em seguida virou o pescoço pro lado com uma expressão enfezada nada amigável.
—Ótimo! Melhor assim, não vai fazer perde o meu precioso tempo com os seus desabafos de mimimi. —O troca-letras provocou sendo sarcástico debochando para irritar a Mônica e em fim incentiva-la contar.
—Hur! Tá! Tá bom! Você venceu. —A dentucinha concordou inconformada após ter se dado por vencida. —Meu problema é que eu sou muito orgulhosa e forte, desde que eu fiquei assim... Você sabe! Quando perdi a capacidade de poder andar depois de sofrer um acidente de carro, eu... Eu passei... A verdade é que eu não suporto as pessoas tenham dó de mim. Por isso prefiro evitar conviver com as outras pessoas, até meus antigos amigos da infância me afastei deles por não aguentar aqueles olhares de compaixão pra cima de mim, só apenas uma amiga que eu não desfiz da nossa amizade pois vi que a amizade dela era o que mais importava do que apenas piedade. Não é à toa que ela é a minha única e melhor amiga. Pior ainda é que Isso se estende até mesmo fora de casa, quando estou nas ruas todos param pra olhar pra mim e me encaram com aquelas caras de "oh tadinha daquela menina, numa cadeira de roda". Minha vontade é de manda todos pra "aquele lugar" e sair correndo pra bem longe da li. Mas como eu poderia "sair correndo". Essa palavra não faz sentido nenhum pra mim. E pra evitar esse sofrimento prefiro ficar em casa, é muito melhor. —Ela desabafou sentindo uma imensa vontade de chorar por sua vida ser assim, só não chorou porque lutava pra não demonstra sua fraqueza.
—Então é por isso que não sai de casa por causa dessa... Frescura!? —O moreno revoltado debochou estando abismado.
—Frescura?! Eu me abro pra você dizendo como me sinto e você diz que é frescura?! —Mônica revidou pasma pela atitude do garoto estado irritada.
—Bom, partes sim! Claro que deve ser horrível tá nessa situação, mas acho que é um desperdício de vida você querer ficar trancada aqui dentro e não querer encara a vida lá fora. —Cebola opinou tentando se explicar melhor com o que pretendia dizer antes. —Você é tão jovem e pode fazer tanta coisa, não acho justo fazer isso com si própria. —Ele aconselhou sentido apreensivo pela vida de amargura que aquela menina estava levado.
—O que você quer que eu faça, Cebola!? Não quero sofrer mais que já sofri. —A moça confessou com melancolia sendo razoável e os seus olhos lacrimejavam.
—E também não quer perder mais coisas que já perdeu, né?! To certo? —O garoto rebelde interrogou sendo sensato enquanto arqueava uma sobrancelha a encarando.
—Hum... Uhum! —Mônica afirmou assentido com a cabeça.
—Hahaha! Por isso mesmo me decidi, quero consertar todos os seus erros, farei de tudo pra te mudar, mesmo que seja impossível. —Cebola garantiu bem convencido e determinado.
—O que?! Mudar a mim? Como? —A garota dos dentes salientes exclamou estando estupefata e muito confusa.
—Isso mesmo que ouviu! Como não sei. Mas eu sei que vou conseguir de alguma maneira e começando por esse seu péssimo habito de não querer sair de casa. —Cebola assegurou sendo bastante determinado.
—Não, Cebola! Isso não! —Mônica discordou suplicando, demostrando estar bem aflita com os olhos regalados.
—Relaxa Mônica, farei isso devagar pra você indo se acostumando com a ideia. Entende?! —O rapaz contou dessa vez sendo compreensivo.
—Hum! Sim, eu acho! Mas pera ai, por que só você vai consertar os meus erros enquanto você tem vários?! Fumar feito uma chaminé ambulante é uma delas. Isso não é justo, então por isso tomei a decisão que eu vou te consertar também, nem adianta dizer não para mim. —A morena decidiu colocando as duas mãos uma em cada lado da cintura amostrando muita confiança.
—Er, com você não adianta mesmo dizer não. —Cebola zombou sarcástico apenas levando para o lado da brincadeira.
—Hahaha! Que bom que reconhece isso porque farei de você um novo Cebola. —Mônica decretou de modo convicta e debochada com um sorriso de vitória sublinhado em sua face.
—Isso foi uma ameaça?! —O jovem delinquente supôs a encarando desconfiado e com sorriso de lado modelado em seu rosto.
—Pode crer que sim! —A garota confirmou com um olhar de ameaça e um sorriso cínico vitorioso.
