Destinados Pela Magia
19 Estou enlouquecendo por causa dela
Notas iniciais
POV. Nico
Desde a briga com Thalia não a vi mais, e isso já fazia uns três dias. Lembrei-me de que os jogos iriam começar e o fato de Thalia e eu ainda não termos nos reunidos me assustava um pouco, apesar de que o menor dos meus problemas era esse, afinal tinha que arranjar um jeito de pedir desculpas a ela. O que fiz foi um tanto quanto imaturo, não... Foi mais que isso, foi covardia.
Ouço o sinal, essa é a hora perfeita, vou achar Thalia e lhe pedir desculpas, assim poderemos voltar a sermos amigos ou inimigos, sei lá como éramos antes de toda essa confusão começar.
Corri um tanto quanto desesperado, até porque não tinha muito tempo até o sinal da próxima aula, mas achar a Thalia era fácil, era só procurar por uma briga ou alguma coisa que chamasse a atenção, não que ela fosse dessas que adoram se exibir, pelo contrario... Odeia isso, mas ela naturalmente chama atenção pelo seu jeito mal humorado e que nunca leva desaforo para casa.
Até que ouço uma gritaria, e aquilo estava me cheirando briga e onde tem briga tem Thalia. Corri até o local da barulheira, e realmente estava tendo uma, mas por incrível que pareça não havia nem sinal de Thalia por perto, mas consegui enxergar o seu irmão, Percy. Andei até ele e perguntei:
– Percy, sabe onde está sua irmã?
– Depois que bateu o sinal ela ainda continuou na sala, disse que ia estudar um pouco — ele disse enquanto apontava para o local.
– Obrigado- disse já pronto para correr, quando sentir uma mão me segurar.
– Aconteceu alguma coisa entre vocês? – Percy perguntou com uma expressão de preocupado
– Ela não lhe contou nada? – disse meio surpreso esperava que Percy já soubesse do acontecido, mas isso foi meio confortante, caso contrário ele poderia me matar.
– Não... Ela tem estado meio pra baixo estes últimos dias, mas não me deixou nem sequer tocar no assunto... — ele olhava para o chão
– Percy... Eu sinto muito mesmo, mas não será por mim que você saberá dessa informação – sai correndo, tinha de achar Thalia o quanto antes, saber que esteve pra baixo estes últimos dias foi mais uma coisas para se juntar a minha coleção de coisas dolorosas, vocês podem achar que estou sendo um tanto quanto dramático, mas nem eu sei por que quero tanto pedir desculpas para Thalia, sei que foi errado o que fiz, mas não estaria correndo desesperado pela escola atrás de uma menina só por causa disso, nunca havia feito isso antes, nem pela Annabeth, na verdade é como se tivesse um filme na minha mente e a fita tivesse travado bem no rosto de Thalia quando brigamos no pátio, aquela expressão de rancor com tristeza e aqueles olhos marejados, nunca os tinha visto daquela forma, era como se aquilo me quebrasse por dentro.
Mesmo tento conhecido Thalia tão pouco tempo algo havia mudado, meus pensamentos eram voltados para ela praticamente o dia inteiro, esse distúrbio mental ou sei lá o que é isso começou logo depois daquele dia da aula de vassoura, na qual eu a salvei de se espatifar no chão, por algum motivo ela me chamou a atenção, talvez fosse aquele seu jeito imprudente, seu mau humor ou talvez aqueles hipnotizantes topázios azuis... Também tenho uma secreta vontade de sentir seu cabelo, quando nos beijamos na festa não os toquei, pois minhas mãos estavam em sua cintura, mas eles aparentam ser cheirosos e macios.
Cheguei à sala de aula e lá a avistei sozinha debruçada em sua mesa, era a hora perfeita:
– Thalia... – me aproximando de sua carteira – Eu... Não sei exatamente por onde começar, eu sei que fui um idiota, imaturo, covarde... Tudo isso e um pouco mais, por isso que eu vim na maior humildade para lhe pedir desculpas... – disse olhando para o chão não conseguia encará-la... (5 minutos depois)... mas por que essa demora do caramba para responder, talvez ela não queira responder- Olha... Você tem todo o direito de ficar brava e me ignorar, mas você não sabe o quanto eu te procurei, rodei praticamente a escola inteira atrás de você e para a sua informação... E-eu n-nunca fiz isso na minha vida inteira por uma garota... Então se sinta privilegiada e me responda pelo menos – dessa vez ergui a cabeça e olhei para seus cabelos, já que seu rosto estava virado para o lado oposto do meu, foi então que percebi que se falasse uma coisa dessas para Thalia não se sentiria privilegiada e sim me daria um pelo de um fora e socaria a minha cara, mas ela não fez nada o que quer dizer que havia algo de errado.
