1979:

— Como assim são gêmeas? — Bas estava pálido, quase me fazendo sair da cama de hospital para ampará-lo.

Porém, Charlotte me impediu de fazer qualquer movimento brusco, até mesmo parecia que eu era um ser humano exótico que ela nunca teve a chance de examinar.

Bom, além de toda essa confusão, tentava entender como o meu bebê virou dois, já que os feitiços do nosso mundo eram muito mais precisos que o equipamento trouxa.

— Acho que esqueci de contar que sua esposa estava ovulando. — Cruzou os braços. _ Mas fiquei tão preocupada com a saúde da Destiny que nem me lembrei disso.

— Isso era uma coisa importante. — Dessa vez tive que concordar. _ E se não quiséssemos mais um filho? E se não tivéssemos estrutura para mais um? — Continuei concordando.

Ela estava errada por não informar esse assunto, mas não me importava muito sobre todo esse tópico.

Apenas que os meus bebês estavam bem e cresciam saudáveis no meu ventre.

— Não brigue tanto com ela. — Comentei, os fazendo me olhar. _ Veja pelo lado bom, teremos dois bebês. — Suspirou e beijou minha testa, me apertando em seus braços.

Mesmo que tudo isso tenha acontecido devido aquele dia chuvoso e quente demais para me lembrar, não me arrependo de ter feito sexo com ele.

Naquele dia ele me mostrou que não estava brincando quando falou que podia ser romântico, mas também poderia me dar prazer.

— Espero que vocês não excluam a primeira criança. — Franzi o cenho e me lembrei que os bebês teriam pais diferentes.

— Não faremos isso, os bebês são os nossos filhos e a maior benção que poderíamos desejar.

Um deles me salvou de muito tormento e o outro me mostrou que posso constituir uma família muito maior, apenas depende de mim.

Suspirei, vendo Charlotte relaxar um pouco e esboçar um sorriso gentil.

— Já estava pensando em pegar um vira-tempo para me dar um tapa. — Estalou a língua. _ Mas fico feliz que pensem assim, isso me faz repensar em muitas coisas.

— Você precisa rever sua moral, isso sim. — De certa forma não estava errado.

Mas sabia que ele ainda processava tudo, porém, o alívio em seus olhos era evidente.

— Serei o melhor pai que poderia existir no mundo. — Apertou minha mão. _ Comprarei vários livros e entrar em um daqueles cursos preparatórios de pais.

Comecei a rir e não sabia o que seria de mim sem esse homem musculoso.

Acho que a melhor coisa foi ter ido naquele baile e de ter o encontrado de novo.

Chorado nos seus braços e visto tudo que aconteceu com seu corpo nesses anos.

Meu destino mudou ali e sei que continuaria mudado.

— Sei que vocês estão felizes com a chegada de mais um bebê, mas tenho pacientes para atender. — Apontou para o relógio invisível do pulso. _ E sei que vocês têm um compromisso na mansão Lestrange.

Certo, iríamos almoçar na mansão para contar sobre a minha gravidez e que iríamos nos casar o mais rápido possível.

Bom, ele ainda não sabe que vou pedi-lo em casamento.

— Você sempre sabe demais, você tem algum informante na mansão Lestrange? — Segurou minha cintura e me desceu da cama, o que me pegou de surpresa, mas não falei muito.

— Talvez tenha na sua casa e você não saiba. — Estalou os dedos. _ Até mês que vem, Desty. — Aproximou-se. _ E vejo vocês na próxima. — Alisou minha barriga, bagunçando o vestido.

— Ainda vou contar sobre isso para a titia. — Bufou.

— Conte para o Papa, mas não conte para a minha mãe. — Fingiu tremer. _ Bom, dê lembranças a titia. — Caminhou até a porta e abriu, sinalizando algo bem óbvio.

— Até. — Murmurei, a escutando resmungar.

Saímos da sala, andando mais um pouco e paramos no corredor sem pessoas para nos observar.

Não sabia mais o que dizer... Teria crianças com pais diferentes brincando e se chamando de irmãs.

Mas não deixaria de amá-las.

— Se forem meninas. — Tossiu, começando um assunto. _ Podemos colocar o nome de Tessa e Aylins. — Não gostei do último nome.

— Que tal Tessa e Sienna? — Ficou pensativo e o vejo sussurrar os nomes, movimentando os lábios.

