Destinados...?
30 Especial: Feliz Dia Dos Pais!
Notas iniciais
Bum acordou animado, aquele definitivamente seria um bom dia. Já havia deixado absolutamente tudo preparado, e esperava que sua mãe realmente gostasse. No auge de seus sete anos, ele já sabia cozinhar o básico, além de ter feito belos cravos rosa de papel, durante a aula daquela semana, para dar de presente. Ele sorriu enquanto tomava cuidado ao colocar a porção de arroz na tigela em cima da bandeja.
Depois, com toda a sua força inexistente, ele a ergueu e carregou para o quarto de sua mãe. Parando diante da porta e a fitando por alguns instantes.
"Esqueci de abrir..." — pensou o pequeno, voltando com a bandeja até a mesa da cozinha, largando-a, correndo para abrir a porta e então indo buscá-la novamente.
Ouviu risinhos vindos do quarto.
— Ora, se não é o meu filho favorito? – a mãe sorriu radiante enquanto o moreno se esforçava para deixar a bandeja no local.
— Mas eu sou seu único filho... – disse pensativo o pequeno. A mãe riu passando os dedos entre os fios de cabelo do ômega.
— E onde está a sua parte? – perguntou curiosa.
— Eu... Acho que me esqueci de fazer! – disse a criança envergonhadamente.
— Mas não pode! – a mãe sorriu: — Vem! – ela o pegou nos braços e o colocou no colo: — Vamos dividir. – começou a comer, fazendo o menor acompanhá-la.
Após a refeição, Bum saiu dos braços de sua mãe e trouxe-lhe o cravo rosa, que prendeu em sua roupa: — Feliz dia dos pais! – disse com um sorriso.
A mãe retribuiu o gesto dando um doce beijo na testa do filho: — Hoje veremos seu pai também, não é?
Bum assentiu. Estava ansioso por isso, nunca foram visitá-lo. No ano anterior, pensou que iriam durante o Chuseok, mas sua mãe conseguiu enrolá-lo. Só que dessa vez, não passava, hoje eles iriam! Vestiu sua roupa de passeio e saiu com a mãe.
Pegaram um ônibus que levou em torno de três horas para chegar ao local, antes de subirem a montanha, comeram o lanche que ela trouxera. Durante a subida, viram uma senhora com um homem descendo e sua mãe parou de andar. O homem passou à senhora e parou diante deles.
— O que pensa que está fazendo aqui? – falou em tom acusatório, olhando agressivamente a mãe de Bum.
O pequeno assustou-se, indo para trás da mãe. Ela baixou a cabeça, colocando protetoramente a mão no filho: — Ele queria vê-lo...
— Ele não é filho dele! – disse o homem, parecendo indignado com o desejo da criança. A mãe ergueu o rosto, fitando-o nos olhos.
— Como pode dizer uma coisa dessas? Você sabe... – ele a interrompeu.
— Ele deve ser filho de um dos homens que você dormiu. Sua puta ignorante! – o homem se aproximou mais e Bum sentiu que iria chorar, mas ficou na frente da mãe.
— Não... Não... Fala... Assim... Dela! – ele tremia, contudo se aquele senhor avançasse, protegeria a mamãe.
— Já chega! – a senhora que apenas observava até o momento, interferiu. Passou reto pelo homem: — Vamos. Já fizemos o que queríamos, deixe-a passar.
— Mas...
— Eu disse para deixá-la passar. – ela seguiu seu caminho, parando apenas por alguns segundos para observar o pequeno e depois foi em frente. O homem a seguiu.
—... – a mãe de Bum suspirou, e então fitou o moreno que ainda tremia: — Eles já foram meu amor. – ela o abraçou: — Quanta coragem! – apertou mais forte: — Meu menino corajoso! – disse sorrindo e voltando a andar.
Eles andaram um pouco mais, até a mãe apontar o local onde seu pai estava... Bum ficou em dúvida, claro que acreditava em sua mãe, mas o que aquele homem falara: — Quem está enterrado aqui, realmente é meu pai? – perguntou inocentemente.
A mãe o fitou e deu um sorriso triste, puxando-o para mais perto: — Meu anjo, mesmo que o mundo inteiro diga que não, sim, ele era seu pai. – ela fitou a terra: — Um homem muito bom, que o irmão apenas invejava e nunca chegará perto de ser.
