Notas iniciais
Então gente como vocês estão? Não sou muito de falar nas notas iniciais, então vou direto ao ponto, até porque vocês devem estar curiosos. Aí está o primeiro capítulo, espero que gostem...


Pov's Fran

Faz um pouco mais de dois meses que vim para a França, dois meses que eu não vejo e não tenho notícias dos meus amigos. Sei que eu poderia ter ligado ou mandado mensagens para eles, mas acho que quanto menor for o contato, mais fácil será lidar com a saudade.

A faculdade é maravilhosa, realmente tem um ensino excelente. Professores altamente qualificados e estrutura de primeira. Não me arrependo de ter vindo estudar aqui, mas muitas das vezes me pergunto, se eu tivesse contado para o Diego, tudo seria assim? Se ele não teria vindo comigo e estaríamos felizes juntos?

Bom, como diz o Rodrigo, "quem vive de passado é museu" e eu tenho que deixar tudo que eu vivi com o Diego para trás, tenho que seguir em frente e se dedicar a minha nova vida.

Quando cheguei na França, descobri que o Rodrigo também havia vindo estudar engenharia na mesma faculdade que eu. Desde então nos tornamos muito amigos, tínhamos uma relação muito próxima, até que, ele resolveu que poderíamos tentar dar um passo a mais na nossa relação, no começo eu hesitei, não considerava uma boa ideia brincar com os sentimentos dele, mas acabei aceitando depois que vi que Diego estava feliz com a Carol ao seu lado. Se ele seguiu em frente, por que eu não poderia fazer o mesmo?

***

Algumas semanas atrás eu estava me sentindo muito mal, enjôos constantes, dor de cabeça e dores no corpo. Eu estava começando a me assustar, então resolvi ir ao médico, o que eu não esperava era que ele fosse dizer que eu estava grávida, ainda me lembro da minha reação como se fosse ontem.

* Flashback on*

— Então senhorita Francesca, eu temis suposições do que possa ser o seu "problema", mas para ter certeza, eu recomendei que fizesse um beta.

— E? – disse eu temendo a resposta.

— Então você quer abrir ou eu faço isso? — perguntou ele arqueando a sobrancelha.

— Pode abrir, não sei se vou conseguir entender o que está escrito mesmo. – disse eu fazendo com que o médico risse baixo.

— Muito bem. – disse ele abrindo o envelope devagar e por dois segundos eu não arranquei aquele papel da mão dele e abri, a ansiedade estava me matando. – Meus parabéns! Francesca você será mamãe em breve. – disse sorrindo.

*Flashback off*

Eu não conseguia reagir, entrei em estado de choque. A única coisa que fiz foi pegar o envelope e ler pra ter certeza que não era um sonho. Estava tão surpresa que apenas agradeci ao médico e em seguida sai do consultório e me sentei na sala de espera, não tinha condições de ir pra casa, ainda. Com que cara eu contaria isso para o Rodrigo? Ele jamais aceitaria, e o filho não podia ser dele, estávamos namorando mas nunca tínhamos feito sexo. Eu ainda não conseguia acreditar que em menos de uma hora, minha vida deu um giro de 360 graus, descobri que estava grávida, e o pior, o pai do meu filho estava do outro lado do mundo e eu não mantinha nenhum contato com ele.

Foi nessa mesma sala de espera que eu conheci minha futura melhor amiga, Beatriz, ou Bia como gosto de chama-la. Nos entendemos desde o primeiro momento, ela também havia descoberto que estava grávida e sabia que o namorado não aceitaria o filho, assim como os pais dela também não. Ela estava sem saída e foi aí que eu tive a ideia de levar ela pra morar comigo por um tempo, logo ela comprou um apartamento no mesmo prédio que o meu. Nos tornamos inseparáveis e combinamos de sair sempre, inclusive, hoje, pra comprar algumas coisas para fazer uma surpresa para o Rodrigo, tenho que contar sobre gravidez e decidi fazer isso de uma maneira diferente, e ela ia me ajudar.

***

Fui tirada dos meus pensamentos com batidas fortes na porta do meu quarto.

— Pode entrar a porta está aberta. – digo alto o suficiente pra que a pessoa pudesse ouvir.

— Boa tarde, amiga. – disse Bia entrando no quarto. – Está pronta para fazer compras? – disse ela animada.

