Destino amoroso. - Quem sabe? Ninguém se atreve.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem.
- Próximo! – gritei – cartão, dinheiro ou cheque?
- Dinheiro.
Era isso que fazia todos os dias a 3 anos, acho minha vida sem graça, sem aventuras, mas que tem seu significado.
E assim ia meu dia ‘’próximo’’, ‘’ cartão, cheque ou dinheiro’’, porque mais o que uma caixa ia falar com seus clientes? As vezes até surgia um assunto aqui ou ali, mas coisa pouca, sem graça, motivação, excitação para continuar prosas.
Mais um dia se passará, indo para casa pensava no meu dia agitado. Chegando em casa, assim que abri a porta dei de cara com minha mãe, levei um leve susto já que estava nas nuvens, talvez sonhando com um galã de novela.
- Que susto mãe!
- Tudo bem? Está com fome?
- Ok, não tente ser super protetora, já sou grandinha.
-Te chamo para o jantar! – disse num tom meio decepcionado.
Cheguei ao meu quarto e joguei tudo no chão, tirei minha blusa, peguei o celular e me joguei na cama, entrei nas redes sociais e fiquei pensando na minha vida, não gostava muito dela, podia me demitir, mais ficaria sem dinheiro.
No meio da minha reflexão minha mãe me chamou para o jantar.
- Filha o jantar.
- Já vou mãe! – me vestindo.
- Olá filha – disse meu pai ao chegar lá.
- Olá — e beijei-o
Jantamos em um silencio de dar inveja, sem um piu se quer, todos quietos saboreando as delicias da mamãe, como se não tivessem nada para falar depois de um dia cheio, acho que estavam cansados. Terminei os beijei e subi, me arrumei e deitei, ainda deprimida com minha vida, precisava mudar algo nela, mas oque? Não sabia. Adormeci.
****
Na manhã seguinte, o sol brilhava, tudo para ser um dia perfeito, com emoções e surpresas. Levantei fui ao banheiro, me arrumei para o trabalho e desci. Na mesa à minha espera minha mãe, já que meu pai saísse a muito tempo.
- Bom dia, filha!
- Ótimo, mãe....
- Ótimo dia, filha – rimos – Está melhor hoje?
- Quando estive ruim?
- Pensa que mãe não percebe?
- Ok, admito, mas o que temos?
- O de sempre, bom apetite.
Sentei, comemos e conversamos sobre como queríamos que fosse nossos dias, rimos, discutimos, a conversa tomou outro rumo e assim nem vimos o tempo passar, quase 30min., olhei para o relógio.
- Ai meu, estou atrasada! Tenho que ir mãe.
- Ok filha, bom... Ótimo trabalho....
- Merd…- sai murmurando.
Peguei o carro e sai feito um trovão, assim por sete quarteirões, reclamando da lerdeza alheia no momento de pressa. Até chegar oito quarteirões depois ao supermercado. Entrei e logo dei de cara com o gerente.
- Bom dia senhora Alice.
- Bom dia senhor, desculpas pelo atraso, você sabe o transito.
- Mas a essa hora não...
Nem dando tempo a ele de terminar a frase, sai, direto ao vestiário e me troquei, corri e entrei ao meu local de trabalho onde passaria mais 4 horas até o almoço e talvez mais 5 horas.
- Caixa aberto!
- Bom dia senhor. Cartão, cheque ou dinheiro?
- Cartão.
Passei suas mercadorias me recuperando da correria, e começando a entrar na minha eterna depressão por trabalhar ali e não ter alegrias na vida, o que pelo menos eu achava. E assim veio o próximo, mais um e outro até a hora do almoço, 11:30h. Sai com a Roseli, e fomos a uma lanchonete.
- Você está estranha nos últimos dias. – disse ela.
- Talvez seja uma depressão por trabalhar muito.
- Sai, ué – era gaúcha.
- E o sustento? Eu que pago minhas contas, viu?
- Pois não seja por isso.
Ao chegar na lanchonete, pedimos e sentamos, ela com seu celular e eu refletindo como somos dependentes. Logo chega o atendente.
- Aqui seus pedidos senhoras.
- Obrigado – agradecemos.
Saboreamos, aqueles sanduiches gordurosos em silêncio, as vezes encarando uma a outra e sorrindo de canto, sem assunto algum, uma amizade nem tão intima, onde eu poderia desabafar. Só tinha uma amiga assim a Jessica. Ai que se passou por minha cabeça de procurá-la.
- Acebei — disse Roseli.
- Também – disse me limpando. – preciso ligar para Jessica, espera?
Disquei os números de seu telefone, chamou, chamou e ela atendeu:
- Alo – exclamou
- Oi é a Alice, posso passar ai mais tarde?
- Claro! Que horas?
- Depois do turno, 4:30h.
- Tudo bem.
- Até. – Desliguei.
E fomos em direção ao mercado, cantando nossas músicas preferidas, em alto e bom som, que desse para os outros olharem atentos a nós, loucas.
Chegamos, nos despedimos e sentamos em nossas velhas e suadas cadeiras, antigas de tanto trabalho. Como sempre gritei minhas falas. Outro cliente. Ranzinza.
- Olá, cartão, chequ... – Logo me cortou.
- Cartão, vamos tenho pressa.
- És inimiga da perfeição.
- És nada, vamos piranha. – me agrediu.
Logo chamei o guarda, que lavará aquele agressor, que não deveria ao menos entrar ali, fiquei com raiva, no qual descontei insulta mente, de forma leve nos meus próximos clientes, de cara fechada os atendia.
Horas se passaram, vira no relógio 4:16h. O último cliente a espera. De cabeça baixa o perguntei todo meu repertorio e uma voz incrivelmente sex e máscula me respondeu suavemente, o que me deu grande entusiasmo.
- Dinheiro. – a voz disse.
- Claro. – disse olhando suavemente aquele cara.
Passei suas compras me despedi e fui me arrumando para a saída, pensando de maneira sutil naquele rapaz que me impressionará. Saindo, me deparei com ele, apoiado na parece com uma perna dobrada, as mãos no bolso. Ao me ver começou a chegar perto de mim.
- Oi.
- Oi, tudo bem? – disse encantada.
- Quer carona? Posso te levar?
- Tudo bem estou de carro.
Assim a conversa tomou rumos, e mais rumos, até que gentilmente pediu meu telefone, passei e fui em disparada ao carro.
Chegando em casa, simplesmente não parava de pensar naquele no qual mal sabia o nome, ao menos jantei, apenas lá fiquei imaginado o que não sequer existia, ou virá a existir, sonhando com um futuro. Nessas de imaginar adormeci as duas horas.
Continua...
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