Destino.
29 Ainda vamos ser felizes.
Notas iniciais
N/A: Para ler, escutem essa música.
(...) Almoçamos e depois voltamos para a casa, ou melhor, todo mundo se enfiou na casa da tia Leni. Papo vai, papo vem, era mais ou menos 19h quando senti uma puta dor no pé da minha barriga e um liquido escorrer pelas minhas pernas.
– MEU DEUS, O MEU NETO VAI NASCER – Minha mãe e a tia Leni falaram juntas. Juro que se não tivesse doendo, eu teria rido muito!
Pedro me pegou no colo e descemos até a garagem. Colocou-me rapidamente no banco de trás e me abraçou. Minha mãe foi no meu carro com a Mi, Duda e tia Sônia enquanto eu fui no carro de Pedro com o próprio, a tia Leni e o tio Mauro. Assim que chegamos no hospital, me colocaram numa maca e me levaram para um lugar lá que eu não fiz a mínima questão de saber o nome, é. Pedro foi o caminho todo segurando minha mão e me dizendo coisas do tipo “Fica calma, ok?” “Vai dar tudo certo” “É o nosso meninão que tá nascendo” e afins. Só me deixou quando teve que ir colocar uma roupa especifica pra ficar comigo. Logo minha médica chegou com Pedro. Eu optei por parto normal, afinal recuperação era mais rápida e a cicatrização também.
Pedro Narrando:
Desde o último acontecimento, muita coisa mudou. Nove meses se passaram. Descobri que vou ser pai, é. Terminei meu namoro e afins. (...) Estávamos todos reunidos em minha casa, depois do maravilhoso almoço que tivemos conversando, até que por volta das 19h, a Mel começou a passar mal. MEU DEUS, MEU FILHO TÁ NASCENDO! Foi um corre, corre até o hospital. Assim que chegamos, entrei com ela e fiz o trajeto até a sala de parto falando coisas positivas pra ela. Tive que deixá-la por alguns minutos para vestir a roupa apropriada para aquele lugar. Vesti e voltei para o seu lado.
– Força Mel, força – A Priscila pedia.
– Vai meu amor, força – Eu também pedia.
Depois de muito lutar, um choro tomou conta daquela imensa sala. Vi meu filho sendo entregue a mãe e no mesmo instante, seu choro cessou. Ela me olhou chorosa e sorriu me puxando para um abraço meio sem jeito.
– Nosso Vitor – Ela disse num sussurro.
– Nossa vida – Completei sorrindo.
– Mel, precisamos levar o Vitor para o berçário agora, tudo bem? – Tive que rir da cara birrenta dela.
– Só mais um pouquinho Pri, por favor, eu esperei 9 meses por isso, mereço mais tempo – Ô menina cheia de argumentos na ponta na língua.
– Só se você tirar uma foto de nos três pra mim, pode? – Perguntei e assim ela fez.
Tiramos a foto e levaram Vitor. Mel também foi levada para um quarto, pois precisava descansar. Fui até a sala de espera comunicar o pessoal e me receberam fazendo a maior festa. Foi um sofrimento pra mostrar pra cada um a foto do Vitor, mais de pouquinho em pouquinho todos viam. Priscila veio me avisar que a Mel não parava de perguntar por mim, então deixei o pessoal lá e fui até o quarto 1404 que ela indicou. Eu ri do numero do quarto, porque era o dia do meu aniversário, se fosse pensam por um lado. Assim que entrei, ela me encarou alguns segundos sorrindo.
– VAI... – Sabia que era pra mim completar.
–CORINTHIANS – Gritei abraçando ela – Obrigado!
– Pelo o quê? – Ela sorriu e que sorriso, pai amado!
– Por ter feito minha vida ganhar mais um sentido – E a beijei.
Nosso beijo tinha um gosto diferente, era com amor. Tá, isso soou gay pra caramba, mais foda-se. Assim que terminamos o beijo, ela sorriu tímida, igual quando nos beijamos pela primeira vez. Precisei rir da cara dela.
– O que foi Pedro? – Ela perguntou pela milésima vez.
– Estava lembrando daquela menininha de 10 anos quando deu seu primeiro beijo – Ela sorriu.
– Sério que você ainda lembra e vai me zoar por isso?
– Como esquecer? E não, não vou te zoar.
Ficamos conversando por uns 10 minutos, até me enxotarem do quarto, porque minha mãe e a galera queriam ver a Mel. Tudo bem, eu entendo.
Mel Narrando:
Depois de imensos nove meses, sentir meu filho em meus braços não tem preço. Vítor veio ao mundo ás 20h do dia 14 de novembro, o dia mais importante da minha vida! Além de ter meu filho comigo, eu tinha Pedro. Era inexplicável tudo que eu estava sentindo. (...) Depois de um momento super perfeito com Pedro, enxotaram ele do quarto. Não contive minhas gargalhadas ao o ouvir sussurrar um “puta que pariu” e sair porta fora. Todo o resto entrou, me cumprimentou, deu parabéns e essas coisas, mas logo foram embora, afinal amanhã todos trabalham, terça-feira né bebê? Me ajeitei de um jeito até confortável e peguei no sono, antes mesmo do Pedro voltar para o quarto.