— Para fazer compras sim, mas pra ver a reação do Rodrigo, não. — digo sinceramente.

— Você vai ver que ele vai entender e vai criar essa criança como se fosse dele. – disse ela me abraçando de lado. – Mas agora vamos, temos muita coisa para planejar. – disse ela me puxando pra fora do quarto.

Resolvi não falar nada, estava tão nervosa que nem conseguia conversar. Rodrigo é muito ciumento e tenho medo do que ele possa fazer quando descobrir que eu estou esperando um filho do Diego.

— Amiga você está aí? – disse Bia passando a mão em frente o meu rosto.

— Desculpa amiga, mas eu não consigo relaxar. To muito tensa e preocupada.

— Você precisa ficar calma. Vamos nos concentrar em comprar a roupinha, o sapatinho e os balões. Tenho certeza que ele vai amar a notícia.

— Espero que você tenha razão. – disse forçando um sorriso.

Era tão bom saber que eu podia contar com ela a qualquer momento, minha amizade com ela podia ser comparada com a que eu tinha com a Vilu, com a diferença que eu conversava com a Bia todos os dias. Nos conhecíamos há pouco tempo, mas compartilhamos histórias e experiências, que fez com que nos aproximássemos muito rápido...

Pov's Diego

Hoje completava dois meses que a Fran me deixou, dois meses sem nenhuma mensagem ou notícia dela, dois meses que eu praticamente me tranquei em casa, saía apenas para ir á faculdade. Minha única companhia tem se tornado a Carol, ainda mantinha contato com os garotos e com as meninas, mas sempre que nos encontrávamos, acabávamos falando da Fran e esse é um assunto que eu evito ao máximo.

Hoje é quinta-feira, consequentemente, eu tinha faculdade, mas eu não estou com a mínima vontade de sair de casa. Mas eu tinha que ser forte, mesmo que apenas por fora, não podia demonstrar o quanto a viagem da Fran me afetou e continua afetando. Sempre que pensava nela não conseguia evitar que algumas lágrimas teimosas escorressem pelo meu rosto, doía tanto saber que eu a amava e ela não foi capaz de confiar em mim, e me contar que ia pra França. Se eu soubesse teria ido com ela e estaríamos felizes, mas não, ela teve que estragar tudo, deixou uma carta como se isso fosse amenizar o sofrimento e a dor que ela está me causando.

***

Estava sentado na sala, perdido em pensamentos, quando escuto a porta se abrindo, nem precisei me virar pra ver quem era, eu já sabia a resposta.

— Não acredito que está chorando de novo. – disse indignada.

— Me desculpa Carol, mas eu não consigo evitar, ela me faz falta. – disse colocando a mão no rosto.

— Diego, eu sei que ela faz falta, mas você precisa seguir em frente. Ela foi embora há dois meses e a única coisa que você fez foi chorar e ir pra faculdade. Isso não é vida. – disse se sentando ao meu lado.

— É esse o problema, – disse e ela me olhou confusa, mas antes que ela pudesse perguntar algo eu continuei. – não imaginava uma vida sem ela, tínhamos planos e eu esperava realizar todos com ela. Quando ela foi embora não levou apenas meu coração, levou a minha vida inteira. Eu vivia para ela.

— Aí que está o problema, você tem que viver por você e não por ela. Pense no que ela te fez e transforme essa tristeza em determinação, para seguir em frente e mostrar para todos que você está melhor sem ela. – me abraçou de lado.

— Eu não consigo simplesmente fingir que nada aconteceu, que estou bem, quando, na verdade, eu perdi tudo que eu mais amava.

— Você não perdeu tudo, eu estou aqui, seus amigos estão do seu lado, seus pais ainda moram na cidade e estão morrendo de saudades de você. Você não está sozinho, muita gente quer te ver bem, mas, para isso, você tem que pelo menos tentar.

— Você tem sido tão boa comigo, não sei como te agradecer. – digo secando as lágrimas que insistiam em cair.

— Se arrumar pra ir pra faculdade seria um bom começo. Não acha? — disse e eu não consegui evitar sorrir levemente.

Me levantei e fui ao meu quarto me arrumar. Carol tinha razão, ela preferiu assim, ela quis se afastar de mim, ela seguiu em frente e a partir de agora eu vou fazer o mesmo. Não posso me prender a ela pela eternidade, sei que o amor que sinto por ela é tão grande que não vou conseguir esquecer, mas vou me permitir ser feliz assim como ela está sendo.

