Destino.
71 Quero mais do que isso.
Notas iniciais
Tenho leitoras espertinhas, haha '
A maioria acertou a resposta. E quem não acertou, tá aqui a resposta, no capitulo, espero que goste!
Daniel narrando:
Eu a olhava nos fundos dos olhos, ou melhor, tentava olhar pois a garota insistia em fitar o chão, cabisbaixa. Fingindo que aquela pergunta nem era com ela.
Eu queria encontrar a resposta, mas do que isso: Eu queria encontrar a solução para esse problema. Suspirei, cansado de não ganhar resposta, nem mesmo ''Não quero falar sobre isso''.
Me agachei, cruzei meus braços, segurando seu joelho.
– Olha pra mim. — Pedi, mas não de um jeito grosseiro, e sim de um jeito calmo e normal. Como um amigo faria.
Ela hesitava, insistia em manter seu olhar apenas para o concreto do chão.
'' Acho que vai ser mais dificil do que eu imaginava. '' – Eu pensava. Enquanto ainda olhava seus olhos amêndoados e brilhantes, pelas lágrimas.
– Porque se cortou? — Continuava com a mesma pergunta, até obter resposta. Uma resposta sincera.
– Está me perguntando isso porque é o seu trabalho, cuidar de mim e me proteger de todas as formas. — Afirmou, perguntando.
Balançei a cabeça.
– Não. Estou te perguntando porque eu sou o seu amigo.
– Exatamente! — Gritou, revoltada. Talvez revoltada com a última palavra da minha frase.
– Hum... — Fiquei pensativo, ela percebeu e então foi um pouco mais expecifica.
– Não quero ser só uma amiga. — Fiquei feliz e nervoso com suas palavras, agora que eu me lembro: Ela se cortava antes de vir para esse presidio, e por causa do idiota do ex-namorado, o Fernando.
– Esse é o motivo? — Franzi o cenho. Eu realmente não queria que ela se cortasse, por minha causa.
– Sim! — Apertou meu rosto com força, me fazendo ajoelhar diante dela, e então nossos narizes estavam a ponto de se encostarem. — Estou sofrendo com isso, odeio o jeito que você me trata. Preferia antes, um insensivel.
– Não, mas agora eu estou sendo mais bonzinho. A nossa amizade é... — Ela me interrompeu.
– Não diz mais essa palavra! Quero ser mais do que isso para você!
– Também quero. — Suspirei.
– E então, o que está esperando? — Ela foi soltando meu rosto aos poucos, e então desceu sua mão para minha nuca.
– Não dá. — Sussurrei, tirando sua mão. — Nós precisamos continuar assim. Não quero você se cortando por minha causa. Eu não queria falar isso para você. — Suspirei. — Mas, se cortar... assim, tão jovem. E por um motivo, meio... estúpido. — Sim, eu ainda acho um pouco que o amor é estúpido, mas aos poucos, ela está provando que é exatamente o contrário. — É... doideira. E... — O meu rádio começou a vibrar. — Com licença, preciso ver quem está me chamando.
Ela assentiu. Enquanto eu ia para um outro canto do pátio, ouvi ela reclamar '' Sempre me deixa em segunda opção, prefere o seu emprego. '' Resolvi ignorar, eu sabia que aquilo não era verdade.
– Oi, quem é? — Perguntei sem paciência, eu realmente não queria ter deixado a Julie.
– É o Nicolas.
Bufei. Não acredito que a deixei para conversar com esse aí...
– O que quer?
– Calma, seja mais educado. — Retrucou.
Suspirei.
– Eu estou ocupado, pode me encher a paciência outra hora.
– Tudo bem. — Ele pareceu compreensivo, eu já ia desligar o rádio quando ele disse. — Mas depois não venha falar que eu não te avisei.
Minha curiosidade era maior.
– O que foi?
– O Max.
– O que tem o Max?! — Já estava perdendo minha paciência.
– O cachorro dele.
– Porra, o que tem o cachorro do Max?!
– Calma, nervosinho. Já vou te explicar.
– Explica.
– O cachorro do Max entrou na sua casa.
– O que? Mas eu fechei a porta. — Afirmei.
– Ele entrou pela janela, eu vi. Eu estava passando pelo corredor do seu prédio.
– Ahh, engraçadinho. E não fez nada para tirar aquele pulguento??
– Eu não, a casa é sua.
– Arrg... — Senti meu nervossismo à flor da pele. — Tá ok, vou dar um jeito. — Desliguei o rádio.
Avistei Juliana, ainda sentada no mesmo lugar que a deixei, ela estava cabisbaixa, como antes.
Fui andando até sua direção, eu precisava ir lá em casa para tirar aquele vira-lata idiota do Max — Max é um inresponsavel mesmo — E preciso fazer isso agora.
– Oi. — Ela falou triste, assim que me viu. Eu sabia qual era o motivo de sua tristeza.
– E então... — Me sentei ao seu lado. — Gosta de cachorros?
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