Destino? - Versão Yaoi

3 Recuperando laços perdidos


Notas iniciais
Oi pessoal desculpa da demora, o capitulo ja estava terminado a quase uma semana, mas eu comecei a fazer curso exercícios, físicos, etc bom provavelmente deve ter mais erros que o normal eu so dei uma olhadinha basica... bom boa leitura e obrigado por acompanhar!

Minha mãe abril a pasta que carregava e espalhou varias cartas e artigos de jornais sobre minha cama.

– Rafa, você se lembra há um pouco mais de sete anos, quando você foi junto com o Cris e o pai dele comprar um “carro novo”? – ela me perguntou e eu apenas afirmei que sim, então prosseguiu com a explicação – bom, na linha de produção dos carros daquele ano saíram com alguns defeitos sérios e ninguém tinha notado ainda. Naquele dia quando a família Askal saiu para visitar um parente, os freios do veiculo se romperam e eles acabaram se sofrendo um acidente...

Eu já estava muito arrependido de ter falado aquilo daquela forma ao Cris, isso antes da minha mãe começar me explicar o verdadeiro motivo dele ter sumido, então você pode imagina o quão culpado eu estava me sentindo agora, era como se tudo dentro do meu peito estivesse se corroendo e desmoronando.

Antes de continuar a falar ela pegou um recorte de jornal em meio a toda aquela papelada e me mostrou, nele tinha uma foto em preto e branco de um carro todo destruído e o titulo do artigo dizia “acidente deixa família hospitalizada”.

–... Os pais do Cristian ficaram quase dois meses hospitalizados após o acidente e falaram que foi um verdadeiro milagre ele ter sobrevivido, porque na parte onde ele estava sentado foi completamente destruída, e ele conseguiu sair vivo do acidente, mas muito ferido e acabou entrando em coma durante bom tempo. Há pouco mais de um ano o ele acordou e nesse tempo ele ficou fazendo o tratamento para recuperar a falar e os movimentos do corpo, quando a mãe dele me ligou e me explicou tudo ela me disse que uma das primeiras coisas que ele falou foi perguntar por você, então ela me procurou e quando ficou sabendo que ainda morávamos no mesmo lugar perguntou se o Cristian poderia mandar algumas cartas e claro que eu disse sim, ele me mandava uma a cada mês, no inicio – ela pegou um dos envelopes os abril e me mostrou – parecia letra de um garoto do jardim de infância, ao longo do tempo ela foi melhorando e eu ficava super feliz quando as recebia e via o quão melhor ele estava...

– Mas porque os pais dele não voltaram? Eles tinham coisas na casa ainda, documentos, roupas, poderiam ter voltado para pegar e poderiam terno explicado tudo e eu poderia ter ajudado...

– Calma Rafa, você não poderia ter feito nada. Eu também não entendi direito, mas eles me disseram que não voltaram porque quando saíram do hospital a imprensa ficou em cima deles então para acesso fácil ao hospital pediram apenas para algum familiar vir junto com o caminhão de mudanças pegar as coisas. Mas Rafa, eu só quero que entenda que a culpa não foi deles em momento algum, você sempre foi um amigo muito importante para o Cris, e aquele garoto é quase um filho para mim, ele já sofreu de mais e perdeu muito tempo da sua vida, então, por favor, peça desculpa a ele!

– Porque você não me mostrou isso antes? – ela procurou uma carta entre as demais e quando a achou a estendeu ate mim e em um dos parágrafos dela tinha “Sra. Beth, você não disse nada para o Fael não é?”.

– Quando a mãe dele me ligou ela me pediu para não contar a ninguém, e eu só falei para o seu pai mais ninguém, eu nunca entendi também o porque disso, mas apenas atendi ao pedido dela.

Eu não queria acreditar naquilo, eu não queria aceitar aquilo, porque eu fui o carrasco que o julgou e disse tantas coisas injustas a ele, que foi o mais prejudicado nessa historia.

Mesmo me forçando a não chorar eu não consegui segurar as lagrimas e para não deixar minha mãe ver, levei minhas mãos ao meu cabelo e os segurei, daquele modo não dava para ela ver meus olhos lacrimejando.

– M-mãe você esta brincando comigo não é? – naquele momento a única coisa que eu queria era voltar no tempo e pedir perdão para ele por tudo que falei – você esta me falando isso só para eu me sentir mal não é?

