Fevereiro de 1979:

Minhas memórias voltaram, mas com elas me trouxeram arrependimento além do imaginável, aquelas coisas que passei em 72, foi o que me fez trancar neste banheiro.

Precisava me recompor e o único lugar dessa casa era o banheiro, o único lugar privado que ainda não foi tomado por olhares de elfos ou dele.

72 foi um ano agitado, um ano que só me lembrava o básico, mas que agora ecoava uma voz agitada com palavras estranhas.

Gritando suas ofensas e ameaças, mas naquela época eu era apenas uma garota que acreditava que poderia ser uma Lufana, mas que não precisava de ninguém para me apoiar.

Na verdade, continuei pensando assim, até aquele dia e pensei ter mudado, meus pensamentos estavam centrados em acabar com tudo, mas acho que não posso mudar imediatamente.

Pensei que era suficiente para me salvar de todos os meus medos e possíveis traumas, infelizmente não consegui.

Não era a Lufana que escreveu em um livro que estava cansada de ser salva o tempo todo.

Acho que cansei, não, vi que estou sem saída, os meus planos deveriam ser mudados.

Precisava de ajuda, de qualquer pessoa, até mesmo do Lorde. Apenas precisava sair daqui para não me lembrar das memórias, ou de...

"Se você não se casar comigo, irei matar seus pais."

Bati meus punhos no balcão da pia, tentando não me lembrar de como sua voz era ardilosa, como uma verdadeira serpente.

Deveria ter corrido e não ficado parada em choque com suas palavras, afinal, ele tinha poder para matar os meus pais e fez isso.

Matou meus pais e aceitei isso, apenas por uma poção.

Achei que poderia me apoiar neles como sempre fiz, lembro que mesmo temendo que o governo descobrisse sobre a minha magia, eles continuaram comigo.

Mas não pude estar presente no funeral, apenas meu corpo estava lá, sendo uma boneca sem emoções.

Ele os matou bem na minha frente, e apenas sorri como uma desgraçada sem alma!

Agora não posso nem mesmo chorar para desfazer esse nó em meu peito, tenho que continuar sorrindo até que ele me dê a ordem.

Respirei fundo, fechando os olhos com força para esquecer as novas memórias, mas elas vieram como a água que saia da torneira.

Lembro que sentia raiva e queria saber o motivo de tudo aquilo estar acontecendo.

Apenas faltavam poucos passos para confessar com sinceridade os meus sentimentos para Rabastan, mas nunca consegui.

Dolohov não me deixou nada, amigos, família, vida e amor, nada. Foi tudo tão rápido que ninguém sabia o que estava acontecendo, nem mesmo eu.

Talvez o tempo que continuei nesta casa me fez parar de pensar em meu egoísmo e de como não queria ser nenhuma pobre coitada.

Agora sei que com as minhas forças e saúde mental, não poderia sair das garras de Antonin sozinha.

Poderia ter dinheiro, mas sabia que poderia me encontrar, afinal, lembro de tudo que passei.

"Por que você está fazendo isso quando finalmente criei coragem para revelar os meus sentimentos para Rabastan? Por quê?"

Minha voz soou em minha mente, odiando essa sensação estranha em meu corpo. Queria arrancar essa pele e colocar outra, para tirar esse desejo repugnante do meu âmago.

O olhar que estava no espelho não era o meu, esses olhos verdes e tristes, não eram os meus! E não serei essa pessoa submissa para Antonin Dolohov, mas preciso ser até que ele dê a ordem...

Aguente mais um pouco e poderemos ser livres.

"Se você não se casar comigo, não terei nenhum direito na minha herança!"

Dinheiro, sempre foi o dinheiro, por que não percebi desde que estudávamos em Hogwarts que ele era tão ambicioso?

Tudo bem, o dinheiro pode ter me prendido com esse homem, mas será o dinheiro que me fará sair de seu lado.

"Meu pai gosta muito de você e ele me mandou uma carta e, sabe o que dizia?"

Tive que rir e continuar me arrumando, aquele velho deveria estar morto e no quinto dos infernos. Mas até o capeta não quer ele, infelizmente não foi apenas com o filho que minha vida virou um inferno.

