Destino.
2 Bebê.
Ficamos conversando até o Luquinhas, Pedro e a Laris chegar. Sabe essa galera né? Então, desde que me entendo por gente, estudamos juntos, fomos criados juntos e estamos JUNTOS até hoje, é. Sinal tocou, anunciando que o ano letivo começou. Triste fim, tô ligada. Seguimos para sala: eu, Pedroca, Luquinhas. Luize. E para nossa infelicidade, o Pedro, Thominhas, e a Laris não era da nossa sala, por serem um ano mais velho e tal. Nós sentamos no fundão e bom, foi uma festa só os três primeiros horários. E agora, intervalo. Estava descendo as escadas com a galera, quando alguém me puxou.
– Mel – Não dava pra acreditar que era ele ali.
– O que você quer, Felipe? – Era meu ex-namorado.
– Fala logo rapaz, a gente não tem o tempo todo – O Pedrinho falou com uma cara não muito boa.
– Na-não é nada – Ele deu um sorriso de canto e sumiu.
Não preciso dizer que minhas vistas já estavam embasadas, né? Ele tinha sido a “minha vida”, até minha mãe estragar tudo, mais não a culpo, foi melhor assim. Mas, depois de alguns meses, te ver novamente mexeu e muito comigo. Enfim, tratei de entrar no clima da galera e não demorou muito pra eu esquecer o “encontro”. As outras duas aulas foram uma beleza só. Deu 12h e todo mundo foi liberto da penitenciaria. Enfim, todo mundo insistiu pra eu ir ao shopping com eles, mais eu ainda não tava bem. Decidi ir pra casa mesmo, ficar sozinha um tempo. (...) A semana passou rápida demais, ainda bem! Hoje é sexta-feira e estamos no meio da aula de Química discutindo sobre nosso final de semana. E não, nosso professor não liga.
– Eu apoio a gente descer pro Guarujá – O Lu disse.
– Eu também Lu – Falei.
– Acho que todo mundo né? – A Luize deu uma daquelas suas risadas irônicas e todo mundo riu.
– Falo com meus pais e vocês com os seus, fechou? – O Pe sugeriu e concordamos.
Ficamos discutindo ainda sobre isso até o sinal tocar e a gente ir embora. Eu fui com o Pedrinho, pois moramos no mesmo prédio e certamente minha mãe estaria na casa dele. Não demoramos para chegar, apesar de termos vindo de pé.
– MANHÊ – Ele gritou de um jeito retardado e nada da tia aparecer.
– Tirando eu, não tem mais ninguém aqui – A Mi, irmã do Pe, disse rindo do seu jeito – MEL, AMI, QUE SAUDADE!
– Michelle, vocês se viram ontem á noite, não precisa desse escândalo todo – O Pe falou se jogando no sofá, todo folgado.
– Ami, eu também estava – A abracei – E cala boca Pedro!
Passei a tarde toda com eles, pois pelo que eu fiquei sabendo, minha mãe e a tia Leni estavam na rua. Lá pras 18h, nossas mães chegaram, ficamos conversando mais um pouco e depois vim embora com a minha mãe.
– A Leni disse que vocês querem ir pro Guarujá, é verdade Mel? – Depois de quase uma semana sem trocar palavras direitos, minha mãe perguntou.
– Pedro bicudo – Sussurrei e ela riu – Então, os meninos e as meninas querem sim...
– E você? – Ela perguntou se sentando no sofá, assim como eu.
– Talvez – Respondi fitando a barra da minha blusa.
– Porque talvez? – Ela insistia.
– Depende se a senhora irá deixar – Falei e eu podia sentir seus olhos me fitando.
– Claro que eu deixo, isso ta mais que na cara não é? – Ela soltou um risinho, que me fez rir também – Olha filha, sei que, por mais que eu seja grossa, chata, meio arrogante com você, é tudo pro seu bem, nunca duvide isso. Eu cobro muito de você, porque não quero você sofra que nem eu sofri...
A encarei e ela estava...ELA ESTAVA CHORANDO! Minha primeira reação foi abraçá-la e pedi desculpas. Ficamos um tempo abraçada, depois ela me disse que iria pra cozinha preparar nosso jantar, pois mais tarde ela e eu iríamos assistir filme, em casa mesmo. Subi para meu quarto, com um sorriso bem retardado no rosto. Tomei um banho não muito demorado, coloquei um pijama qualquer que peguei no meu guarda-roupa e desci. Caminhei até a cozinha, pois de lá vinha várias risadas. Entrei e vi o Pedrinho ali, com a minha mãe, meu irmão e a retardada da namorada do meu irmão. O Pe abriu aquele sorriso maravilhoso que só ele tinha e veio me abraçar, cumprimentei os outros dois e o magrelo me puxou pra sala.
– Como você sabe, eu e os meninos, temos planos para a C4 e queríamos muito sua ajuda, topa? – Já disse que eles cantam demais? Pois é.
– Claro que sim, mais é com o que? – Perguntei sorrindo marotamente.
– A vender os ingressos para tocarmos na Tribe House, porque vai um produtor lá e tal – Ele estava muito feliz.
– AH MLK, MEUS MENINOS TÃO CRESCENDO – Gritei e me joguei em cima dele.
– Te amo tão pouco babaca – Ele disse e me deu um beijo estalado na bochecha.
– Mais tirando isso, ta tudo certo pra próxima semana né? – Perguntei ainda abraçada com ele no sofá.
– Sim, sim! – Soltei um grito horrível, mais arrancou muitas risadas nossas – Ein Mel, vamos ver filme lá em casa? Tô só pô..
– Prometi ver com a minha mãe Pe... – E eis que ela surge na sala.
– Vai logo com esse magrelo – Corri até ela e agradeci, mais ela me disse que eu tava devendo uma pra ela.
– Tia linda, ela... – Minha mãe o interrompeu.
– Isso não precisa de resposta né senhor Pedro?! – Sorrimos e fomos pra casa dele
Como era de costume, eu, certamente, apagaria por lá, então fui de pijama mesmo... (...) Estávamos assistindo um filme de comédia que eu não sei o nome e nos entupindo de pipoca. Esse deveria ser o nosso terceiro pote de pipoca, sabe? Terminamos o filme e ainda estávamos rindo feitos dois retardados.
– Sabe o que podemos fazer agora? – Fiz que não com a cabeça e ele me tacou uma almofada – GUERRA!
– PEDRO, SEU IDIOTA, VEM AQUI – Saímos casa a dentro correndo e tacando almofadas por todo o canto.
Ficamos bom tempo correndo, até nos cansarmos. Não é fácil correr atrás desse magrelo, ele é muito rápido!
– E mais uma vez, eu venci – Ele se fez de convencido e eu dei os ombros, como se não tivesse ligando.
– Tô com sono – Falei birrenta.
– Vem bebê, eu vou te fazer nanar – Ele falou como se eu fosse uma criancinha de 3 anos e me pegou no colo – Cê é gorda ein irmã? Que isso!
– Bem animador você, irmão! – Falei irônica e ele me jogou na sua cama – AI!
– Desculpa – Ele ficou rindo da minha cara.
– Vai tomar banho, anda, senão, cê vai dormir no chão – Falei, tentando ser séria.
– Duvido, mais ok – E ele foi.
Acabei pegando no sono antes dele chegar, porque né?
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