–Rafa, eu sei que é difícil, mas você não sabia e foi por isso que seu pai fez aquilo quando você disse aquelas coisas, foi de fato horrível aquilo tudo, mas eu sei que se você conversar com o Cris vai resolver tudo, então não o deixe ir, ok?

– Ond... Onde ele esta?

– Ele disse que iria a algum morro ou algo do tipo – eu me levantei da cama e antes de sai do quarto minha mãe perguntou – sabe onde é?

– Acho que sim – sai do quarto rapidamente, mas pude ouvir sua ultima frase.

– Leve o carro!

Corri ate a garagem e peguei o carro da minha mãe e sai para a reserva, mas a todo instante eu revivia aquele momento quando disso todas aquelas coisas injustas para o Cris, a única coisa que eu pensava era isso e em como iria me desculpar com ele.

“Você nunca deveria ter voltado”, como eu disse isso? Como eu pude dizer algo assim para ele? Como eu pude tratar alguém que foi tão importante para mim? Alguém que eu amei por tanto tempo. Porque eu fiz isso? Porque agir daquela forma!?

Dirigi o mais rápido possível ate a reserva e quando cheguei ao antigo lugar por onde entravamos quando mais novos. O carro não passava ali, para entrar eu teria de pular uma cerca.

Quando estava dentro da reserva corri o maximo que pude. Havia um bom tempo que eu não entrava naquele lugar, a vegetação estava densa, o mato estava alto e muitos galhos de algumas arvores que beiravam a pequena trilha de terra que eu seguia se estendiam por ela e a atravessavam, devido a isso consegui alguns arranhões na pele e alguns buracos nas roupas.

Andei bastante antes de achar o morro onde aquele pessegueiro ficava, após passar por uma pequena elevação pude ver bem ao longe um morro alto com uma enorme arvore que parecia esta la há séculos e alguém estava la, quanto mais perto eu ficava mais certeza eu tinha que era o Cristian que estava ali.

– Cris! – gritei do meio do morro, meus olhos ainda estava cheios d’água quando o encontrei.

O garoto se virou assustado e quando me viu fez uma expressão como se não entendia o que estava acontecendo.

– Rafael? O que aconteceu? Você esta chorando?

– Me desculpa! Eu juro que eu não sabia... Eu, não queria dizer aquilo, eu tinha pensado que você tinha apenas me abandonado para começar uma vida nova, para mim você só tinha brincado comigo antes de se mudar, eu não sabia do acidente – eu falei segurando o choro, eu estava com medo dele ser frio comigo e não me perdoar.

– Sua mãe te contou? – falou Cris com um pouco de receio em sua voz, ele parecia surpreso ou decepcionado ou não consegui entender sua expressão daquele momento.

– Sim, e porque você não me falou nada? Isso nunca teria acontecido... Me desculpe...

Ele apenas sorriu e se virou, voltou a olhar para o horizonte.

– Rafael, agora você esta com pena de mim? Pena pelo acidente ou por eu ter perdido um grande tempo em minha vida e por eu ter perdido muitas coisas importantes? Sendo sincero você esta com pena de mim?

– Porque essa pergunta?

– Apenas responda – ele disse quase como um grito.

– S-sim, estou sim, mas...

– É exatamente por isso que eu não queria falar, eu sabia que você iria me aceitar apenas por dó, e eu não queria isso! – ele virou para mim e pude ver sua expressão zangada — Eu queria que você me aceitasse de volta por tudo que já vivemos, por nossa amizade e não simplesmente por pena. Compaixão ou pena é o pior tipo de sentimento que alguém pode sentir por outra pessoa! E é por isso que eu não queria te falar!

Eu não sabia o que dizer ou o que fazer, ele estava certo afinal, mas eu não queria perde-lo então corri ate ele e o abracei.

– Por favor, me perdoe – falei e logo comecei a chorar – só me perdoe, por favor! Me desculpe por sentir pena de você e por dizer aquilo, me desculpe por ser um idiota! Por favor!

Eu estava desesperado por medo de ele ir embora e não me perdoar, eu nunca iria me sentir bem se não ouvisse aquelas palavras dele.