[...] Assim que recebi alta, descobri que não moraria mais na minha casa e sim no apartamento do Pedro. De acordo com o mesmo, minha mãe que ajudou ele com a minha mudança. Ok, apesar de ter 18 anos, não posso mais mandar no meu nariz, lindo isso! (...) Eu e Pedro não trocamos mais caricias depois do dia que Vítor nasceu. Ele estava estranho demais, mais eu não me assustei com isso, sempre fora assim. Passava a maior parte do dia só com Vitor em casa, era raro encontrar Pedro por ali. Minhas companhias trabalhavam e só me viam no final de semana. Minha mãe voltou para a sua casa e Luize estava trabalhando. Ou seja, era eu e Vitor, apenas. Mais enfim, Vítor ressonava tranquilamente em seu quarto enquanto eu preparava algo para comer na “minha” nova casa. Graças a Deus, meu menino não dava trabalho. Pedro, bom, dessa criatura eu não sabia. E por falar nele, assim que me joguei no sofá com uma omelete e coca, ele entrou sorrindo pela porta.
– Mel, vamos sair hoje? – Ele perguntou depois de me dar um beijo na bochecha.
– Ah claro, Vítor já sabe se cuidar sozinho – Falei irônica e ele revirou os olhos.
– Você não tem mais tempo pra mim, muito menos para a galera – Ele disse aparentemente nervoso.
– Isso é verdade, mais agora, tanto você quanto os outros deveriam saber que tenho responsabilidades – Falei ríspida.
– Porra, custa tirar alguns segundos nem que seja só pra mim? – Tive que respirar fundo.
– Custa você deixar de sair toda noite e ficar em casa? – Levantei soltando uma grande lufada de ar – Mais se você quiser, vá.
Fui para o quarto de Vitor, porque, definitivamente, poderia desabar na frente de Pedro a qualquer momento. Talvez pra ele não tenha caído à ficha, mais pra mim sim. Era muita pressão em cima de mim. Era a mídia fazendo plantão na porta da minha casa. Era os fãs, não todos, dizendo que isso era um golpe meu. Era eu sem o Pedro comigo. Não demonstrava, mais isso me matava ao poucos.
Fiquei observando Vitor dormir. Tão pequeno, tão frágil, mais tão guerreiro, tão forte, tão... Tão meu. Como sabia que ele não iria acordar tão cedo, caminhei em direção ao meu quarto e vi Pedro sentado na extremidade oposta da cama, com a cabeça baixa. Acho que ele sentiu minha presença ali, porque mal pisei no quarto, ele se virou numa rapidez indescritível. O olhei e não nego que tive vontade de correr até ele e lhe abraçar, mais meu orgulho e a razão falaram mais alto, apenas peguei uma peça de roupa e assim que saí. Como já tinha tomado meu banho, vesti apenas outra roupa, uma mais confortável. Como deixei a porta entreaberta, escutei Pedro a falar com alguém no celular.
– Oi... Nos vemos mais tarde?... Não... É, lugar de sempre, beijo linda – Preciso dizer que me cortou o coração?
Tinha outra então? Que lindo, não é mesmo? Assim que ele saiu, Luize chegou. A deixei com Vitor e prometi contar tudo depois para ela. Peguei meu carro e por sorte consegui alcançar ele. O segui até onde ele foi, meio óbvio isso, mais ok. Ele parou o carro do lado de um prédio, o vi descendo e indo ao encontro de nada menos que a Giovanna, isso mesmo. Parei meu carro na outra esquina e fui até ambos. Não me permiti chegar perto, apenas fiquei escondida entre uma viela que existia entre eles e eu. Escutando parte da conversa que eles tinham.
– Você sabe que eu não planejei ser pai – Ele falou – Mais quando ela me disse, eu não podia deixar a Melissa na mão.
– Quando você vai deixar ela? – A nojenta perguntou.
– Deixa só o Vitor crescer mais, ele ainda é muito pequeno – Disse sem nenhuma compaixão.
– Não rola nada entre vocês, não é Pedro? – Indagou.
– Claro que não, ela é totalmente sem sal e eu só sou seu – Respondeu Pedro.
– Você não sente mais nada por ela, certo? – Giovanna deve ter perguntado pela milésima vez.
– Aquilo foi coisa de adolescente, você é a única que eu amo – Pedro falou.
– Bravo, bravo – Tomei coragem e saí batendo palma para eles – Me enganou direitinho ein Pedro?
– Mel não é isso que você ta pensando – Ele disse vindo em minha direção.
– Não ouse andar mais em minha direção, eu sinto nojo de você Pedro – Falei firme – NOJO!!
Assim que gritei a última palavra, corri em direção ao meu carro. O quanto mais rápido eu chegasse em casa e sumisse, seria melhor. O lugar não era longe, por isso não demorei. Entrei no elevador desolada, sem chão, com uma imensa vontade de desistir de tudo, mais aí veio imagens de Vitor a minha cabeça e logo tratei de levantá-la. Abri a porta e encontrei Thomas e a Lu na sala, Vitor provavelmente ainda dormia. Contei tudo para eles chorando, mais contei. Thomas reprovava completamente a atitude de Pedro, assim como Luize. Eles pediram para eu ficar só mais aquela noite ali, porque no estado que eu estava, não tinha condições para nada. Aceitei, só pela segurança de Vitor. Eles se foram e eu fui para o quarto do meu amor. Tranquei a porta, pois ver a cara do Pedro não me agradaria em nada.
– Ei meu pequeno, eu prometo que ainda vamos ser felizes – Falei acariciando o motivo de ainda estar ali.
O acariciei por mais algum tempo e me sentei na cama que havia ali. Após analisar mais alguns minutos aquele quarto, vi um porta-retrato no cantinho da cômoda, o peguei e chorei agarrada á ele. Foi quando Vitor nasceu, foi quando ele disse que era a nossa vida vindo ao mundo, é. Acabei adormecendo por volta das 1h da manhã, abraçada a foto. Acordei ás 8h30 da manhã com Vitor chorando de fome. O peguei no colo e lhe dei de mamar. Outra sensação única, pelo menos isso de bom!
Notas finais
Beijos, beijos, qualquer coisa tô no @anavmartins_ ♥
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