Despertados

11 Por Trás Da Porta


CAPÍTULO 12 — POR TRÁS DA PORTA

–Você ainda quer entregar a Mônica?- Dora esperou a resposta pacientemente.
–Não, não vou!- Denise ainda estava abalada, visões do sonho de Dora surgiam em sua mente a cada minuto.
–Espero que todos entendam que não foi à toa que mostrei meu sonho para vocês!
–O que quer dizer com isso?- Cascão perguntou.
–Eu fiz tudo o que pude para tirar o Alex daquele lugar e só depois de muito fracasso eu percebi que não poderia fazer isso sozinha!
–Peraí, você acha mesmo que vamos te ajudar a invadir aquele centro?- Cebola parecia atordoado.
–Acho! e mais, todos os internos do CPC passam por aquilo que vimos, temos que tirar todos de lá!
–Você deve estar louca se acha que faríamos uma coisa dessas, somos só estudantes. fazer o que disse dá cadeia, no nosso caso, casa de detenção. -Cascão já estava de pé pronto para sair do quarto.
–Como podem estar indiferentes àquilo que mostrei para vocês? Não pensem que outras pessoas poderiam tirar os internos de lá, o NSP e o colégio Hector subornam a polícia e quem quer que pense em investigar o método que eles usam pra bloquear os dons dos internos!
–Aposto que vocês conseguem sem mim!- Cebola estava prestes a sair.
–Pense bem Cebola, você é um infrene! quando tiver um filho ele poderá nascer sem o controle do dom que tiver, é pra lá que vão mandá-lo!- Cebola podia ver seu reflexo nos óculos escuros de Dora, ele não parecia indiferente, parecia assustado.
–Essa é a primeira vez que estou pedindo ajuda! se vocês não quiserem fazer isto então vou continuar tentando sozinha! mas agora eu preciso saber; quem de vocês vai me ajudar?
O silêncio no quarto durou uma eternidade, ninguém olhava a reação dos outros, estavam imersos nos próprios dilemas, fazer aquilo poderia mudar o rumo da vida de todos, se tudo desse errado acabariam expulsos ou presos num casa de detenção, se desse certo impediriam que mais pessoas inocentes sofressem cirurgias clandestinas.
–Eu vou com você!- Mônica levantou da cama. -não vou só porque estou correndo o risco de terminar lá, mas também porque não consigo saber de uma monstruosidade dessas e ficar parada me fazendo de desentendida!- ela deu uma rápida olhadela para Cebola.
–Também vou! é injustiça demais pra tolerar!- Magali se colocou ao lado da amiga.
–E quanto a vocês?- Dora perguntou aos meninos.
–Mas e se tudo der errado?- Cascão estava em dúvida sobre que decisão tomar.
–Tenho certeza que vamos conseguir, juntos!- Mônica falou.
–Okay, eu vou! mas espero que o seu plano seja bom de verdade!- ele se distanciou da porta e foi até as meninas. -E você Cebola?
–Não me comprometo a arriscar tudo por essa maluquice, mas eu vou ajudar vocês!
–Que bom que você conseguiu montar sua gangue Dora, agora é melhor eu vazar!- Denise pegou seu celular e foi até a porta.
–Você não vai ajudar?- Magali perguntou.
–Desculpa povo, mas salvar gente internada não faz parte do meu perfil, garanto que vocês vão se sair muito bem sem mim! E não se preocupem não vou dedurar ninguém pra direção!
–Mas e se precisarmos de você?- Cebola perguntou.
–Eu sou muito boa em dar conselhos e jogar a real na galera, se precisarem disso estarei a disposição. Mas ficar na linha de frente nem pensar!- Denise abriu a porta e saiu deixando os cinco olhando a porta ser fechada na cara deles.
–Bom, ela já vai ajudar muito não contando para o Drauzio do nosso envolvimento no incêndio!- Cascão falou.
–Tem razão, mas agora temos que falar sobre a fuga do CPC!- Mônica olhou para Dora.
–Não hoje, já é muito tarde e temos que acordar cedo! amanhã depois das aulas nos encontramos aqui mesmo pra falar sobre isso! tudo bem?- Dora perguntou.
–Claro, você está certa! vamos indo Cascão, espero que os nossos colegas de quarto não tenham notado que ficamos fora da cama até agora!- Cebola saiu pelo porta com Cascão atrás deixando as meninas a sós.
–Vamos dormir também, estou pregada!- Magali já se deitava na cama.
–Pra onde foi a Denise?- Mônica perguntou.
–Não faço ideia, aquela menina é estranha!- Dora respondeu.


Os corredores estavam na completa escuridão, o colégio não deixava a luz acesa pra evitar que alunos saíssem dos quartos à noite, porém naquela noite um deles não se deixou temer. A luz fraca do celular iluminava apenas o suficiente para que ela não batesse a cara nos quadros pendurados, Denise andava sem emitir nenhum som já que sabia que alguns alunos ficavam acordados até mais tarde.
Passou por vários portas até chegar àquela que lhe motivou a sair no escuro, bateu três vezes mas ninguém abriu, bateu mais forte e por mais vezes até que o som da chave destrancando a porta soasse e ela fosse aberta.
–Quem está aí? o que quer a uma hora dessas?- a porta em questão era do quarto de Drauzio, ele mal conseguia abrir os olhos, estava com um ridículo pijama listrado.
–Oi diretor, tenho que conversar com você sobre algumas coisas que fiquei sabendo a respeito do Centro Psiquiátrico de Controle!
–Como é que é?- a luz do celular o impedia de ver quem estava diante dele.
–Deixe eu entrar, a conversa vai ser longa!- Denise o empurrou vagarosamente, entrou o fechou a porta atrás de si.

Notas finais
comentem please. :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.