– Tudo bem Fael – ele me respondeu após alguns minutos que pareciam horas, então ele me abraçou e segurou na minha camisa com força – tudo bem, só foi um mal entendido, mas me desculpa também por não ter te ouvido aquele dia e ter ficado na sua casa quando me pediu.

– não tem problemas, eu queria muito ter te abraçado antes...

Ficamos ali no morro, abraçados por um bom tempo, a brisa era leve e o sol estava aconchegante. Era estranho poder tocá-lo novamente, ele esta maior, mais magro, mas seu cheiro continuava o mesmo.

Depois de um tempo ele me soltou.

– Bom Fael – ele disse ao sair do abraço – melhor irmos agora ainda tenho que pegar o metro para ir no aeroporto.

– Como assim? Você ainda quer ir embora? Eu achei que estava tudo bem entre nos – falei surpreso.

– E esta, mas você estava certo quando me disse aquelas coisas, eu não posso querer continuar nossas vidas de onde paramos afinal só a minha que parou, você continuou progredindo e eu não posso pedir a você que tente fazer isso. Eu vou tentar continuar minha vida com meus pais e se você quiser nos visitar será bem vindo!

– Mas Cris... Você não vai!

– vai ser melhor tanto para mim, quanto para vocês.

– Melhor para vocês? Você volta me faz sentir um tanto de coisas e agora que esta tudo bem você diz que se for embora vai ser melhor?

– Quando eu me for, você vai se acostumar rapidamente e...

– Esquece isso, eu pensei que você tinha voltado para mim, mas estava enganado. Eu sei que você é muito teimoso e cabeça dura e sei que você não desistir disse não é? Independente do que eu disser você não vai me ouvir e por fim você vai me abandonar de novo...

Meu coração estava pesado, eu tinha pensado que tudo iria ficar bem, mas agora era como se tudo estivesse desmoronando, e não adiantaria falar nada.

– se quiser eu te dou uma carona ate o aero porto, assim não precisa se apressar – completei forçando um pequeno sorriso.

– Isso é injusto – ele respondeu após algum tempo.

– Também acho, mas...

– Não é disso que estou falando, você é injusto! Ficar fazendo esse tipo de chantagem emocional não é justo.

– Se ao menos tiver funcionado vai ter valido a pena, mas não que deu certo não é?

Cristian se virou foi ate a arvore e se sentou na sua base, em seguida me respondeu.

– funcionou sim.

Quando ele disse aquilo todo aquele peso que sentia há segundos atrás saiu do meu peito. Eu estava feliz por saber que vou poder passar tempo com ele.

– Você sabe que você é muito estranho não é? Ficar mudando de idéia tantas vezes assim de uma hora pra outra não é muito normal.

– Fael você sempre soube que eu não era normal, hum e eu ainda aceito sua carona, só que para outra coisa.

– Para o que?

– Você já viu minhas roupas não é? Minha mãe que comprou elas e ela tem um péssimo gosto – ele disse rindo.

– O pior que vou ter que concordar, mas...

Ficamos um bom tempo conversando ali no pé do pessegueiro. Ele continuava o mesmo e isso de certa forma me confortava e me deixava feliz. O sorriso dele me fazia sentir tranqüilo, toda vez que eu o via era como se algo esquentasse dentro do meu peito e aquela sensação era ótima, eu queria sentir aquilo para sempre.

Quando voltamos para casa conversei com meus pais e disse que fizemos as pazes.

Antes de dormir aquela sensação reconfortante e aquele calor ainda estavam no meu peito e eu dormi pensando nele e no abraço que demos. “Ele esta magro” foi meu ultimo pensamento.

No outro dia logo depois que voltei da faculdade peguei o carro da minha mãe e fomos ao shopping comprar as roupas novas para o Cris.

Aparentemente os pais dele os deram um cartão de credito para comprar o que quisesse.

Quando estávamos la fomos a varias lojas e ele comprou varias roupas, mas vê-lo daquela forma com roupas que o deixavam ainda mais bonito me fez sentir estranho, eu estava me sentindo atraído por ele. Esse desejo foi algo que eu pensei que poderia controlar, mas ele era maior e mais forte do que tinha imaginado.

Notas finais
bom, espero que tenham gostado e por favor me deem suas opiniões sobre o capitulo e a fic, então se der por favor comentem ^^ t+