Mephisto não me fez nada, apenas me transformou na mulher perfeita para seu filho "perfeito".

Não sorria demais, seus dentes são feios; emagreça, meu filho precisa de alguém apresentável ao seu lado... Espero que morra!

Acho que posso estar assim agora, mas se não fosse minha índole e alto controle, já teria surtado, o que deveria ter feito naquele baile.

Acabarei com essa família e começarei com o mais novo primeiro, até que só sobre uma pessoa com esse sobrenome.

Mas a próxima lembrança não me deu uma folga como esperava, apenas me deu uma dor de cabeça imensa.

"Dizia que se eu não a tivesse como minha esposa, poderia esquecer a minha herança, uma coisa que é minha por direito!"

Lembro do aperto em meu braço, deixando roxo em minha pele, mas lembro do soco que dei em seu rostinho.

Devo fazer isso de novo quando estiver livre, e estarei livre.

"Vai lá, conte para o Rabastan que você gosta dele, depois que você receber as cabeças de seus pais em uma bandeja de prata, não adianta reclamar."

O soquei tanto aquele rosto que a canção que saia de minha boca não me fez esquecer das seguintes lembranças infelizes que transformaria em felizes.

Observei minha barriga e as últimas memórias me fizeram sorrir, foi ali que tudo começou e será aqui, que tudo irá terminar.

Minha história não é sobre vingança ou recomeço, apenas uma história com um final diferente, um que refiz com as minhas próprias mãos com ajuda do meu filho.

"Imperius! Você tomará essa poção e vai se apaixonar por mim."

Alisei minha barriga pela primeira vez desde que descobri que estava grávida.

O tempo que passei nesse lugar me fez sentir-me mal, que até mesmo cogitei que estava entrando em um estado irreversível de depressão.

Mas sabia que mesmo passando anos, não me deixaria cair, então, fiz um feitiço de gravidez por descargo de consciência.

Cogitei que estivesse errado, mas sempre fui boa em feitiços, porém, a notícia que deveria me trazer felicidade, me trouxe perplexidade.

Em todos os meus anos nesta casa, nunca fiquei grávida, mas agora que queria acabar com essa vida e família, isso me acontece.

Surtei por longos minutos neste banheiro, tentando saber se deveria contar para o Antonin, afinal de contas, mesmo sendo um desgraçado, era do seu filho que estávamos falando.

E sei que Mephisto ficaria feliz por ter um neto a caminho, faria até mesmo uma festa para comemorar.

Entretanto, ele não saberia, nenhuma do dois, porque no momento que descobri sobre essa gravidez, considerei abortar.

Algo terrível? Não, não acho, mas foi esse feto que me fez acordar para a vida.

E mesmo gerando o filho daquele homem, o herdeiro desta família, ele não viveria aqui, em um lar abusivo.

Também não queria que essa criança sofresse por saber de algo assim.

Ela não tinha culpa por ter um pai egoísta e com conceitos mais errados que o próprio Lorde.

Passei horas pensando nisso tudo e agora estou aqui, criando o melhor sorriso para aparecer novamente na frente de Dolohov.

Afinal, sou melhor que o meu passado e serei melhor que o meu presente, mas sempre serei Destiny Olwey.

Não preciso de roupas e não preciso de nada desta casa, ainda mais que não tinha nada que eu gostasse.

Apenas preciso recuperar minha vida e futuramente posso contar que a criança é uma Dolohov, ela merecia saber.

Olhei para baixo, ainda alisando minha barriga que estava pequena... Queria que a mamãe estivesse viva, ela poderia me apoiar e tentar tirar todas essas dúvidas de minha cabeça.

Mas tudo bem, não posso negar meu passado, apenas tenho que fazer diferente e o diferente começa agora.

Aperto minha barriga, sentindo o pontinho mágico sendo condensado ali.

— Tiny. — Bateu à porta e retirei minhas mãos daquele lugar.

Peguei o anel no balcão e o coloquei no dedo, abrindo a porta e o vejo ali.

— O que está fazendo parada? Acha que achará algo atrativo em você? — Socar esse rosto de novo não seria tão mal.

