Destino mimado
1 Capítulo 1 - A tristeza trágica
Notas iniciais
A vida nem sempre percorre uma linha reta pré-definida pelas pessoas, as vezes fazem voltas para chegar em outro lugar melhor ou as vezes encostam na linha de pessoas que nunca pensávamos que iriamos encontrar.
Na Terra as pessoas viviam no ano de 1871, no início da belle époque, no qual todos estava distraídos com as transformações culturais assim como se divertiam com a facilidade que as novas invenções tornavam a vida social mais fácil. Os artistas de rua faziam shows com as suas cores dançantes, eram tantas luzes na cidade que ninguém percebeu uma pequena luz movendo-se em uma alta velocidade no azulado céu noturno.
– 20 minutos para a colisão — disse a voz robótica de dentro da nave.
A nave era pequena por fora, porém muito bem espaçosa e confortável por dentro. O painel de luzes e botões dos mais variados tamanhos preenchiam um lado da parede da nave.
– Capitão, o sistema de pouso quebrou — disse um dos vários tripulantes que corriam assustados dentro da nave.
Cada um deles possuíam uma estatura na média de um metro e sessenta centímetros, ossos maiores e robustos do que uma pessoa normal, e muito mais pêlos pelo corpo do que um homem comum.
– Esqueça o sistema de pouso comum, use o de emergência — disse o capitão.
Ele era o único mais diferente de todos, media um metro e oitenta centímetros e era robustamente forte. Possuía uma espinhosa barba loira e olhos verdes. Vestia uma roupa social branca, assim como sua calça e sapatos eram brancos, simbolizada a paz dizia ele. Não muito diferente dos outros ele também estava, um tanto assustado. Mexia freneticamente no painel de controles com uma expressão séria e apressada.
– Colisão em 10 minutos — disse novamente a voz mecânica.
Todos os tripulantes usavam uma roupa azul escura e pareciam ter as mesmas expressões faciais, de medo.
– Capitão, não da para fazer mais nada, só rezar para que a batida não nos mate.
– Se segurem todos, pois o tranco será brusco — disse a voz amedrontada do capitão.
– Colisão em 10....9.....8... — disse a voz do computador.
A angustia que os tripulantes e o capitão sentirão era enorme. O medo de que talvez nunca mais rever seus entes queridos, fazia o estômago deles caírem nas pernas. Parecia que o coração iria sair pela boca.
A floresta fechada se aproximava rapidamente na grande janela frontal da nave que por sua vez era de alta tecnologia porém parecia rústica.
A nave em forma de lua bateu nas árvores, derrubando e arrancando-as do chão. Assim que a nave tocou o mesmo, uma enorme quantidade de terra foi deslocada, e juntamente a nave foi aos poucos se quebrando e derrubando tudo que tinha na sua frente.
Um esquilo que estava passeando por ali se assustou e saiu pulando desesperadamente. Em uma visão panorâmica, a nave ficou sem forma e destruída. Fios e pedaços do painel luminoso estavam destraçados. Como um prato de vidro que é derrubado no chão, simplesmente se despedaça em vários pedaços de diferentes tamanhos.
Depois daquele incidente, em uma país chamado Japão, aproximadamente no ano de 2020, uma garota que aparentava estar no final da adolescência falava em uma divertida voz :
– Que bom que a gente poderá fazer essa viajem, sempre quis conhecer a América e nesse cruzeiro vou poder me divertir muito e no final ainda conhecerei um novo lugar.
Ela estava falando isso para os pais que já tinham certa idade e trabalharam arduamente para conseguir pagar a viajem e fazer a filhinha deles feliz.
A garota tinha longos cabelos pretos e um rosto angelical, juntamente com seus pequeninos olhos puxados.
Alguns dias depois, a garota e os pais estavam estrando no navio japonês chamado Kiseki ( significa milagre). Todos parecia excitados com a viajem e com a quantidade de coisas que poderiam fazer no navio, exceto pela garota. Por mais alegre que ela estivesse com a viajem, por algum motivo ela estava com medo de algo acontecer, pois eles iriam atravessar o oceano pacífico, um dos mais perigosos e extensos oceanos do globo.
Em uma das noites mal dormidas da garota, acontece uma enorme tempestade que despenca sobre o navio.