— Perfeito. — Sorriu e me beijou, raspando sua barba em meu queixo. _ Mas e se forem meninos?

— Podemos pensar sobre isso com calma. — Mesmo sentindo que não seriam meninos, sabia que estava ansioso para escolher os nomes. _ Mas agora temos que ir. — O puxei, nos levando para recepção do hospital, passando por toda aquela gente fofoqueira.

Mas o que isso importava para o momento? Nada, apenas que muitas pessoas descobririam que teríamos bebês e iriam espalhar isso para o resto do mundo.

Contudo, estava feliz demais para pensar o que estariam imaginando agora.

— Você está bem? — Sussurrou, parando perto da lareira.

— Estou. — Ansiosa, mas bem.

Bas apertou minha mão com suavidade, mas com firmeza, como se quisesse me assegurar que tudo ficaria bem.

Mas apenas respirei fundo e o vi pegar o pó, nos fazendo entrar na lareira.

— Pronta? — Assenti, sentindo meu coração acelerar com a expectativa.

Estava ficando ainda mais nervosa, mas também animada, o que era completamente louco da minha parte.

— Mansão Lestrange. — Jogou o pó e chamas verdes nos engoliram, ativando nossa conexão com a lareira dos Lestrange.

A primeira coisa que senti ao chegar na mansão foi o cheiro delicioso de comida, o que fez meu estômago fazer um pequeno barulho.

E a segunda coisa que percebi foram os olhares das pessoas na sala de estar.

Todos estavam ali, desde a matriarca Lestrange até a Bella, com seus cachos mais indomáveis que o habitual.

— Pensei que essa reunião nunca fosse acontecer. — Rodolphus comentou com a Bella no seu colo.

— Estávamos ocupados, irmão. — Saímos da lareira e caminhamos pela sala ampla e iluminada por luz natural que vinha das janelas francesas.

Sentamo-nos na poltrona que não havia ninguém e fiquei sem saber o que dizer para todos, principalmente os meus sogros.

— Destiny. — Começou o Christoffer. _ Depois de sabermos de tudo que passou e que meu filho a ajudou muito, fico feliz que esteja bem.

— Você sempre foi bem-vinda nesta casa. — Genevieve continuava sendo amável. _ E continuará sendo, mesmo que você expulse meu filho de casa.

— Mamãe!

— Às vezes quero expulsar meu marido também. — Fez biquinho e tive que rir, essa família sempre foi assim.

— Amor. — Apertou sua mão. _ Sempre faço tudo que você pede. — Os olhos azuis de sua esposa se reviraram.

— É o mínimo. — Continuei rindo. _ Mas mudando um pouco de assunto. — Observou-me. _ Você está grávida? — Alisei minha barriga protuberante e concordei.

Bella ficou estática e Rodolphus riu, fazendo Christoffer gaguejar coisas que não entendia completamente, mas Genevieve estava radiante, mas, ao mesmo tempo, preocupada.

Sabia o que se passava em sua cabeça e não poderia dizer que não a entendia, porém, mesmo com a morte dos Dolohov, a criança em meu ventre teria sua herança.

Afinal, Rabastan conversou com o Lorde antes de matar Antonin e até mesmo foi ao Gringotts para saber sobre todos os procedimentos possíveis.

Contudo, ainda era difícil dizer certas coisas, mas deveria falar.

— São gêmeos. — Genevieve uniu as mãos maravilhada. _ Porém. — Olhei para o Bas, que apertou minha mão. _ Uma das crianças é do Rabastan e a outra...

— Mesmo que seja assim. — Bella não me deixou explicar. _ Mimaremos as crianças e é isso que importa.

— A Bella está certa, querida. — Cruzou as pernas. _ O sangue não é importante, o que importa é que as crianças nasçam saudáveis e que meu filho crie juízo com a chegada dos bebês.

Rabastan bufou e não comentou, apenas continuou apertando minha mão, me dando coragem para continuar falando sobre os bebês e os acontecimentos que antecederam.

Tudo parecia tão pacífico, parecia mais um fim do que mais um recomeço.

Acho que sempre pertenci essa família...

Lestrange combina mais comigo do que Dolohov, ou apenas estou feliz demais para falar qualquer coisa que pareça mais coerente.