—Hahaha... Beleza! Vamos fazer assim então. Que tal um desafio com uma aposta de quem vai conseguir consertar os erros do outro, hein?! Topa? Vai encarar?! —Cebola propôs bem animado já pensando na sua vitória enquanto sorria de jeito travesso cínico.
—Uma aposta é?! Hum! Por que não. To dentro! —Mônica aceitou de modo corajosa e segura com um sorriso animado contornado em sua feição só de pensar na hora de ganhar.
—Ótimo! Mas já vou logo avisando, eu não sou assim nada fácil de ser mudado. —O ex troca-letras avisou com cinismo e em seu rosto se formou um charmoso sorriso cínico torto.
—Muito menos eu, como você mesmo disse "eu sou uma cabeça dura". —Mônica comentou cruzando os braços e arqueando uma das suas sobrancelha o encarando com pequeno um sorriso cínico.
—Saiba que eu não tenho medo de desafio difícil, quanto mais for difícil o desafio mais eu gamo. —O garoto alertou sendo convencido e com um sorriso de canto modulado em seu feição.
—Haha! Pera lá, o que vamos apostar? —A dentuça indagou estando curiosa.
—Hum... Eu tava mesmo pensando nisso. —Cebola cogitou pensativo. —Que tal assim... Um será o escravo do outro por um mês, tendo que cumprir todas as ordens mandada sem hesitar. —Ele sugeriu com um sorriso insano montado em sua face pensado: "eu sei, sou cruel".
—Hum! Escravo por um mês?! —Mônica pronunciou surpresa. —Que excitante. Eu topo! —Ela insinuou os olhos brilhando de entusiasmo finalizando mordendo o seu lábios de baixo só de pensar em infernizar o Cebola.
—Fechou! Preparada pra ser minha escrava, dona Mônica?! —O moreno do cabelo espetado ameaçou com ar maléfico já se sentindo vitorioso.
—Ora Cebolinha não vai contando "vitória" antes da hora, se já esta no seu destino ser o meu mero escravo. —A menina dos dentes promitente desafiou cinicamente debochada, depois dando um suspiro de expectativa com entusiasmo. —Não vejo a hora! —Ela completou em seguida sorriu de jeito travesso moldado em sua semblante.
—Muito menos eu! Hahaha... —O rapaz declarou começando a rir bem humorado.
—Hahahaha... —Mônica riu também achando graça sem saber o por que sempre acabava se envolvendo nas piadas e risos daquele garoto.
—Mônica, falando serio agora. Algum me diz que sua mãe não vai gostar do meu vacilo. É bem provável que ela me proíba de voltar aqui. —Cebola relembrou amostrando uma certa preocupação.
—Eu sei disso! E por isso mesmo que você pode ficar de boa que não vou contar nada pra minha mãe o que você aprontou hoje. Imagina se ela proíbe a sua vinda aqui como que fica a nossa aposta. —A jovem mencionou de um jeito debochando apenas lavado para brincadeira com um sorriso divertido desenhado em sua feição.
—Pois é! Exatamente isso que eu pensei. —O moreno constatou concordando enquanto sorria de leve.
—E também... Ficaria um pouco chateada de nunca mais ver você de novo. —A dentucinha revelou sussurrando num tom de voz baixo, ao mesmo tempo suas bochechas haviam ficado corada totalmente sem jeito.
—Haha... Eu também! —O ex troca-letra admitiu com um pequeno sorriso alegre formado no rosto. Por ele estar próximo da Mônica conseguiu escutar o que ela murmurava dessa vez.
De inicio o Cebola havia ficado descrente com o que ouviu, só que logo depois acabou gostando de saber essas as palavras vindo da aquela garota, pois no fundo ele estava feliz de ver que a Mônica tinha algum certo interesse nele, mesmo se for só em amizade.
—Hã?! —A morena ficou perplexa e ao mesmo tempo encabulada por ver que o Cebola ouviu direito o que ela disse.
Isso acabou deixando muito constrangida e mais vermelha do que antes, parecendo um pimentão. Se bem que no fundo a dentuça sentia uma felicidade por ver que o Cebola concordava o mesmo que ela.
—Hahaha! Não pega nada não! Vou lá no seu quarto pegar sua cadeira e ver se aquele cheiro infernal do caralho já saiu. —Cebola comunicou meio tímido dando um sorriso sem graça tentando mudar o rumo da conversa o quanto antes. —Pera aí que já volto num pé só! —Ele pediu de forma atencioso caminhando até onde fica a escada.
—Tá, beleza! —Mônica concedeu depois ver o Cebola subir na escada, continuando ainda sentada no sofá sem opção de poder sair e em poucos minutos ele retorna pra sala trazendo a sua cadeira de roda.
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