Despreparo
1 único
Notas iniciais
Padma estava no quarto copo de Firewhisky.
Ela queria chorar. Derramar uma lágrima que fosse, mas não conseguia.
Tocou os colares no pescoço, os pingentes fazendo barulho na corrente. Um, prateado, com um corvo pousado graciosamente dentro da curva do P. Aquele era seu desde que os pais souberam da casa, embora não gostasse muito de jóias. O segundo era dourado, um leão erguido sobre as patas traseiras gravado no traço do P.
Aquele era de Parvati.
Bebeu outro gole.
Se sentia um monstro por não conseguir chorar a morte da irmã.
"Imaginei que estaria aqui."
Ergue os olhos, e encontra George Weasley. Ele tem um dos cotovelos no balcão, e Padma se pergunta se ele está ali por coincidência ou se Lavander havia organizado outra busca por ela. Chegava a ser incomodo o protetorismo que a cercava depois da guerra, como se não pudesse dar dois passos sem alguém perguntar se estava tudo bem.
(Nunca estaria tudo bem novamente, mas fingia que sim.)
O ruivo escorregou para a cadeira livre ao seu lado.
"O mesmo que ela está bebendo", pediu George, e o atendente acenou. Poucos segundos depois, o copo levitou até onde estavam. "Ron comentou que você tinha sumido. Sua amiga está te procurando."
"Lavander sufoca, às vezes." Deu de ombros, virando o conteúdo do copo, seguido por um movimento pedindo outra dose. "Veio me levar para casa?"
"Na verdade, não." Bebeu de seu próprio copo. "Mas vou te acompanhar, se não se importa."
Eles nunca foram próximos, sequer conhecidos, de modo algum, mas o desfecho em comum trouxera um para a órbita do outro. Haviam coisas que só se podia conversar com aqueles que também às vivenciaram.
Ser metade de um inteiro era uma delas.
"É uma merda." A corvina riu, mas só havia amargor no gesto. Era o máximo que conseguia xingar, também, porque a boca suja sempre havia sido de Parvati.
"É uma porra", o mais velho concordou, uma das mãos deslizando sobre o balcão, dedos enlaçando os seus.
Eu te entendo, Padma leu nas entrelinhas. E, pela primeira vez, era verdade. Perder familiares doía como o inferno, mas Parvati e ela estavam juntas desde que nasceram, literalmente, e foi como perder uma parte da própria alma. E George sabia, porque também perdeu Fred.
Apertou a mão dele contra a sua. Não sabia consolar ninguém, mas ter ele perto fazia considerar que, talvez, não estivesse tão sozinha quanto se sentia, mesmo que na prática o buraco negro onde antes havia o coração continuasse ali; engolindo emoções, sentimentos, qualquer coisa, boa ou ruim.
Não demoraria para que engolisse Padma por inteiro.
Se beijam, e tem gosto de uísque e solidão e desespero. Deveria ser ruim, mas era uma constante, a única que tinha nos últimos meses, então acaba sendo bom a certeza de que pelo menos aquilo continuava igual.
Fred e Parvati tinham sido egoístas em ir e os deixar para trás, então não parecia assim tão condenável que se permitissem sê-los também.
Notas finais
Mas é carnaval, estou doente e adoro fazer o George sofrer.
O plot surgiu de repente, e escrevi em pouquíssimo tempo, na sexta. Ontem procurei a capa, hoje revisei e postei, então foi realmente curto o tempo. Por favor, se perceber algo que escapou na correção, deixe-me saber!
O fim é em aberto, porque nenhum encerramento me satisfazia, então deixo para vossa imaginação.
Obrigado por ler ♥
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