Despertar De Um Pesadelo
6 Quando não me reconhecer
Notas iniciais
Os braços de Kouyou envolveram o corpo do mais velho em um abraço desesperado e caloroso, ele se apertava tanto ao moreno que nem se importava de estar o machucando, o que provavelmente estava. Novamente a pasta que Yuu tinha em mão fora parar no chão, dessa vez por culpa de Kouyou. O calor dos corpos se chocando fez Yuu fechar os olhos momentaneamente, antes de reabri-los.
Kouyou se manteve preso ao moreno, soluçava desesperado. Não conseguia fazer outra coisa fora isso. Quanto tempo sonhou com o dia em que teria aquele abraço novamente, quantas noites passou com sorrisos tristes nos lábios imaginando os braços quentes e envolventes de Yuu o abraçando, o tocando.
Takanori via a cena um pouco mais afastado, sentia vontade de chorar e sorrir ao mesmo tempo. Finalmente pôde ser capaz de levar alguma felicidade à Kouyou depois de tanto sofrer, depois de ter falhado como amigo.
E Yuu? Agora ele estava ali, sem a distância que os separavam, sem a preocupação de rever Yuu algum dia. Sem se importar com o mundo acabar ali. Kouyou morreria feliz naquele momento, mas seria somente ali.
—Sumimasen . –A voz rouca e incerta se pronunciou depois de muito tempo.
Kouyou fitou o rosto do amado. Os olhares se chocaram e Yuu pareceu duvidar, Kouyou não afrouxava aquele abraço por nada, não queria soltar Yuu nunca mais.
—Senti tanto a sua falta, Yuu!! Eu nunca perdi as esperanças de um dia revê-lo, por mais difícil que as coisas estivessem. Eu só queria reencontrá-lo, saber o que aconteceu e... Não deixar que fosse embora novamente.
Kouyou não se importava com as pessoas que estavam olhando torto para eles dois, não se importava de estar chorando, não se importava que seu coração parasse agora. Estaria tudo bem, desde que esteja com Yuu.
—Nós... Você me conhece? – A pergunta lançada ao menor o fez congelar, seu coração falhou algumas batidas. Yuu mantinha as mãos para baixo, sem reagir ao abraço.
Kouyou o encarou, não podia ser verdade. Yuu não poderia ter se esquecido dele, não é? Ele ficou esperando que Yuu risse e dissesse que era brincadeira, que o abraçasse e o beijasse, que dissesse que não iria trabalhar pra matar a saudade, explicar os motivos de ter sumido. Entretanto, nenhumas dessas coisas vieram.
—Sou eu, Aoi. Yuu? –Kouyou sorriu irônico, como não acreditasse que isso estivesse acontecendo.
—Desculpe, Aoi. Mas não lembro, nos conhecemos?
Kouyou soltou-o no mesmo instante e o encarou. Olhou para Takanori, que por sua vez se aproximou de imediato. Yuu parecia confuso e uma aura estranha emanava dele naquele momento. Yuu estava achando que o nome de Kouyou era “Aoi"?
—Yuu, você tem que se lembrar de mim.– Kouyou apontou para si mesmo.
—Me desculpe. Eu não me lembro de você. – o moreno passou a mão pelo cabelo, parecendo sentir dor de cabeça.
—Kou, é melhor nós irmos.– Takanori tentou alguma medida desesperada.
—Não!! – Olhou rapidamente para ele e voltou a encarar Yuu – Ele não pode ter se esquecido de mim! Você está fingindo, eu sei que está!! –Apontou pra ele, tentava manter o tom calmo – Você acha que pode ficar fazendo essas coisas comigo? Você disse meu nome... No telefone!!!
Yuu estava confuso, mantinha as mãos na cabeça. Seu rosto com uma expressão fechada, ele apenas queria sair dali, sumir de perto daquela pessoa.
—Não... Sei do que está falando, desculpe. – Respirou fundo, procurando a pasta, que agora estava esquecida no asfalto.
—Pare com essa brincadeira, Aoi. –Kouyou gritou e segurou o pulso do moreno – Não pode estar falando sério, não pode ter se esquecido de tudo. Das vezes em que disse que me amava...
Respirar estava ficando difíci, enxergar Yuu também. A visão estava toda embaçada e as lágrimas pareciam não cessar.
—Eu já disse que não te conheço!! – Com um tranco Yuu foi capaz de livrar o pulso do toque do menor, esse por sua vez deu alguns passos pra trás, chocado.
Kouyou ia dizer algo, ia protestar ou simplesmente gritar se não tivesse sido puxado com aspereza, quase caindo contra quem o puxara.
—Para com isso, Kouyou. — O homem disse rígido. –Não vou deixar que se afunde mais, as pessoas estão olhando.
—Pro inferno as pessoas, Miku!! – Kouyou se debatia, mas Mikurami o manteve preso entre seus braços para que ambos não se machucassem. –Yuu...
Yuu se manteve estático. Olhava aquele ser digno de pena se debater nos braços de alguém, chorando, implorando... O chamando. E apenas observou.
—Já chega, vamos embora! –Mikurami saiu arrastando Kouyou contra sua vontade, as pessoas olhavam a cena assustadas, Kouyou gritava. Por fim Mikurami se viu estapeando a face do irmão para que sossegasse.
Yuu arregalou os olhos e deu um passo para frente. Takanori interveio e segurou o braço dele para que Kouyou não acabasse levando outro tapa daqueles. Mikurami empurrou Takanori com força, o derrubando.
—já aguentei gracinhas demais de vocês! Vejam o que estão fazendo com meu irmão!! – Gritou, apontando para Kouyou dentro do táxi, que estava com a mão na face e chorando.
Após berrar, Mikurami entrou no táxi e bateu a porta, sumindo da vista de Takanori e Yuu.
—Kou... –Yuu se deixou cair de joelhos enquanto olhava na direção do carro. Passou a mão no rosto, estava se desesperando.
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