Destinados Pela Magia
1 A Convocação
Notas iniciais
POV Percy
Era uma típica manhã de sábado em New York, provavelmente umas 8:00 da manhã, quando sou acordado por berros vindos de Thalia, minha irmã mais nova, e de Sally, minha mãe. Thalia gritava algo como “Ele não vai! Não sem mim!”, e por minha mãe possuir um tom de voz extremamente mais baixo do que o de Thalia, eu não conseguia escutar o que ela gritava. Resolvi que iria tentar ouvir a “conversa”, então, levantei-me silenciosamente e fui na direção dos gritos, no caso o quarto de minha irmã. Fiquei espiando a conversa dali de perto.
- Minha filha, entenda, esse é o destino dele! Você sabia que isso aconteceria. – Sally disse, em um tom mais baixo. Seus cabelos castanhos e cacheados estavam presos em um rabo de cavalo frouxo e ela vestia um vestido florido que ia até os joelhos.
-Não! Alias, por que também não fui convocada? Não posso deixá-lo ir sozinho para aquela escola.
Nesse momento meu coração disparou. Tinha certeza que não era uma escola comum, como todas as outras que havíamos frequentado, afinal Thalia não estaria tão histérica se fosse, acabei dando um passo para trás provocando um suave barulho. Percebi que a conversa havia se encerrado, ou melhor, eu havia interrompido. Dei uma olhada pela brecha da porta e vi Thalia. Ela parecia ter acabado de acordar. Ainda vestia seu pijama de caveiras (o que era meio estranho, mas ela tinha um estilo meio punk), o cabelo liso e negro estava despenteado e seus olhos azuis elétricos demonstravam sono. Fazia sinais para minha mãe, não conseguia entende-los, mas Thalia rapidamente tirou sua varinha e apontou-a para a porta. Colocou toda a sua energia e fez a porta cair em cima de meu corpo. Dei um grito para que ela tirasse-a de mim, o que demorou alguns segundos para acontecer.
Sally virou para mim com uma expressão não muito amigável. De cara percebi que ia levar uma bronca logo cedo.
-PERSEU JACKSON!– minha mãe dizia – quantas vezes eu já lhe disse que não pode escutar a conversa dos outros?!
-Bem... Mãe... a conversa é sobre mim, não é? – perguntei, já sabendo a resposta.
-NÃO!! – grita Thalia já tentando me tirar do quarto dela, mas minha mãe a interrompeu.
-Sim Percy, é sobre...
-MÃE! – grita Thalia tentando esconder os fatos.
-Thalia, ele vai ter que saber em algum momento.
-Mas mãe!
-Thalia – minha mãe falou em um tom de voz mais alto, fazendo um sinal com a cabeça como se estivesse mandando Thalia se comportar. Isso nunca adiantava com minha irmã, mas de repente ela parou de me empurrar para fora do quarto e me puxou, fazendo com que eu me sentasse em sua cama. Sally e Thalia se posicionaram na minha frente, não pude deixar de notar o olhar preocupado no rosto de minha mãe. Já no rosto de Thalia estava escancarada uma expressão de raiva. Nesse momento, já não tinha certeza se queria realmente ouvir o que minha mãe tinha a dizer.
- Percy... bom, você já sabe a algum tempo que é um bruxo – minha mãe dizia. Fiz que sim com a cabeça, tentando não interrompe-la – é obrigatório, aos 12 anos, mandar a fixa do bruxo ou da bruxa para uma escola de magia. No nosso caso, Hogwarts... bom, uns bruxos são convocados mais rápido que outros – Sally dizia olhando para Thalia, como se aquela frase fosse a resposta para a situação dela – o que quero dizer é que...
- QUE VOCÊ FOI CONVOCADO PELA ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS!! – Sally foi interrompida por Thalia que já estava impaciente, e eu, ao ouvir aquilo, fiquei extremamente. Logo uma onda de felicidade tomou de mim. Levantei me e comecei a fazer uma dançinha (N/A: ridícula, por sinal u.u).
- Então mãe, quando eu e Thalia vamos para a escola de magia? – perguntei, já muito empolgado. Nesse momento, minha irmã mais nova sai de seu quarto esbravejando e batendo a porta com força atrás de si.
- O que foi que deu nela?! – perguntei.
- Percy... Thalia não foi convocada. – as palavras de minha mãe me atingiram como um soco no estômago. Sem dizer uma palavra, me retirei do quarto de Thalia e me dirigi ao meu.
Eu e Thalia não havíamos nos separado, mesmo que ela fosse um ano e seis meses mais nova que eu (é, eu repeti um ano). Nós sempre estudamos nas mesmas escolas, e nas mesmas classes. Sempre que eu entrava em alguma briga com garotos, Thalia me ajudava a bater nele (N/A: Quem batia neles era Thalia, Percy apenas gritava palavras de incentivo pra ela).