Deixei a escova em seu lugar e fui até ele, fazendo meu pequeno teatro. Acho que sou boa em fingir ser alguém que não sou.

Alisei seus cabelos negros e sua barba, sorrindo como uma idiota. Precisava ser a pessoa mais chata deste mundo para esse homem me dar a ordem.

Algo que venho fazendo por dias...

— Anty. — Sorri e tentei beijá-lo, mas virou o rosto, quase me fazendo agradecer em voz alta. _ O que houve? O Lorde ficou irritado com algo? — Não me respondeu esse assunto.

Empurrou-me e observou o banheiro, tentando achar algo que o dissesse que mudei. Mas estou sendo perfeita em minhas ações, não andei com os Sonserinos apenas por serem os melhores em agir assim.

— Sairei. — Semicerrou os olhos castanhos. _ Voltarei tarde, então não me espere para o jantar.

— Mas, Anty... — Ficou irritado e finjo tremer. _ Desculpe. — Olhei para baixo.

Saiu do banheiro e continuei olhando para os meus pés, até que ele voltou e disse:

— Você é infértil? — Franzi o cenho. _ Estamos casados quase uma década e nada de um herdeiro, meu pai está reclamando.

Quem dera se fosse infértil... Não, que coisa errada de se pensar, isso foi bom, se não estivesse grávida nada disso estaria acontecendo.

— Anty, faço de tudo para engravidar, também quero um bebê. — Aproximou-se e meu cérebro queria dar alguns passos para trás, mas não fiz.

— Então faça direito, tome poções, vá ao médico, não me importo. — Alisou os cabelos medianos para trás. _ Apenas engravide, ou você não sairá deste quarto.

Minha mão coçava para socar esse rosto que tanto apreciei, mas apenas continuei sorrindo, tentando não ranger os dentes por raiva.

Talvez a raiva fosse a minha gasolina para não ficar depressiva e focar nas coisas passadas.

Não posso viver no automático ou nessa situação, se quero ajuda, preciso gritar e gritarei.

Todavia, ele me deu a ordem e vou aceitá-la de bom grado, a esperei por tantos dias que não vou desperdiçar.

Vamos ser livre hoje!

— Então vou ao médico hoje e irei ao Beco Diagonal para comprar um vestido. Posso?

— Irá apenas nestes dois lugares? — Apenas concordei. _ Não fale com ninguém, eles não fazem bem para a sua cabeça. — É claro, eles tentam me fazer enxergar que você é um demônio!

— Claro, apenas irei falar com a médica e com a vendedora. — Continuei sorrindo, tremendo meus olhos por segurar um sorriso falso por muito tempo.

— Quando voltar, precisamos que você engravide. — Ainda bem que não estarei aqui.

— Esperarei, como sempre. — Deu alguns passos para trás e saiu do banheiro.

Indo para a sua amante como sempre... Acho que ela merecia um presente por deixar esse homem fora de casa todos os dias.

Apenas precisava aguentar todos os dias a monotonia desse quarto, sem elfos sinceros e palavras de desprezo.

Pelo menos consegui a ordem e a lareira seria liberada, já que não tenho varinha para aparatar e nem posso.

Agora só preciso esperar mais alguns segundos e sair deste banheiro para ir ao Beco, Caspra precisava me ajudar, ele era obrigado a fazer isso!

Suspirei, não posso pensar nisso agora, precisava contar até dez para que os meus pés se mexessem, se não fizesse isso, poderia ser descoberta e não quero isso logo hoje.

O motivo era simples para mim, enquanto tentava não comer muito ou beber qualquer coisa daqui, entendi como um corpo com Amortentia funcionava

As pessoas eram lerdas para sair de um ambiente para o outro, demorando cerca de dez segundos.

Não foi muito fácil descobrir isso, afinal, não havia nada sobre isso em livros, então ninguém iria saber desse detalhe.

Felizmente pude analisar as memórias que apareciam em minha cabeça, fazendo que essa descoberta facilitasse meu teatro.

Paro de pensar um minuto e vejo se estava tudo no lugar e saio do banheiro, indo em direção do primeiro andar.

Caminhando pelo corredor repleto de vasos, contendo flores que um dia amei, mas que eram um símbolo da minha prisão.