Pov's Carol

Não acredito que aquele idiota estava chorando de novo. Ela o deixou e o imbecil ainda fica triste e sofrendo por causa dela. Tem que ser muito idiota.

Peguei meu celular e liguei para a única pessoa com quem eu podia compartilhar meus pensamentos.

*Ligação on*

— Fala Carolzinha. – disse uma voz bem animada do outro lado da linha.

— Não sei por que essa animação. – digo irritada.

— Porque, aqui, está correndo tudo as mil maravilhas, não tinha como ser melhor, a Fran caiu direitinho no nosso plano. Mas me conta o porquê dessa ligação, não foi pra perguntar como eu estou. – disse rindo.

— Você não é tão burro quanto eu pensava. Liguei porque não aguento mais bancar a boazinha e a amiguinha do Diego, ele é muito bobo, só sabe chorar.

— Você precisa ter paciência, ninguém disse que seria fácil. – disse um pouco mais sério. — Tente algo diferente, deixe a conversa de lado, leve-o para algum lugar e o seduza, mas não de maneira muito provocativa, e sim com um jeitinho doce e fofo, não sei explicar, mas você entendeu.

— É, eu entendi, mas não sei como vou fazer ele sair de casa, ele só vai a faculdade e volta pra casa.

— Você tem seu charme, ele não vai conseguir resistir por muito tempo. Mas se ele não quiser sair provoque ele aí mesmo, seria até mais fácil. – disse rindo e eu entendi o que ele quis dizer com "seria até mais fácil".

— Vou dar meu jeito, te mantenho informado e você nem pense em voltar para Buenos Aires. — digo em um tom ameaçador.

— Quem te disse que pretendo voltar pra Argentina?

— Ouvi uma conversa do Diego com a Vilu e ela disse que a Fran pretende voltar logo que acabar a faculdade.

— Pode ficar tranquila que isso não vai acontecer. Farei de tudo pra impedir.

— Acho bom, mas agora tenho que desligar, o Diego deve estar saindo do banho.

— Tudo bem, depois conversamos.

*Ligação off*

Não demorou muito e o Diego voltou pra sala, pronto para ir a faculdade. Diferente do que eu pensava, não parecia aquele Diego que estava chorando minutos atrás, quem o visse diria que ele está tendo um ótimo dia e está muito feliz.

— Nem parece aquele Diego que estava aqui minutos atrás. – sorri e peguei minha bolsa para sair.

— Porque aquele Diego foi embora junto com a água do banho, agora eu sou um novo Diego, um que se permite ser feliz e se coloca em primeiro lugar. – disse ele tentando demonstrar confiança.

— Assim que eu gosto. – disse dando dois tapinhas em seu ombro e saindo do apartamento.

O caminho até a faculdade foi descontraído, conversamos de assuntos aleatórios e diversificados. Não tocamos no assunto Francesca porque sabia que se tocasse abriria novamente a ferida que finalmente ele deixou que começasse a cicatrizar.

Chegamos na faculdade e ele foi para sua sala, enquanto eu fui para a biblioteca, tinha que devolver uns livros antes de ir para a aula. Eu curso administração e estou cada vez mais apaixonada pelo curso que escolhi, tenho certeza que vou adorar fazer isso o resto da minha vida.

Pov's Fran

O dia por incrível que pareça passou voando, estava tão distraída que nem vi as horas passarem. Compramos tudo que eu precisávamos e mais um pouco. Voltamos para o apartamento para começar a arrumar as coisas antes que o Rodrigo chegasse do trabalho.

Fizemos tipo uma caça ao tesouro, colocamos alguns papéis espalhados pela casa e cada um levava a uma dica de onde estaria o tesouro final. A última "etapa" estava no quarto, eu estaria sentada na cama com um presente em cima do colo, ele abriria e descobria o porque daquela preparação toda. Preparamos um jantar especial, compramos velas e rosas para enfeitar a mesa de jantar.

— Bom amiga, acho que meu trabalho acabou por aqui. – disse Bia exausta assim como eu. – Eu vou indo, boa sorte e quero todos os detalhes amanhã depois do seu plantão. – disse ela me dando um beijo na bochecha e saindo pela porta.