Eu sabia que não podia depender para sempre de minha irmã mais nova, mas a ideia de ir sem aquela pirralhinha para Hogwarts me deixava frustrado.
A noite já chegara, e mal havia conseguido falar com Thalia. Sabia que ela estava magoada.
Após terminar de jantar (sozinho, pois minha mãe havia saído e Thalia havia comido em seu quarto), subi em direção ao meu quarto, mas parei em frente à porta do quarto de minha irmã, que continuava fechada desde cedo. Hesitei um pouco, mas bati com força na porta para ter certeza de que se ela estivesse com os fones, poderia me ouvir.
- VÁ EMBORA! – podemos dizer que quando Thalia está brava, não é a pessoa mais simpática do mundo.
Ignorei a ordem de minha irmã e entrei em seu quarto, que estava destrancado.
A janela estava aberta, fazendo com que o vento movimentasse um pouco as cortinhas brancas do quarto. Vi os dois furos em um local do pano e me lembrei da noite em que havíamos saído pelo prédio do apartamento tentando assustar as pessoas (tínhamos 12 anos, dêem um desconto u.u). Sorri com a lembrança. Olhei para as paredes do quarto de minha irmã e vi os vários posters de bandas de rock colados.
- O que você quer, Percy? – perguntou ela.
- Conversar. – respondi, me sentando em uma cadeira. – me desculpe por hoje mais cedo... eu não sabia que você não tinha sido convocada, se você quiser eu posso não ir pra Hogwarts e...
- Percy... pare. Eles te aprovaram, aprovaram sua fixa. Isso é mérito seu, e você tem que ir. – disse minha irmã, se levantando de sua cama e colocando a mão em meu ombro. – Quando eu conseguir ser convocada eu certamente te encontrarei lá.
Tive que me retirar do quarto de Thalia, pois ela disse que teria prova no dia seguinte, e eu também precisava minha mala.
Entrei no meu quarto e comecei a “arrumar” as coisas (joguei todas as roupas do meu guarda roupa em duas malas e mais uma mochila em que coloquei alguns badulaques. Deixei tudo jogado em um canto do quarto.
Deitei-me na cama e fiquei imaginando como seria aquele período escolar em Hogwarts. Eu teria amigos? Como seriam as matérias? E os professores? Eu só tinha certeza de que sentiria falta de minha família (principalmente de minha mãe e de minha irmã, já que meu pai era ausente), e com esses pensamentos eu acabei dormindo.
Acordei com leves sacodes no ombro. Quando finalmente abro os olhos, encontro minha mãe e minha irmã me encarando.
- Percy, tome um banho e troque de roupa, daqui a uma hora o ônibus de Hogwarts passará, e você tem que estar pronto! – minha mãe disse. Ela tinha a mesma aparência do dia anterior. Já Thalia vestia o uniforme de nossa – sua – nova escola. Eu ia demorar muito para me acostumar a isso.
Me levantei e pedi que elas me dessem um tempo. Elas concordaram e saíram do quarto.
Olhei para o relógio que marcava 5:10 da manhã. Bocejei, olhei-me no espelho – parecia um zumbi – e segui em direção ao banheiro. Tomei um banho rápido e me vesti: uma calça jeans desbotada,uma camisa azul simples e um all star preto. Passei apenas a mão nos cabelos, já que gostava mais deles bagunçados.
Desci as escadas ás pressas e cheguei a porta da minha casa onde encontrei um ônibus parado ali em frente. Minha mãe e minha irmã apareceram da cozinha.
- Vá em segurança, Percy. Não se esqueça de escrever, telefonar, manter contato e... – minha mãe dizia, já com a voz de choro.
- Tudo bem mamãe. – dei lhe um beijo na bochecha e olhei para minha irmã mais nova.
- E você, pirralhinha, não apronte nenhuma, certo? – falei. Depositei um beijo em sua testa.
- Eu?! Claro que não! Tome cuidado. Nos vemos... em breve. – disse ela.
- Amo vocês. – disse antes de sair. Elas gritaram que me amavam de volta, e entrei no ônibus.
O motorista acenou com a cabeça, entrei e me sentei em um banco, com vista para a janela. Dormi a viagem inteira.
Quando acordei, o ônibus já não estava mais em movimento e as pessoas desciam. Segui o fluxo e sai também. Me informei e me dirigi até a diretoria da nova escola.
Cheguei até lá e vi que na porta estava escrito: Sr. D, bati na porta e abri quando ouvi um “entre”.
Quando entrei, me deparei com um homem de cabelos encaracolados e uma camiseta cor-de-vinho.
- Sou Dionísio, diretor dessa escola. Agora me diga, quem é você?
- Sou Perseu Jackson, filho do bruxo Poseidon.
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