Andei até o outro lado e foi quando percebi, fiquei incrédulo e ao mesmo tempo uma raiva tomou conta de mim, e pensar que eu estava aqui abrindo o meu coração, pedindo desculpas a essa garota e ela estava fazendo o que?... O que?... O que? D-O-R-M-I-N-D-O. Isso só podia ser brincadeira, mas até que essa visão não era tão ruim, ela parecia um anjo dormindo, apesar de ser um tanto quanto bruta sua aparência ainda era de uma menina, ainda era delicada, sensível e bem emotiva (tanto no sentido amoroso, quando no da raiva).
Havia uma mecha de cabelo sobre o seu rosto, me aproximei e tirei a levando para trás de sua orelha, foi quando percebi que estava próximo demais de seu rosto, pensei em me afastar, mas era tarde de mais já tinha perdido o controle, e pensar que apenas essa leve aproximação me deixou totalmente perdido, só pensei em chegar mais perto, mais perto... Mais perto e então quando a distância entre nossos lábios era mínima ao ponto de poder sentir sua respiração leve e calma, o sinal bateu fazendo-me pular para trás, esbarrando assim em algumas carteiras que consequentemente acordaram Thalia. Ela olhou para mim ainda com uma expressão sonolenta e perguntou friamente:
– O que faz aqui Di Ângelo?
– Eu... Han – depois de tudo aquilo já tinha até me esquecido do assunto principal- Eu vim...
– Ah, veio falar sobre os jogos, eu ia mesmo te procurar essa semana pra gente conversar – ela disse com frieza nas palavras.
– Ia? – perguntei meio surpreso
– Sim – ela disse ríspida
– E por que não foi? – esperando alguma reação mais feminina como uma corada ou uma desviada no olhar, mas ela simplesmente respondeu:
– Estive meio ocupada estes dias- disse se levantando- Vamos nos reunir amanhã após a aula na biblioteca, está bem ?
– Sim – respondi a olhando, esperava que ela voltasse naquele assunto, naquela festa, naquele beijo.
– Ah... Apropósito — ela disse antes de sair da sala- Acho melhor você correr ou vai chegar atrasado à sua última aula.
Nisso corro a toda velocidade pela escola e consigo chegar a tempo de não me atrasar para a aula.
Hoje definitivamente queimei todo tipo de gordura que ainda estivesse viva dentro do meu corpo.
No dia seguinte, já estava na última aula, não conseguia manter o foco dos meus pensamentos na matéria, podemos dizer que eu estava um tanto quanto ansioso e apavorado para o termino da aula, eu não me permitia esquecer o modo como ela me tratou ontem, como se não lembrasse da festa, do beijo, na verdade me tratou como se não me conhecesse, isso foi o que mais me machucou.
O sinal bateu finalmente a aula tinha terminado, juntei os meus materiais e sai da sala, nisso ouço alguém me chamar:
–Nico... — quando olho me deparo com Annabeth — Nós tínhamos combinado de estudar hoje, lembra?
– AAH... Desculpa, eu me esqueci completamente, mas não me diga que marcamos de estudar justo agora?
– Não, é de noite, no lugar de sempre...
– Ah, verdade... Foi mal- disse meio sem graça por ter esquecido
– Se estiver muito ocupado a gente marca de estudar outro dia... — ela disse me olhando meio preocupada
– Não, tudo bem – Disse sorrindo – Agora eu tenho que ir Anne, a gente se vê mais tarde... Tchau
– Tchau
Fui até a biblioteca me preparando psicologicamente para enfrentar está reunião.
Ao chegar, o local estava totalmente vazio, se não fosse pela presença de uma garota de lindos olhos azuis, caminhei até ela e sentei-me ao seu lado, ela estava com um livro que se não me engano falava dos antigos vencedores dos jogos, tinha entrevistas, estratégias, meios de sobrevivência e muito mais. Ela fez o livro deslizar pela mesa até chegar à minha frente e disse:
– Acho que se seguirmos as coisas que estão escritas neste livro conseguiremos vencer...
–É uma boa idéia, mas acho que algumas dessas estratégias não são totalmente confiáveis e também tem algumas que precisam ser minuciosamente calculada para que não dêem errado.
E foi assim que se seguiu nosso foco foi diretamente nos jogos sem interferência de nenhum outro assunto, o que me deixou aliviado, mas ao mesmo tempo queria que tivéssemos voltado naquele assunto para esclarecer todo este mal entendido.
