Destino.

74 Estou Mudando.


Notas iniciais
Juliel.

Daniel narrando:

O sol bateu sobre meu rosto, me fazendo — por obrigação — abrir lentamente os olhos. Quando os abri tive a visão mais perfeita de todas. Juliana, dormindo nua ao meu lado, sua respiração estava calma, e aquela mãozinha delicada estava no meu peito.

Aquilo me fez sorrir involuntariamente.

- Julie. — Sussurrei em seu ouvido, ela apenas se remexeu.

Me sentei na cama, ela me acompanhou pois estava deitada sobre mim. Esse movimento fez com que a mesma abrisse os olhos.

- Huh? — Olhou para mim, e sorriu. Talvez tendo o mesmo pensamento do que eu... Ontem...

- Pode continuar dormindo. — Parece que está cansada. — Eu vou me levantar e tomar um banho — Anunciei, ela assentiu e fechou os olhos, a deitei na cama. E cobri seu corpo com o lençol.

Eu estava tomando meu banho, ainda nas nuvens por ontem, porém, ainda indeciso.

Escovei os dentes e bagunçei o cabelo, ainda molhado. Vesti meu uniforme, e suspirei, não queria ir para o trabalho hoje, mas é o meu dever.

Entrei no quarto já de uniforme.

- Ué, não vai dormir? — Perguntei quando vi aqueles olhos amêndoados me fitando.

Juliana se levantou, sem me responder. Passou a mão por seus cabelos.

- Estou com dor de cabeça. — Reclamou.

- DOR DE CABEÇA? Isso... isso é um pouco grave, você precisa repousar, tomar remédio e... — Ela me interrompeu.

- Calma, não é nada de mais. — Assegurou. E riu em seguida. — Você está parecendo com o Félix, um amigo meu.

- Félix... — Repiti em sussuro, olhei para o nada. Não sei porque, mas já ouvi esse nome antes, há alguns anos atrás.

O silêncio se fez, enquanto eu continuava pensativo. '' Acordei '' e olhei para ela.

- Quer um remédio? Acho que tenho... — Comentei, mas ela apenas negou com a cabeça.

- Um bom banho já vai me fazer melhorar.

- Tem certeza?

- Claro. — Ela se levantou. Pasou, me fitando. — Posso tomar banho aqui, não posso? — Deu um sorrisinho tímido.

- Pode, minha casa é sua. — Afirmei.

Ela passou por mim, mas segurei sua mão. Nós dois nos encaramos ao mesmo tempo, um perdido no olhar do outro. Nos aproximamos, eu ainda segurava sua mãozinha. Até que selamos nossos lábios para um beijinho de Bom Dia.

Aquele beijo e aquela noite me deram forças para eu lutar. Lutar por ela.

Aproveitei enquanto a garota estava no banho, peguei um dinheirinho, na verdade esses dias ando pensando: Meu salário é muito pequeno para a minha profissão.

Sai de casa nas pressas, não queria deixa-lá sozinha aqui. Desci as escadas, entrei no elevador, passei por corredores, e finalmente sai daquele apartamento

Cheguei na floricultura mais próxima. E entrei...

Lá tinha as flores mais cheirosas do Mundo do Além. Mas eu não queria apenas uma flor perfumada.

- É... quanto está o buque mais lindo de flores, senhor. — Perguntei ao dono da loja.

- Ahh, está barato. — Sorri com a sua afirmação. — São 65 reais, rapaz.

Desfiz meu sorriso.

- 65 REAIS? Isso é um roubo! Deve aver algum engano seu.

Ele se virou, olhando para as flores que guardava.

- Sim, desculpe, cometi um engano. São 75 reais.

Arregalei os olhos.

- Você vai comprar ou só vai me fazer perder tempo rapaz?

- Não fale assim comigo. Sou um policial. — Mostrei a ele o grachar.

- Desculpe... — Ele sussurrou, senti que esse senhor era bem orgulhoso. Assim como eu sou.

- Hum... — Eu estava indeciso, haviam outras floriculturas, mas eram mais longe. — Vou comprar. — Respondi, trincando os dentes de raiva. — E o meu dinheiro vai pro inferno... — Sussurrei. Indignado.

Peguei o dinheiro e o senhor sorriu vitorioso. Ele me deu o buque, admito, era o buque mais lindo de toda a loja. Era grande, cheio de rosas, e alguns copos de leite. Era cheiroso, e cheio de vida. Mesmo no meu mundo.

Estava passando pela rua, quase entrando no meu apartamento quando lembrei de algo que me fez perder a coragem: No outro dia, quando fiz o pedido, levei um Não que quase me fez morrer, de novo.