Tudo estava dando certo, e sei que mesmo que se me ajoelhasse nesse piso de mármore, pedindo Bas em casamento.

A resposta sempre seria um sim.

Porém, não fiz isso agora, apenas continuei conversando com essa família tão caótica e unida, mas que sempre apreciarei o convívio harmonioso que existia entre eles.

— Bas. — Sussurrei, vendo as outras quatro pessoas discutindo quem mimaria mais os bebês.

— Sim?

— Estou com fome. — O escuto rir, mas não retrucou. _ A gente pode deixá-los discutindo e ir comer?

— Aprovo e assino em baixo sobre essa ideia. — Ótimo.

Rabastan me ajudou a levantar, e nos dirigimos em direção à sala de jantar.

A cada passo, sentia meu estômago roncar mais alto, ansiosa para saborear a comida que já podia sentir o cheiro no ar.

Porém, no meio do caminho, algo me fez parar de repente.

Não tinha ninguém no corredor ou que pudesse me atrapalhar, apenas que meu nervosismo cresceu em meu peito, me fazendo sufocar com o ar.

Estava tudo bem, só iria pedir esse homem em casamento.

— O que houve, cordeirinho? — Amava quando me chamava assim, me fazia sentir um misto de emoções complicadas demais para descrever.

— Nada. — Murmurei, mas não voltamos a andar. _ Apenas que... — Respirei fundo, o observando.

Coloquei a mão no bolso do vestido e retirei uma pequena caixinha de veludo.

— Você quer casar comigo? — Não era assim que queria propor, mas estava nervosa demais para pensar.

Bas não me respondeu de imediato, mas soltou uma risada baixa e carinhosa, me pegando de surpresa.

— Isso é um pouco injusto. — Tirou do bolso uma caixinha semelhante. _ Também pensei sobre o nosso relacionamento e sou uma pessoa ansiosa demais para pedi-la em namoro, então. — Apertou a caixinha. _ Pensei que podíamos pular todas as etapas chatas e nos casar.

Engoli em seco e um riso escapou dos meus lábios. Merlim! Esse era um dos dias mais doidos e mais maravilhosos da minha vida.

Nada poderia superar esse momento. Nada!

— Quando iria me pedir? — Minha voz tremia.

— Durante o almoço.

— Parece que sempre conseguimos adivinhar o que o outro está pensando. — Falei.

Rabastan apertou minha mão e a beijou, me fazendo suspirar. Porém, o som da caixinha fez o meu coração errar uma batida.

— Destiny. — Gaguejou. _ Você é tudo para mim. Cada momento ao seu lado só confirma o quanto quero passar o resto da minha vida contigo. — Mordi meus lábios, observando a aliança delicada. _ Aceita se casar comigo?

As palavras saíram dos meus lábios antes mesmo de perceber.

— Claro que sim! — Queria pular nele, mas não fiz, ainda.

O anel foi colocado no meu dedo e coube perfeitamente, quase me fazendo desmaiar de tanta emoção.

Contudo, ainda não escutei suas palavras ou muito menos abri a caixinha do anel.

O que fiz imediatamente depois que ele beijou novamente minha mão, mas com a aliança em meu dedo.

— E você, Rabastan Lestrange, aceita se casar comigo?

Riu, seus olhos verdes brilhando de felicidade.

— Não precisava nem perguntar. — Piscou.

Com cuidado, coloquei o anel no dedo dele, mas minha mão tremia levemente, o que demorou um pouco.

Em seguida, ele me puxou para um abraço apertado, beijando-me com ternura.

— Agora somos oficialmente noivos. — Sussurrei contra seus lábios, sentindo a barba em meu rosto.

— E teremos uma vida maravilhosa.

— Com duas pestinhas ao nosso lado. — Zombei, o fazendo rir. _ Sinto que são meninas.

— Se você acha, também acho. — Você me mudou, Bas.

Você mudou minha vida, meu destino e sei que com você ao meu lado, tudo estará bem.

— Agora vamos comer. — O puxei.

— Sim, senhora Lestrange.

Continuamos nosso caminho para a sala de jantar, de mãos dadas e com corações entrelaçados.

A jornada estava apenas começando, mas esse era o fim da história e não da minha vida.

— Ei, Bas. — Ele me olhou. _ Você é meu destino.

— E você é meu, cordeirinho.

Fim.