Ainda mais que nem mesmo a minha chave de Gringotts estava aqui, algo que procurei por dias e nada, mas tudo bem, posso apenas fazer outra com o meu sangue.

Paro de andar e desço lentamente a escadaria, fazendo o mínimo de barulho que poderia fazer nesse tipo de escada de mármore.

O frio em meus pés me sinalizava a liberdade, como no banheiro, mas precisava aguentar a minha afobação.

Olhei para os lados, tentando não encontrar Mephisto aqui, odiaria ver aquele velho logo cedo de manhã.

Queria correr para a lareira, mas desci o último degrau com calma, sendo parada por uma voz.

— Minha senhora. — Observei o elfo e quase suspirei aliviada. _ Aonde vai?

— Demon. — Esse elfo chegou do nada nesta mansão... _ Sairei com a permissão do meu marido. — Desgosto fluía pelas minhas veias. _ Voltarei antes que ele chegue.

— Precisa que eu vá junto? — Limpou suas mãos em suas vestes de saco de batata.

— Não tem necessidade, mas obrigada. — Esperei os segundos e caminhei até a sala de visitas, indo em direção do pó de flu.

Às vezes agradecia por ser amiga dos duendes, ou ficaria presa nesta casa pelo resto da minha vida.

Peguei um pouco do pó no potinho e entrei na lareira, falando meu destino com um pouco de cautela em minha voz, não queria que ninguém soubesse que tudo iria mudar.

— Gringotts! — E as chamas verdes me engoliram, consumindo meu passado e me mostrando um novo futuro.

A falação e a iluminação me fizeram fechar os olhos, mas o banco tremeu, já sabendo que estava aqui.

Fazendo-me lembrar o motivo de ter sido escolhida para ser amiga deles e o significado disso.

Lembro que ganhei minhas bençãos por ser a única bruxa que conhecia os cumprimentos dos duendes, os fazendo dar suas bençãos e me convidando a ser amiga deles.

Quando aceitei o juramento, foi rápido, e consistia em: sempre iriam me ajudar e sempre iria ajudá-los, mesmo que seja a coisa mais errada.

Mas nunca pensei que um dia estaria aqui e pediria para cancelar um casamento, mas era melhor assim, pelo menos não precisava do Dolohov para fazer isso.

Abro os meus olhos e limpo meu vestido, saindo da lareira.

Mas quando os meus pés tocaram o chão, percebo que eles não estavam com sapatos apertados, me fazendo lembrar que não os coloquei.

Olhei em volta e todos estavam concentrados em seus afazeres, então esperava que ninguém reclamasse por me ver assim.

Saio do cantinho modesto do banco e caminho até um dos balcões vazios, sendo acompanhada por olhares de alguns duendes.

— Senhora Dolohov. — Odiava esse sobrenome. _ Em que devo a honra de sua visita? — Apoiei minhas mãos no balcão e falei:

— Quero falar com Caspra, Koldo. — Semicerrou os olhos. _ Ele está ocupado?

— Nunca está para a nossa amiga. — Sorriu, mostrando aqueles dentes pontiagudos e fofinhos. _ Acompanha-me.

Saiu do seu lugar e passo por aquele vão que havia entre os balcões, o seguindo para a porta ornamentada que daria para o escritório do chefe dos duendes.

Passamos pela porta e fiquei pensando, os duendes realmente eram ostensivos.

Talvez pelo fato, que foram subjugados por muitos anos pelos Bruxos, ou talvez só quisessem esquecer o que aconteceu naqueles tempos, se entupindo de joias.

Bom, antes pensava que o mundo precisava de igualdade, mas vejo que só precisava coexistir com um pouco de harmonia.

E infeliz ou felizmente, apenas um lado queria que todas as criaturas mágicas caminhassem juntas.

O corredor escuro começou a se acender a cada passo que dávamos e os carrinhos paravam em nosso lado, buscando ou levando bruxos e duendes.

— Tem muito tempo que não a vejo. — Comentou em voz baixa. _ Aconteceu alguma coisa, minha dama?

— Sim. — Os duendes poderiam ser subornados por Dolohov, mas não poderiam contar nada de sua amiga, a magia os impedia.