'' Ótimo, perdi toda a coragem. E o meu dinheiro. '' - Eu pensava, quando abri a porta da minha casa.

- Julie? — A chamei.

- Oi! Estou no banho! — Ela gritou.

Coloquei as rosas em cima da cama esperei ela tomar seu banho, e então fiquei parado em frente a porta do banheiro. Quando ela abriu, e saiu já de uniforme, perfumada, e cabelos molhados.

- O que faz em frente a porta? — Ela perguntou.

Suspirei. Ameaçando a falar.

- AI, FALA LOGO GAROTO! — Julie berrou.

- Nossa, mas que bom humor. — Ironizei. — Quer saber, deixa pra lá. — Respondi, triste.

- Não amor. — Ela segurou meu braço. — Me desculpa, é que... a dor de cabeça não passou. — Fez uma careta. — Desculpe. — E então me deu um selinho. Isso me fez renovar as forças.

- Tudo bem. — Admito que estava preocupado com essa dor de cabeça. — Eu vou aqui no quarto, rapidinho. — Sumi e segundos depois re-surgi, segurando o buque. Ela sorriu ao ver as flores. E eu sorri ao ver o seu sorriso. — Eu tenho uma pergunta para fazer... mas tenho medo de levar um 'Não'.

Juliana ficou visivelmente chateada com a minha frase, ela abaixou a cabeça.

- Pode perguntar. — Ela olhou para mim. — Essas flores são pra mim?

- São. — Entreguei a ela, a mesma não escondia sua felicidade, ela olhou, cheirou as flores, brincou com as petálas, mas foi surpreendida por mim.

Sem esperar um ''Obrigada'', puxei sua nuca colocando meus dedos sobre seu cabelo molhado, a beijei. Seus lábios se encaixaram perfeitamente nos meus, ela ficou surpressa, mas logo começou a retribuir, pedi espaço com a lingua, ela cedeu rápidamente.

Me aproximei mais de seu corpo, a abraçando sem amassar as flores.

Aos poucos fui parando com o beijo. Nenhum de nós escondiamos o sorriso.

- Quer namorar comigo? — Segurei seu rosto, esperando sua resposta.

Ela me deu um selinho demorado.

- Sim, eu quero! — Falou animada, eu a abraçei forte, levantando o seu corpo para o alto, deu uma giradinha. E ela gargalhava, nunca me senti tão feliz assim.

- Mas e o Demétrius? — Aquela pergunta me deixou chateado, eu acabei esquecendo do principal.

Coloquei-a no chão aos poucos.

- Eu vou dar um jeito meu amor, prometo. Eu... preciso de você, preciso de você para eu mudar definitivamente. E se não for você, eu não quero mais ninguém.

Ela corou.

- Te amo Dani.

- Te amo Juh.

E então nos beijamos de novo, porém, parei o beijo e olhei para o relógio de parede.

- Temos que ir. — Anunciei, ela assentiu. Segurei sua mão, ela colocou as flores em um vaso com água.

Dei um selinho rápido nela, e então saimos da minha casa, dessa vez não esqueci nenhuma janela aberta.

Fomos até o carro, ela entrou e se sentou no banco da frente. Eu não conseguia esconder o sorriso de felicidade, finalmente estavamos juntos de novo.

Cheguei em frente ao presidio, e suspirei. Mais uma vez aquelas grades irão me separar de Juliana.

Olhei para ela, a mesma segurou meu rosto.

- Vai ficar tudo bem entre nós, não é?

- Claro Julie. — Afirmei, confiante.

Já que ainda não tinhamos entrado, tirei meu cinto de segurança, e me aproximei dela, Julie fez o mesmo. Acabando com o espaço entre nós. Pedimos espaço com a lingua ao mesmo tempo, deixando o beijo mais quente, segurei sua cintura, e a puxei para mais perto, ela passou sua mão para o meu toráx, segundos depois eu já havia puxado Julie para o meu colo, continuamos com os beijos. Ela sentiu minha mão na sua barriga, e subindo quase até os seios, quando ela me empediu.

- Amor... — Ela disse, ofegante. — É melhor pararmos. — Pediu. Assenti, pois ela estava certa.

- Hoje mesmo eu vou falar com o Demétrius, prometo que ele não fará nada contra nós, ele não tem o direito de mandar na minha ''vida''.

Ela sorriu, mas ainda preocupada.

Saimos do carro, a levei até sua cela, e a tranquei.

- Já volto. — Falei, indo até o corredor principal.

Acabei cruzando com Demétrius no meio do caminho.

- Daniel, por onde andou ontem? — Perguntou desconfiado.

- Era com você mesmo que eu queria falar. — Cruzei os braços.

Notas finais
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