Bum observou a mãe, ela realmente parecia triste. Sentiu-se arrependido por tê-la forçado a ir: — Desculpe... – murmurou, tirando sua mãe do transe.
— Não se desculpe amor! – a mulher fitou-o com ternura: — Você não queria dar algo a ele?
Bum assentiu, tirando um cravo rosa e botando sobre o local: — Feliz dia dos pais! – disse sem graça.
A mãe então segurou fortemente sua mão: — Quem quer comer algo gostoso? – falou sorrindo.
— Eu! Eu! – respondeu o menino animado enquanto desciam a montanha.
~*~*~*~
Sangwoo já havia lido o livro cinco vezes. Não parecia nada difícil. Então, por que estava tão, completa e absolutamente errado? Ele fitava a panela que borbulhava a mistura que aparentava estar extremamente gosmenta.
— Por quê!? – se indignou o pequeno: — Qual é o seu problema!? – ele olhava para a panela, irritado. Ele tinha feito tudo certo! Certeza! Suspirou. A frustração subindo suas veias. Era a quarta tentativa e o quarto erro consecutivo. Ia tentar novamente. Tinha que aproveitar que seu pai saíra em viagem e ela estava a dormir, senão seria impossível.
Durante seus intensos sete anos de vida, nunca teve uma real dificuldade em aprender nada. Com exceção daquilo. Se ele conseguia tirar notas boas em tudo, era bom nos esportes, era bom em música, por que era tão difícil cozinhar? Ele sabia até limpar!
— Oh, não! – ele ouviu uma voz esganiçada, bem fininha vinda do quarto: — Estamos morrendo, Sangwoo! Não sobreviveremos a isso! – a mulher se aproximou, o pequeno ficou vermelho, mas não riu.
— Não começa! – disse tentando parecer zangado: — Era para ser um presente...! – soava frustrado.
A mulher riu, fazendo cócegas no pequeno: — Nãooo! Pare! Por favor! Não assassine mais de nós! – o garoto tentava resistir bravamente, mas a voz esganiçada da mãe, mais as cócegas; era impossível aguentar. Caiu na gargalhada.
Ela então começou a limpar toda a bagunça do pequeno, enquanto o mesmo ajudava. Depois tentou ensiná-lo a cozinhar algo, mas foi uma falha épica. No fim, ela mesma preparou a refeição enquanto ele cantava uma música, como compensação.
Ele se lembrou de trazer o cravo que fizera na escola, era vermelho e tinha uma pequena faixa que dizia 'Obrigado aos meus pais por tudo!' – entregou a mãe, totalmente envergonhado: — Só porque você é você. – disse com convicção.
Ela sorriu: — Claro! Ser ou não, se assim sou, a que me assemelho? – o menino piscou, a mãe adorava fazer aquelas brincadeiras.
O garoto pensou por instantes "Ser ou não – repetiu mentalmente – Ser ou não ser..." – os olhos do menino brilharam "Ela quer Shakespeare, Hamlet, mas como posso responder...?" – ele refletiu um pouco a mais: — Como tu te assemelhas a ti mesmo. – disse com confiança.
— Hamlet, ato um, cena um, foi fácil! – ela falou enquanto ria docemente.
O pequeno alpha corou: — É claro! Você deve fazer mais difícil na próxima...
A mãe o abraçou: — Prometo me esforçar. – ela então levantou e pegou uma cesta, erguendo-a: — Vamos fazer um piquenique?
O menino se animou e concordou com a cabeça, saíram indo a um parque próximo. Divertiram-se a tarde inteira e voltaram antes do anoitecer.
Sangwoo esperou a mãe ir dormir, antes de descer as escadas e deixar o cravo do pai em cima da mesa onde ele sempre colocava a maleta ao chegar de viagem. Aguardou no alto da escadaria, e ao ouvir a porta fechar, desceu bem devagar, para espiar a reação dele. O homem pegou o presente, leu e jogou no lixo. Abrindo a geladeira para escolher algo de comer.
O menino suspirou. Não entendia porque ainda tinha esperanças. Entrou no quarto e observou as estrelas do teto: — Queria poder morar só com a mamãe... – murmurou, fechando os olhos e indo dormir. Comparado há outros dias, aquele havia sido muito bom.
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