— Devo presumir que é grave. — Infelizmente. _ Que Gringotts sempre esteja a guiando em seus passos.

— E que seu ouro sempre transborde. — Sentia saudades de falar essas pequenas frases. _ Desculpe por ter sido ausente nesses anos. — Negou.

— Não precisa se desculpar, não sofremos nada nesses anos, apenas tivemos ajuda. — O Lorde deve ter convencido eles de alguma forma.

— Certo.

Paramos e o Koldo bateu à porta, girando a maçaneta logo em seguida, me mostrando um duende sentado em sua mesa de ouro.

Caspra continuava o mesmo de minhas memórias, um duende com monóculo e um sorriso afiado.

Entrei na sala, sentindo o olhar surpreso do duende, também ficaria surpresa.

Acho que se não fosse os meus pés sentindo o frio das pedras, pensaria que tudo foi feito pela minha imaginação.

— Você pode ir. — Falou para o Koldo, que fechou a porta e se foi. _ Destiny, o que aconteceu? Tem anos que não aparece aqui e nem mesmo responde as minhas cartas.

Cartas? Então as pessoas me contatavam, apenas que ninguém me falava nada, já deveria ter imaginado.

— Caspra, preciso de ajuda. — Apenas concordou. _ Preciso que... — Sentei-me na cadeira e falei: _ Quero cancelar meu casamento, não me casei por alma, então é mais fácil. — Franziu a testa.

— Por quê? Lembro que você estava tão feliz. — Uma felicidade falsa.

Que idiota, fui tachada como a mulher que largou todos por seu marido e família feliz.

Respirei fundo e falei aquilo que só guardava para mim, mas que começaria a contar para os outros.

— Dolohov me dava poção Amortentia, e fui submetida a ela por esses anos todos. — A pena em sua mão caiu. _ Quero sair daquela casa quanto antes. — Meu nariz pinicava e meus olhos me forçavam a liberar as lágrimas.

— Por Gringotts! — Estava chocado demais para falar algo. _ Você deve estar devastada, não sei o que dizer no momento. — Começou a mexer nas gavetas. _ Antes, como isso...

— Caspra, ainda não quero lembrar de tudo. — Suspirou.

— Tudo bem, você é a nossa amiga por anos, e uma amiga que passou por isso... — Resmungou.

Tentei me comportar, mas meus pés alisavam um ao outro, e meus dedos se mexiam em ansiedade.

Faltava pouco para ser livre, só faltava assinar o documento e sairei deste lugar.

Preciso continuar firme...

— Destiny, o que farei é contra todas as políticas que estabelecemos por gerações, mas não me importo de fazer isso para te ajudar. — Sei que tinha um preço.

— Pegue o que quiser no meu cofre... — Mordi a língua. _ Se tiver alguma coisa nele ainda.

— Você não pegou nada nesse meio tempo, e os juros que tivemos que pegar e colocar novamente em seu cofre, aumentou. — Concordei. _ Tem um pouco a mais em seu cofre, se é isso que quer saber.

Isso era bom, poderia sobreviver com esse dinheiro por algum tempo. Mesmo tendo o pensamento de procurar ajuda, ainda sabia que não poderia depender de ninguém financeiramente.

— Acha que estou indo rápido demais? — Parou o que estava fazendo. _ Mesmo lembrando de tudo, minha mente está...

— Nunca é rápido demais para acabar com o nosso sofrimento, queria poder fazer mais que entregar um papel. — Funguei.

Deslizou pela mesa o pergaminho de anulação e as palavras douradas me faziam tremer, só faltava a minha assinatura.

Poderia começar a chorar ou estava cedo demais?

— Assine e tudo será anulado, menos o passado em que sobreviveu. — Falou triste.

Antes de fazer qualquer coisa, retirei o anel e o deixei ali, onde deixaria o meu sobrenome.

Peguei a pena e li, e reli o pergaminho, tentando fazer que aquelas letras penetrassem meus poros e dissesse que tudo acabou, mas que era apenas o começo.

Engoli em seco e assinei meu nome onde deveria, sentindo a magia rodopiar ao meu redor, me libertando das algemas invisíveis do meu casamento.

Estava livre.