– Filha, vai dormir, não precisa se preocupar com nada. Não é qualquer tempestade que irá derrubar esse navio, aposto que eles já enfrentaram várias tempestades dessas — disse a voz calma da mãe
Lá fora o barulho de chuva junto com o vento gritava sobre a janela do quarto. O assobio do vento parecia o grito agonizante de pessoas mortas . O chão do navio parecia dançar com a maré. Inquieta, a garota sem sono resolve sair do quarto para ver como está o navio. Ao ouvir vozes abafadas pelos trovões, a garota trajando um enorme vestido para dormir curiosamente começa a andar tropeçando pelo navio em direção a um dos enormes salões.
– Desliguem as luzes para poupar energia — disse um grito de fora
De repente todas as luzes do navios desaparecem,e a imagem do corredor extenso que parecia não ter fim, simplesmente se apaga virando um borrão de luz, apenas pequenas luzes tímidas desbravam a escuridão do corredor, abrindo um caminho para a garota com cabelos negros, que pareciam ligeiramente mais claros que a escuridão que engolia o navio.
Do lado de fora, a chuva parecia castigar o navio que parecia tão pequenino em comparação as enormes ondas que desafiavam a embarcação. Uma dessas ondas lambe o navio deixando- o quase que de lado.
A garota que anda lentamente pelo corredor é jogava repentinamente para a parede e cai no chão. Por dentro fez se um enorme som de madeira se quebrando. Novamente ficando de pé, a aventureira continua a andar pelo extenso corredor de quartos, até que finalmente chega em um grande salão, onde muitas pessoas estavam grudadas e amedrontados, tremendo de medo e frio ao mesmo tempo. Um dos tripulantes vira a curva apressadamente e quase derruba a garota. Pelo que parecia todos deviam se concentraram ali, é o que dizia o protocolo de emergência.
Dessa vez uma onda maior que a outra lambe o navio como um cachorro lambe a face se seu dono, dando uma extensa lambida. O navio não aguentou e tombou para o lado, e lentamente é engolido pelo agressivo mar.
– Pai, mãe ! — disse a garota correndo de volta para o quarto assustada e ao mesmo tempo chorando, no dançante navio. Até que ela desmaia e tudo que ela vê é uma escuridão que parecia ser eterna.
Um pouco distante dali, ela abre seus olhos e enxerga um vasto campo de areia misturado com uma floresta. Sua roupa estava rasgada e suja, estava semi nua e o sutiã rosa claro a mostra. Ela escuta um som grave e seco em sua cabeça, quando ela percebe era uma gaivota, que estava gritando roucamente e bicando sua cabeça.
– Ai, saí daqui — disse a garota balançando o braço freneticamente, fazendo a gaivota sair voando.
Quando um homem sai da floresta vestindo um calça de pernas rasgadas fazendo parecer um short e o enorme tórax cabeludo a mostra. Carregava vários gravetos no braço e usava um pequenino na boca que parecia ser um cigarro.
– Finalmente você acordou — disse ele largando os gravetos na areia.
– Quem é você ?
– Desculpe meus maus modo — disse ele esfregando as mãos uma na outra para tirar alguma sujeira.
– Me chamo Kyfav, prazer em conhece-la — disse ele fazendo uma reverência.
– Eu sou Tsuki, prazer — disse ela se levantando.
– O que aconteceu com você? Estava pescando quando de repente a vi boiando. Pelo menos a respiração boca a boca te salvou.
– O que? Você fez respiração boca a boca ? — disse ela timidamente colocando o dedo no lábios
– Não não, estava brincando, fiz massagem cardíaca e por isso tive que rasgar um pouco sua roupa — disse Kyfav olhando para acima um pouco distraído. — Como vi que seu coração estava batendo, eu esperei você acordar e fui buscar mais lenha para a fogueira. Está com fome?
Quando de repente o estômago dela ronca ferozmente deixando-a rapidamente vermelha como uma maçã. Kyfav desata a rir.
– Não ria por favor — disse ela timidamente com as mãos fechadas bloqueando os seios.
Ambos caminham calmamente em direção a floresta que agora não parecia estar tão ameaçadora como parecia antes.
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