Após passarmos um tempão discutindo sobre os jogos ela disse:
– Bom... Acho que isso é tudo, tem mais alguma coisa que queira discutir? – disse guardando os livros
– Não... – na verdade tinha, mas o foco não era nos jogos
– Então... Vamos embora – ela disse se levantando, foi quando sem pensar, em um puro reflexo, segurei a mão dela impedindo que continuasse a se levantar
– Thalia... Eu queria lhe pedir desculpa por aquele dia, sei que não deveria ter mentido pra você sobre o beijo, mas eu estava com...
– Desculpe... Mas eu não sei do que está falando Di Ângelo- ela me interrompeu dizendo de cabeça baixa
– Lembra da festa, o beijo que te dei depois toda a confusão que aconteceu... Eu queria te pedir desculpas, sei que fui um imbecil, um idiota e também sei que a magoei, por isso que estou te pedindo desculpas.
– Di Ângelo sinto muito, mas acho que está ficando louco, não me lembro de festa ,nem beijo nenhum- ela disse me olhando confusa- Agora preciso ir... Tchau – ela disse já saindo da biblioteca, ela não podia ter esquecido isso era provavelmente um truque dela para aliviar sua tristeza, mas se fosse só estava aliviando a dela, porque a minha só cresceu.
Quando olhei no relógio já era hora de ir estudar com a Annabeth, corri até o local e quando cheguei, ela já estava lá, sentei-me do seu lado e começamos a estudar, mas meus pensamentos não conseguiam focar nas palavras de Annabeth, meu coração estava apertado eu queria que a Thalia parasse de fingir e enfrentasse direito, sei que não tenho muita moral para falar isso, mas quando decido enfrentar ela me faz isso, definitivamente não sei o que está acontecendo comigo primeiro tenho medo de enfrentar um probleminha desses, depois começo a correr desesperado pela escola por causa de uma garota e por ultimo quando estou tentando me redimir levo um fora dessa mesma garota, acho que ela tem razão, estou ficando louco...
Meus pensamentos são interrompidos por uma voz me chamando:
– Nico... Nico... Nico – era Annabeth
– Han?- disse erguendo as sobrancelhas e olhando-a
– Você está prestando atenção?
–È... Estou... Claro- disse meio atordoado
– Nico... — ela me olhou aflita- estes últimos dias você tem estado estranho estou um pouco preocupada, você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa não sabe?
– Sei...
– Então... Vai, me conta o está te deixando desse jeito
– Não é o que e sim quem... – disse de cabeça baixa- Uma garota
– Nunca vi você ficar desse jeito por uma garota- ela disse surpresa
– Pois é, nem eu
– O que aconteceu?
Contei a Annabeth toda a confusão, apesar de nunca ter conversado com ela sobre outras garotas não tive nenhuma vergonha, até por que eu nunca conversaria com a garota que eu gosto sobre outra garota, seria burrice, mas naquele momento eu não me importei como se o meu gostar pela Annabeth fosse diferente do gostar da Thalia, como se Annabeth fosse algo carinhoso enquanto que o da Thalia, eu não sabia descrever, era algo que me machucava, mas também me fazia feliz, um tanto quanto estranho.
– Agora eu não sei o que eu faço, ela está simplesmente se fechando, na tentativa de expulsar a tristeza, e talvez isso esteja funcionando para ela, mas não para mim.
– O que você está sentindo?- Annabeth perguntou olhando pro céu
– Estou meio perdido, sem saber o que eu faço, queria que ela enfrentasse e que pudéssemos resolver isso logo, mesmo tendo a conhecido há pouco tempo, é horrível ficar brigado com ela. Também tem o fato de que o meu pensamento estivesse voltado para ela todo o tempo, isso é irritante... — disse pressionando uma mão sobre a outra
– Sabe... Eu acho que isso que ela está fazendo não é para expulsar a tristeza, mas sim pra fazer você sentir o mesmo que ela, afinal você também fingiu esquecer-se da festa e do beijo e isso com certeza a magoou e agora ela provavelmente quer que você sinta o mesmo.
– O que?- falei meio confuso
– É, na verdade se eu estivesse no lugar dela faria a mesma coisa
– Vocês, mulheres são estranhas- disse rindo
– AAH... E mais uma coisa que percebi- ela disse rindo da minha cara — Você está apaixonado por ela.
– O QUE? – falei assustado-Você prestou atenção no que acabou de dizer, viu que não tem lógica, né?
– É claro que tem- ela disse gargalhando
– Não, não tem... — mal sabe ela que estou apaixonado por ela, mas este sentimento por Thalia é algo novo será que Annabeth está certa... Não pode estar, porque seu estivesse apaixonado por Thalia sentiria a mesma coisa quer sinto pela Annabeth, e os meus sentimento por Thalia são... são... mais intensos...
Isso significa que talvez esse tempo todo estive enganado sobre o que é paixão.
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