Mal podia esperar a hora do Rodrigo chegar, cada segundo que passava minha ansiedade aumentava mais e eu estava suando frio. Deixei a mesa pronta para servir e fui pro quarto ficar na minha posição, não podia correr o risco de ser vista em outro lugar. Não demorou muito e pude ouvir o barulho da maçaneta girando e Rodrigo entrando na casa.

O silêncio estava agoniante, eu sabia que ele estava seguindo atenciosamente as pistas, mas a demora estava me matando. Depois de uma eternidade ele finalmente abriu a porta do quarto e me viu sentada na cama forçando um sorriso.

— Meu amor o que está acontecendo? – disse ele arqueando a sobrancelha, como sempre fazia quando estava com dúvida.

— Sem perguntas, apenas siga minhas instruções. – ele apenas assentiu e eu entreguei a caixa que estava em minha mão pra ele. – Abra e veja o que está dentro dela. – ele apenas sorriu e fez o que eu havia mandado.

No momento em que ele abriu a caixa seu sorriso se transformou em uma cara de espanto, mas antes que ele perguntasse algo, comecei a falar.

— Antes de perguntar qualquer coisa, pegue todas as palavras chaves que você achou pela casa e junte elas em ordem pela cama.

Me levantei e fui até a mesinha que ficava um pouco mais no canto do quarto, enquanto ele organizava as palavras em ordem.

— Quando acabar leia a frase em voz alta por favor. – disse sorrindo, tinha esperança que ele fosse aceitar tudo numa boa.

Não demorou muito e ele se virou pra mim ainda com uma cara de espanto, mas logo se virou pra cama e começou a ler a frase:

— Não sei como te contar isso, foi tudo uma surpresa para mim também. Mas espero que você entenda e que me apóie. Eu estou grávida. – ele se virou novamente pra mim e ao perceber que eu não ia falar nada resolveu quebrar o silêncio. – O que significa isso Francesca?

— Não deixei muito claro o que está acontecendo? – perguntei indignada, ele não estava feliz muito menos compreensivo, invés disso havia raiva em seu olhar. – Porque está me olhando assim?

— Porque eu não posso acreditar que você esteja grávida daquele imbecil do Diego. – disse ele chutando algumas velas espalhadas pelo quarto.

— O que você quer que eu faça? Também não tinha planejado ficar grávida, mas aconteceu. – disse um pouco mais irritada que antes.

— Você não pode ter esse filho, não vê que ele vai acabar com as nossas vidas? – disse ele segurando meus ombros.

— Nem pense que eu vou abortar, eu não estava planejando, mas já amo essa criança incondicionalmente e seria incapaz de acabar com a vida dela só porque você é um egoísta que pensa em si mesmo. – disse furiosa, como ele podia cogitar a possibilidade de fazer isso?

— Você não vê que isso vai ser o melhor pra todos? O pai dessa criança está longe, você ainda está na faculdade. – disse ele tentando se controlar, mas a minha raiva aumentava a cada palavra que ele dizia.

— Você é mesmo um imbecil, não estou pedindo pra você assumir essa criança, só queria o seu apoio. — disse eu chorando. – Eu sei que não vai ser fácil, mas essa criança vai nascer e ser criada com muito amor e carinho, esteja você do meu lado ou não. – disse saindo do quarto e batendo a porta.

Me tranquei no quarto de hóspedes, não conseguiria olhar para a cara do Rodrigo, eu sabia que ele não ia gostar da ideia, mas não pensei que ele pudesse ser tão baixo e sem coração.

Não consegui evitar que as lágrimas saíssem e escorressem livremente pelo meu rosto, estava tão frágil que seria incapaz de impedi-las. Mas eu precisava ser forte, não só por mim, mas pelo bebê também.
Passaria a noite no quarto de hóspedes e no dia seguinte eu resolvia o que fazer, como já havia tomado banho, apenas me deitei na cama na esperança que tudo tivesse sido um pesadelo e que logo eu acordaria.

Passo a mão pela barriga e sussurro para mim mesmo.

— Vai dar tudo certo meu amor.

Notas finais
Então pessoal o que acharam? Comentem por favor de verdade, os comentários servem de inspiração pra gente continuar. Curiosos pra saber o que vai acontecer no próximo?